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4-3. FUNCTIONAL OVERVIEW
Mesmo quando o sangue é detectado, não se pode assumir que seja sangue humano. De forma a determinar se o sangue encontrado é, efectivamente, humano, são realizados testes que envolvem reacções entre antigénios, na amostra recolhida e anticorpos anti- humanos. Um destes testes é o teste de Hexagon (Gun, 2009).
Hexagon
Este teste tem demonstrado ser um instrumento sensível e robusto, na confirmação do sangue humano, uma vez que é específico para o mesmo, sendo aplicado, com bons resultados, em amostras recentes e em amostras, já algo degradadas. Este método pode ser utilizado, quer nos testes em laboratório, quer na própria cena de crime, sendo que o antigénio é insensível a um conjunto de contaminações ambientais, excepto a exposição a determinados detergentes e lixívias e exposição prolongada a preparações que contenham luminol.
Este teste, de simples execução, requer pouco equipamento, e é realizado de forma rápida e tem vindo a demonstrar uma sensibilidade maior, comparativamente a outros testes de presunção e confirmação.
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Os testes de confirmação baseiam-se na reacção entre a hemoglobina humana e as partículas, neste caso azuis, acopladas aos anticorpos anti-humanos, dos reagentes presentes nas soluções aplicadas. O imuno-complexo vai migrar para a zona de teste, onde vai ser capturado, directamente, por um segundo anticorpo, formando uma linha azul, indicativa de um resultado positivo. No caso de uma reacção negativa, os reagentes, que não se ligaram, vão migrar para uma outra zona e vão ligar-se aos anticorpos anti-rato. Esta linha de controlo vai assegurar um correcto funcionamento e manuseamento do teste (Azoury, 2003; Bluestar Forensics, n.d.; HDW, n.d.).
3. Fotografias
Como já foi referido, o desafio do registo fotográfico é saber o nível de detalhe que cada vestígio necessita. É crucial que o perito se aperceba que nem todas as manchas necessitam de ser registadas. No caso de a mancha suscitar dúvidas no perito, o seu registo deve ser efectuado (Ricketts, 2003).
4. Recolha
Uma vez que o sangue, associado a uma cena de crime, pode fornecer informação que poderá até resolver o caso, é essencial documentar, recolher e preservar este tipo de vestígio. O seu incorrecto manuseamento pode enfraquecer, ou mesmo destruir, uma potencial fonte de informação; como tal, uma correcta recolha e preservação dos vestígios biológicos poderá, mesmo, estabelecer uma correspondência entre um indivíduo e um acto criminoso.
Um perito forense deve saber qual a utilidade e quais os métodos que vão ser aplicados, à amostra recolhida, de forma a que possa adequar a recolha e preservação do vestígio. Como já foi visto, um laboratório pode proceder à realização de três tipos de análises ao sangue e, para cada um desses tipos, a amostra terá de obedecer a uns determinados requisitos. No caso dos exames serológicos convencionais (proteínas, enzimas e antigénios), uma vez que as amostras são mais susceptíveis à degradação do que no ADN, vai ser necessária a recolha de uma maior quantidade de sangue. No caso das técnicas de RFLP (análise de sequências de ADN), apesar deste método não ser tão susceptível a degradação, é, igualmente, necessária uma grande quantidade de amostra. Se estiver em causa a realização de um PCR, já não serão necessárias grandes amostras de sangue; porém, ao longo do tempo, têm sido feitas outras análises a outras sequências do ADN e, tendo em conta possíveis contaminações, deverão ser recolhidas quantidades satisfatórias de sangue (Caddy, et al., 2004; Dagnan, n.d.).
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O perito deverá, com base na sua experiência, recolher os vestígios que possam fornecer informações o mais valiosas possíveis, como, por exemplo, recolher vestígios representativos das áreas periféricas das manchas de sangue, como as manchas que se encontram afastadas do corpo da vítima e da área principal de acção, ou de manchas que sejam diferentes da maioria das manchas (Caddy, et al., 2004; Dagnan, n.d.).
