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Le Grain de Tabac

Dans le document LES CONTES DU MILIEU DU MONDE (Page 70-86)

Oficina 2: A logomarca das oficinas 1 aula

Oficina 3: (Re)conhecendo a variedade rural 1 aula Oficina 4: Conhecendo o contínuo rural/urbano 1 aula Oficina 5: Aprendendo a noção de “variante” linguística 1 aula Oficina 6: Conhecendo o contínuo de monitoração estilística 2 aulas Oficina 7: Praticando os recursos da norma culta 1 aula Oficina 8: Nova oportunidade para praticar a norma culta 1 aula

Oficina 9: Criando reportagens 2 aulas

Oficina 10: Duas reportagens, duas variações linguísticas 1 aula

Oficina 11: Debate coletivo 1 aula

Oficina 12: A entrevista 1 aula

Oficina 1: Questionário escrito para inventário de crenças.

Como no caso da Escola Municipal Oswaldo Velloso, este encontro também não foi propriamente uma oficina de oralidade, mas objetivou o indispensável conhecimento dos alunos, o que foi conseguido através da aplicação de um questionário.

Para iniciá-lo, apresentei-me e disse aos alunos que iríamos trabalhar juntos por um bom tempo. Então, solicitei-lhes que respondessem a um questionário escrito para que eu os conhecesse melhor, o que iria facilitar nosso relacionamento e permitir que eu planejasse atividades mais coerentes com suas ideias e interesses. O questionário fora o mesmo aplicado para os alunos de ambas as escolas pesquisadas e encontra-se detalhado na oficina 1, da Escola Municipal Oswaldo Velloso.

Oficina 2: A logomarca das oficinas

Iniciei um diálogo com os alunos, esclarecendo o motivo de minha presença em sala de aula que se daria semanalmente, durante o primeiro semestre de 2013: a realização das Oficinas de oralidade. Então, retomei o assunto da aula anterior, relembrando o questionário que lhes havia sido entregue e perguntei como haviam respondido à pergunta: “O que serão as ‘Oficinas de oralidade’” E a resposta foi unânime: “Aulas para aprendermos a falar uma língua mais monitorada, mais formal.” Concordei com eles, elogiei suas reflexões e lhes disse que, além de praticarem a norma linguística oral culta, seriam aulas para conhecerem, refletirem sobre os diversos falares e aprenderem a respeitá-los, enquanto formas legítimas de expressão individual.

Sobre a importância do trato didático da oralidade em sala de aula, Martins (2011), em sua dissertação de Mestrado, assevera que o papel do professor no ensino da comunicação oral é fundamental para que estes desenvolvam estratégias necessárias para a evolução da capacidade comunicativa.

Em seguida, apresentei e distribuí a logomarca das oficinas, para os alunos terem registrada no seu caderno e questionei (Ver logomarca em Oficina 2, da escola Municipal Oswaldo Velloso):

Pesquisadora − O que vocês acharam da logomarca das oficinas? Aluno(a) 1 – Mostra que no Brasil tem diferentes modos de falar. Aluno(a) 2– É que cada um mesmo país tem diferentes modos de falar. Aluno(a) 3 – Cada um fala de um jeito.

Aluno(a) 4 – Cada um não, senão ninguém se entendia.

Aluno(a) 5 – Cada grupo fala de um jeito, tipo, “funkeiro”, “patricinhas”, “cabeções”. Aluno(a) 6 – É que tem a evolução da língua.

Pesquisadora −E o que significa evolução da língua? Coro de alunos – A língua vai mudando!

Aluno(a) 7 – É! Velho fala diferente de novo, na roça fala diferente da cidade, em outros lugares falam diferente daqui.

Pesquisadora −Muito bem. Estou vendo que vocês raciocinaram de maneira inteligente sobre as questões das diferenças linguísticas!

Essa conversa inicial com os alunos foi um momento de conscientização e reflexão sociolinguísticas. Comparando as respostas das duas realidades, constatei que as observações foram muito próximas, sendo que a diferença ficou por conta da prontidão dos alunos. No Colégio de Aplicação João XXIII, os alunos demonstraram mais agilidade na emissão das mesmas, sem grande esforço para prepará-las. Ao

contrário, na Escola Municipal Oswaldo Velloso, pensavam muito antes de responder, o que me levou à suposição de que eles eram menos expostos a eventos de oralidade. Oficina 3: (Re)conhecendo a variedade rural

Esta oficina visou à observação, sensibilização, conscientização e reflexão sobre a variedade rural, estabelecendo termo de comparação com a variedade urbana praticada pelos alunos. Gallo (1989), em sua dissertação de Mestrado, conclui que essas ações, aliadas a trabalhos que visem ao alargamento da competência de distinguir os recursos próprios das modalidades oral e escrita, propiciam ao aluno uma aquisição consistente da modalidade oral culta, com vistas ao empoderamento.

