4. EQUIPMENT
4.1. Gamma camera
PRIMEIRO BLOCO TATAU
Música: Protesto Olodum Compositor: Tatau
JORGE PORTUGAL E lá vou eu também. Aprovado no ar. Alô você que está aí, Remanso, Casa nova, Sento Sé, você que está em Barreiras., você que está em Luís Eduardo, Recôncavo está formada a rede educacionista da Bahia. Aprovado: Educação,cultura e vestibular na tv.
Tema de hoje: Educação e democracia. Está é uma discussão urgente é um debate urgente e o Aprovado está trazendo pra você. Programa portanto antológico. Se prepare pra gravar por favor. Vou lhe da aqui um segundo...Tô é brincando, mas ao logo do programa você pode muito bem gravá-lo para ver, pra rever pra mostrar aos vizinhos, aos amigos, porque é aula magna.
Nossos convidados: Mestra Vera Veronese. Muito prazer. Bem- vinda ao Aprovado. Você que é uma das lideres do movimento educacionista da Bahia.
VERA VERONESE Exatamente
JORGE PORTUGAL Com certeza. Temos aqui Almerico Biondi. Almerico, querido, você que é superintendente de educação profissional do Estado da Bahia temos muito que conversar hoje?
ALMERICO BIONDI Muito
JORGE PORTUGAL Muito, muito, muito. Claro. E não vai ser conversa adjetiva. Vai ser conversa substantiva. Pois é aqui eu tenho os nossos debatedores. É Aprovado debate hein?
Ok! Evelin Buchegger, atriz. EVELIN BUCHEGGER Exatamente
É bom tê-la aqui. Com certeza.
Vladimir Nunes que é vice-presidente da UNE.
Temos nossa estudante de jornalismo da Facom – de produção Cultural – que coisa boa Esther Vásquez. Seja bem-vinda.
Nide, minha querida. Nidi Nobre. Nide Nibre é socióloga e é coordenadora do FACE. Do Festival Anual da Canção Estudantil neste momento. É isso daí?
Então temos um assunto em comum e temos muita prosa boa, mas temos também aqui no Aprovado o Ralando na área. Claro, eu sei que você esta esperando. É uma atração a parte dentro do programa e, Ciências Biológicas, se é a sua, hoje o Ralando é todo pra você. 2030 Discutindo o futuro com quem? Caetano Veloso. Ninguém menos do que Caetano Emanoel Viana Teles Veloso.
E um convidado especialíssimo. A entrevista dele será o eixo da nossa conversa. Honra máxima do Aprovado ter como entrevistado, Tatau, Cristovam Buarque. Eu digo sempre que ele está senador, mas que é eternamente, será eternamente um dos maiores educadores desse país. Cristovam Buarque líder nacional do movimento educacionista. Que Aprovado. Que maravilha. Que beleza. E vamos começar por ele. Na entrevista que ele me deu eu perguntei, por exemplo, sobre uma frase que ele vem repetindo ao longo do tempo sobre a abolição incompleta. O que é esta abolição incompleta? Vamos então começar assim com a resposta dele. Olho na tela.
VT - CRISTOVAM BUARQUE
JORGE PORTUGAL Sempre preciso, professora Vera, por favor, vamos conversar sobre isso que ele diz: “a escola do branco ainda não é igual...” aliás, a escola do negro, a escola do pobre ainda está longe de ser igual a escola do branco no Brasil. Aliás o ENEM agora provou isso né? Das 20 escolas, Tatau, das 20 escolas mais bem classificadas 15 são escolas particulares e 5 são escolas publicas e ainda assim ...
VERA VERONESE Sendo que as públicas são federais. JORGE PORTUGAL Federais! É!
VERA VERONESE Exatamente. Não são escolas estaduais. Com relação a essa questão da abolição não completada é muito importante que a gente diga não é a escola do negro e a escola do branco; é a escola do rico e a escola do pobre. Porque a abolição que o Cristovam fala, que ele se refere é: só vai existir uma escola de qualidade no dia em que o filho da patroa estiver na mesma escola que o filho da empregada. JORGE PORTUGAL Com certeza. Eu, por exemplo, já estudei em uma escola assim há
cerca de 30, 35, 40 anos. O filho do gerente do Banco do Brasil e o filho do contínuo estudavam. O filho da prefeita e do gari estudavam na mesma escola. Um belo dia desmontaram essa escola. Estamos a caminho de retomá-la , de retorná-la aqui na Bahia, Biondi?
