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FONDS DE REVENU FIXE SANS CONTRAINTES MACKENZIE

Dans le document Gamme de fonds Banque Laurentienne (Page 74-77)

PARTIE B : INFORMATION PRÉCISE SUR CHACUN DES FONDS DÉCRITS DANS CE

FONDS DE REVENU FIXE SANS CONTRAINTES MACKENZIE

Bortot e Guimaraens (2008) descrevem o universo que circulava em torno da prática estudantil no período de 1964 a 1980, com entrevistas, documentos, estatísticas e links de diversas áreas do saber humano, sendo possível identificar as influências da arte, da música, da filosofia, da política no fazer dos jovens militantes, que por sua vez influenciavam diretamente na criação e composição desses cenários.

Diria Poerner (1968, p.229), que “a história da UNE se confunde inteiramente com a história do Movimento Estudantil a partir de 1964”. O último congresso legal da entidade, entre 1960 e 1978, foi em julho de 196524, e a partir de então a UNE, na

clandestinidade, passou a ser a principal entidade de referência dos estudantes e um dos principais movimentos de resistência ao golpe militar25, assumindo frente

aos estudantes e à sociedade, de modo geral, uma destacada importância. Passado alguns anos, ainda é comum ao se falar de Movimento Estudantil evocar a imagem da UNE, como se uma parte correspondesse ao todo ou como se Movimento Estudantil se limitasse a UNE.

24Realizado na escola Politécnica de São Paulo. Ver MARTINS FILHO, op. cit. p.98.

25 Ver pesquisa da professora Marisa Bittar da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

Acessamos a pesquisa da professora por meio da aula inaugural realizada na UFES em 06/12/2012.

A partir disso, destacamos sua importância no cenário político brasileiro como uma entidade aglutinadora, expressão desses diferentes segmentos e sujeitos envolvidos, a UNE como uma entidade fundamental26 para a compreensão do

Movimento Estudantil no Brasil e principal entidade representativa dos estudantes27. Sua influência na agenda política brasileira vai além das questões

diretamente ligadas à educação, visto que os compromissos que assume se expressão em outros temas e assuntos da agenda política, como a questão da economia, do desenvolvimento sustentável, das liberdades democráticas, da integração da América Latina, do investimento e financiamento em cultura e esporte.28 Entretanto, há que se considerar que ela não é unânime entre os

estudantes.

Há uma história oficial da UNE contada nos seus anais e nos livros de história. Uma UNE que “sempre esteve ao lado do povo brasileiro e do estudante brasileiro”, uma UNE que “sempre” esteve presente e atuante em questões que iam para além das diretamente envolvidas com a educação, dentre outras formas de pensá-la.

Aqui narramos essas ‘UNE’s’ pela importância e respeito às contribuições que a entidade trouxe ao Brasil, principalmente, nos períodos de ditaduras militares. Uma UNE das dissidências, das minorias políticas, partidárias ou apartidárias. Como experimentado em minha atuação no Movimento estudantil, onde vivenciei duas UNE’s se co-habitando em escala de revezamento, ora uma, ora outra e ora as duas se co-fundiam.

Para milhares de estudantes brasileiros a UNE não é uma entidade que lhes representem, porque, segundo os mesmos, a entidade emparelhou-se com o Governo e com partidos políticos que compõem ou não a base governista. Uma UNE composta majoritariamente por dirigentes filiados a partidos políticos como o PC do B, PT, Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), entre outros. Assim, argumentam que o movimento estudantil

26 Em recente entrevista ao site da UNE, Ariano Suassuna, escritor, formado em direito e filosofia,

disse que a UNE executava papel fundamental na sociedade brasileira.

27 Baseio-me em nos estudos de POERNER, 1968, MARTINS FILHO, 1987 entre outros, sem levar

em consideração as controvérsias sobre representatividade e representação.

realizado pela organização se encontra fragilizado e capitulado pelos interesses governistas, que seus posicionamentos coincidem com os posicionamentos do Governo vigente, que sua autonomia e independência se encontram comprometidos. Nesse sentido, a organização perderia sua capacidade de contestar e de se posicionar contrária a propostas que não sejam e não estejam de acordo com os interesses da classe estudantil.

Prosseguindo, vimos que nos últimos anos a entidade pouco participou das principais manifestações sociais disparadas no país como, por exemplo, as manifestações de junho de 2013 que foram autônomas em relação a UNE. Nos anexos é possível observar que nas manifestações de 03 de junho de 2011, em Vitória – ES, o chamado “movimento organizado” fez duras críticas aos protestos desencadeados naqueles idos. Vemos uma UNE distanciada das específicas e singulares reivindicações, desplugada, desconectada com os anseios de significativa parcela dos estudantes brasileiros. Grande parte das manifestações realizadas no estado do Espírito Santo no período de 2011/2013 foi disparada por outros movimentos sociais de modo autogestivo, movimentos sociais dispersos e fragmentados que, em muitos casos, optam, inclusive, por não se consideram líderes ou responsáveis pelo movimento, sendo movimentos descentralizados. Na reportagem de sábado, dia 04 de junho de 2011, o estudante Marcos Paulo Silva, vice-presidente regional da UBES disse “apoiamos a causa do passe livre, vamos continuar apoiando, o quê nós divergimos é sobre o método que está sendo feito.” Sara Cavalcanti, diretora da UNE, disse “os atos têm de ser organizados pelas entidades estudantis”.

