VIII. 5.3 . Données physiologiques
X.3 EXPERIMENTATION 3 : CARACTERISATION D’INDICATEURS
• Entretenimento: consideramos os programas cujo maior interesse da emissora é entreter e ocupar o tempo livre das audiências que pode ser moldada pela “encantamento das imagens”(KLEIN, 2007), pela forma como a televisão articula o sensível e o imaginário e se insere na vida cotidiana. • Informação – programas de cunho jornalístico cujo objetivo essencial é
transmitir informações sobre questões da “atualidade”, em que as imagens ganham patamar de realidade, de uma nova forma de presença nos acontecimentos, pautada pela visibilidade de si e do outro. E nesse sentido, é importante notar a ambiguidade revelada no momento em que a televisão constrói situações nas quais as audiências podem testemunhar um evento, ainda que, segundo Yvana Fechine (2007, p. 189), “menos pelo que deseja
saber, e mais pelo que almeja sentir”.
• Educação – visam a complementaridade da educação formal e a transmissão de conhecimento diversos técnicos, profissionais ou para a vida. Representam o projeto ideal de levar a educação a todos os lugares pela onipresença televisiva e aos princípios de formação e enriquecimento dos horizontes das pessoas pelos conhecimentos do mundo por meio da cidadania e socialização proporcionadas pela televisão (FROTA NETO, 1993).
• Publicidade – visam a publicização e/ou venda de produtos, serviços e ideias. Os novos contornos das imagens na vida contemporânea apontam para as potencialidades de visibilidade e com ela novos elementos do desejo e de formas de presentificação e de experiências (KLEIN, 2007).
As três categorias seguintes são especificadas como “outros”. Entretanto, optamos por distingui-las como categorias que abrangem um conteúdo específico:
100
• Religioso – buscam a disseminação de valores religiosos, éticos e morais vinculados a grupos ou igrejas. As “igrejas eletrônicas” descortinam novas formas de uso da televisão.
• Eventos – transmissão de grandes eventos sejam estes esportivos, musicais, comerciais. Geralmente ao vivo, proporcionam aparente experiência e participação nos fatos pelas audiências, que podem se perceber testemunhas dos acontecimentos. As noções de instantaneidade e onipresença possibilitam essa aparência de imersão nos fatos: “a instância da imagem ao vivo pode ser entendida como a instância que funda o telespaço público” (BUCCI, 2007, p.3).
• Especial – para esta pesquisa, refere-se a programas realizados esporadicamente geralmente como formatos de campanhas ou shows como forma de agregar valor à imagem da emissora e aproximá-la das comunidades. Cada vez mais a televisão fala de si própria e constrói a realidade a partir de seus produtos ficcionais (GOMES, 2005).
Não podemos mais organizar os gêneros televisivos, ou mesmo audiovisuais, em ficcionais ou não ficcionais. Aronchi (2004) propõe a organização dos programas em categorias e gêneros sob o ponto de vista das emissoras como um fio condutor para o estabelecimento de uma padronização que contemple as qualidades dos programas. Nesse sentido, para a televisão, os dois princípios gerais que regem a classificação dos programas em gêneros são “entreter” e “informar”, ao mesmo tempo. Categorias de programas, nessa perspectiva, dizem respeito aos principais objetivos de um programa e não ao seu formato e direcionamento.
Os gêneros vão compor um segundo quadro de especificação da programação tomada para análise. Arlindo Machado define o conceito de gênero audiovisual como:
Uma força aglutinadora e estabilizadora dentro de uma determinada linguagem, certo modo de organizar ideias, meios e recursos expressivos, suficientemente estratificado numa cultura de modo a garantir a comunicabilidade dos produtos e a continuidade dessa forma junto às comunidades futuras (MACHADO, 2005, p. 68).
Nesse sentido, o gênero define não apenas se um programa é para divertir ou para educar ou informar, define características carregadas de sentidos e representações. A partir da perspectiva da comunicabilidade, portanto, a metodologia de classificação dos programas em gêneros tem caráter histórico e cultural, é uma relação social de reconhecimento.
Segundo Butler (2002), há muito ainda que percorrer nos estudos de gêneros televisivos para torná-los um método de interpretação televisiva mais útil. A compreensão de gênero ainda não é consensual e os estudos que lhe tomam como método único de interpretação devem estar atentos para essas fragilidades metodológicas.
