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FONDS D’OBLIGATIONS TACTIQUE MONDIAL MACKENZIE

Dans le document Gamme de fonds Banque Laurentienne (Page 68-71)

PARTIE B : INFORMATION PRÉCISE SUR CHACUN DES FONDS DÉCRITS DANS CE

FONDS D’OBLIGATIONS TACTIQUE MONDIAL MACKENZIE

O primeiro ponto que nos chamou a atenção ao realizar essa pesquisa foi a quantidade de associações e instituições existentes no Movimento Estudantil. Essas entidades estudantis são atreladas e vinculadas, em sua maioria, às organizações chamadas de esquerda. A discussão sobre o que é esquerda tem disparado muitos debates na academia. Aqui, optamos partir de Sader (1988) para quem os movimentos de esquerda são aqueles atrelados e imbricados com os do doutrinário de justiça social. Para esse autor, a esquerda vincula-se à ideia de

justiça social e à perspectiva de construção de um novo modelo de sociedade “ser de esquerda no mundo de hoje significa participar da reinvenção concreta de uma nova sociedade, baseada na justiça social e na solidariedade... (SADER, 1995, p.195).”

Para Giddens, (1996, p.23) “A perspectiva política de esquerda sempre esteve ligada a ideia de emancipação.” Esse debate, superado ou não, é um analisador da disputa ainda presente das forças produtivas, políticas e ideológicas no Brasil, numa tentativa de definir um campo de lutas.

A força de partidos e de “organizações juvenis de esquerda” no Movimento Estudantil já foi constatada em diversos outros estudos, como o de Martins Filho (1996), onde são discutidos os acontecimentos e as implicações do ano de 1968 no Brasil, México e França, e o trabalho de Daniel Reis Filho e Ferreira J. (2006), que descreve todo o organograma das organizações de esquerda do período da ditadura militar e as influências dessas organizações no Movimento Estudantil. Outro estudo de Martins Filho (1987) ressalta a importância de se especificar o período e o contexto da pesquisa sobre o Movimento Estudantil. Esse autor considera que no período de 1960 a 1968 houve uma diversidade enorme nas configurações que o movimento assumiu ao longo de seu percurso, o que impede de tratá-lo como único, e destaca a variedade de contextos e as formas de se fazer Movimento Estudantil, as tendências e as diversas forças políticas que tencionam, atuam e co-atuam em seu interior, dentre elas as chamadas “esquerdas” e as chamadas “direitas”.

No Brasil, o Movimento Estudantil se organizou tardiamente em relação a outros países da América Latina, como Peru em 1916 e Argentina em 191821. Martins

Filho (1968) desmistifica uma ilusão, criada a partir de universos ou verdades em relação ao Movimento Estudantil, de que o estudante brasileiro foi sempre politizado ou mesmo que esteve sempre ao lado do povo brasileiro. Segundo o autor, baseado nos estudos de outro importante pesquisador na área, Poerner (1968), na Primeira República setores do movimento estiveram ligados às elites oligárquicas e alguns foram contrários ao fim da escravidão. Outro exemplo refere- se a um confronto, em 1917, entre estudantes da Faculdade de Direito de São

Paulo e trabalhadores dos bondes em greve, quando então os estudantes se posicionaram contrários à greve dos operários. “É impossível atribuir à participação do estudante um caráter genérico e imutável (MARTINS FILHO, 1987, p. 17).” O que queremos dizer é que a esquerda ou a chamada esquerda, como constatado em diversos estudos, exerce forte influência no Movimento Estudantil, contudo, essa influência não acontece de maneira hegemônica ou mesmo contínua, nem isenta dos desdobramentos de suas decisões políticas.

Em a Utopia Fragmentada (2000), a autora Maria Paula Araujo realiza uma discussão sobre o surgimento das novas esquerdas no período da década de 1970: as organizações clandestinas, minoritárias e dissidentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), as “dissidências”, as mesmas que atuaram no Movimento Estudantil já em meados da década de 1960. Essas organizações vão se desmembrar e se rearticular em outros setores dos movimentos sociais com maior força nos anos 70. O movimento dessas chamadas novas esquerdas se contrapunha aos paradigmas ortodoxos marxistas, rebatiam as teses dos Partidos Comunistas e procuravam novos paradigmas.