Aqui destacamos dois pontos nas falas dos representantes das duas entidades estudantis. As duas principais entidades estudantis nacionais se colocavam contrárias ao modo de protesto adotado pelos manifestantes daquele movimento, o mesmo se repetiu no início das manifestações de junho desse ano quando em várias oportunidades nos documentos oficiais da UNE ela se colocou moderada e com ressalvas e, após a explosão dos eventos, a UNE muda seu posicionamento com relação às manifestações e passa a apoiá-las. As duas entidades se colocaram como responsáveis e detentoras do poder de realizar manifestações ou

não, deslegitimando qualquer outra manifestação que não vinculada a elas. O desenho vai se fazendo, já é possível delinear alguns parâmetros.

Parte dos estudantes não se sente representada pela UNE porque ela impôs um modo de funcionamento único do ME, quando ela legisla sobre quais táticas e estratégias de lutas devem ser empregadas ou não nas manifestações; as manifestações devem ser centralizadas e vinculadas à entidade, apenas com o aval da organização estudantil aquela manifestação pode ser considerada ou não dos estudantes; um silenciamento dos anseios e da espontaneidade estudantil; uma burocratização das relações, necessidade de reportar a uma direção os objetivos de um protesto ou de uma manifestação.

A UNE, com seu modo de funcionamento atual, com sua estruturação e hierarquização, burocratiza as relações no movimento estudantil tornando a distância ainda maior entre estudante e entidade representante e aqui chegamos ao ponto que viemos trabalhando ao longo do texto; as representações representam quem? A desconfiança nas instituições, o questionamento dos instituídos, a ação direta, modos de política, de resistir, de existência, os efeitos de nossas práticas. Uma UNE com uma sede em São Paulo, uma UNE com uma sede no Rio de Janeiro. O questionamento das instituições representativas se insinua e o UNO começa a ceder lugar ao múltiplo, ao heterogêneo, o central às pontas, às conexões.

Descentralizar, ramificar, se infiltrar nos poros, nas brechas, nos pequenos nichos, nas fissuras, nos parece um caminho importante. Ouvir e criar mecanismos de circulação da fala, abolir o discurso de verdade e de domínio do saber-poder, reinventar-se e microfragmentar-se para se aproximar dessas parcelas que não se sentem representadas, minando a própria idéia de representação, incluir, produzir espaços de vazão às vozes, repensar os caminhos e rotas conjuntamente. E por isso dizemos que existem, também, tantas UNE’s quanto pessoas que lhe experimentam, cada UNE de um, de todos, UNE do múltiplo, UNE no plural, UNEs possíveis. UNE oficial, do discurso instituído e UNE sorrateira, subversiva e instituinte, porque elas se compõem e se constituem, se ramificam fazendo parte dessa emaranhada e complexa rede de movimentos estudantis.

Tomando como base o estudo de Maria Paula Araujo (2010) identificamos a UNE presente desde o Estado Novo, com uma relação ambígua com o governo Getúlio Vargas e contrária aos países do eixo na 2ª grande guerra mundial, até a recente eleição da presidente Dilma. Vale lembrar que, durante esse período, diversas foram as colocações e posições tomadas nos diferentes períodos, não existindo uma prática essencial que a definisse.

De acordo com Poerner (1968, p.190), Araujo (2010, p.71) e Martins Filho (1987, p. 39) a UNE foi “dirigida por representantes da direita”, entre 1951 e 1956 o Movimento Estudantil secundarista, por exemplo, foi requerido por duas representações: a União Nacional dos Estudantes Secundaristas (UNES), vinculada a dirigentes do Partido Comunista, e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) atrelada à membros do movimento integralista de Plínio Salgado, o que demonstra a presença de disputas de forças ideológicas no seu seio. O fato é que a UNE, como entidade histórica dos estudantes na defesa de seus interesses, merece destacada relevância no estudo sobre Movimento Estudantil brasileiro, independentemente do consenso nas análises quanto ao conteúdo de suas práticas, como no caso dos estudantes ligados ao PSTU, ao PSOL, PCB entre outros, bem como os estudantes independentes, não filiados a nenhum partido, que não a reconhecem como uma entidade legítima, representante de seus interesses.29

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