Na composição do quadro estrutural, Aronchi buscou primeiro a assistência aos programas para depois listar os gêneros da televisão brasileira de acordo com características temáticas de gênero, estrutura narrativa e/ou estilos técnicos.
Algumas definições gerais de gênero são presumidas: nas respostas das audiências (o programa faz refletir, informar, rir etc); pelo estilo, técnicas de som e imagem; ou pelo sujeito da questão, pelos temas abordados - estrutura narrativa e temática do programa. Mas, de acordo com Butler, estas categorias não são isoladas. Muitos gêneros, entretanto, são impuros, ou seja, atendem a mais de uma função.
Outro aspecto do gênero é a sua aproximação com as dimensões da teoria das representações sociais. Programas novos de um gênero são lançados com características familiares dos interesses da audiência, mas mantém os mesmos parâmetros, dentro do processo de ancoragem da teoria das representações. Ou seja, novos gêneros são ancorados em elementos familiares ou atuais a fim de não causar choque pelo ineditismo. Os gêneros também sofrem um período de auto- reflexão em que procuram formas de renovar seus elementos e, assim, continuar atualizados.
Arlindo Machado (2005) cita, em seu livro “A televisão levada a sério”, a analogia entre gênero e gene, em comum ambos teriam a função replicante, transmissora de informações para a sobrevivência das espécies. Achamos importante trazer aqui este debate tendo em vista que um determinado gênero televisivo muitas vezes tende a imprimir uma identidade, não só à própria emissora
102
de televisão, mas aos seus protagonistas, apresentadores, atores e a determinados horários.
A relevância deste tema para o estudo sobre televisão local, a nosso ver, dá- se pelo fato de a regionalidade pressupor uma identidade localizada, uma gama de recursos expressivos que indicam ao telespectador a origem e o compromisso da sua televisão.
A difícil tarefa de classificar um programa esbarra tanto na diversidade de classificações dependendo do pesquisador, do produtor e do próprio público receptor. Programas de entrevistas, talk shows, as revistas eletrônicas, por exemplo, não definiram sua gramática de forma que sejam compreendidos como de um determinado gênero (KILLP, 2003). Como classificar, por exemplo, um filme de kung
fu e um musical dentro da grade da televisão?
Dada a generalidade de certos termos e a hibridização cada vez mais usual dos produtos televisuais, como a classificação dual entretenimento-informação, e também para diferenciar melhor os programas (podemos classificar dois programas distintos, um de cunho jornalístico e um de entretenimento, por exemplo, pelo mesmo formato: revista) optamos por uma classificação prática e funcional a fim de permitir um melhor cruzamento entre os dados empíricos colhidos. O modelo de análise apresentado por José Carlos Aronchi (2004), serviu de base para a composição das categorias de análise e variáveis dispostas no banco de dados entretanto, não engessamos a vinculação de determinados formatos e gêneros e estes por sua vez a categorias, como o faz Aronchi. Foi possível, assim, encontrar nesta pesquisa um programa informativo classificado como de gênero talk show ou
revista eletrônica.
Cabe frisar que as emissoras de TV classificam o gênero de seus programas de maneira diversa. Para esta pesquisa, desconsideramos algumas dessas classificações tendo em vista que muitas delas se configuram como temáticas e não gênero no sentido já exposto, a exemplo dos “gêneros” rural ou turismo, com os quais algumas emissoras se referem a seus programas.
A seguir, apresentamos os principais gêneros utilizados na classificação dos programas locais de televisão tomando como base a relação descrita por Aronchi
(2004). Em alguns programas utilizamos subgêneros tendo em vista as peculiaridades dos mesmos:
Ø Gêneros de Entretenimento
• Programa de Auditório – Promove ídolos e aproximam o público da realidade da produção em televisão. Prendem a atenção do espectador tendo em vista a variedade das atrações e geralmente estão ligados a um nome (show man/show woman). O formato é determinado pelo espaço palco/platéia onde ocorre a sucessão dos quadros comportando vários formatos. É em geral denominado de programas de variedades.
• Colunismo Social – Em geral usam o formato talk show, formato caracterizado por conversas e proeminência do apresentador, em que este passeia por festas e eventos. O formato entrevista é por vezes utilizado em algumas emissoras. Aronchi reserva, portanto, esse segundo modelo, para a categoria informação por força do formato, que em geral obedece aos interesses do patrocinador.
