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Gesturile şi semnificaţia lor

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TYPES OF SPEECH AND INTERACTIONAL MECHANISMS IN COMMUNICATION

SEMNIFICAŢIILE LIMBAJULUI GESTUAL / THE COMMUNICATIVE FUNCTIONS OF GESTURES

2. Gesturile şi semnificaţia lor

pecado e à figura de Eva, bem como está ligada à visão greco-romana clássica sobre a diferenciação hierárquica social entre os sexos masculino e feminino. Ao mesmo tempo em que é depreciada e demonizada, a “primeira mulher” possui poderes que são temidos, mas que não ameaçam a hegemonia do homem nos cargos que resultam em renome ou glória. Para Lipovetsky, ainda que a mulher não esteja totalmente numa posição de sujeição, “o princípio da autoridade e da superioridade masculina nunca é posto em questão”. A natureza da potência da mulher é maléfica e misteriosa: “Elemento obscuro e diabólico, ser que se serve de encantos e astúcias, a mulher é associada às potências do mal e dos caos, aos atos de magia e de feitiçaria, às forças que agridem a ordem social” (LIPOVETSKY, 2000, p.233). Esta demonização e sujeição da mulher também se refletem nos mitos gregos. Podemos citar, dentre os muitos exemplos, duas divindades que possuem ligação com a construção das vilãs clássicas32: Hera e Afrodite.

Hera, oriunda de um sistema matrilinear, é a Grande Mãe primitiva da região grega do monte Olimpo. Protetora das mulheres, dos partos e do hierosgamos (casamento sagrado), ela reinava tanto no céu quanto na terra. Após as invasões culturais da Idade do Bronze (BARING; CASHFORD, 1993, p.311), Hera é tomada a força e obrigada a se casar com Zeus, divindade estrangeira e patriarcal. Zeus torna-se chefe supremo entre os olímpicos, reinando de forma onipotente sobre as divindades e também sobre os humanos. Dentro da perspectiva clássica grega, esta estrutura representa a estrutura familiar patriarcal, presente ainda nos segmentos mais conservadores da cultura contemporânea.

Zeus é o pai e o chefe; apesar de Hera e ele viverem em constante e indecoroso conflito, não resta dúvida quanto à sua derradeira supremacia. Hera sentia ciúme, Zeus vive exasperado, mas nem por isso era menos dominante no final. [...] No Olimpo, Hera parece ser apenas uma esposa ciumenta e briguenta. Na realidade, porém, ela reflete a turbulenta princesa nativa coagida, mas nunca realmente subjugada, por um conquistador estrangeiro (HARRISON apud WOOLGER, 1997, p. 144).

32 Apesar de nossa proposta relacionar o “clássico” a um significado mais genérico do termo, Maffesoli associa o

conceito com o que é fálico e relacionado ao regime diurno do imaginário. Esta visão também nos parece bastante adequada e agregada ao sentido de nossa reflexão.

A forma com a qual Hera é retratada pelos autores tradicionais33, ou seja, por aqueles que fazem parte do contexto patriarcalista, parece ignorar sua origem pré-olímpica e, talvez pela normatização dos abusos contra a mulher, minimiza que seu casamento foi, na verdade, uma coação. Nestas adaptações, mesmo sem negar o poder e beleza de Hera, esta antiga deusa soberana torna-se principalmente uma versão sombria do feminino: ciumenta, amarga e invejosa.

Essa Rainha sombria nos parece ser um dos grandes arquétipos relacionados ao aspecto da “primeira mulher” e também a inspiração para as vilãs clássicas da Disney, principalmente as três antagonistas das produções da primeira metade do século XX: a Rainha Má (1937); Lady Tremaine, mais conhecida como a “Madrasta Malvada” (1950) e Malévola (1959). Elas são as responsáveis por todos os desafios impostos às protagonistas nas narrativas. Não há de ser acaso que todas elas carreguem em seus nomes o “mal”.

