gama na dose de 500Gy. Os dados representam valores médios
de três repetições.
DISCUSSÃO
Os frutos, depois de colhidos, mantém a maioria dos processos que se desenvolviam enquanto estavam ainda ligados à planta. Respiram, utilizando oxigênio e produzindo gás carbônico, gerando calor. Além disso, muitas mudanças passam a ocorrer na composição e estrutura da parede celular que resultam em amaciamento da polpa. Também ocorrem modificações na cor da casca onde a cor verde vai desaparecendo dando lugar ao amarelo, processo devido à destruição da clorofila e aumento de outros pigmentos ( em quantidade ou simplesmente visibilidade).
A cor da casca e o amaciamento dos frutos estão associados ao amadurecimento. Normalmente, o mamão está em seu estágio comestível adequado quando inicia o seu amaciamento, independente da coloração atingida, ou seja, o fruto não precisa estar completamente amarelo para estar comestível ou maduro. Muitas das vezes, os frutos que apresentam coloração completamente amarela estão "passados" e, outras vezes, mal atingiram o amadurecimento necessário para estar comestível. Portanto, as mudanças na textura representadas pelo amaciamento da polpa são indicadores mais exatos do estágio de amadurecimento em que o fruto se encontra do que a cor da casca.
Observando os resultados obtidos pela carta de Munsell (TABELA I) e as fotos dos frutos (Figs.1 a 5), pode-se notar que existe diferença entre a cor da casca dos frutos irradiados e controles somente no oitavo dia após a colheita (quinto dia após a irradiação dos frutos que sofreram o tratamento). Nesse dia, a
mudança de cor dos frutos não irradiados é evidente, iniciando o progresso da coloração amarelada. A partir do décimo dia, nota-se que externamente os frutos atingiram coloração semelhante até o final do período de estudo ( décimo segundo dia após a colheita). Portanto, há um atraso de cerca de dois dias na mudança da cor da casca dos frutos irradiados. Quanto à coloração da polpa, não se nota diferença entre os frutos irradiados e controle, ou seja, a mudança na coloração da polpa não seguiu o ocorrido para a cor da casca.
Pelos resultados obtidos neste trabalho, observa-se uma diferença de comportamento entre os frutos irradiados e não irradiados quanto à textura. Os frutos controle apresentaram uma queda na força necessária para rompimento da polpa dois dias antes que os frutos irradiados, o que sugere que a irradiação tenha atuado de alguma forma ( direta ou indiretamente) na textura ( firmeza ou maciez) dos frutos submetidos a esse tratamento.
Nas figuras 6 (textura) e 14 (atividade da PME), chega-se a algumas considerações interessantes. A atividade da PME em frutos não irradiados tem aumento brusco entre o 4° e o 6º dia após a colheita, quando então inicia um
período de atividade constante até o 12º dia. Nota-se que durante o período de
atividade constante da PME a polpa já apresentava diminuição da firmeza, que chegou ao máximo de maciez no 8° dia após a colheita. Para os frutos irradiados,
a atividade da PME permaneceu constante nos primeiros 8 dias, quando iniciou elevação até o 10º e 12º dias. No período inicial do estudo (entre os dias 4 e 8) a
textura apresentou valores elevados de firmeza, que só foram diminuindo a partir do 8° dia. Enquanto o fruto controle apresentava o máximo de amaciamento já no
8° dia, o fruto irradiado só chegou nesta condição no 12º dia. Pela figura 6, pode se inferir que os frutos irradiados poderiam permanecer no mercado com textura mais firme ( 6kg) por pelo menos 3 dias a mais que os frutos controle.
Estes resultados podem ser comparados aos de LAZAN et al. ( 1995), onde os autores mostram que ocorre início da queda na firmeza dos frutos quando a atividade da PME se encontra em aproximadamente 2/3 de sua atividade máxima. Em seus trabalhos, que tratam de frutos que não sofreram tratamento de irradiação, LAZAN et al. (1995) e PAULL & CHEN (1983) relatam que a PME chega em sua atividade máxima em mamões entre o sétimo e nono dia após a colheita.
