Evolutionary Algorithms
3.3 Genetic Programming
O planeamento é uma prática constante do dia a dia de cada pessoa, tanto planeamos os aspetos mais simples da nossa vida, como a hora de acordar, o que comemos, entre outros, como também planeamos coisas mais complexas, como a organização de um evento, uma unidade de ensino, uma aula. E mais ainda, o planeamento está constantemente presente na vida de um professor e deve sim ser compreendido como um momento de preparação do professor, tendo em conta a especificidade da sua matéria. É uma antecipação do que ele quer e vai fazer, para que se sinta mais à vontade quando ocorrerem
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determinadas situações. Bento (2003, P.15) define o ato de planear como “um elo de ligação entre pretensões, imanentes ao sistema de ensino e aos programas as respetivas disciplinas, e a sua realização prática”. Apesar de todas as diretivas da escola e daquilo que está definido nos programas nacionais, o planeamento deve ser realizado com base nos objetivos da nossa turma e dos recursos materiais e físicos que a escola dispõe. No meu EP, considero que o planeamento foi uma das tarefas mais importantes, pois só assim fui capaz de organizar e orientar todo o processo de ensino. No entanto, é de salientar, que no meu contexto de estágio, o planeamento anual estava bem definido, competindo aos estagiários organizar a unidade didática para cada modalidade. Segundo Bento (1998), o objetivo da planificação nos processos de ensino e aprendizagem não reside exclusivamente no desenvolvimento de meios para a racionalização do processo de ensino, mas também, em medida crescente, na descoberta de determinados contextos reguláveis deste processo.
O planeamento não se trata de uma tarefa imutável, pois ao longo do processo de ensino, conforme as necessidades dos alunos e/ou necessidades da própria escola, o professor tem o dever de rapidamente ajustar o seu planeamento, de modo a que a aprendizagem não fique condicionada. Para que essas situações se evitem, é necessário que o professor conheça bem a turma, no que toca a aprendizagens, níveis e dificuldades.
No decorrer do EP, com base no que foi aprendido na Didática Geral do Desporto, recorri ao Modelo de Estrutura de Conhecimento (MEC) (Vickers 1990) para organizar todo o planeamento, pois é um modelo sobretudo facilitador, principalmente para os professores menos experientes.
Este modelo tornou-se muito útil, pois orienta todo o processo de planeamento, com base na análise das atividades a desenvolver, nos alunos, objetivos, até das progressões de ensino. O MEC permite organizar o conteúdo de uma forma sintética, tendo em conta a realidade dos alunos. Subdivide em 3 fases: análise (módulo 1, 2 e 3), decisões (módulo 4,5, 6 e 7), e aplicação (módulo 8). Por fim, está dividido em 8 módulos principais, cada um deles com caraterísticas próprias e indispensáveis ao ensino. O Módulo 1 consiste na análise da modalidade desportiva ou atividade em Estrutura do conhecimento,
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onde é realizada uma análise da modalidade a lecionar nos seguintes domínios: cultura desportiva, fisiologia do treino e condição física, habilidades motoras e conceitos psicossociais. O Módulo 2: análise das condições de aprendizagem, a qual tem por base uma análise ao contexto onde estamos inseridos, relativamente aos espaços, esquipamento e/ou materiais disponíveis. O Módulo 3: análise dos alunos, para mim um dos módulos mais importantes, este tem por objetivo verificar em que nível estão os alunos, para assim orientar melhor o processo de ensino aprendizagem. No meu caso específico, a maioria das avaliações diagnósticas (AD) foram realizadas informalmente, tendo em conta o pouco tempo de aulas cada modalidade. O Módulo 4: determinar a extensão e sequência dos conteúdos consiste na decisão do professor para criar uma sequência lógica dos conteúdos, em função da matéria e do número de aulas total para lecionar determinada modalidade. Por vezes o meu MEC teve de ser alterado, nomeadamente neste módulo devido à falta de tempo para ensinar determinado conteúdo. O Módulo 5: definir os objetivos, neste módulo o professor deve revelar a sua intenção, e atuar de modo a alterar comportamentos por parte dos alunos. Deve estabelecer uma meta para cada um deles nos domínios de ações motoras, aspetos cognitivos, e