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A análise forense do ADN é um campo em constante desenvolvimento, quer ao nível instrumental, quer ao nível tecnológico. Estes desenvolvimentos vão reflectir-se, cada vez mais, num aumento dos segmentos que podem ser processados, simultaneamente, assim como na diminuição da quantidade da mostra necessária para o estudo do perfil de ADN. Outros avanços são já visíveis, como a tentativa de construção de equipamentos portáteis, para o estudo dos vestígios biológicos, na própria cena de crime, possibilitando uma análise mais rápida e mais económica (Kobilinsky, et al., 2007).

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Padrões de sangue

― each day, blood from scenes of a crime cries out to investigators‖ (Bevel & Gardner, 2002, p. 41).

O corpo é um objecto não estanque, ou seja, quando perfurado numa certa profundidade, ele tende a verter sangue, indiscriminadamente. Este facto não é surpreendente, uma vez que o corpo humano possui mais de 5 litros de sangue, no organismo. A presença de sangue, numa cena de crime, pode revelar mais do que a possível identificação do indivíduo ou dos indivíduos que o deixaram para trás. Quando o sangue é exposto ao ambiente externo, como resultado de um trauma, e submetido a algumas forças, ele comportar-se-á de forma previsível, de acordo com os princípios da física. As manchas de sangue resultam da exposição do sangue ao ambiente, quando em contacto com superfícies externas, após um episódio onde houve derramamento de sangue. A aplicação das propriedades físicas do sangue e os princípios dos fluidos, em movimento, constituem a base do estudo da interpretação da localização, tamanho, forma e direcção das manchas de sangue, relativamente à força ou forças que a produziram.

Como já foi visto, as propriedades físicas do sangue, que incluem a gravidade específica, a viscosidade e a tensão da superfície, tendem a manter a estabilidade das gotas de sangue e a assegurar a sua inalteração. Porém, forças externas podem actuar sobre o sangue exposto, superar as suas propriedades e criar uma série de dispersões e padrões. É importante ter em consideração que não existem impactos perfeitos. Este facto vai culminar na produção de inúmeros tipos de manchas de sangue, que vão exibir diferentes direcções e características, no seu tamanho e distribuição, consoante as superfícies em que entrem em contacto, num mesmo impacto. Não existem relações totalmente directas entre a velocidade, o ângulo e outros factores, com o tipo de mancha produzida. Tal advém da natureza dinâmica do impacto em si, sendo que, à medida que a acção se desenrola, diferentes níveis de força são aplicados, conferindo configurações diferenciais, na mancha de sangue. O exame e a documentação da natureza física das manchas de sangue vai fornecer informação, relativa aos eventos/acontecimentos, durante a ofensa. A análise da dispersão, da forma, das características, do volume, do padrão, do seu número, da sua relação com a cena envolvente e da sua localização, vai permitir a abertura de uma janela, com vista ao passado (Bevel & Gardner, 2002; Caddy, et al., 2004).

O Estudo dos padrões de sangue e a consideração das propriedades físicas da distribuição desses padrões surgiu, recentemente, como reconhecida perícia forense.

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Historicamente, a interpretação desses padrões conheceu um longo período de

negligência, uma vez que os investigadores não se debruçaram sobre as informações cruciais que essa avaliação podia revelar. O primeiro periódico que fez referência a questões relacionadas com os padrões de sangue, de que se tem conhecimento, foi publicado, na Alemanha, com os contributos de inúmeros autores, apelidado de Vierteljahresschrift für gerichtliche und offentliche Medizin (Quarter-Year Writings for Forensic Medicine). Em 1856, J.B. Lassaigne escreveu ―Neue Untersuchungen zur Erkennung von Blutflecken auf Eisen und Stahl‖ (new Examination to differentiate Bloodspots from Iron and Steel). Nesta obra, Lassaigne descrevia as diferenças entre manchas de sangue normais, com manchas de sangue que sofreram interferência de insectos (Bevel & Gardner, 2002).

Em 1863, John e Theodric Beck escreveram um artigo no qual descreviam vários casos em que os padrões de sangue tinham sido alvo de análise.

Em 1882, o Professor Charles M. Tidy publicou o ―Legal Medicine‖, onde incluía informação relativa à importância da determinação da natureza das manchas de sangue. Porém, o primeiro estudo em que a análise dos padrões de sangue foi, efectivamente, documentado, teve como autor Eduard Piotrowski, assistente num Instituto na Polónia: Ueber Entstehung, Form, Richtung und Ausbreitung der Blutspuren nach Hiebwunden des Kopfes (Concerning Origin, Shape, Direction, and Distribution of Bloodstains Following Blow Injuries to the Head) (Bevel & Gardner, 2002).

Ilustração 17. Publicação de Eduard Piotrowski (1895) relativa aos padrões de sangue (Eckert & James, 1999)

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Desde que se reconheceu o valor da interpretação dos padrões de sangue, o número de autores relacionados com esta temática cresceu exponencialmente, assim como a criação de associações relativas a este campo. A interpretação dos padrões de sangue passou a ser uma disciplina com um estatuto cada vez mais aceite, em tribunal, que tem vindo a incluir e a complementar-se com outras ciências, como a biologia, a física e a matemática. A avaliação dos padrões pode ser realizada na própria cena de crime ou através de fotografias da mesma, em conjunto com as informações detalhadas de exames feitos à roupa, armas e outros objectos relativos aos vestígios físicos, assim como, dados referentes ao exame post mortem e dados hospitalares (Bevel & Gardner, 2002).

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