A oficina desenvolveu-se da seguinte maneira:

1º ) Leitura oral, realizada por mim, do texto “O limoeiro”, um monólogo do Chico Bento, personagem rural criado por Maurício de Sousa. A opção deve-se ao fato de ser um personagem amado pelos alunos que, por isso, o acolhem de forma amigável. Bortoni-Ricardo (2004, p. 46) afirma: “Chico Bento pode se transformar, em nossas salas de aula, em um símbolo do multiculturalismo que ali deve ser cultivado”.

Figura 3: Monólogo do Chico Bento

O LIMOEIRO

Maurício de Sousa (Chico Bento, n 354)

2º ) Diálogo com os alunos a partir da questão: O que vocês acham da fala do Chico Bento?

O LIMOEIRO

Maurício de Sousa (Chico Bento, n 354)

P – pai do Chico Bento M – mãe do Chico Bento

CB – Vixi! Como você cresceu! Inté parece qui foi onte qui prantei esse limoero! Agora, já tá cheio di gaio! Quase da minha artura! Como o tempo passa, né? Uns tempo atrais, ocê era deste tamanhico! Fiz um buraquinho i ponhei ocê inda mudinha dentro! Protegi dos vento, do sor, das geada... I nunca dexei fartá água! Imagina si eu ia dexá ocê passá sede! Hoje você tá desse tamanhão! Quero vê o dia im qui ocê tivé mais grande qui eu! Imagina só! Cum uns gaio cumprido cheio di limão i umas foia bem larga, pra dá sombra pra quem tive dibaxo! Aí, num vô percisá mais mi precupá c’ocê, né, limoero? Pruque aí ocê vai tá bem forte! Vai sabê se protegê do vento, do sor i da geada, sozinho! I suas raiz vão tá tão cumprida qui ocê vai podê buscá água por sua conta! Ocê vai sê dono docê mesmo! Sabe, limoero... Tava pensando... Acho que dispois, vai sê eu qui vô percisá docê! Isso é... Quando eu ficá mais veio! Craro! Cum uns limão tão bão qui ocê tem... i a sombra qui ocê dá, pode mi protegê inté dos pingo di chuva! Ocê vai fazê isso, limoero? Cuidá de mim tamém? Num importa! O importante é qui eu prantei ocê! I é ansim qui eu gosto! Do jeito qui ocê é.

Aluno(a) 1 − Fala tudo errado

Aluno(a) 2 − Não! Tem um modo diferente de falar. Aluno(a)5 − Fala igual gente da roça.

Aluno(a) 6 − Fala uma linguagem informal. Aluno(a) 7− Usa a fala rural.

Aluno(a) 8 − É muito legal ver tanta gente falando diferente e mesmo assim compreendendo o que os outros falam.

Aluno(a)9 − Fala diferente da gente por causa da convivência.

Aluno(a) 10 − Cada época e lugar têm o seu modo de falar. A gente fala de acordo com o lugar onde moramos.

Aluno(a) 11 − É a evolução da língua. Aluno(a) 12− É o jeito pessoal. É o sotaque.

Aluno(a) 13 − É o cérebro do Chico Bento que manda ele falar assim. Aluno(a)14 − Não tem TV na casa dele.

Aluno(a) 15 − É típico dele. Aluno(a) 16 − É o costume! Aluno(a)17 − É a convivência!

Aluno(a)18 − É a falta que faz a escola!

Aluno(a)19 – Ele estuda, masnão aprendeu a usar a fala formal na escola.

Quanto ao teor das respostas do C. A. João XXIII,se comparadas às do E. M. Oswaldo Velloso, os alunos fizeram uma análise mais consistente, demonstrando entenderem a unidade da língua como forma de se garantir a compreensão nas comunicações interpessoais e empregaram vocabulário linguístico mais específico como “língua informal e formal”, “sotaque”, “cérebro comandando o modo de falar”, “rural e urbano”, “convivência”.