psicossociais. No meu caso, optei por incidir mais no aspeto da cultura desportiva (regulamento), pois surgiam mais dúvidas sobre o mesmo durante a realização dos exercícios da aula. Módulo 6: Configuração da avaliação, onde é planeada e defina a forma com a avaliação será realizada. Este deve ser um momento de reflexão, de que modo avaliar os alunos com base nos objetivos definidos para eles. Este módulo é de veras importante e foi um dos que eu tive mais dificuldade. A grelha de avaliação já estava e elaborada pela escola, pelo que eu tinha que me seguir por ela. Para facilitar a minha avaliação, criei a minha própria grelha, onde estavam descritos mais parâmetros a avaliar, que me permitissem no final chegar a uma classificação coerente e justa para o aluno. A tarefa de avaliar não é fácil e deve ser pensada, mesmo antes do ensino, até depois do ensino. Apesar das dificuldades, tive uma situação facilitada, através da vasta experiência da PC. O Módulo 7: Desenho das atividades de aprendizagem, aqui é criada uma sequência lógica de exercícios. O que serve
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para a turma do meu colega, pode não servir para a minha. Este conteúdo, deve ser desenvolvido com base em progressões, com uma ordem lógica e que permita a aprendizagem efetiva do aluno. Criar desde início uma série de exercícios com seguimento para as aulas, foi para mim uma grande dificuldade. Era difícil pensar nisto, sem saber em que nível estavam os alunos e de que forma estes exercícios estavam adequados a eles. Assim sendo, após conversa com a PC, percebi que a melhor maneira de resolver a situação, seria construir o módulo à medida que as aulas iam sendo lecionadas. Relativamente à metodologia utilizada, recorri nas modalidades coletivas da forma topo para a base (do mais complexo para o mais simples), e na modalidade de ginástica da forma da base para o topo (do mais simples para o mais complexo). Esta escolha deve-se ao facto de os alunos estarem mais familiarizados e motivados, com as modalidades coletivas do que com as modalidades individuais. Módulo 8: Aplicação, consiste na aula propriamente dita. É chegado o momento de pôr a “mão na massa” e aplicar tudo o que foi estruturado neste modelo de planeamento.
Especificamente, o meu planeamento foi organizado em três níveis distintos: planeamento anual, unidade didática e plano de aula.
4.1.2.1. Planeamento anual
O planeamento anual é a situação macro do planeamento, tarefa fundamental para a estruturação as diferentes matérias a lecionar ao longo do ano letivo. A seleção destas pode ser condicionada por vários fatores. Segundo Bento (2003, p. 67) “... A elaboração do plano anual constitui o primeiro passo do planeamento e preparação do ensino e traduz, sobretudo, uma compreensão e domínio do aprofundado dos objetivos de desenvolvimento da personalidade, bem como reflexões e noções acerca da organização correspondente do ensino do decurso do ano letivo. Um plano exequível, didaticamente exato e rigoroso, que oriente para o essencial, com base nas indicações programáticas e em análises da situação na turma e na escola.” Primeiramente, tem que estar de acordo com os programas de EF segundo o ano de escolaridade. Segundamente
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tem que estar de acordo com o PEE, com as decisões tomadas pelo grupo de Educação Física, e com a disponibilidade das instalações desportivas e do material didático. Na ESRP a escolha das modalidades a lecionar está muito vincada com os espaços disponíveis. Assim, no contexto dos cursos profissionais, os alunos contavam com um bloco de 90 minutos de aula por semana, dando cumprimento a 5 módulos durante todo o ano letivo. O ensino por módulos apresenta algumas vantagens e alguns inconvenientes para o processo de ensino e aprendizagem. Uma das vantagens de este tipo de ensino, deve-se ao facto de os alunos não perdem nenhuma hora de aula, isto é, independentemente de o professor ter que faltar ou ser feriado, a aula tem que ser compensada. Mas sem dúvida que as desvantagens são maiores, cada modalidade tem pouco tempo de exercitação o que não permite que haja uma evolução significativa por parte dos alunos, ora estão a introduzir novos conteúdos, como já estão a consolidar.
Quadro 1-Extensão e sequência dos conteúdos da EF Período Módulo/UFCD Título/Descrição (45min)Aulas InícioData DataFim Obs.