AMERICO BIONDI Sim. Acho que todos os nossos planos e planejamentos caminham nesse sentido, de transformar a escola publica numa escola realmente que atenda a todos e todas as classes sociais. Evidentemente que nós temos uma divisão de classe em relação a educação. Agora é importante frisar, como disse o próprio senador Cristovam essa questão racial, particularmente na Bahia muito forte que iguala renda, raça e etnia. No norte, a questão indígena também. Os índios estão fora da escola. Então acho que essa dimensão é uma dimensão muito importante pra ser tocada. No caso especifico da secretaria de educação, a nossa perspectiva é transforma numa escola de qualidade, numa escola integral, uma escola onde se aprenda. A escola deixou de ser um ambiente de
aprendizagem e passou a ser um meio de tudo menos de aprendizagem por isso que a retomada em varias dimensões: uma visão de uma educação integral onde se aprenda humanidades, onde se aprenda artes, onde se aprenda cultura, onde se aprenda conviver, onde se aprenda trabalho, ou seja, forma a pessoa integral, não apenas uma parte dela.
JORGE PORTUGAL O velho sonho de Anísio Teixeira, né? À ele sempre, à ele sempre vai ter que voltar
ALMERICO BIONDI Isso. Paulo Freire, Anísio Teixeira... Ao velho mestre, sem dúvida nenhuma.
JORGE PORTUGAL Claro. Alguma reflexão ou alguém aqui já quer puxar conversa? Vladimir.
VLADIMIR MEIRA Eu acho que esse momento de discutir inclusive a inclusividade hoje no ambiente escolar e também no ambiente acadêmico é importante fazer a reflexão sobre os impactos sobre a lei 10.639 tem pra gente hoje no que se refere a rediscutir o tema da questão racial nas escolas e universidades. Primeiro, inclusive conseguindo compreender que o racismo existe. Encarar o racismo como algo que de fato existe em todos os ambientes inclusive perpassa a escola e a universidade e se irradia pra outros, também, ambientes da vida e sociedade.
Então eu acho que é importante quando a gente discutir inclusividade - e as universidade federais passam por um processo de democratização do acesso - a gente conseguir fazer a reflexão de que é preciso e imprescindível, agora, a gente implementar a lei 10.639 que altera os currículos mas também encara a problemática do racismo de frente nas escolas principalmente como algo que talvez coloque a gente num patamar diferenciado na qualidade de educação e na transmissão desse conhecimento para a sociedade. Acho que é importante a gente refletir. Essa discussão que o Cristovam faz sobre esse processo de abolição, a gente fazer uma reflexão de que hoje a gente pode retomar esse debate com muito mais eficácia e ofensividade no que se refere a combater o racismo e todas as perspectivas.
JORGE PORTUGAL Sobre isso tem até uma notícia recente. Uma notícia muito boa. É que nesse processo de reformulação dos currículos do médio, do ensino médio e com o novo ENEM valendo como prova nacional, de um vestibular nacional, o MEC definiu história da cultura da África como um dos conteúdos cobrados. Eu acho que agora vai porque que virou assunto do vestibular. Vai ter que ter professor na sala de aula, gente se reciclando entendeu? Enquanto a lei estava aí e as pessoas pedido misericórdia, pelo-amor-de-deus que implantasse “fazia ouvidos loucos”, agora no momento que vira... história da cultura da África e ações afirmativas passam a ser conteúdo cobrado pelo novo ENEM.
ALMERICO BIONDI Jorge, tem algo muito importante... que nós estamos completamos, já, um ciclo do sistema de cotas pra universidade. Já dá pra se avaliar o resultado do sistemas de cotas. Muita gente foi contra, dizia que era benesse, que era passar a mão pela cabeça mas as notas dos alunos de cotas são maiores que os alunos alunos que não são de cotas, ou seja, dada a oportunidade à todos por igual, a inteligência humana se faz valer. E ele valoriza porque ele lutou por aquilo e conseguiu chegar lá. Então esse dado é muito importante para aqueles que discriminavam, que diziam “sou contra as cotas” de entender como, hoje, a universidade está melhor porque entrou as cotas. Porque os estudantes estão aprendendo mais.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Gente que conversa boa. Que papo bom e como é aquele refrão? Quando a conversa é boa, o tempo voa. Foi embora o primeiro bloco e vamos para o segundo bloco com mais Cristovam Buarque e os nossos convidados refletindo sobre educação e democracia. Bahia, querida Bahia. Eu só vou ali mas volta já.