Finalizando a oficina, analisei, juntamente com os alunos, as suas reflexões, discutindo sobre a ocorrência das variedades linguísticas e sua legitimidade, os fatores que as produzem e o preconceito que estigmatiza os falantes das normas desprestigiadas. Eles acompanharam bem o raciocínio e fizeram muitas colocações. Afirmaram que “as pessoas julgam os outros também pelo seu modo de falar, riem quando alguém fala ‘errado’, são enganadas por falas ‘mentirosas’”. Admitiram que cada um pode falar como quer, mas que há situações que exigem uma língua mais formal e atribuíram o compromisso desse ensino à escola.

Oficina 4: Conhecendo o contínuo rural/urbano

O contínuo rural-urbano é um instrumento facilitador da compreensão das variantes linguísticas porque, segundo Bortoni-Ricardo (2004, p. 52), permite situar “[...] qualquer falante do português brasileiro em um determinado ponto desse contínuo, levando em conta a região onde ele nasceu e vive”.

Em acordo com essa afirmativa, esta oficina visou à compreensão do conceito de variantes linguísticas e desenvolveu-se da seguinte maneira:

1º ) Distribuí o monólogo do Chico Bento xerocado e questionei: “O que vocês acharam desse texto”?

Aluno(a) 1 – Tem muitas palavras estranhas. Aluno(a) 2 – Fica até difícil de entender. Aluno(a) 3 – É muito diferente da nossa língua.

Pesquisadora – Vocês conhecem alguém que fale assim? Aluno(a) 4 – Só o Chico Bento. – concordaram todos.

Pesquisadora −Existem diferentes maneiras de nos expressarmos na fala. Por exemplo, de quais maneiras podemos encontrar a palavra você?

Aluno(a) 5 – Ocê, cê.

Aluno(a) 6 – Tem também vc do email. Aluno(a) 7 – É a língua do país dele.

Pesquisadora −Mas o Chico Bento estuda, tem escola na cidade dele. Então o que está acontecendo com o Chico Bento?

Aluno(a) 8 – O Maurício de Souza não quer que ele passe do falar rural para o falar urbano.

Aluno(a) 9 – Não, senão seria outra personagem.

2º) Expliquei aos alunos que as variações linguísticas têm suas variantes, que são diferentes opções para uma mesma palavra ou expressão e os orientei para que pesquisassem e sublinhassem as variantes do texto. Eles demonstraram terem compreendido bem o conceito de variantes linguísticas. Então perguntei:

Pesquisadora − Quais palavras, no texto, mostram que o Chico Bento fala diferente de nós, aqui da cidade?

Aluno(a) 1 – Gaio, artura, ocê, cum ...

Aluno(a) 2 – “Cum” a gente também fala! “Limoero”, também!

Aluno(a) 3 – Tem palavras que podemos falar de diferentes modos: manguera e mangueira, ocê, você, cê.

Entrevistadora –Muito bem. Essas diferentes maneiras de falarmos uma mesma palavra são chamadas de variantes linguísticas. Assim, minino, meninu são variantes da palavra ‘menino’.

3º) Em seguida, apresentei-lhes o contínuo rural-rurbano-urbano, desenhando-o no quadro-negro, e expliquei seu significado. Depois, solicitei que alocassem, oralmente, as variantes encontradas no contínuo.

No diálogo, os alunos chegaram à conclusão e explicaram que, mesmo na cidade, podemos encontrar o dialeto rural: pessoas que vêm fazer compras, visitar parentes ou mesmo aqueles que se mudam para a cidade e mantêm sua variedade linguística, o mesmo podendo acontecer com relação à zona rural. Essa observação me levou à percepção de que entenderam bem a questão da variedade rurbana.

Uma análise das reflexões dos alunos do Colégio de Aplicação João XXIII evidenciou vários pontos coincidentes com aquelas dos alunos da Escola Municipal Oswaldo Velloso, citadas na oficina 4 desta escola, quais sejam20:

 Reconhecem o valor da interação social na evolução da língua.  Entendem a língua como fator de identidade social.

 Percebem a influência da pressão social sobre os modos de falar.  Identificam o processo da evolução da língua.

 Têm a noção de contexto de produção.  Legitimam a variação linguística.

 Distinguem as características do falar rural e rurbano.

 Admitem o valor da escola, enquanto agência social de ensino.

 Mantêm o conceito tradicional de valoração de língua, referindo-se a ela como “caipira”, “errada”, “feia”, etc.

 Têm a noção de fala formal e informa.

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