1º 5 Ginástica II- Solo eMini-trampolim 10 8/11 12/12 1º 14 At.Fís./ Contextos eSaúde II 6 20/09 11/10 2º 2 Jdc II- Basquetebol-Introdução 10 07/03 04/04
2º 8
Atl/Raq/Pat IIi- Badminton-
Elementar 12 03/01 07/02 3º 11 Dança II- Valsa Lenta 8 02/05 23/05 1º,2º e
3º 16 Aptidão Física 18 18/10 30705 avaliaçãoSem
Como podemos verificar na tabela acima, durante o ano letivo os alunos tiveram dois módulos em cada período, à exceção do 3º período com apenas uma modalidade, tendo em conta que este foi mais curto. O módulo de aptidão física foi lecionado em datas à minha escola e da PC durante os 3 períodos do ano letivo. Este módulo revelou ser desinteressante para os alunos, pois não
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tinha um caráter avaliativo. As datas de início e de fim de cada módulo poderiam sofrer algumas alterações, desde que o programa fosse cumprido durante o período que estava estipulado.
4.1.2.2. Unidade didática
A unidade didática é o nível meso do planeamento e serve para analisar e justificar todo o processo de planeamento a este nível. Segundo (Vickers, 1990), este modelo permite ligar o conhecimento de uma matéria, de forma estruturada, as metodologias e estratégias, de forma a obter um bom ensino.
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Quadro 2- Exemplo de UD de Badminton
Data 03-01 10-01 17-01 24-01 31-01 07-02 Conteúdo Aula nº 1 2 3 4 5 6 Habilidades Motoras Técnicas
Pega Universal I/E C
AS Pega de
esquerda I/E C
Posição Base I/E E C
Deslocamentos I/E E C
Serviço curto I/E C
Serviço longo I/E E C
Clear I/E Lob I/E E C Amortie I/E E C Bloqueio I/E C Encosto I/E E C Remate I/E C Jogo 1x1 I/E E E E E Cultura Desportiva História X Regulamento X X Caracterização X X
Capacidades motoras CoordenativasCondicionais XX XX XX XX XX XX
Conceitos Psicossociais Respeito X X X X X X Empenho X X X X X X Cooperação X X X X X X Autonomia X X X X X X Fair-Play
x
x
x
x
x
x
Como é lógico, a elaboração de uma UD é determinada por múltiplos fatores e como já foi citado a sua construção é suscetível a alterações. Muitas das vezes, sobretudo professores menos experientes, recorrem a uma restruturação da UD. Desta forma, é possível a qualquer momento, a alteração deste, pois o ritmo de aprendizagem dos alunos pode não ser o esperado. No que toca ao meu contexto real, posso dizer que alterei algumas vezes as UD’s e os principais fatores para a ocorrência dessas alterações, deveram-se de facto
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à ausência de alguns alunos nas aulas. Consequentemente, os alunos não aprenderam todos os conteúdos definidos inicialmente, exercitaram menos vezes, o que em alguns casos levou a não obterem a classificação desejada.
4.1.2.3. Planeamento da aula
Este é o método de planeamento mais micro, presente na atividade do professor. Pressupõe ser um roteiro que orienta o professor pelos trilhos da sua aula, provocando algumas preocupações no momento da sua elaboração. Esta é a fase do planeamento que está no centro do trabalho pedagógico diário do professor, sendo fundamental para o processo de ensino e aprendizagem. Na realização da aula de EF, Bento (2003) refere que a aula é a passagem do pensamento para a ação do professor. Cada aula deve gerar um contributo específico para a solução de tarefas de uma unidade didática, do planeamento anual e do programa de toda a escolaridade. Para o professor estar seguro em relação a que tipo de aula planear, este deve ter assente alguns pressupostos orientadores e indispensáveis. Primeiramente deve ter um domínio profundo do conceito da essência de ensino, visando formar conhecimentos, capacidades e habilidades inerentes à vida do aluno. Seguidamente deve conhecer exatamente as linhas de direção de cada disciplina e da educação, nomeadamente conhecimento dos programas, da didática e da metodologia. Por fim, deve ter um conhecimento exato da turma, para assim criar condições positivas e eliminando algumas que possam ser desfavoráveis.
O meu núcleo de estágio optou por elaborar a base do plano igual e decidiu utilizar uma estrutura vertical, estando esta dividida em quatro colunas, nomeadamente: conteúdos/situações de aprendizagem, organização didático metodológica/ esquema/, objetivos comportamentais e por fim determinantes técnicas (anexo. É de notar, que o cabeçalho ainda é composto pela definição da função didática/conteúdo da aula e do objetivo geral. Relativamente à minha ação propriamente dita, a elaboração do plano de aula, foi uma tarefa extremamente demorada e difícil para mim. Foram várias as horas destinadas à elaboração de um único plano de aula, sobretudo porque sabia que os alunos
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iriam ter poucas aulas e seria difícil conseguir com que eles evoluíssem significativamente, quando comparados ao seu estado inicial. Muitas vezes me perguntei qual seria a melhor situação de aprendizagem, principalmente tentando combater outro problema, que era a falta de motivação dos alunos para as aulas. Tive de ser persistente, tentando encontrar a melhor estratégia, mesmo tendo que ajustar o planeamento muitas vezes durante a própria aula. Algumas vezes tentei ser mais cautelosa, tentei prever alguns cenários possíveis, de modo a conseguir reagir rapidamente à nova situação. Desta forma, sentia-me mais segura, mas percebi que por muito que se planei ao mais ínfimo pormenor, surge sempre algum pequeno imprevisto, colocando à prova a nossa capacidade de adaptação.