O aumento do ácido péctico segundo HILKER e YOUNG (1966) é atribuído à atuação direta da irradiação na desesterificação da pectina. Não houve diferença significativa entre os tratamentos na modificação da acidez dos frutos, mas nota-se uma elevação da acidez com o amadurecimento dos frutos, irradiados ou não. O aumento da atividade da PME poderia contribuir para a elevação da acidez do fruto durante oa amadurecimento observado na figura 9. Assim, em frutos irradiados onde o pH apresenta-se ligeiramente maior que em frutos controle entre o 6° e o 10° dia após a colheita (Fig. 8), a atividade da PME nesse período (Fig. 14) é maior nos últimos. Consequentemente, pelos resultados desse trabalho é possível se relacionar a elevação da acidez do frutos coma atividade da PME.
Segundo alguns autores (REXOV Á-BENKOV A & MARKOVIC, 1976; PRESSEY, 1977; HUBER, 1983) a atividade da PME deve preceder à atividade da PG, no sentido de facilitar a atividade da última, pela desesterificação da pectina. De acordo com estes autores, a PG teria maior afinidade pelo substrato linear, desesterificado, após a atuação da PME. Essa hipótese pode ser comprovada com os resultados desse experimento para frutos controle, onde a atividade da PME se elevou do 4º ao 6° dia (Fig. 14) enquanto
que a atividade da PG só mostrou elevação a partir do 6° dia (Fig. 11 ). Entretanto,
para os frutos irradiados, ocorreu o inverso: a elevação da PG é notada desde o 4º
dia, enquanto que a PME mostra início de elevação da atividade somente no 8°
dia, o que contraria a hipótese dos autores citados acima, de que a PME seria precursora da PG. A irradiação teria causado ainda um efeito direto sobre a atividade da PG, que se mostrou nula umdia após a irradiação.
A atividade da PG nos frutos irradiados e controle foi estatisticamente diferente nos dias 4, 8 e 10 após a colheita. A elevação da atividade em frutos irradiados foi mais rápida do que nos frutos controle do 4º ao
6° dia após a colheita. Portanto, não houve relação direta entre a queda na firmeza
da polpa que ocorre a partir do 8º dia e a elevação da atividade da enzima no
periodo anterior. Para os frutos controle, o amaciamento se iniciou no 6º dia,
junto com o aumento mais expressivo na atividade da PG (Figs. 6 e 11). No dia 6, não houve diferença na atividade da enzima para dois tratamentos, o que não explica o atraso do amaciamento nos frutos irradiados.
A atividade da celulase foi semelhante à PG em comportamento. Nos frutos irradiados a atividade parte de nula se elevando rapidamente até o 6º dia. Para os frutos controle, a atividade se eleva com mais expressão a partir do 6º dia, junto com o início do amaciamento (Figs. 6 e 12). Mesmo com o amaciamento lento nos frutos irradiados, ou com máximo de amaciamento nos frutos controle, no período de 8 a 12 dias após a colheita, nota-se que a atividade da celulase (Fig. 12) assim como a da PME (Fig. 14) continua a aumentar, diferente da PG (Fig. 11) e da f3-galactosidase (Fig. 13) que tendem a se estabilizar. Pelos resultados obtidos, parece que a celulase teria um papel pouco relevante no amaciamento da polpa do mamão, uma vez que não pôde ser relacionada diretamente ãs mudanças ocorridas na textura nos dois tratamentos. Esses resultados corroboram com os obtidos por PAULL e CHEN (1983), onde a celulase não apresentou correlação com o amaciamento dos frutos.
A atividade da j3-galactosidase (Fig. 13) se elevou do 4° ao 6º dia com velocidade maior nos frutos controle. Este comportamento foi semelhante ao da PME para os mesmos frutos. A f3-galactosidase e a PME poderiam estar atuando como precursores da atividade da PG ou mesmo da celulase, induzindo seu aumento posterior. Para os frutos irradiados, o comportamento da j3- galactosidase se assemelha ao da PG nos dias logo após a irradiação ( 4 a 6), iniciando a elevação da atividade antes da PME. Dessa forma, a PME não seria precursora na atuação de nenhuma das enzimas estudas para os frutos irradiados.
