2 Configuration
2.3 Choix et détermination de moteurs asynchrones
2.3.7 Exemple de configuration
O trabalho pedagógico destinado à formação de leitores perpassa em modos indispensáveis, em todos os contextos, as bases histórico-culturais de um povo que, invariavelmente emergem do campo artístico-literário e não prescinde, em nenhuma hipótese, dos estudos de sua arte e de sua Literatura. Nas atividades de leitura, a Literatura fomenta a convivência com o jogo das palavras rumo a uma multiplicidade de discursos e significados, que oportunizam o desenvolvimento da criticidade em todos os contextos de aprendizagem.
O foco contributivo da literatura tocantinense na formação de leitores, em sentido lato, torna-se uma tarefa elementar para o trabalho pedagógico, porque os resultados esperados transcendem à simplicidade de uma leitura verbalizada para uma leitura que resulta em produção de saberes além da trivialidade dos estudos escolares.
Servindo do que orienta Haquira Osakabe (2004) a literatura torna possível a reflexão do aluno, rumo a uma multiplicidade de focos, refletindo, de imediato, na constituição de seu espaço como cidadão. Pela Literatura, o aluno, cidadão em fase de aquisição do conhecimento, consegue ver outros mundos, ou seja, mundos de novas ideias, de novas perspectivas, pois sem uma visão múltipla os alunos não conseguem compreender a variedade dos significados literários, uma vez que estes não se esgotam.
A literatura ela pode ser um grande agenciador do amadurecimento sensível do aluno, proporcionando-lhe um convívio com um domínio cuja principal característica é o exercício da liberdade. Daí, favorecer-lhe o desenvolvimento de um comportamento mais crítico e menos preconceituoso diante do mundo. (OSAKABE, 2004, p. 23).
Os saberes que se atinge com a Literatura rumam para uma compreensão bem mais produtiva das atividades realizadas na escola, com a finalidade de constituição de aprendizagens significativas para o desenvolvimento profissional. Por meio da leitura literária, neste caso a tocantinense, o aluno, foco da escola, consegue entender a multiplicidade de significados que o estudo da língua materna lhe oportuniza.
Empregar a LT como objeto de estudo que nos permita um mergulho mais significativo nos estudos da língua materna, é oportunizar a construção de saberes para a além do critério clássico. Verdade é que a literatura clássica, a de conhecimento geral mais acentuado, como por exemplo, as obras de Machado de Assis, marco da Academia Brasileira de Letras, formam o embrião em que se pautam os princípios elementares das leituras. E é por isso, que aos poucos as produções regionais, atuais, alcançam a afirmação necessária.
O professor e crítico brasileiro, Antonio Candido (1995) enfatiza que a literatura, refletida pela leitura dá meios para uma apropriação subliminar do conhecimento atrelado nas obras consideradas eruditas. Por isso, a literatura popular, sustentada pela massa nos critérios da oralidade merece atenção, mas ambas necessitam de leituras críticas capazes de revelar significados peculiares ao leitor.
Em nossa sociedade há fruição segundo as classes na medida em que um homem do povo está praticamente privado da possibilidade de conhecer e aproveitar a leitura de Machado de Assis ou Mário de Andrade. Para ele, ficam a literatura de massa, o folclore, a sabedoria espontânea, a canção popular, o provérbio. Estas modalidades são importantes e nobres, mas é grave considerá-las como suficientes para a grande maioria que, devido à pobreza e à ignorância, é impedida de chegar às obras eruditas. (CANDIDO, 1995, p. 256-257).
Chegar ao contexto da LT e utilizá-la como base reveladora de uma identidade regional é o que chama a atenção do leitor. Deseja-se, portanto, neste trabalho, que o leitor tenha, para seu deleite, textos que o levem à metáfora da
palavra, consubstanciada teoricamente, para compreender os sentidos que transitam pelos significados constituídos no discurso de cada texto nos processos de leitura. A cada instante e, por um percurso invejável6, a LT desponta como um girassol regional revelando sua constituição para além de um ideário simulacro. Cada livro publicado é uma pétala desse girassol, legitimamente tocantinense, que nunca murcha, antes desponta em beleza estética e contribuição para a leitura, no intuito de oportunizar aos estudantes uma aprendizagem mais centrada, mais aguçada, sobretudo de destaque num Estado que a cada dia se mostra em crescimento e, dessa forma contribuindo para o sucesso de seus cidadãos.
Assim, a vertente literária se amplia para mostrar uma identidade literária regional com as feições mais profundas de um Estado emergente margeando o centro do Brasil: o Tocantins.