Manchas de sangue seco
No caso do item onde se encontra a mancha de sangue ser de pequenas dimensões, deverá proceder-se à sua remoção integral, num envelope ou saco de papel. Este procedimento é vantajoso, uma vez que requer o mínimo de interacção possível, entre o perito e o vestígio, permitindo, ao perito, no laboratório, a escolha da área que mais informação pode possuir, diminuindo, assim, o risco de contaminação e diluição da amostra. Porém, a recolha integral do objecto requer um local de armazenamento maior, bem como mais trabalho para o perito, no laboratório (Caddy, et al., 2004; Dagnan, n.d.). No caso do item, onde a mancha de sangue está depositada, ser de grandes dimensões, algumas técnicas poderão ser utilizadas na sua colheita. No caso de ser possível, deverão ser recolhidas amostras de zonas, sem a presença do vestígio, para controlo negativo. Entre as técnicas:
Corte da zona do item com a mancha de sangue. Esta zona deverá ser embalada em envelopes de papel, individualmente. Esta técnica vai permitir a diminuição do risco de contaminação e diluição da mancha e vai requerer uma interacção mínima entre o investigador e a amostra, para além de que não necessita de muito espaço de armazenamento. Porém, alguns materiais podem ser mais difíceis de cortar do que outros;
Remoção da mancha de sangue através da utilização de uma fita adesiva. Nesta técnica, a fita deve ser colocada sobre a mancha e sobre alguma área envolvente, controlo negativo. Deve verificar-se que a fita está em contacto com toda a mancha, removendo-se e colocando-se num material de fácil manuseamento. Este procedimento pode ser repetido as vezes necessárias, na mesma mancha. Esta técnica, para além de ser de fácil execução, também requer o mínimo contacto entre o perito e o vestígio, diminuindo, portanto, o risco, quer de diluição, quer de contaminação. Porém, existem manchas de difícil remoção;
Raspagem de manchas de sangue. Esta técnica requer a utilização de um instrumento afiado, e não deverá proceder-se à sua raspagem para uma
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embalagem plástica, uma vez que o material recolhido, devido à electricidade estática, pode dispersar-se, acumular-se e perder-se, nos cantos da embalagem. Esta metodologia vai permitir, igualmente, um risco de contaminação e diluição mínimo. Porém, as manchas de sangue têm tendência a quebrar, o que poderá levar à perda de algum material, assim como o facto de que algumas manchas serem de difícil remoção. Para além deste facto, o raspado não deverá ser colocado directamente num envelope de papel, sendo que a recolha, num papel branco e, posteriormente, num envelope, será mais valiosa;
Absorção da mancha por fibras ou cotonetes humedecidos. Nesta técnica, deverá ser utilizada água destilada para humedecer a superfície do ―instrumento‖ e este não deve ser manuseado sem a presença de luvas. Deverá proceder-se à remoção da mancha, através da passagem da fibra ou cotonete, por cima da mancha, rolando o ―instrumento‖ para que seja absorvida a maior quantidade possível de vestígio e repetindo, caso seja necessário. As fibras ou cotonetes devem ser colocados num ambiente seguro, de forma a secarem ao ar e embaladas num envelope de papel, selado. No caso de haver necessidade de embalar as amostras, em recipientes de plástico, estas não deverão ficar embaladas mais do que duas horas. Deverá proceder-se, também, à recolha de controlos negativos, para comparação. Esta técnica poderá levar à diluição e contaminação da amostra. (Caddy, et al., 2004; Dagnan, n.d.).
Manchas de sangue húmidas
No caso do item, onde a mancha está depositada, ser de pequenas dimensões, deverá proceder-se à sua remoção integral, num envelope de papel e ao seu transporte, para um local seguro, de forma a secar ao ar. Posteriormente, deverá voltar a embalá-lo, no envelope original, ou, no caso de não ser possível, considerar o envelope original também como um item, onde possíveis vestígios podem ser encontrados. Este procedimento requer o mínimo de manuseamento do material, minimizando, assim, diluições e contaminações.
No caso de o item ser de grandes dimensões, a mancha deverá ser absorvida por um cotonete ou fibras, da mesma forma como descrita na absorção da mancha por fibras ou cotonetes humedecidos. Deverá, posteriormente, ser embalada, em envelopes de papel, removida para um local seguro, e proceder à sua secagem, ao ar. Aplicam-se, depois, os mesmos procedimentos referidos nas manchas de pequenas dimensões. Esta técnica vai
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requerer uma interacção directa, entre o perito e a mancha, o que pode causar destruição e contaminação (Caddy, et al., 2004; Dagnan, n.d.).