• Aucun résultat trouvé

Facteurs de risque de développement du cancer de la vessie 31!

1. Introduction 1!

1.2. Cancer de la vessie 30!

1.2.2. Facteurs de risque de développement du cancer de la vessie 31!

Valsa com Bashir mistura presente e flashbacks, bem como as técnicas de 2D e 3D em

animação. A maior parte da técnica é bidimensional. A animação em 3D ocorre somente em tomadas panorâmicas e de movimentos, como nos exemplos a seguir.

a) Pan-travelling (FIG. 75)

FIGURA 75 - Fotogramas de Valsa com Bashir, a partir de 14min59s

b) Zoom-in/travelling (FIG. 76)

FIGURA 76 - Fotogramas de Valsa com Bashir, a partir de 15min17s

A maior parte do filme foi realizada com animação em cortes, como o diretor explica (FIG. 77):

Tentando entender o que é, em geral, animação em cortes no filme, você vê os personagens, e cada um deles é dividido em partes. Por exemplo, o rosto de Carmi seria dividido em oito partes, e cada parte seria dividida em outras 15 partes. Depois, eles precisam dar os comandos ao software do computador de como mover todas as partes simultaneamente. Esse é um jeito muito ilustrativo de explicar tudo. E só depois de um tempo, você vê se o movim... Depois de segundos de animação você vê se o movimento realmente funciona, ou se você tem de voltar e refazê-lo do zero. É uma técnica muito específica. Yoni Goodman, o diretor de animação, desenvolveu a técnica ao extremo porque, quero dizer, o software é... Todos podem comprar, e você pode fazer isso. Mas o que pegaram desta casa... O software das crianças é incrível. E acho que Yoni desenvolveu esta técnica com base nas suas qualificações e no que ele podia fazer. Mas os outros animadores demoraram muito a se adaptar a esse tipo de filme. E foi muito difícil para eles (DVD - Extras: “Comentários do

FIGURA 77 - Fotogramas de Valsa com Bashir (16min11s e 16min19s) referentes ao comentário do diretor

Ari Folman ainda explica como foi o processo de animação das faces dos personagens (FIG. 78):

Se quiser transformá-la em uma cena de animação, você terá de... Por isso se chama

cut out. Cortar alguma coisa em oito pedaços diferentes. E cada um deles em outros

quinze pedaços. Oito vezes quinze, dá quanto? Cento e vinte pedaços. E aí você dá ao computador, ao software, a ordem de como mexer esses 120 fragmentos no rosto (DVD - Extras: “Soldados surreais: o making of de Valsa com Bashir”, a partir de 4min28s).

FIGURA 78 - Fotogramas referentes ao comentário do diretor

As possibilidades da animação em cortes são ressaltadas pelo diretor (FIG. 79):

Adoro o design da primavera na Holanda. De novo, eu adoro, porque dá para ver a simplicidade real da animação em cortes. Dá para ver as camadas que David pôs aqui, o pequeno rio, a grama, as flores [...]. Dá para ver que há camadas sobrepostas. E eu acho isso mágico, porque é muito simples (DVD - Extras: “Comentários do

diretor, Ari Folman”, a 1min3s).

Folman conta que “o filme tinha cerca de 3.500 quadros, quadros-chave que foram

desenhados para a animação” (aos 34min40s). Desses, pelos menos 2.500 foram desenhados pela mesma pessoa: o diretor de arte e ilustrador, David Polonski.

O diretor de animação, Yoni Goodman, conta que toda a técnica foi desenvolvida pela própria equipe. Portanto cada cena representava um desafio: “E não tínhamos exatamente uma

infraestrutura em Israel e, portanto, ninguém a quem perguntar: ‘Como se faz isto? Como se faz aquilo?’” (DVD - Extras: “Soldados surreais: o making of de Valsa com Bashir”, a partir

de 2min33s).

Ari Folman afirma que outra dificuldade foi o tamanho da equipe, numa produção

independente, o “segundo filme de animação israelense”:

Lembro que, um dia, no estúdio, nós vimos Procurando Nemo [Finding Nemo, EUA, 2003, de Andrew Stanton e Lee Unkrich], o filme da Pixar. Vimos os créditos finais e havia 40 pessoas responsáveis pela iluminação do filme. Nós rimos tanto, porque eles tinham 40 pessoas responsáveis pela iluminação e nós tínhamos oito pessoas fazendo o filme todo. Só para você ver a proporção do nosso estúdio. Quero dizer, é o segundo filme de animação israelense lançado. O primeiro foi em 1961. Era um filme de stop motion. Eu nunca vi. E o pessoal que trabalhou em Valsa com

Bashir fazia filmes infantis, curtas de um a dois minutos. E foi uma experiência

incrível para eles fazer um filme de longa-metragem, sem dúvida. Mas prometemos que, no próximo filme, teremos 15 animadores. Vamos quebrar o recorde! (DVD -

Extras: “Comentários do diretor, Ari Folman”, aos 48min48s).

Segundo Folman, as cenas com pouca ação foram as mais difíceis de produzir:

Quanto mais movimento tiver, tiroteios, movimentos bruscos, mais fácil será de fazer. E as coisas básicas, como um cara andando na praia bem devagar é a coisa

mais complicada de ser feita com essa técnica. […] Quero dizer, a melhor forma de

fazer isso, claro, seria via animação clássica, mas aí você não completaria esse tipo de filme com o orçamento que nós tínhamos (DVD - Extras: “Comentários do

diretor, Ari Folman”, aos 19min46s).