SEGUNDO BLOCO TATAU
Música: Ara Ketu é bom demais
Compositor: Tatau
JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Rapaz... você... (risos). Eu ia dizer o seguinte: Aprovado um programa que é como Tatau: bom demais. (risos) Tá muito bom. Tá jóia. Adorei. Você estão vendo que nós estamos hoje em clima de sarau. O sarau do Tatau.
TATAU Tá bacana aqui. Tá bacana.
JORGE PORTUGAL É o sarau de Tatau. Tô gostando, tô gostando demais.
TATAU Tô aprendendo o tempo todo aqui com as pessoas que envolvem toda a nossa cultura todo o nosso desenvolvimento e eu aqui pescando um pouquinho para ver até se eu componho algumas coisas dessa pescaria breve e fazer algumas canções aí.
JORGE PORTUGAL Ele está aqui é nos dando lições musicais. (risos)
Pois é gente. Olha, eu queria agora que vocês prestassem atenção numa matéria que vamos soltar e eu vou fazer uma pergunta aos participantes e essa pergunta vale também a quem está em casa. Vamos conhecer os novos caminhos da engenharia, como a tecnologia se articula com esta profissão tão tradicional e à quantas ela anda hoje. Olho na tela Bahia.
VT - MATÉRIA EXTRA
JORGE PORTUGAL Beleza. Olha aí, estamos falando Biondi de uma engenharia verde. ALMERICO BIONDI Mas assim, eu queria acrescentar um elemento a nossa entrevista
podemos pensar em uma engenharia que também não pense nos espaços sociais por exemplo: o quarto da trabalhadora doméstica que geralmente é um lugar extremamente insalubre, sem ventilação, sem nada. Ele tem que fazer de um tamanho adequado. Do mesmo modo que a nossa engenharia não pode só pensar nos grandes prédios. Tem que pensar nos condomínios populares, nas casas dos trabalhadores rurais que precisam também, da mesma forma, de uma moradia decente. Ou seja, eu acho importante o acréscimo do paradigma da ecologia mas também pensar o social como um elemento da formação, não só do engenheiro como também do nosso técnico em construção civil de nível médio. Eu tô falando da minha área – me perdoe aqui a propaganda – da nossa expansão da educação profissional no Estado que também atinge essa área de técnica em construção civil.
JORGE PORTUGAL Engraçado, eu estava pensando que é preciso também transversalizar esse conteúdo para os cursos técnicos profissionalizantes. Pra que a meninada já venha absorvendo essa cultura não é mestra Vera?
VERA VERONESE Nós estávamos conversando exatamente sobre isso. O que a gente acredita é capacitar os jovens que estão saindo do ensino médio para trabalhar nesse mercado que tem - a oferta é grande - mas preparar esses jovens tecnicamente. Enquanto ele não é um engenheiro ele pode estar no mercado de trabalho fazendo esse tipo de... tendo esse preparo, essa capacitação e entender que a importância da questão ecológica é fundamental na educação também.
JORGE PORTUGAL Com certeza. Olhe bem e agora vamos ouvir Cristovam Buarque falar sobre o educacionismo. Olho na tela.
VT - CRISTOVAM BUARQUE.
JORGE PORTUGAL Beleza. Eu lembro que quando ele foi indicado Ministro da Educação, ele até propôs o “Ministério da Educação Fundamental”. Se lembra? E o Ministério de Educação com os termos tradicionais. Tem sido uma belíssima obsessão.
VERA VERONESE Inclusive, ele luta muito, Jorge, para o Ministério da Criança e do Adolescente. Não sei se vocês já ouviram falar...
JORGE PORTUGAL Já. Claro.