No caso particular de uma das minhas turmas, além de ser importante dispor de um bom conhecimento do conteúdo, por forma a adaptar-me conforme certas situações, deteve-se a tentativa de os motivar para a primeira modalidade, a ginástica. Por isso, da minha parte existia uma outra preocupação, assente em estratégias para os levar, a sentir algum gosto a praticar a modalidade. Já na outra turma, o mais importante não era a motivação, mas sim os comportamentos menos desejáveis. Existiu sempre uma preocupação enorme na modalidade de ginástica, pelo facto de eles não serem minimamente cautelosos e não terem em conta as regras de segurança. Desta forma, foi-me muito difícil organizar a aula e saber onde me colocar durante a mesma, principalmente na estação do minitrampolim.
4.1.3. Realização: Controlo da turma/relação professor alunos
O EP é um momento deveras marcante na vida do estudante estagiário. Embora durante um ano inteiro de mestrado nos preparamos para ser professores, nunca estamos verdadeiramente preparados. Eu sabia os conceitos, a didática e a pedagogia, mas nunca tinha tido até ao momento, uma turma inteira à minha responsabilidade. Como afirma Nóvoa (1999), a compreensão da construção da profissão docente exige um olhar critico a todas
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as tensões que a permeiam, pois, o percurso profissional dos professores é repleto de lutas, conflitos, avanços e retrocessos. É chegado o momento do “choque com a realidade”, o período de transição entre ser estudante e ser professor. Como havíamos falado durante o primeiro ano do ciclo de estudos do MEEFEBS, esse choque passava essencialmente pela indisciplina dos alunos e a falta de soluções do EE para resolver os problemas frequentes no contexto real de ensino. O receio e a incerteza estavam sem dúvida presentes neste momento, mas sabia bem que teria que tirar partido de todas as experiências vivenciadas, sempre com o objetivo de envolver os alunos nas aprendizagens. De facto, vivenciei o tal choque com a realidade devido à indisciplina dos alunos numa das minhas turmas residentes. Enquanto nessa turma necessitava de ser mais autoritária com os alunos, na outra, tive uma aproximação diferenciada, mantendo um ambiente descontraído, mas sem deixar perder o respeito entre professor e alunos. Já como dizia Siedentop (2008, p. 68), “o professor poderá influenciar a vida do estudante se a sua relação com ele for fomentada em sentimentos e sensações.”
A relação com os alunos desde sempre que foi umas das coisas que me preocupou. Queria desde o início estabelecer empatia com eles, ao mesmo tempo vincava a minha posição enquanto professora, não deixando que a confiança excedesse e ultrapassasse o limite do razoável. A minha relação com os alunos foi bastante positiva, mas mais notória numa turma do que outra. No 11ºP consegui estabelecer como que uma relação de amizade. Consegui desde o primeiro momento, criar um bom ambiente na aula e tentei sempre tornar as aulas dinâmicas e motivadoras para os alunos. No 11ºM não foi uma relação tão próxima, mas mesmo assim consegui despertar neles algum interesse para as aulas e levei a que estes tivessem menos comportamentos desviantes. Como afirma Siqueira (2004, p. 3) “... é impossível desvincular a realidade escolar da realidade do mundo vivenciada pelos discentes, uma vez que essa relação é uma “rua de mão dupla”, pois ambos (professores e alunos) podem ensinar e aprender através das suas experiências.” Foi neste sentido que planeei a minha ação e fiz perceber aos alunos, que não só eu tinha que ensinar, e que eles também podiam ter esse papel. Este aspeto evidenciou-se nas modalidades em
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que eu sabia que certos alunos praticavam, colocando-os num papel mais ativo a ajudar aqueles que tinham mais dificuldades.
Para dar seguimento a este tema da relação professor- aluno, e para que esta relação seja edificada devemos conhecer muito bem os nossos alunos