Evolutionary Algorithms
3.2 Genetic Algorithm
Na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), o EP está estruturado de forma a articular os requisitos legais, institucionais e funcionais. Desta forma, em termos legais, “A estrutura e funcionamento Estágio Profissional consideram os princípios decorrentes das orientações legais constantes do Decreto-lei no 43/2007 de 22 de fevereiro e o Decreto-Lei nº 79/2014 de 14 de maio”.
No que diz respeito ao contexto institucional, e de acordo com Batista e Queirós (2013), o EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos conducente à obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, mais especificamente no segundo ano, incorporando duas componentes: a) a prática de ensino supervisionada, realizada numa escola cooperante com protocolo com a FADEUP e o relatório de estágio, orientado por um professor da Faculdade, o responsável da instituição de ensino superior, pela supervisão do estudante EE no contexto da prática de ensino supervisionada.
Por fim, de modo a que tudo seja operacionalizado, a Faculdade institui protocolos com as escolas cooperantes. Nessas escolas, é escolhido um professor de educação física experiente, para receber e orientar um grupo de estudantes estagiários durante o ano letivo. Cada um deles, tem a função de assumir uma das turmas do PC, por forma a cumprir a sua prática de ensino supervisionada.
Mais ainda, é referido que existem três áreas de desempenho que o EE terá que dominar para exercer a profissão docente da disciplina de EF. Essas áreas, são as que dão corpo a este Relatório de Estágio, e estão organizadas da seguinte forma: área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem – que engloba as tarefas de conceção, planeamento, realização e avaliação; Área 2 – Participação na Escola e Relações com a Comunidade – que abarca as atividades não letivas, assumindo como objetivo a integração do estudante-estagiário na comunidade educativa e na comunidade envolvente;
Área 3 – Desenvolvimento Profissional - que pretende que o EE desenvolva a competência profissional, numa lógica de procura permanente do saber, através da reflexão, investigação e ação.
3.2. Escola enquanto instituição
“Escola é ... o lugar que se faz amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima”. (Paulo Freire, Poema: A escola é)
Tal como refere o poema de Paulo Freire, a escola não deve ser só um edifício onde as crianças e jovens passam o seu dia-a-dia. A escola foi criada sobretudo para desenvolver funções cognitivas, mas com o passar do tempo foram-lhe sendo atribuídas outras, nomeadamente as sociais. Seguindo a análise do poema, a escola é um espaço de confraternização. Espaço esse, onde a criança desenvolve todas as suas capacidades: o conhecimento, a amizade, as primeiras descobertas emocionais e físicas, que o vão transformar no Homem de amanhã.
Segundo Canário (2005), nos primórdios, o papel da escola era desempenhado pela família, cujo principal objetivo era a formação de crianças, quer na transmissão de ofícios, de conhecimentos e capacidades de socialização. Mais tarde, na idade média e numa sociedade profundamente hierarquizada, a instituição escola foi assumida pelo clero, grupo social da altura, que sabia ler e escrever, logo, só aqueles que estavam relacionados com esta, tinham acesso ao ensino.
Com o avançar do tempo, na época da revolução industrial, a escola passa a existir como um modelo fabril, em que os alunos assumem o papel de matéria prima de produção, orientados pelo operário, aqui desempenhado pelo
papel do professor. Na era pós-revolução industrial, o estado atribui um papel de relevância à escola, incutindo nos alunos valores sociais, políticos e económicos, no sentido de atribuir importância ao resultado e não ao processo, começando nesta altura a humanização da escola.
Após o 25 de Abril, surge em Portugal a massificação do ensino, em que a escola passa a ser de caráter obrigatório, gratuito, laical e universal, cujo o objetivo principal era promover a aprendizagem num espaço próprio, com especialização de tarefas abrangendo um maior número de crianças e jovens, não havendo qualquer tipo de distinção entre pares. Todos têm o direito ao ensino.
Deste modo, “não é possível abordar-se o ato de educar ou o ato de aprender no âmbito das escolas como atos dissociados dos compromissos políticos, culturais e formativos que justificam a sua existência como um espaço singular de socialização que se foi afirmando progressivamente, a partir sobretudo do séc. XVIII, como um contexto educativo tão incontornável quanto inevitável no mundo e nas sociedades em que vivemos “ (Cosme & Trindade, 2010, p.17).
Atualmente a escola assume um papel mais democrático, pautada pelo respeito pelas diferenças, está mais vocacionada para a formação social e moral dos seus alunos, através da transmissão de valores e regras de vida realizada por todos os agentes da comunidade escolar, como professores e auxiliares da ação educativa. Mesmo assim, “muitas das nossas escolas são instituições distraídas, dispersivas, incapazes de um foco, de definir estratégias claras. E quando se enuncia cada uma dessas missões ninguém ousa dizer que não são importantes. Mas a pergunta que se deve fazer é: a escola pode fazer tudo? É preciso combater esse “transbordamento”. Tudo é importante, desde que não se esqueça de que a prioridade primeira dos docentes é a aprendizagem dos alunos” (Nóvoa, 2007, p.6).
Segundo Canário (2005), a forma escolar representa uma nova maneira de conceber a aprendizagem, em rotura com os processos de continuidade com a experiência e de imersão social que prevaleciam anteriormente. A escola corresponde, também, a uma nova organização que, tendo tornado possível a
transição de modos de ensino individualizados (um mestre, um aluno) para modos de ensino simultâneo (um mestre, uma turma). A organização escolar que historicamente conhecemos corresponde a modos específicos de organizar os espaços, os tempos, os agrupamentos dos alunos e as modalidades de relação com o saber. Finalmente, a escola é uma instituição que, a partir de um conjunto de valores estáveis e intrínsecos, funciona como uma fábrica de cidadãos, desempenhando um papel central não só na integração social, como também na unificação cultural, linguística e política, afirmando-se como um instrumento fundamental da construção dos modernos estados-nação.
Na minha opinião, a escola funciona de facto como uma fábrica de cidadãos. Continuam a existir escolas onde os alunos permanecem a maior parte do dia sentados numa cadeira, com uma mesa à sua frente, centrados unicamente em ouvir o professor. Isto prevalece desde sempre. É necessário atribuir-se mais liberdade aos alunos e promover momentos de maior criatividade. É altura de estes deixarem só de ouvir e irem à procura. Desta forma era essencial, que as escolas tivessem uma maior liberdade de reformular os seus projetos educativos, indo ao encontro das necessidades dos educandos, o que a iria distinguir das outras. Outro ponto crucial é o papel do professor, que deve fomentar a inovação, motivar, e proporcionar conhecimentos aos alunos, por forma a estes serem autodidatas.