LAZAN et al. ( 1995) concluíram pela associação da atividade da j3- galactosidase com a queda na textura da polpa dos frutos de mamão, sobretudo
por terem encontrado ma10res concentrações da enznna na parte externa do mesocarpo do fruto.
O aumento na atividade da í3-galactosidase já foi comentado para frutos em geral, por HUBER (1983), em que se considera comum um aumento de cerca de 20% na atividade da enzima durante o amadurecimento dos frutos. Considera-se que esta enzima estaria envolvida na desramificação do polímero de pectina (galactana), possivelmente, facilitando a hidrólise das pectinas pelas D galacturonases.
Para o estudo em questão, relacionando-se a atividade da í3- galactosidase com o amaciamento da polpa dos frutos irradiados ou não, nota-se que não se pode fazer uma associação direta entre atividade da enzima e perda na firmeza dos frutos. Isso porque, apesar da enzima apresentar elevação da atividade por volta de 100% até o final do período de estudo, seu comportamento foi de elevação constante, mesmo quando já se havia atingido o máximo de maciez. Este comportamento sugere que a í3-galactosidase poderia estar atuando inicialmente e indiretamente (por facilitar a atuação de outras enzimas) como auxiliar na redução da firmeza. Essa elevação contínua da atividade da
í3-
galactosidase durante o amadurecimento foi estudada por HARTMANN SCHREIER & SCHREIER (1986). Estes autores estudaram os precursores de "flavor" em plantas e encontraram a ocorrência de terpenóides e outrosí3-
glicosídeos no mamão. A partir deste estudo, iniciaram os trabalhos para conhecimento das enzimas que estariam envolvidas em sua síntese e hidrólise. Apesar de terem encontrado elevadas atividades da í3-galactosidase durante oamadurecimento de mamões, não puderam correlacionar uma dependência desta atividade ao estágio de amadurecimento do fruto.
Todas as enzrmas abordadas no presente estudo apresentaram elevação da atividade durante o amadurecimento do mamão, independente do tratamento aplicado. Entretanto nota-se que cada enzima apresentou um comportamento diferenciado em termos de velocidade ou época de indução. As atividades da PG e da PME da j3-galactosidase mostraram diferença entre os tratamentos em períodos que as tomam relacionadas às mudanças na textura, ao passo que a celulase não apresentou diferenças na atividade, nestes mesmos períodos. A relação mais direta da PG, PME e da j3-galactosidase nas modificações
da textura, levam a crer que para mamões, a modificação na estrutura da pectina e não da celulose estaria mais envolvida no amaciamento da polpa. Seria necessário um estudo do comportamento dos componentes da parede celular integrado ao estudo destas enzimas para esclarecer o papel da irradiação no amadurecimento do fruto.
CONCLUSÕES
A mudança na cor da casca dos frutos irradiados é retardada em dois dias, em relação aos frutos não irradiados. Essa diferença entre os tratamentos não é observada na coloração da polpa, assim como no brix e na relação brix/acidez.
O tratamento de irradiação na dose de 500Gy atrasou o amaciamento da polpa em cerca de dois dias, e os frutos mantiveram a firmeza da polpa num nível desejável para comercialização até o décimo dia após a colheita. Esse estágio de firmeza foi atingido pelos frutos não irradiados já no sétimo dia após a colhieta.
As enzimas PME, PG, e í3-galactosidase mostraram diferença de comportamento entre os frutos irradiados e controle em pelo menos um estágio de amadurecimento dos frutos. O mesmo não ocorreu com a celulase, que apesar de mostrar-se relacionada às modificações na textura, teve comportamento semelhante nos frutos irradiados e controle.
O tratamento de irradiação, além de ter mostrado eficiência no atraso do amaciamento, pode ser apontado como técnica de estudo do comportamento de algumas enzimas, que sofrem alteração direta sob sua ação, e ainda pode contribuir na compreensão das modificações ocorridas na estutura da parede celular, sobretudo a pectina.
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