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FLOODS OF COMBINED ORIGIN - RAINFALL AND SNOWMELT - IN ROMANIAN SMALL CATCHMENTS

A preocupação com os problemas relacionados à mobilidade urbana não é exclusividade do Brasil ou de países em desenvolvimento. Pelo contrário, muitos países vêm adotando soluções, tecnológicas ou não, para melhorar o padrão de mobilidade urbana, no qual, novos padrões de planejamento urbano voltados ao transporte público são indispensáveis para resolver esses problemas (COSTA, 2014).

Uma das dimensões das cidades inteligentes refere-se à mobilidade urbana, onde, de acordo com Batty et al. (2012), um desafio que as cidades inteligentes devem enfrentar está relacionado ao perfil da demanda de transportes e a quais características afetam as escolhas das pessoas, seja no que diz respeito à rota ou ao tempo de deslocamento. Segundo Papa e Lauwers (2015), o termo “inteligência”, referente à mobilidade, surgiu no início dos anos 90, com a finalidade de descrever um tipo de mobilidade dependente, cada vez mais, de tecnologia e inovação.

Esses autores também apresentam duas abordagens que, segundo eles, estão sendo atualmente apresentadas pela literatura relacionada ao planejamento urbano: a abordagem “tecnocêntrica”, que consiste na aplicação de tecnologia em sistemas e infraestrutura de transportes e a abordagem centrada no consumidor, com novos produtos referentes à mobilidade para as pessoas que utilizam os transportes (PAPA; LAUWERS, 2015).

Para Leite (2014), “as cidades do futuro serão inteligentes em diversos aspectos, que serão capazes de propiciar maior agilidade na gestão integrada online das diversas mobilidades urbanas – essencialmente, transporte público multimodal ágil e competente”. Também, “sistemas inteligentes de uso compartilhado de transporte individual, das bicicletas motorizadas aos Smart City Cars”. Desse modo, para esse autor, será possível ter carros que custem menos

e que sejam mais eficientes, tudo isso aliado às inovações tecnológicas e ao uso das TIC (LEITE, 2014, p. 50).

Novas bases de dados podem ajudar a entender a dinâmica do tráfego urbano, bem como podem auxiliar na compreensão de como as pessoas fazem as suas escolhas pelo meio de transporte e de como essas escolhas afetam a disseminação dos congestionamentos nas cidades (BATTY et al., 2012). Ainda, segundo BATTY et al. (2012), através da análise dos dados, é possível criar um relatório completo dos comportamentos de mobilidade nas cidades, para: explorar a cidade em diversas circunstâncias e, paralelamente, observar problemas que possam existir.

Como afirmam Okuda et al. (2012), é desejado para as cidades inteligentes do futuro, a capacidade de dispor de uma operação dos transportes de forma sustentável, com segurança e praticidade, de modo a criar um transporte e infraestrutura equilibrados. Para os autores, o conceito de mobilidade inteligente refere-se à otimização dos serviços de transporte para as pessoas que os utilizam. Para tanto, há uma tendência, para os próximos anos, de que o centro das preocupações na gestão das cidades esteja voltado às soluções inovadoras focadas na melhoria da mobilidade urbana, especialmente, no que diz respeito às novas políticas públicas baseadas em uma visão integrada, o que é uma das premissas das cidades inteligentes (FRARE; OSIAS, 2014).

Segundo Papa e Lauwers (2015), os novos desafios da mobilidade tendem a fazer com que os estudiosos vejam soluções potencias na combinação entre novas tecnologias e sistemas de mobilidade, porém, essas soluções por si só não são completas, visto que a mobilidade inteligente vai além do uso de tecnologias pelos cidadãos. É necessário, também, integrar o conceito de mobilidade inteligente à mobilidade sustentável à uma abordagem que vise à qualidade de vida das pessoas, que utilize as estratégias Big Data relacionadas ao planejamento urbano, ao zoneamento das cidade e às políticas públicas, também.