A qualidade da literatura aqui produzida não fica à mercê de outras literaturas regionais, pelos limítrofes de seus Estados, ou seja, das publicadas em cada Estado da Federação, que no decorrer dos anos, das leituras e das críticas se tornaram clássicas. É assim que a LT pretende crescer. Um nascituro, que no olhar da crítica, se tornará madura ou, quem sabe, clássica. O desdobramento desses escritores se expande por todo o Estado. Na pesquisa de Mirian Deboni (2007), a qual fundamentou sua tese de doutorado, as Academias de Letras espalhadas no Estado do Tocantins representam uma grande força para os escritores.
De norte a sul do Estado é possível perceber a ampla manifestação e apoio dessas academias aos escritores. Sem elas, o incentivo à produção literária não existiria sistematicamente. Estas academias representam para os escritores uma ponte capaz de ultrapassar o abismo do anonimato, que muitas vezes fica preso em seus baús caseiros à espera de uma ajuda para publicação. No quadro das atividades de leitura realizadas nas escolas, há também os escritores, neste caso os alunos, que ficam com seus textos engessados nos processos escolares, ou seja, guardados nos escritos literários produzidos em salas de aula e, sem o reconhecimento, divulgação ou publicação que se espera.
Ressalta-se a grande contribuição que a escola dá para o despertamento de escritores quando da iniciativa de publicação de cadernos poéticos. Isso ocorre quando a escola reúne textos poéticos dos alunos, a partir de atividades de leituras
6
Na tese de doutorado da professora Mirian, observa-se que a projeção das produções dos escritores tocantinense ganhou espaço por meio da criação das Academias de Letras.
trabalhadas pelos professores, aqui comprovada pelo discurso da professora Waldeny Berson de Sousa ao falar do projeto “Compartilhando experiências de leitura”.
Conforme a pesquisa de Deboni (2007), a identidade literária tocantinense ganhou força com criação das academias. Estas, hoje, se expandem em ATL – Academia Tocantinense de Letras; APL – Academia Palmense de Letras; AGL – Academia Gurupiense de Letras; ACLA – Academia Colinense de Letras e Artes; ACALANTO – Academia de Letras de Araguaína e Norte Tocantinense; ALMA – Academia de Letras Mirim de Araguaína. Fornecendo cadeiras para os primeiros “poetas tocantinenses”, o incentivo destas instituições contribuiu para a difusão das obras analisadas, as quais são questionadas quanto ao uso no ensino e na formação de leitores.
Para a LT se tornar explorada, conforme se espera, não falta muito. Há sim, que se estabelecerem processos de leitura reveladores de sua importância para a conquista dos saberes pelos alunos. Nesse processo, o estudo literário nas atividades práticas de leitura, fundamenta-se como o elemento de suporte pedagógico que o professor dispõe para ministrar suas aulas. Destinada a consolidar a aprendizagem crítica, as obras publicadas em solo tocantinense alcançam o que existe de mais produtivo para o aluno, que é o domínio de competências e habilidades necessárias à consolidação de saberes.
Situada no campo da instigação, que aduz ao contexto das interpretações críticas, pelo leitor, a LT, mostra-se aos alunos, principalmente aos concluintes do Ensino Médio, como um suporte totalmente indispensável à consolidação a aprendizagem.
Servindo-se dos discursos de professores7 em atividades de leitura em
sala de aula e, fundamentado nos documentos oficiais do Ministério da Educação, a saber, Orientações Curriculares para Ensino Médio 2008; Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa (1998); Proposta Curricular do Ensino Médio (2009), afirma-se que esta literatura constitui um lugar8 de grande importância para professores em atividades práticas de leitura.
7
A entrevista com a professora Waldeny Berson de Sousa indica, por amostragem, que o planejamento dos professores está voltado para o estudo literário.
8
O termo “lugar” significa o espaço que a literatura tocantinense ocupa, mediante sua utilização nas atividades de leitura pelos professores. Constituindo um lugar a literatura pode, de fato, servir de mecanismo indispensável para a aprendizagem dos alunos.
As análises sobre as obras “O Quati”, de Fidêncio Bogo, constituída de contos; “Cinzas Acesas”, de Isabel Dias Neves (Belinha), dando enfoque ao gênero poético e, “A morte no Bordado”, de jjLeandro, revelando a preciosidade da narrativa romanesca, apresentadas no Capítulo II revelaram que o teor da LT se presta a ocupar um lugar para a conquista dos saberes dos alunos, na forma de domínio de competências e habilidades sugeridas pela Proposta Curricular do Ensino Médio do Tocantins.