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D. Analyses statistiques

6. Gestion des données absentes

O novo turista é um turista informado e exigente que faz parte de um segmento crescente que escolhe em função de princípios éticos, culturais e ambientais. A sua preferência é pela qualidade, e os destinos que a vão perdendo sairão, eventualmente, do ranking (Partidário, 2004). Com efeito, embora não exista um, mas vários factores que influenciam no processo de escolha dos destinos (Aguiló et al, 2005; Sousa, 1994), é cada vez mais comum constatar nos turistas uma tendência por optar por destinos com atributos que exigem maiores níveis de sustentabilidade (Moiteiro, 2008; Kelly et al, 2007; Poon apud Aguiló et

al, 2005). É basicamente nestas premissas que se baseia o Destination Scorecard do National Geographic Traveler.

Desde que o boom de viagens começou após a II Guerra Mundial, problemas ambientais, sociais e culturais provocados pelo turismo de massa têm posto em risco a integridade de destinos turísticos em todo o mundo. Diante deste facto, quais os destinos que têm conseguido proteger-se contra estas ameaças e quais os que têm falhado? É esta pergunta que o Destination Scorecard procura responder.

Desenvolvida no âmbito do National Geographic's Sustainable Tourism Initiative em parceria com a Leeds Metropolitan University (Inglaterra), trata-se de uma ferramenta cujo objectivo é o de avaliar a sustentabilidade de destinos turísticos a partir de 6 critérios que analisam a integridade cultural, ambiental e estética de 115 destinos turísticos mundialmente conhecidos. De salientar que a metodologia não indica quais os critérios utilizados para delimitar o que é um “destino mundialmente conhecido”.

De forma sintética, pode-se dizer que são três os aspectos que caracterizam o Destination

Scorecard: i) julgamento por peritos; ii) utilização de uma escala de valores para avaliar os

destinos; e iii) um ranking para posicioná-los.

Partindo do pressuposto de que a avaliação integral da sustentabilidade de um destino turístico requer considerações a respeito de aspectos como apelo estético e integridade

cultural, os proponentes do Destination Scorecard entendem que medidas meramente numéricas não podem fazer justiça a esta tarefa. A melhor solução, segundo a metodologia, é o julgamento humano. Assim, a análise é feita com base no veredicto de um painel com mais de 200 peritos das mais diversas áreas (geografia, fotografia, ecologia, história, antropologia, arqueologia, turismo sustentável, planeamento regional), todos suficientemente bem viajados e com boas bases para compararem os destinos entre si (Tourtellot, 2007, p.66).

Dos destinos seleccionados, foi solicitado aos especialistas que analisassem apenas aqueles que lhes eram familiares utilizando, para tanto, seis critérios (Partidário, 2004):

1. A qualidade ambiental e ecológica do destino; 2. A integridade social e cultural;

3. As condições do património construído (arqueológico, histórico e estruturas existentes);

4. A atractividade estética, quer natural quer construída;

5. A qualidade da gestão turística, ou seja, as características do desenvolvimento turístico: carácter apropriado, benefícios para a população local que encorajem a protecção do local, e informação aos turistas sobre o local e o seu papel nesse destino;

6. A perspectiva futura para o destino em termos de sustentabilidade tendo em consideração as práticas dominantes e as políticas de salvaguarda.

Com base nestas questões avaliam-se os diversos destinos a partir de uma escala de pontos que vai de 0 (catastrófico) a 100 (sustentável) (quadro 8). A partir destes critérios, obtém-se um ranking dos destinos turísticos mais sustentáveis. Para locais onde os peritos discordem amplamente, faz-se uso de uma segunda rodada de pontuação onde são trocados comentários adicionais sobre os destinos em questão, seguida de nova sessão de pontuação (técnica Delphi). O índice final, que corresponde à posição no ranking, é a compilação dos julgamentos sobre os destinos avaliados (maiores detalhes sobre o processo de agregação empregado pela metodologia, ou sobre uma quantidade mínima de peritos para avaliar cada destino não são fornecidos).

Quadro 8: Escala de Pontos Utilizadas no Destination Scorecard

0-25 Catastrófico

26-45 Com sérios problemas

46-65 Com problemas moderados

66-85 Com algumas dificuldades menores 86-95 Autêntico e intacto

96-100 Realçado

Fonte: http://www.nationalgeographic.com/traveler/features/whsrated0611/whsrated.html

A aplicação mais significativa do Destination Scorecard em âmbito mundial foi realizada em 2004. Dos 115 destinos analisados, foram apontados como destinos turísticos “mais sustent|veis” do mundo: os fjords da Noruega em primeiro lugar; em segundo lugar a Ilha Cape Breton (Canadá); e terceiro lugar o South Island (Nova Zelândia). Entre os destinos classificados como medianos, estavam a Bretanha, em 11º lugar; as ilhas Galápagos (Equador), em 12º lugar; e a Grande Barreira de Corais (Austrália) em 13º lugar. Entre os destinos com as pontuações mais baixas e, portanto, considerados como “menos sustent|veis”, estavam as Pir}mides de Gizé (Egipto) em 29º lugar, a Região turística do Algarve (Portugal) em 33º lugar, e a Costa do Sol (Espanha), em 37º lugar (última colocação do ranking32).

Em 2007, o Destination Scorecard elaborou rankings específicos para ilhas e arquipélagos, analisando o caso de 111 destinos seleccionados em todo o mundo, contando com 522 painelistas (entre peritos em turismo sustentável e gestores de destinos) e a partir dos mesmos 6 critérios de análise utilizados em 2004. Nesta ocasião, destinos como Ilhas Faroe (Dinamarca), Açores (Portugal), Lofoten (Noruega) aparecem entre os mais sustentáveis, ocupando, respectivamente as 1ª, 2ª e 3ª posições. Entre as ilhas que se inserem no segundo grupo, com poucos problemas, estão: Bora-Bora (Polinésia Francesa), Córsega (França) e Vanuatu (Melanésia), ocupando as 9ª, 10ª e 11ª posições, respectivamente. Entre aquelas que se enquadram no terceiro grupo, com o futuro em risco, estão: Chipre (Turquia), Barbados (Caribe) e Madeira (Portugal), ocupando os 20º, 23º e 24º lugares. Por fim, as que se encontram no último grupo e que estão sob severa pressão devido ao turismo excessivo e que precisam de esforços para se recuperarem,

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Apesar de serem 115 os destinos considerados, alguns deles têm a mesma pontuação, o que os colocam empatados em determinadas posições, motivo pelo qual o 37º lugar aparece como último do ranking.

estão: Phuket (Tailândia), Jamaica (Caribe) e Ibiza (Ilhas Baleares, Espanha), em 37º, 39º e 40º lugares33.

Seus idealizadores afirmam que o ranking não é a palavra final sobre o estado dos destinos turísticos insulares (Tourtellot, 2007, p.67). Trata-se de uma metodologia que tenciona ser construtiva, no sentido de apontar os destinos que estão bem e os que não estão; de modo que aqueles que estejam em má situação possam melhorar nos anos seguintes. Em alguns casos parece ter resultado, uma vez que, segundo Burnford (2004), os gestores do turismo de alguns dos destinos elencados demonstraram intenção de reagir e de procurar por soluções que lhes permitam melhorar no ranking, como, por exemplo, em Key West (EUA) e Phuket (Thailândia), ambos empatados em antepenúltimo lugar no ranking.

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