• Culinário – Exemplo de gênero multifuncional dedicado à culinária e transformação de produtos alimentícios; pode aparecer isolado ou em outros gêneros cunhados no formato talk show, de entrevistas ou gravação externa quando o apresentador visita restaurantes ou cidades diversas mesclando culinária e culturas locais.
• Desenhos – Baseados sobretudo no formato animação, atualmente tem mudado de linguagem, técnicas e conteúdo e atingido vários públicos (como o uso de linguagem do cinema ou enredo de sitcom - comédias em série que abordam situações cotidianas). Algumas emissoras conseguem boas audiências exibindo desenhos inclusive para públicos adultos, como Os Simpsons. Em geral, os desenhos são apresentados no formato série continuada, mas com episódios independentes, o que instiga os telespectadores a continuar assistindo.
104
A maioria dos desenhos atuais é composta por multiformatos, inclusive como “charges” animadas mescladas com dramaturgia.
• Docudrama – Programa de característica própria pois agrega o gênero documentário, o qual confere credibilidade ao ser referenciado a uma realidade, e a dramaturgia, geralmente relacionada ao entretenimento. Os formatos séries e noticiários, sobretudo vinculados a assuntos policiais, são mais usuais, mas têm sido usados para difundir conteúdos educativos ou mesmo religiosos.
• Esportivo – Os formatos informativos de telejornal, debates e mesa- redonda de muitos programas influenciam a classificação de programas esportivos como informação bem como o gosto popular geral do brasileiro por esportes. O formato também pode ser externo, transmissão ao vivo de eventos, os quais se adequam em geral à grade da emissora com direitos de transmissão.
• Filme – Alguns filmes são produzidos especialmente para serem exibidos na televisão e ganham características mais dinâmicas. O formato indicado pelas emissoras se conforma mais a estratégia da programação (filme, série, minissérie) do que o gênero no cinema. Por exemplo, os filmes americanos produzidos para a TV (enlatados) em geral atendem aos formatos seriados, teleproduções, docudrama e minisséries.
• Game Show (competição) – Programados especialmente para promover o interesse e manter o telespectador atento e co-participante de um jogo, está presente em praticamente todas as emissoras. Podem ser mais ou menos interativos com o espectador e apresentam formato variável, a depender da dinâmica do jogo e do timing, a reação da audiência.
• Humorístico – Gêneros populares no Brasil em geral apresentam sátiras e caricaturas que ridicularizam situações cotidianas. São programas variados com velhas fórmulas de personagens caricaturados, os temas d e piadas e sitcoms de humor mais refinado.
Os formatos são os mais diversos, desde auditório e esquetes a entrevistas.
• Infantil – Os programas infantis reúnem profissionais de diferentes áreas e são construídos por diversos formatos, sobretudo capítulos e seriados, encontramos ainda programas ao vivo e de auditório e game
shows.
• Interativo – Programas que buscam a participação direta do telespectador. Muitas vezes essa interatividade é utilizada como suporte da narrativa em programas como em reality shows ou mesmo informativos em que se evidencia a participação do telespectador ao vivo, como Você Decide.
• Musical - Shows e entrevistas geralmente em formatos de shows com público, videoclipe, auditório, ou programas especiais, como festivais de música ou séries temáticas. Mesmo em programas gravados, a intenção é dar a impressão de um programa ao vivo como forma de valorização do artista/banda/grupo.
• Novela – Dramaturgia ou ficção mais popular no Brasil, cujo formato brasileiro ganhou destaque. O formato é geralmente em torno de 150 a 180 capítulos, diários, sequenciados, com duração média de 30 a 40 minutos. Buscam retratar as relações sociais cotidianas ou históricas e atingir vários públicos e faixas etárias.
• Quiz Show (perguntas e respostas) – Jogo cujo formato preferencial é o de auditório visando empolgar as audiências por meio do protagonismo entre apresentador e jogador/es.
• Reality Show (TV realidade) – Baseado no fetiche do voyeurismo, é desenvolvido por meio de pessoas normais vivendo situações controladas sendo vigiados por câmeras. O game show e o interativo são formatos característicos. As emissoras buscam a criatividade nos formatos para diferenciar programas do mesmo gênero.