VERA VERONESE ... que a preocupação do Cristovam - a gente não coloca o Cristovam como um político, um senador, coloca como um educador. Então a preocupação dele é no sentido mesmo o de iniciar um trabalho, uma luta pela educação na base. A base é que precisa realmente iniciar esse trabalho de uma mudança nos aspectos da educação. Essa mudança tem que começar realmente na base.
ALMERICO BIONDI Vou dar uma de polêmico aqui e discordar pouquinho do mestre Cristovam. Eu acho, como Paulo Freire, que a educação é uma condição necessária mas ela não é uma condição suficiente. As mudanças que devem ocorrer tem que ser plurais porque se eu atacar apenas a economia, eu teria o problema da educação. Se eu tocar só educação, eu continuarei com os problemas sociais. O sociólogo francês Bordieu já dizia: capital cultural. Capital cultural tá vinculado ao capital econômico, ao capital social mas nós podemos redistribuir esse capital pela educação. É um caminho mas continuaremos tendo a concentração, infelizmente, do capital monetário. Então é essa discussão tem que caminhar par e passo: trabalho, educação e desenvolvimento. Aí você vai conseguir resolver a equação.
VERA VERONESE Nós acreditamos que a educação não é o principal mas ela é o vetor. Ela vai fazer como que todas as outras necessidades para uma transformação na sociedade aconteça. Mas é através da educação... ela será o vetor dessa transformação.
NIDE NOBRE É antigo o discussão que envolve arte, educação, sociedade, cultura, jovem, velhos, adultos. A gente estava conversando sobre José Martí que é aquele pensador, educador cubano que já traz essas idéias de educação ampliada é aquela que pensa em todos os segmentos, em todos os setores, em todas as áreas. O desenvolvimento econômico com social caminhado junto.
Então pensar a educação e o sobretudo a educação na Bahia e a Bahia rica de talento, rica de diversidade, de gente, de cores, de raça. Então é a gente poder pensar em fazer diferente e acho que faz sentido aquela palavra do professor Cristovam - vou chamar de professor – que é a idéia de revolução. Nós temos condições, o potencial humano capaz de revolucionar, modificar, alterar o rumo, não somente da educação mas da vida das pessoas. Se a gente leva a educação associada ao nosso cotidiano, às nossas experiências, às nossas rotinas. A educação é poder encontrar gerações distintas, gente distintas, e fazer desse encontro um lugar, um jeito de mudar o mundo.
JORGE PORTUGAL E você Evelin? Quê que tem a dizer de tudo isso? EVELIN BUCHEGGER
Poema: Com licença poética
Autora: Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou.
JORGE PORTUGAL (aplausos) Maravilha. Adélia Prado. Este poema faz parte do livro “Cem melhores poemas brasileiros”. Organização de Ítalo Boricone. E é livro prescrito pelo vestibular da UFBA portanto se ligue, leia, viaje mais ainda. Evelin Buchegger. Ô milha flor. Muito obrigado. Isso é Aprovado. Como é que eu digo? Aprovado, um dia todas as escolas serão assim. Só vou ali mas volto já.
TERCEIRO BLOCO
JORGE PORTUGAL De volta com o Aprovado. Um programa assumidamente educacionista. E hoje, discutindo educação e democracia. Eu acho que é discussão debate que nos interessa. Um debate nevrálgico da sociedade brasileira. E eu vou perguntar pra você, venha cá já decidiu mesmo? Não? Tá vacilando? “Ah, Jorge eu quero isso, aquilo e aquilo mais. Tô no meio do caminho” Eu sei disso. 17 anos, 18 anos de idade não dá pra gente saber o que vai querer pra o resto da vida, Tatau. Por isso é que existe o Ralando na área pra lhe dar dicas precisas e preciosas sobre a sua futura profissão. Tá certo? Então, se Ciências Biológicas é o que você escolheu, ah, o Ralando na área foi feito pra você!
Ciências Biológicas. Ralando na área. VT - RALANDO NA
ÁREA
JORGE PORTUGAL Pois é, belíssimo Ralando na área mas na entrevista com Cristovam - que continua a nossa entrevista eixo – ele falou de uma proposta. Uma proposta dele que eu já reverberei muitas vezes aqui no Aprovado que é a proposta de lei pelo qual todos os detentores de mandato eletivo, de vereador à presidente da República, daqui a sete anos terão a obrigação, Tatau, de matricular seus filhos na escola pública.