Outro problema enfrentado pela equipe foi tornar a expressão humana a mais natural possível. O diretor de animação, Yoni Goodman, conta:

Nós usamos pedaços gerados por computador, utilizando Flash. Você pega as peças prontas e as move. Mas a dificuldade dessa técnica é que faz tudo parecer rígido. O que nós fizemos, além de apenas mover as peças, foi dividir cada peça de uma forma diferente, usando uma hierarquia interna, em mais peças (DVD - Extras: “Soldados surreais: o making of de Valsa com Bashir”, a partir de 4min3s).

Apesar de toda dificuldade técnica e orçamentária (o orçamento foi de US$ 1,5 milhão),96

Valsa com Bashir foi o primeiro filme de animação a ser indicado ao Oscar de melhor filme

estrangeiro.97 O sucesso e a boa recepção abriram espaço para Ari Folman permanecer no campo do documentário em animação. Em 2014, segundo o jornal britânico The Guardian (citado por O Globo), o diretor iniciou seu novo projeto: produzir um filme, em animação, sobre a história de Anne Frank, judia alemã, vítima do Holocausto, morta aos 15 anos, em 1945. “Levar Anne Frank a todas as telas é uma oportunidade fantástica e um desafio”, disse

Folman. “Existe uma necessidade de um material novo para que a memória dela fique viva para as novas gerações” (HISTÓRIA..., 2013). O roteiro será baseado na obra O diário de Anne Frank (1947). Nesse sentido, verifica-se o interesse do autor em utilizar a animação

como recurso expressivo e diferencial para sua própria abordagem da realidade.

Entretanto Valsa com Bashir foi realizado num processo de construção conjunta, em que o diretor procurou dar liberdade aos artistas na criação de algumas cenas, como Folman relata (FIG. 80):

O design básico do filme... Eu fiquei obcecado por torná-lo o mais realista possível, porque achei que fosse crucial que os personagens parecessem reais, senão o público não se ligaria emocionalmente a eles. Mas, por exemplo, nas sequências de sonho, como esta, dei aos designers bem mais liberdade para fazer o que quisessem em termos de cores, proporções [...] (DVD - Extras: “Comentários do diretor, Ari

Folman”, aos 17min48s).98

FIGURA 80 - Fotograma de Valsa com Bashir, aos 17min38s, referente ao comentário do diretor

____________________

96 Disponível em: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-125077/curiosidades/>; <http://mkmouse.com.br/sinopses/ValsacomBashir2008.pdf>; <http://brazilianpost.org/1984/28/05/2009/valsa-com- bashir-waltz-with-bashir-2008/>. Acesso em: 4 maio 2014.

97 Disponível em: <http://cinepop.virgula.uol.com.br/criticas/valsacombashir.htm>. Acesso em: 2 fev. 2014. 98 Questiona-se, aqui, o efeito de um desenho realista como forma “crucial” de ligar o público, emocionalmente, aos personagens de um documentário em animação, como acredita o diretor, Ari Folman. Caso contrário, o filme analisado anteriormente, Persépolis, seria menos realista por não ter um design de personagens tão naturalista, o que não é verdade. A sequência em que Marjane descreve sua puberdade é um exemplo (vide FIG. 54).

As cenas de sonho ou alucinação também foram resultantes da colaboração criativa dos ilustradores, tanto em relação às cores quanto às proporções e demais aspectos (FIG. 81).

FIGURA 81 - Fotogramas de Valsa com Bashir, aos 18min35s, 18min54s e 19min12s

As demais cenas, no entanto, principalmente no que tange à utilização das cores, foram acompanhadas pelo diretor Folman, que procurou transmitir sua visão, como conta (FIG. 82):

Os 18 minutos, falando sobre o massacre nos acampamentos, é onde aplicamos um desenho melancólico, em termos de cor. É monocromático, passando do laranja para o negro. Não há cores intermediárias. E foi feito para conferir uma atmosfera lúgubre ou impressão, para a plateia, levando-a por todo o caminho para a parte real do fim (DVD - Extras: “Soldados surreais: o making of de Valsa com Bashir”, aos 8min57s).

FIGURA 82 - Fotograma de Valsa com Bashir, reproduzido no DVD - Extras:

“Soldados surreais: o making of de Valsa com Bashir”, aos 8min59s, referente ao

depoimento do diretor

Dessa forma, o design foi mantido até o final, e as cores foram mais uma forma de garantir a tonalidade emocional das cenas, como revela Folman (FIG. 83):

Bem, aqui chegamos à última parte do filme. Chamamos de documentário pesado. Veja que o cenário mudou. Os designs de Beirute são monocromáticos, vão do laranja ao preto. E, então, as pessoas são entrevistadas no estúdio, como se fosse uma sessão de um documentário. Claro, o design que escolhemos aqui, em termos, foi criado com uma atmosfera sombria e melancólica, muito deprimente, indo para o final, que é o massacre (DVD - Extras: “Comentários do diretor, Ari Folman”, aos 6min7s).

FIGURA 83 - Fotograma de Valsa com Bashir referente ao depoimento do diretor

Quanto ao design dos personagens, o diretor de arte e ilustrador, David Polonski (que

desenhou 75% do filme), afirma: “Sabemos que o desenho e os personagens têm de ser

razoavelmente realistas. Você não pode se impor ou impor a sua opinião aos personagens e às pessoas. E é preciso manter a plateia ligada emocionalmente aos personagens” (DVD -

Mas os desafios para produzir slow-motion dificultaram dar maior naturalidade aos

movimentos: “Nós decidimos não tentar imitar os movimentos reais, mas considerar como se fosse o movimento que as pessoas no filme fariam”, conta Folman (aos 7min41s). Com um

baixo orçamento, a solução foi realizar cenas mais lentas, mesmo sendo bastante trabalhoso, segundo o método que utilizaram.