Bilan scientifique de l’Axe TERNOV
3.3. Faits Marquants
Segundo estudos realizados por Sugiyama et al. (2010), existem três possíveis níveis de fidelidade dos protótipos, quais sejam: baixa, média e alta fidelidade. Os protótipos de baixa fidelidade, também chamados de rascunhos ou sketches, são concebidos ainda na fase inicial do projeto, durante a concepção do sistema. Desenhadas geralmente à mão utilizando lápis, borracha e papel, essas representações são feitas de maneira rápida e pouco detalhada, apenas margeando a ideia do projeto e definindo superficialmente sua interação com o usuário. Nesses protótipos, não são levados em consideração elementos de layout, cores,
disposições, etc. Essa etapa é fundamental para a definição do produto e o levantamento de requisitos.
Os protótipos de média fidelidade, também conhecidos como wireframes, são desenvolvidos na fase da arquitetura da informação. Utilizando lápis e papel ou softwares de prototipação, esses documentos apresentam a estrutura e o conteúdo da interface, definindo peso, relevância e relação dos elementos e formando o layout básico do projeto. Por fim, os protótipos de alta fidelidade, que também recebem a denominação de mockups ou protótipos funcionais, constituem a representação mais próxima do sistema a ser desenvolvido. Em alguns casos, é possível simular o fluxo completo das funcionalidades, permitindo uma interação com o usuário semelhante à que será realizada com o produto final. A aparência visual, as formas de navegação e a interatividade já são concebidas e aplicadas aos protótipos de alta fidelidade.
Para Borysowich (2007), os protótipos podem ser classificados nas seguintes categorias: de conceito, nos quais as abordagens do sistema são projetadas; de viabilidade, que determinam a viabilidade das soluções; horizontal, que esclarece escopo e requisitos, apresentando muitos modelos, porém poucos detalhes, a fim de testar funções comuns que o usuário deverá realizar com frequência; vertical, que refina os requisitos, apresentando modelos de algumas características em específico, porém com inúmeros detalhes; e funcional, que determina as sequencias utilizáveis para apresentação de informações. É importante destacar que o protótipo horizontal pode ser considerado um protótipo global que envolve todo o sistema em um modelo ampliado. Já o protótipo vertical pode ser considerado um protótipo local, que envolve um único componente do sistema.
Para esta pesquisa, foram elaborados protótipos de baixa fidelidade, que possibilitaram uma primeira visualização das funcionalidades e diagramação do sistema; e de alta fidelidade, desenvolvidos com páginas estáticas, mas contendo as funcionalidades planejadas.
3 DESENVOLVIMENTO DO PROTÓTIPO
Esta pesquisa trata-se de um estudo de natureza aplicada, com abordagem qualitativa, de objetivos exploratórios e procedimentos técnicos de pesquisa documental e estudo de caso. Segundo Silva e Menezes (2001, p. 20) a pesquisa “tem como objetivo gerar conhecimentos para aplicação prática e dirigida à solução de problemas específicos”.
Matias-Pereira (2010, p. 71), por sua vez, ressalta a importância da pesquisa qualitativa como
parte do entendimento de que existe uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em número. A interpretação dos fenômenos e a atribuição dos significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas.
Já de acordo com Gil (2010, p. 54), do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa pode ser considerada um estudo de caso “quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento”. Ainda segundo o autor, a pesquisa documental tem algumas vantagens por ser uma “fonte rica e estável de dados”, já que não representa custos altos, não exige contato com os sujeitos da pesquisa e possibilita uma leitura aprofundada das fontes.
Para o desenvolvimento deste trabalho, foi realizado um estudo de caso tendo como objeto o projeto Reutilizar é Bem Melhor, com o objetivo de compreender o problema. Como fontes documentais, foram utilizadas a legislação patrimonial vigente, além de informações retiradas do SIPAC.
Em adição, o método de estudo bibliográfico foi abordado com o objetivo de permitir o aprofundamento no tema da pesquisa, qual seja o descarte de bens. Segundo Matias-Pereira (2010, p. 69)
a pesquisa bibliográfica é aquela desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros, artigos científicos, teses e dissertações, manuais, normas técnicas, revisões, trabalhos de congressos, abstracts, índices e bibliografias, meios audiovisuais.
Para esta pesquisa, foram utilizados livros, teses, dissertações, leis e artigos com temas ligados às áreas de sustentabilidade e ergonomia. O levantamento
bibliográfico relacionado ao descarte de bens foi necessário para conhecer a legislação que trata do assunto e entender como o projeto proposto deveria se adaptar a essas normativas.
Neste estudo, as fases do projeto foram definidas de acordo com o esquema apresentado por Salonen (2012). Neste modelo, é identificada a classificação colaborativa de cada etapa, analisando, assim, o nível de envolvimento dos participantes. É importante relembrar que a abordagem utilizada pelo autor divide o processo de design em quatro fases: descoberta, definição, desenvolvimento e entrega. Para determinar o grau de colaboração em cada fase, foi adotado o modelo detalhado no item 2.3.2, reproduzido abaixo, que considera o nível de envolvimento dos participantes e o quanto eles podem interagir no processo de tomada de decisões. Neste caso, em cada fase estão indicadas as atividades que foram desenvolvidas (Figura 7), que serão devidamente explicadas nos tópicos seguintes, com exceção da fase de entrega que, como explicado nos resultados, não será aplicada.
Figura 7 – Fases do processo de design
Fonte: Adaptado de SALONEN (2012, p. 11)