• Revista – Por abarcar vários conteúdos e ter duração longa, o programa confunde o público em relação ao que esperar. Apesar
106
disso, o sucesso deve vir do equilíbrio entre entretenimento e informação e na disposição dinâmica dos quadros. Por isso, o gênero revista comporta vários formatos.
• Série (seriado) – Os Estados Unidos são os principais produtores de séries, geralmente de ficção. As séries prezam por episódios mais independentes, com começo, meio e fim. Mas podem ser séries informativas, como documentários históricos.
• Série brasileira – Ficção produzida em capítulos com duração média de 5 a 20 capítulos interligados. Podem ser adaptações literárias ou criações com estilo e linguagem próprias.
• Sitcom (comédias de situação) – Humor e dramaturgia apresenta situações cômicas ou costumes de pessoas comuns. Utiliza os formatos séries e/ou capítulos e esquetes (articulando neste caso uma linguagem mais teatral e literária).
• Talk Show – Caracterizado por uma conversa com ingredientes de casualidade e espontaneidade. São versões de entrevistas com humor e “intimidade emocional” em que acontece em geral em auditório para manter o clima de descontração. Permitem ainda quadros musicais e shows.
• Teledramaturgia (ficção) – Dramaturgia adaptada para a televisão em forma dublada, de episódio, esquete, seriado, sitcom, novela, minissérie etc.
• Variedades – Programas de generalidades que duram um longo período na programação. Geralmente tem formato de auditório e quadros diversos, incluindo o interativo e de reportagens.
• Western (faroeste) – O western começou como série de filmes que ganharam a condição de gênero pela marca que imprimiu a uma determinada época, nos Estados Unidos.
Ø Gêneros Informativos:
Na televisão, os programas documentais encontram um ambiente propício para se propagarem, tanto que muitos dos primeiros telejornais supriram os espaços noticiosos com audiovisuais do cinema de caráter documental. Com o surgimento do videoteipe, uma linguagem jornalística própria da televisão se desenvolve e marca mudanças tanto no gênero tele jornalístico quanto nos filmes documentários; este se torna mais ágil e influenciado pela busca da verdade sem interferências de seus realizadores (exemplo do “cinema direto” e do “cinema verdade”). Abaixo, os principais formatos informativos trabalhados atualmente na televisão.
• Debate – Os debates como gênero informativo são, em geral, produções de baixo custo e podem abarcar mais de um entrevistador e entrevistados e/ou comentaristas. Os formatos mais freqüentes são: mesa-redonda com vários interlocutores; um entrevistado e vários entrevistadores; debates com quadros de reportagens e interatividade imediata entre público e emissora.
• Documentário – O caráter documental, seja no cinema ou na televisão, exerce um fascínio proveniente do diálogo ficção/realidade. A linguagem documental é caracterizada pelo efeito de real, de fato uma ilusão referencial. Desde o início da sua definição como gênero, nos anos 1960, até obras atuais o documentário tem se diversificado e se associado a outros gêneros e formatos constituindo-se numa linguagem híbrida: é possível encontrar documentários no formato animação, com altas doses de ficção e emotividade, com maior ou menor influência da literatura etc. Com as novas tecnologias e a convergência tecnológica, a imagem digital tem dado outra dimensão ao documentário, bem como ao próprio cinema. Trata-se de uma mudança de narrativa do documentário, cada vez mais dinâmica, na medida em que dialoga com outros e assim se atualiza, quer para ser exibido nas salas de cinema ou na telinha, sem nunca, contudo, perder sua proximidade com o cotidiano e o real, ou seja, sem se desarticular da noção do “efeito janela” e a impressão de realidade (XAVIER, 2005, p. 17-19). O documentário tende a agregar credibilidade
108
às emissoras por meio do relato de fatos históricos, políticos, científicos, artísticos etc. Na televisão o formato possui uma duração maior que as reportagens com o objetivo de levar o máximo de informações sobre o tema.
• Entrevista – Gênero informativo cujo foco é o entrevistado e as pautas em geral abordam assuntos políticos e atualidades. Pode ter a direção para um assunto, para a vida e obra do entrevistado ou informações sobre temas diversos de interesse público. As entrevistas comportam ainda formatos ilustrativos como reportagens e depoimentos decorrer do programa.