Walt Disney buscou inspiração nas estrelas trágicas dos filmes das primeiras décadas do cinema a inspiração para suas vilãs (Figuras 13 e 14). As três vilãs possuem outra característica que parece ameaçar o olhar e a alma masculinos: as três são mulheres poderosas.

Figura 13 – Rainha Má (1937)

Fonte: http://migre.me/sRRtC

33 Especificamente, os influenciados por Homero (sec. VIII a.C.), autor dos poemas épicos “Ilíada” e “Odisseia”,

Figura 14 – Helen Gahagan Douglas no filme She (1935)

Fonte: http://migre.me/sRRhm

Rainhas, altivas, independentes, estrategistas, donas de si; elas são solteiras, viúvas ou, quando casadas, o marido desaparece, torna-se impotente ou ainda revela-se incapaz de detê- las. Elas são capazes de sentir e demonstrar afetos imorais, como a inveja, a vaidade, o ciúme, o rancor, a vingança e, acima de tudo, reagem ao serem desafiadas.

Já Afrodite é mais conhecida como a deusa grega do Amor e da Beleza; contudo, quando observamos o mito e o arquétipo de maneira mais profunda, verificamos que ela está diretamente relacionada com as acima citadas características, digamos, negativas para uma Deusa do Amor. Em Eros e Psique, Afrodite torna-se a terrível algoz da mortal Psique e é a responsável pelos desafios enfrentados pela heroína. Na narrativa, Psique é tão bela que é comparada à deusa considerada, até então, a mais bela dentre todas as mortais ou imortais. Em outra passagem da narrativa, Psique cai em sono eterno após tentar cumprir uma das tarefas importas pela deusa. Obviamente, nos remete diretamente à Rainha Má e à Malévola. Como se nota, mesmo a “Deusa do Amor” também tem seu lado “vilã”.

Além das características que citamos, duas das vilãs clássicas são capazes de mudar sua aparência para conquistar seus objetivos – também são, afinal, possuidoras de outra forma de poder temido: a magia. A Rainha Má abandona sua tão preciosa beleza para se tornar uma velha bruxa que oferta a famosa maçã, neste caso, envenenada, à Branca de Neve. Malévola assume a forma de um enorme dragão. Chamamos a atenção para as relações entre estas vilãs e Eva, a “primeira mulher” de Lipovetsky, mas ainda mais por remeterem suas representações

simbólicas a Lilith34, por vezes representada como a serpente que oferta o fruto proibido ou, ainda, como a contraparte empoderada, questionadora e sombria de Eva.

Assim como a Hera patriarcal, as vilãs clássicas são retratadas como más por natureza e seus passados não são explicados - seja nas versões moralizadas dos contos, seja nas adaptações da Disney. Ou poderíamos dizer que, mais do que inexplorados, seus passados foram omitidos – ou mesmo deturpados? Quais seriam as motivações para que fossem tão más? Por que, assim como Hera perseguia as amantes de Zeus, as vilãs clássicas perseguem as princesas e alimentam a rivalidade entre as mulheres? As respostas são muitas, mas mesmo que brevemente, o que buscamos até aqui foi identificar que a mulher detentora de poder – seja seu nome Lilith, Hera ou Rainha Má – foi relacionada com o mal absoluto em narrativas construídas sob a perspectiva androcentrada, seja nas mitologias regidas por um deus masculino ou na indústria cultural comandada pelos homens. A questão aqui é o poder. Se o poder estiver sob os domínios dos homens, ele é benéfico. Se pertencer às mulheres, o poder torna-se perigoso e temível. Supostamente, esta é a verdade que foi propagada pelo patriarcalismo. Mas mais que isto: a mensagem impressa nestas narrativas é que mulheres poderosas são más e, portanto, devem ser temidas pelas mulheres que estão onde devem estar – as doces, desejadas e passivas princesas.

2.2. A “segunda mulher” e a donzela idealizada: As princesas clássicas e sonhadoras da

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