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4 Experimental Setup

constituída por paredes resistentes de alvenaria de grande espessura, que suportam pavimentos de madeira ao nível dos pisos.

De forma a ser possível a escavação e construção sob o mesmo de uma galeria para a passagem do metropolitano de Lisboa, com dimensões interiores de 8,60x7,50 m2, que atravessava longitudinalmente o edifício em questão, foi necessário proceder ao recalce das suas fundações. A solução adotada para o reforço das fundações das paredes de alvenaria consistiu na execução de microestacas e de colunas de jet grout, cuja aplicação foi conjunta em certas situações.

Refere-se também que para além do reforço das fundações, as colunas de jet grout tinham a função de reter as águas provenientes do nível freático, de modo a permitir execução da escavação a seco no interior do edifício.

Assim sendo, seguidamente refere-se a solução adotada para o reforço das fundações das fachadas. Para se garantir a estabilidade das fundações das fachadas, procedeu-se à execução de colunas de jet grout com um diâmetro de 500 mm reforçadas com um varão de aço, as quais permitiram a transferência das cargas das fundações para uma camada de solo de maior capacidade resistente. As colunas de jet grout foram realizadas com um comprimento unitário de cerca de 10 metros e penetraram cerca de 1 metro no substrato resistente. Estas formaram “leques” de três colunas e foram dispostas inclinadas relativamente à fachada do edifício (Figura 7.13) (Rebelo et al., 2002).

Fig.7.13 – Recalce da fachada do hotel por colunas de jet grout: a) corte; b) secção da coluna [73]

7.8.2.SOLUÇÕES DE REFORÇO DE FUNDAÇÕES EM EDIFÍCIOS PATRIMONIAIS DA CIDADE DE AVEIRO 7.8.2.1.Recalce das fundações da Câmara Municipal de Aveiro

O edifício em questão possui uma estrutura em alvenaria de pedra, com quatro pisos elevados, encontrando-se fundado através de lintéis. A intervenção foi motivada pela necessidade de executar um piso enterrado em parte do edifício, com cerca de 12x12 m2 de área em planta e 3 metros de altura útil, e também pelo facto de, por razões arquitetónicas, se pretender alterar a geometria e a localização de alguns pilares interiores.

A intervenção foi totalmente executada pelo interior do edifício e a solução adotada foi caracterizada pela conceção de uma cortina de contenção e estanquidade em colunas de jet grout, com um diâmetro de 800 mm e afastadas de 0,70 metros, e pelo recalce das fundações também através de colunas de jet grout. As colunas de recalce das paredes periféricas foram executadas com 800 mm de diâmetro e possuíram um afastamento de 2,4 metros e uma inclinação de 65º e 77º (Figuras 7.14 e 7.15) (Pinto et al., 2000).

Fig.7.15 – Esquema do recalçamento periférico realizado e da cortina de contenção e estanqueidade [64]

Os pilares interiores foram reforçados por pares de colunas de jet grout, também com 800 mm de diâmetro, mas estas foram armadas com tubos de microestacas N80 ϕ127x9,0 mm. Após o recalce dos pilares existentes, executaram-se as colunas de jet grout de fundação dos novos pilares, ao que se seguiu a construção dos mesmos e a demolição dos originais (Figuras 7.16 e 7.17) (Pinto et al., 2000).

Fig.7.17 – Esquema dos trabalhos nos pilares interiores: a) reforço dos pilares existentes; b) construção dos novos pilares; c) demolição dos pilares originais [64]

7.8.2.2.Edifício da antiga Capitania do porto de Aveiro

O edifício da antiga Capitania do porto de Aveiro, construído em 1913, constitui um exemplo emblemático da Arte Nova da cidade, tanto pela sua localização como pela sua qualidade arquitetónica. Originalmente constituído por uma estrutura em alvenaria de pedra, o edifício dispunha de uma área em planta de cerca de 30x15 m2 e de dois pisos elevados.

Devido a persistentes problemas de fundações, em 1995 os serviços prestados no edifício foram definitivamente desativados, para ser possível a realização de obras de recuperação, remodelação e principalmente de consolidação das suas fundações. Estruturalmente, a intervenção teve como objetivo a construção de uma nova estrutura de betão armado, preservando-se a fachada principal que confronta com o canal e com a Praça Luís Cipriano, e aproveitando-se a laje de fundação em betão armado existente (Figura 7.17a), fundada em microestacas, onde se apoiaram as estruturas de contraventamento das fachadas (Pinto et al., 2004).

Assim sendo, a solução adotada para o reforço da laje de fundação e para as fundações da nova estrutura consistiu na execução de colunas de jet grout (Figura 7.19), com 1000 mm de diâmetro e com uma entrega mínima de 1 metro na camada competente. De forma a garantir o seu funcionamento conjunto, as colunas foram solidarizadas no seu coroamento à laje existente e a maciços e vigas de fundação em betão armado, construídos para o efeito (Figura 7.18b).

Fig.7.18 – Esquema em planta da laje de fundação: a) original; b) após o reforço [63] a) b) c)

Fig.7.19 – Trabalhos para a execução das colunas no interior do edifício [63]

De forma a incrementar a capacidade resistente das colunas e a garantir uma maior eficiência na ligação aos maciços de encabeçamento, as mesmas foram armadas com tubos metálicos em aço TM- 80 (Figura 7.20). Os tubos metálicos colocados no interior das colunas localizadas nas zonas que confrontavam diretamente para o canal e em que a laje de fundação, por não estar em contacto direto com o terreno, não permitia a realização das colunas até à face inferior da mesma laje, foram revestidos com um tubo de polietileno de alta densidade (PEAD) de proteção anti-corrosão no troço desconfinado (Figura 7.21).

Fig.7.21 – Esquema da ligação das colunas que confrontam diretamente com o canal [63]