• Telejornalismo – Gênero informativo de caráter jornalístico que abarca em muitas emissoras toda produção informativa. São transmitidos geralmente ao vivo e carregam as marcas da televisão, como atualidade e instantaneidade. O noticiário é o formato central do telejornalismo, que também se apresenta em forma de debates, entrevistas e documentários. O noticiário contempla ainda os formatos: nota, reportagem, entrevista, indicadores econômicos, editorial, comentário e crônica. O formato telejornal, como noticiário, também pode estar ligado a áreas de entretenimento. A fim de não confundir a função jornalística diferenciada no telejornal, optamos por classificar os programas não jornalísticos como formato de noticiário. Um tipo de telejornalismo já presente na televisão brasileira desde seu início e que trata do programa de TV popular como meio de acesso à esfera pública das camadas de baixa renda e marginalizada, mas também de um popular como produção de “alienação e negação da luta de classes”. E nesse ínterim, o popular na televisão é fruto do imaginário nacional que constitui o povo ou o popular de forma estereotipada. A linguagem desse jornalismo, portanto, é marca pela evocação de uma “verdade” sobre o “povo” e das “condições populares de existência”, muitas vezes buscando “heróis”, apresentando o estético e o temático em torno dos modos de vida dos pobres. A noção de “povo”, o pobre, é constantemente vinculada à “noção de terra”, ou seja, a uma forma de patriotismo, de valorização da cultura regional (BARROSO, 1996, p. 33).
Ø Gêneros de Educação:
O discurso pedagógico na televisão com vistas à formação e/ou instrução de determinados conteúdos encontra dificuldades na sua sustentação e sucesso diante das audiências: a dificuldade de reunir num mesmo produto, o programa de televisão, educação, informação, cultura e entretenimento e a participação de diferentes lógicas, as próprias da produção televisiva e as de caráter pedagógico. Essa complexidade é base para a própria definição de uma emissora educativa.
Nas emissoras comerciais no Brasil os programas educativos também compõem a grade de programação. Em geral, são programas que se dedicam ao que Cristiane Mafacioli Carvalho (2006) chama de “cultura da vida”, não apenas atendendo ao currículo escolar. Diferente das emissoras educativas, os programas educativos/instrutivos na televisão comercial são mais regulares e não são repetidos no decorrer da programação diária.
Contudo, seja em emissoras públicas e/ou educativas ou em emissoras comerciais a constatação considerada óbvia no estudo desenvolvido por Cristiane Carvalho é que “um programa de televisão “só tem a capacidade de ser educativo se não abdica de ser um programa televisivo” (CARVALHO, 2006, p. 203). O gênero pode ser realizado por meio das tipologias “educativo” e “instrutivo”. Encontramos nestes gêneros formas de realização diversas como: telecursos, gênero educativo, instrucional, seriado (dramaturgia), e formação complementar da educação formal. O gênero instrutivo caracteriza-se pelo direcionamento a várias faixas etárias e pelo uso da linguagem própria da televisão, como entrevistas, minisséries e documentários com assuntos variados sobre informações em geral. O subgênero educativo apresenta-se como formação complementar à educação formal, por exemplo, os telecursos supletivos, que também utilizam tele-aulas.
110
Ø Gêneros Publicitários:
A televisão ao tempo em que trabalha com a divulgação de seus próprios produtos libera seu espaço para produtos de outros anunciantes. Para Maria Lília Dias de Castro (2006, p. 209), esta dupla função, “de empresa anunciante e de veículo mediador, torna ainda mais complexa sua condição”. Em outras palavras, no Brasil, a televisão está cada vez mais próxima da publicidade tendo em vista que ela própria está dentro do mercado e das lógicas econômicas, pois que o modelo comercial de televisão está voltado para o consumo, para a conquista de audiência.
No mundo, a televisão pública tem adotado regras peculiares e distintas para a inserção de publicidade: seja apresentada no final dos programas a fim de não interrompê-los e misturá-los com intervalos comerciais, seja a título de apoio cultural ou mesmo. Alguns aspectos e situações decorrem desta aproximação, de acordo com a autora:
a) A apropriação pela televisão da linguagem publicitária difusa em
praticamente toda a programação;
b) A diversidade de formas explícitas da publicidade cujas inserções
aparecem mais autônomas ou mais difusas, neste caso desde spots,