É necessário, também, uma abordagem interdisciplinar para a implementação de uma mobilidade inteligente, para a mobilidade urbana sustentável e para a qualidade de vida das pessoas nas cidades; tal empresa vai além da tecnologia, passando, também, pela participação, educação, aprendizado e qualidade do espaço urbano. Ou seja, a integração entre a mobilidade física e a mobilidade virtual (PAPA; LAUWERS, 2015). Logo, a tecnologia, como observado nos conceitos dos autores supracitados, é um fator indispensável em cidades inteligentes, para que essas acompanhem o ritmo de transformação da sociedade e para que atendam às necessidades e às expectativas do cidadão, levando em conta o aspecto urbano, social e

ambiental, para que seja atingido o fim último do desenvolvimento destas cidades: melhorar a qualidade de vida das pessoas (BOUSKELA et al, 2016).

As tecnologias inovadoras, nas cidades inteligentes, estão presentes nos mais diversos aspectos relativos à cidade e à administração pública; cidades do mundo inteiro possuem iniciativas efetivas para problemas relacionados a esses setores.

Além disso, o acesso à internet nos espaços públicos da cidade pode ajudar na sua revitalização, na melhoria da segurança e do uso destes espaços; a disponibilidade desse acesso pode impulsionar a vida pública, a participação do cidadão e as redes sociais das pessoas (HAMPTON; LÍVIO; SESSIONS GOULET, 2010). De acordo com Bouskela et al. (2016), o

smartphone é um elemento que deve ser levado em conta em qualquer cidade inteligente que

considere a participação do cidadão, porque

Os smartphones atuais são computadores extremamente poderosos com capacidade de conexão rápida, dotados de câmeras fotográficas e de vídeo de altíssima qualidade e um conjunto de sensores extremamente sofisticados que incluem GPS, Wi-Fi, NFC (Near Field Communication), Bluetooth, bússola, microfone, giroscópio, sensor de iluminação, acelerômetro, barômetro, termômetro, magnetômetro e higrômetro

(BOUSKELA et al., 2016, p. 62).

O Waze4 (Figura 11) é um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo,

que utiliza o mapeamento colaborativo de navegação baseado em GPS (Global Positioning

System), que possibilita ao usuário encontrar o melhor caminho para o seu deslocamento,

planejar rotas, fornecendo informações sobre o fluxo do trânsito e o congestionamento, a localização geográfica, a velocidade, bem como, receber e compartilhar dados de outros usuários em tempo real, possibilitando ao usuário vantagens como a economia de tempo e de combustível nos seus deslocamentos diários (BOUSKELA et al., 2016; WAZE, 2017).

4 O aplicativo Waze, de origem israelense, que em 2013 foi comprado pelo Google, tem como grande diferencial

dos demais sistemas de GPS a possibilidade de, a partir de uma comunidade de usuários, o compartilhamento de informações referentes à situação do transito e obstáculos no percurso. Isso possibilita ao usuário redirecionar o seu trajeto (http://www.infomoney.com.br).

Figura 11 – Screenshot da interface do aplicativo Waze

Fonte: https://www.waze.com/pt-BR/livemap

O aspecto colaborativo desse aplicativo converte-se em serviço de utilidade pública que beneficia na melhoria das condições da mobilidade da cidade, o que é, segundo Guimarães e Silva (2016), o enfoque das cidades inteligentes, no sentido de “utilizar de informações para tomar decisões mais inteligentes e úteis socialmente” (GUIMARÃES; SILVA, 2016, p. 1239). É interessante observar como algumas cidades possuem políticas públicas voltadas à qualidade de vida do cidadão e que propiciam maior eficiência e agilidade nos serviços disponibilizados aos mesmos. Um bom exemplo é o Centro de Operações (COR), no Rio de Janeiro, um dos centros de operações urbanas mais modernos do mundo, com câmeras espalhadas pela cidade para monitoramento em tempo real, permitindo respostas rápidas à eventos que possam ocorrer. Em relação à mobilidade urbana, o COR, em parceria com o Waze, auxilia no monitoramento do trânsito, informando possíveis engarrafamentos, acidentes, oferecendo ao motorista melhores opções de rotas para o seu deslocamento (COSTA, 2014).

Nesse sentido, a próxima seção trata dos conceitos de políticas públicas e do ciclo de políticas, que são importantes para a análise dos dados mais adiante.