Segundo a autora, a expressão “Nova Esquerda” surge por meio de historiadores ingleses, oriundos do Partido Comunista Britânico, como Eric Hobsbawn, E. P Thompson e Christopher Hill que apontavam a diferença entre uma crítica que a esquerda tradicional fazia, mais totalitária e universal, e essas esquerdas alternativas com críticas mais fracionadas, pontuais e específicas das minorias. As consequências desses desmembramentos das esquerdas são, por exemplo, a quantidade de associações e organizações que tivemos no Brasil no período da ditadura militar, organizações que participavam das associações de bairros, das comunidades eclesiais de base e do Movimento Estudantil (REIS FILHO; SÁ, 2006).

O trabalho de Reis Filho e Sá (2006) apresenta o processo de constituição e desmembramentos das novas esquerdas no período da década de 60, as crises e cisões com o PCB e, a partir daí, toda uma nova configuração que veio a formar o mosaico das esquerdas no Brasil. Os autores realizam uma pesquisa minuciosa especificando os detalhes políticos e ideológicos que provocaram as dissidências e desmembramentos das organizações e partidos, e selecionam alguns dos

principais textos e documentos programáticos das organizações para que o leitor tenha acesso ao conteúdo das cartas e teses. Dentre tais organizações, encontramos a história da Ação Popular (AP) que teve origem nos quadros da Juventude Universitária Católica (JUC). Sua base teórica dentro da teoria marxista, até 1964, era considerada Marxista-Leninista e após a I Reunião Ampliada da Direção Nacional, em 1968, optou por seguir outra variante do marxismo - o maoísmo. Até o ano de 1964 o Movimento Estudantil e os movimentos sociais, de um modo geral, eram ocupados hegemonicamente pela Juventude Universitária Católica e o PCB.

Araujo (2000) nos mostra a importância dessa diversificação das bandeiras dos movimentos de esquerda, esse deslocamento de grupos heterogestivos, verticalizados ou centralistas para grupos autogestivos, onde seus membros buscavam falar por si, ou nas palavras de Guattari e Rolnik (2005), grupos minoritários que faziam o movimento desviar de uma direção hegemônica. No bojo das transformações das organizações de esquerda, o Movimento Estudantil também se configura e se diversifica, produzindo outros modos de subjetivação. Hingridy Caliari (2009) realizou um estudo na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) que aborda a questão da participação política juvenil. Nesse estudo foram entrevistados jovens filiados aos diversos partidos que compõem o cenário do Movimento Estudantil no Espírito Santo. A autora questiona o quanto e de que forma a juventude tem se interessado e participado da política e conclui, em conformidade com o que outros pesquisadores observaram, que o Movimento Estudantil hoje atua diferentemente de outros períodos, em virtude do contexto e das contingências sociais atuais, corroborando a ideia de que, ao se falar dele, é importante delimitar seu tempo e espaço.

Do mesmo modo, Renato Cancian (2010) nos relata um grande leque de tendências políticas na Universidade de São Paulo (USP) no início da década de 1970, assim como Bortot e Guimaraens (2008) também pontuam a política de tendências presente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nessa mesma década e a forte influência do Partido Comunista do Brasil (PC do B) no Movimento Estudantil. Dentre tais tendências políticas na UFRGS, destaca-se a corrente Liberdade e Luta (LIBELU).

Aqui já podemos nos deter no ponto que nos interessa. É possível observar, por meio desses estudos22, alguns traços em comum, alguns apontamentos que nos

serviram de base de análise, tais como: 1) multiplicidade do movimento 2) forte influência da esquerda 3) surgimento de um novo sujeito. Esses aspectos atravessam a pesquisa e são pontos transversais que entre uma linha e outra são convocados para nos auxiliar na análise do Movimento Estudantil no C.A. de Psicologia da UFES.

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