TATAU Que coisa boa ein?
JORGE PORTUGAL Vamos ouvir, então. Você gostou ein? (risos) VT - CRISTOVAM
BUARQUE
JORGE PORTUGAL Tá jóia. Eu vi que você gostou.
juntinho. Eu acho isso interessante pra que evolua com toda a tranqüilidade pra que veja literalmente a igualdade pra todos.
JORGE PORTUGAL E aí Tatau. Depois que a gente zerar, na escola pública, o marcador, como se fosse Bahia X Vitória. Zero a zero. Você vai ver o quê que vai valer. Ele vai dizer o quê que vai valer. Cristovam Buarque de novo.
VT - CRISTOVAM BUARQUE
JORGE PORTUGAL (risos) Pois é. Tá aí. Entendeu? Precisamos redondear a escola. É isso que a gente tá fazendo Biondi?
ALMERICO BIONDI É isto. Agora eu acho que pra aredondar a escola nós precisamos de 3 elementos fundamentais além dessas dessas medidas que eu acho que tem um caráter simbólico importante mas elas não são suficientes.
Primeira questão eu acho que é a questão da transparência na escola. A escola precisa ser transparente para pais, pra sociedade e etc.
A outra questão é a participação. Estamos ali com a UNE. Quer dizer, a volta dos grêmios, dos grêmios estudantis tem que tá. Na nossa época, na minha época, na sua época em que a gente brigava, discutia. Eu fui do grêmio da escola técnica na federal. Na época da ditadura militar que era Centro Cívico e a gente fazia muita coisa. Democratizou a escola, então a participação é fundamental. A escolha do diretor como nos fizemos agora com a comunidade participando.
E a terceira coisa é o controle social. Sem controle social nenhuma medida mesmo aquelas mais avançadas ela consegue se firmar porque não é acompanhada. Então de repente – como se fez por exemplo com a 5692. A 5692 é uma proposta semelhante a essa que o senador Cristovam colocou: todos agora vão fazer um curso técnico, todas as escolas terão um curso técnico. O quê que os filhos dos ricos fizeram? Maquiaram as escolas e continuaram sendo preparadas para o vestibular enquanto que as escolas dos pobres não tiveram os laboratórios pra que eles tornassem técnicos. Eu sei isso porque na minha família, eu fiz química na escola técnica e fui trabalhar no pólo enquanto que meu irmão fez química no Colégio Luiz Vianna, em Brotas, e nunca trabalhou no pólo porque lá não tinha laboratório. Ou seja, às vezes,a aparentemente, você faz uma medida que ela é democrática mas senão tiver o controle, o acompanhamento social, ela não consegue se implementar. Eu acho que são idéias boas, positivas mas nós precisávamos de fato implementar esse processo com conselhos, conselhos de pais. O teu programas que aponta elementos, aponta coisas, a sociedade, a mídia. A sociedade falando, criticando e criando esse mecanismo de acompanhamento social.
também parabenizar o programa que, se não for o único regional que fala de educação na televisão...
JORGE PORTUGAL É o único no Brasil. Nessa natureza, o único no Brasil. Em todo o resto do Brasil neste horário só tem desenho animado. Programa de educação só na Bahia: o Aprovado!!
ESTHER VÁSQUEZ Então é fantástico isso. Fantástico. Parabéns e eu queria inclusive perguntar se a democratização da educação não passa também por uma questão da comunicação. Se a comunicação, também, não tem uma responsabilidade muito grande com relação a isso.
VERA VERONESE Uma das coisas mais importantes para a educação é a comunicação e a comunicação que a gente fala é a questão da leitura. A escola ela deve preparar o aluno não só para leitura decodificando o que esta ali escrito. A leitura de mundo. Então essa questão da importância da comunicação, ela feita através da leitura. A leitura das várias linguagens. Então é necessário, se faz necessário mesmo que a formação do educador deve, antes de tudo, estar voltada para a comunicação. Deve estar antes de tudo voltada pra isso. Que não acontece. Só muito pouco.
JORGE PORTUGAL Que não acontece. Só muito timidamente. A bola é com você Tatau.