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The Nearby SuperNova Factory 2.1 Pr´esentation de la collaboration SNfactory

CHAPITRE 2. THE NEARBY SUPERNOVA FACTORY

2.4. EXTRACTION DES SPECTRES DU CCD ET CR´EATION DES CUBES DE DONN´EES

Estamos administrando anti-retro-virais a cerca de 30 mil doentes com SIDA. Esse número poderá, nos próximos anos, chegar aos 50 000. Isso significa que cerca de um milhão quatrocentos e cinquenta mil doentes ficam excluídos de tra- tamento. Trata-se de uma decisão com implicações éticas terríveis. Como e quem decide quem fica de fora? É aceitá- vel, pergunto, que a vida de um milhão e meio de cidadãos esteja nas mãos de um pequeno grupo técnico?

COUTO, Mia. “OS SETE SAPATOS SUJOS”, Oração de Sapiência na abertura do ano lectivo no ISCTEM, in Vertical N° 781, 782 e 783, Março 2005

Confesso que o efeito devastador da SIDA nunca me ocupou a atenção e nunca tinha medido a dimensão avassaladora da doença, nem medido a hipocrisia com que se inventam campanhas de informação quando se negam os devidos cuidados médicos de tratamento dos doentes infecta- dos. Como enriquecem os laboratórios especializados, as empresas far- macêuticas e se ultrapassa a imperiosa necessidade de tratamento massificado de todos, digo todos, os doentes portadores. Como são dis- tintas a esperança de cura de um contaminado com posses económicas, de um cidadão europeu com nome próprio, de um pobre ignorado e de um ser socialmente excluído.

Numa reunião no Ministério da Educação e Cultura, realizada em Maputo para tratar da integração da ENAV no sistema de ensino profis- sional, foi estarrecedora a afirmação proferida de que um dos objectivos fundamentais da política educativa em Moçambique era o combate à proliferação da sida na classe dos professores. A elevada percentagem de

Embarquei’ na ‘aventura’ que é o IDENTIDADES por influência dos amigos (vou ser-lhes eternamente grata por isso). Hoje sinto-me ali- viada por ter aceite o desafio. Conhecer outros ‘mundos’, outros pontos de vista, outras realidades é,

agora para mim, fundamental do ponto de vista humano.

FERNANDES, Cátia. Docente na ENAV, Maputo/Identidades.

mortes de professores devido a este flagelo constitui, de facto e objecti- vamente, um forte retrocesso no esforço de formação e recrutamento de quadros neste país tão carente de qualificação para a proliferação do ensino e do conhecimento. Esta reunião rotineira, constituiu um sinal de viragem na percepção que tinha sobre este sofrimento da humanidade. Para mim tornou-se um problema presente, não apenas da África, dos grupos de risco, dos outros, mas também meu. Todas as campanhas que se multiplicam, a acção das ONGs, com resultados insignificantes face ao avanço deste flagelo, ganharam a dimensão exacta da sua exten- são e do efeito social que não conseguem provocar. A hipocrisia das campanhas fomentadas do exterior, face à ausência de uma política mundial de medicação extensa e gratuita, revela-se em todo o seu explendor de crueldade perante os números que não param de assustar, em Moçambique, em África, na Europa,...

LEITURA 10. CIDADANIA

Se a sociedade politicamente organizada não accionar pro- cessos de re-democratização, pode estar em causa a sobre- vivência da democracia. O que vem não será uma ditadura. Será uma ditamole ou uma democradura.

SANTOS, Boaventura. Des-democratização, in Visão (13 Setembro de 2007)

Como se pode entender o exercício da cidadania nos subúrbios de Maputo, sabendo da dificuldade das famílias para serem alimentadas, conhecendo a ameaça constante da violência no espaço público, assis- tindo ao afastamento generalizado da actualidade? Como podem estru- turas de bairro criadas na época da democracia participativa do tempo de Samora Machel, constituir-se em centros locais de um regime que se alterou profundamente e onde o associativismo foi afogado pela corrup- ção e pelo imobilismo social?

No entanto, nas periferias urbanas de Maputo, entre o caos des-urbani- zado e o desespero, vive uma população afável que procura saborear a sua vida, que sabe lidar com o desenrasca no dia-a-dia, que encontra na família e na vizinhança os elos de solidariedade, que se mobiliza para a luta quando já não aguenta (como no caso do aumento do preço dos chapas). A serenidade desta população deslocada para um território sem estrutura social, afastada dos laços profundos que ligavam cada família a suas terras e a seus antepassados, presente na edificação do desenvolvimento do país,

Em especial o fim-de-semana de Páscoa em Matalana, onde se assistiu a uma perfeita comunhão de respeito e “amor” entre todos que parti- cipavam no Identidades e a população de Matalana. Comunicando de uma forma suprema através da arte.

NAZARETH, Adriano, Identidades/Porto

nos processos eleitorais, não deixa de revelar uma postura cívica, ainda que suspensa num equilíbrio instável, rara em países recentemente nascidos. Do contacto com as pessoas deslocadas, que habitam as periferias urbanas da grande cidade de Maputo, emanam um sabor relacional amável e um saber tranquilo e fundado num tempo profundo — que delicia por contraste com a desordenação e a violência urbana —, a carência de condições de dig- nidade humana e a sua pobreza. Não se trata de uma visão romântica ou neo-realista, mas da leitura objectiva, ainda que enamorada, de uma comple- xidade social que propicia a instalação, no âmbito do relacionamento do movimento IDENTIDADEScom a ENAV, de um projecto de intervenção pública no Bairro do Aeroporto (onde se vai construir o novo edifício para a ENAV). A experiência realizada já no Bairro de Hulene, transposta para uma reali- dade social semelhante mas distinta, desenha o campo de atenção para um trabalho que pretende estudar os espaços de comunicabilidade entre artistas e uma população promotora do seu próprio desenvolvimento.