Conducteurs en équilibre électrostatique
4.4. Exemples de conducteurs en équilibre électrostatique
A maior parte dos estudos na área da educação tem por base investigações influenciadas pelos processos metodológicos dominantes nas ciências sociais. O desenvolvimento destes trabalhos implica um conhecimento da realidade social, como um sistema de ideias e de valores partilhados por indivíduos, criando uma subjetividade coletiva que cabe ao investigador decifrar.
Bogdan e Biken (1994, p.47-50) definem cinco características para a investigação qualitativa:
1. “O ambiente natural é a fonte direta de dados e o investigador é o instrumento principal
da investigação”. Consideram que qualquer ação só pode ser compreendida quando é observada no seu ambiente habitual de ocorrência já que separar-se a palavra ou o gesto do seu contexto tem um valor semelhante a separar o significado do seu significante;
2. “A investigação qualitativa é descritiva.” Ao contrário dos métodos positivistas os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens. Ao dedicarem-se à recolha deste tipo de dados os investigadores conseguem abordar o mundo de forma minuciosa;
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3. “Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelos processos que simplesmente pelos produtos.” A utilização de estratégias que podemos qualificar como qualitativas demonstrou o modo como as expetativas se traduzem nas atividades, procedimentos e interações diárias
4.“Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva.” Significa que não têm o objetivo de confirmar ou infirmar hipóteses construídas previamente. Pelo contrário é a partir da recolha de dados no terreno e do seu agrupamento que o investigador poderá construir as abstrações que estarão na base da elaboração da teoria;
5. “O significado é de importância vital na abordagem qualitativa.” O investigador preocupa- se com aquilo que se designa pela perspetiva dos participantes, porque só assim será possível fazer luz sobre a dinâmica interna das situações, dinâmica esta que é frequentemente invisível para o observador existente.
3.2 – O Estudo de Caso
A investigação que pretendemos realizar insere-se numa abordagem do tipo “estudo de caso”. Este tipo de estratégia de pesquisa foi utilizado em diferentes campos da investigação, nomeadamente nos campos das Ciências da Educação, da Psicologia, e das Ciências Sociais. As origens desta abordagem investigativa situam-se em Chicago(3) nos anos 1920, no campo da sociologia, refletindo as influências da metodologia utilizada pela antropologia, baseada no trabalho de campo e na observação participante. Consideramos que este tipo de estudo pode contribuir para o conhecimento dos fenómenos individuais, organizacionais, sociais e políticos.
Para vários investigadores, nomeadamente para Yin, citado por Carmo e Ferreira (2011, p. 234), o estudo de caso consiste numa abordagem empírica que “investiga um fenómeno social no seu contexto real, quando os limites entre determinados fenómenos e o seu contexto não são claramente evidentes e no qual são utilizadas muita fontes de dados”. Para Merriam, citado pelos mesmos autores (2011, p. 235), as principais características de um estudo de caso qualitativo são:
(3) Cf. Grafmayer & Joseph (1979). A escola de Chicago. Nascimento da ecologia urbana. Paris: Edições do Campo Urbano.
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Particular – porque se focaliza numa determinada situação, acontecimento, programa ou
fenómeno;
Descritivo – porque o produto final é uma descrição “rica “do fenómeno que está a ser
estudado;
Heurístico – porque conduz à compreensão do fenómeno que está a ser estudado; Indutivo – porque na maioria destes estudos tem como base o raciocínio indutivo;
Holístico – porque tem em conta a realidade na sua globalidade, dando maior importância
aos processos do que aos produtos, à compreensão e à interpretação.
Outro aspeto que caracteriza o recurso à aplicação desta metodologia de investigação é o facto de as fronteiras entre fenómeno e contexto não serem claras e evidentes, em oposição a um outro tipo de estratégia, onde se separa deliberadamente os fenómenos do seu contexto, fixando o interesse no estudo de algumas variáveis. O estudo de casos permite também, a nosso ver, um estudo holístico e compreensivo das características dos fenómenos, utilizando para isso múltiplas fontes - documentos, produtos, entrevistas e observações.
O recurso a esta metodologia, segundo diversos autores, nomeadamente Yin (1989, 1994), torna também possível a utilização de mais do que uma fonte de evidência, o que completa um conjunto de condições suscetíveis de validar, do ponto de vista científico, o recurso a esta opção metodológica.
Também Feagin, Orum e Sjoberg (1991) consideram que a característica fundamental dos estudos de caso é a compreensão global de sistemas culturais da ação, referindo-se estes ao conjunto de atividades inter-relacionadas e envolvidas por atores numa situação social. Podemos, assim, considerar que o estudo de caso poderá constituir uma estratégia apropriada.
Normalmente, o estudo de caso socorre-se de duas fontes de evidência: a observação direta e a sistematização dos dados recolhidos através do método do inquérito, designadamente das entrevistas e dos questionários.
No trabalho desenvolvido, utilizei como principais fontes de evidência as entrevistas realizadas aos diretores e presidentes dos conselhos gerais dos Agrupamentos de escolas- alvos com o objetivo de obter elementos qualitativos, sujeitos a um processo de interrogação e de interpretação. Por outro lado, os resultados das entrevistas, sobretudo aos considerados stakeholders, serão, ainda, objeto de um processo de triangulação com os
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resultados obtidos a partir de outras evidências, nomeadamente, os resultados dos questionários e a análise documental, num processo de diálogo e confronto entre os dados obtidos.
O estudo de casos, como opção estratégica de metodologia de investigação, tem vindo a ser alvo de críticas, nomeadamente no que se refere ao estudo de caso simples, por fornecer pouca base para a generalização científica. Tendo em conta que esta pode ser uma matéria que apresenta alguma controvérsia, Yin (1989) alega que a mesma crítica pode ser feita aos estudos experimentais, na medida em que os factos científicos não são baseados em experiências simples, mas sim num conjunto de experiências múltiplas, as quais procuram reproduzir o mesmo fenómeno sob diferentes condições. Estes estudos procuram separar o fenómeno do seu contexto prestando atenção a algumas variáveis, sendo o seu contexto controlado pelo ambiente laboratorial. Os estudos de caso podem contribuir para o desenvolvimento de “grounded theories”, mas não são generalizáveis para populações ou universos. Assim, com o estudo que nos propomos desenvolver, procuraremos fazer emergir as perspetivas dos atores, e não frequências, aquilo que Yin designou por “generalização analítica” e “generalização estatística”, respetivamente. Assim, pode afirmar-se que o primeiro método serve o estudo de caso, onde a teoria desenvolvida previamente é usada como referência para comparar resultados empíricos obtidos pela investigação.
O estudo de caso tem sido recentemente utilizado em educação como maneira de estudar os processos e a dinâmica dos fenómenos educativos, tendo em conta a complexidade da realidade social e a diversidade revelada. A sua finalidade é a compreensão dos fenómenos, que podem ser do tipo explicativo, descritivo e/ou exploratório. Este género de estudo permite ter a compreensão dos contextos específicos, de instrumentos e de situações, revelando o sentido que estes têm para os indivíduos que interagem na organização.