Chapitre V - Les indicateurs de la sécurité alimentaire
II. Evolution des indicateurs adoptés par l’initiative SICIAV
Os EHR procuram ser uma cole¸c˜ao sistem´atica de informa¸c˜ao de sa´ude, em formato eletr´onico, sobre pacientes individuais ou grupos populacionais [93]. Na verdade, trata-se de um registo em formato digital que inclui toda a informa¸c˜ao contida num registo de sa´ude tradicional, incluindo um perfil cl´ınico do paciente. Tamb´em a dimens˜ao temporal faz parte dos EHR, o que permite a inclus˜ao de informa¸c˜ao de m´ultiplos epis´odios e prestadores de cuidados, o que poder´a possibilitar, em ´ultima instˆancia, evoluir para um registo que engloba toda a vida (em termos dos mais variados cuidados) do paciente [94].
Este conceito tem sido associado `a passagem dos registos manuais em papel para um registo eletr´onico, sendo que ao longo dos anos um n´umero de termos foi usado para descrever aproxima¸c˜oes `a sua implementa¸c˜ao, dos quais se destacam: AHR (Automated Health Records), EMR (Electronic Medical Record ), CPR (Computer-
A utiliza¸c˜ao dos EHR pode significar v´arias vantagens, de entre as quais se desta- cam uma maior precis˜ao/exatid˜ao e qualidade dos dados existentes num registo de sa´ude, a facilita¸c˜ao do acesso (dos prestadores de cuidados) `a informa¸c˜ao de sa´ude dos pacientes, bem como a partilha desta com vista a auxiliar quer os cuidados atu- almente a serem prestados quer a continua¸c˜ao destes no futuro. Nesta perspetiva, a disponibiliza¸c˜ao da informa¸c˜ao de sa´ude de uma forma r´apida, nos diferentes mo- mentos da presta¸c˜ao de cuidados, pode contribuir para a melhoria significativa do n´ıvel de eficiˆencia dos servi¸cos.
Mesmo tendo em conta as inquestion´aveis vantagens existe tamb´em o contraponto do custo inerente `a informatiza¸c˜ao dos sistemas, sendo que a tecnologia pode n˜ao estar ao alcance de todas as institui¸c˜oes, o mesmo se passando com o apoio t´ecnico, algo que ´e particularmente problem´atico nos pa´ıses menos desenvolvidos, em que os apoios p´ublicos para a sa´ude podem n˜ao ser suficientes. Outro aspeto a considerar ´e a poss´ıvel resistˆencia por parte de alguns prestadores de cuidados, algo que normal- mente aparece aquando da transi¸c˜ao de uma documenta¸c˜ao manual para eletr´onica [87].
Mesmo assim, as vantagens sobrep˜oem-se, facto este que ´e comprovado pela aposta feita pela OMS que, na sua declara¸c˜ao Health for All by the Year 2000, sublinhou a necessidade de melhorar os servi¸cos de sa´ude n˜ao apenas no que se refere aos cuidados secund´arios (hospitalares) mas tamb´em no que concerne aos cuidados prim´arios e aos servi¸cos de sa´ude comunit´arios. Para tal, foi incentivada a implementa¸c˜ao de registos eletr´onicos que cubram os v´arios tipos de cuidados existentes ao n´ıvel da sa´ude [87]. A resposta a este apelo conduziu a que pa´ıses como os Estados Unidos, Reino Unido e Austr´alia, tenham adotado este conceito, promovendo o desenvolvimento de sistemas de registo eletr´onico com a inten¸c˜ao de melhorar a presta¸c˜ao de cuidados e assegurar que os cuidados prestados a um indiv´ıduo (por parte de v´arios departamentos e organiza¸c˜oes, ao longo do seu ciclo de vida) s˜ao mantidos num ´unico cat´alogo facilmente acess´ıvel.
deste tipo de solu¸c˜ao n˜ao foram feitas de forma uniforme, havendo bastante diversi- dade, o que leva a que o que num pa´ıs ´e designado por EHR pode n˜ao ser o mesmo que foi desenvolvido noutro. Na verdade, o que em alguns casos pode ser um re- gisto longitudinal dispon´ıvel para v´arias institui¸c˜oes, noutros casos pode n˜ao passar de um sistema autom´atico limitado, apenas dispon´ıvel dentro de uma comunidade restrita ou numa unidade ou departamento espec´ıficos de uma dada institui¸c˜ao [87]. Independentemente da discrepˆancia existente, as implementa¸c˜oes que foram suce- dendo consideram os EHR como um dos trˆes modelos seguintes: Um ´unico repo- sit´orio centralizado de dados com solu¸c˜oes normalizadas para os sistemas de in- forma¸c˜ao em sa´ude; Reposit´orio (s) centralizado (s) com a normaliza¸c˜ao de uma interface, podendo englobar assim diversos sistemas de informa¸c˜ao em sa´ude; Repo- sit´orios de dados distribu´ıdos com um cat´alogo centralizado e normas para a troca de mensagens.
O primeiro modelo ´e tipificado em Inglaterra pelo NPfIT (National Program for
IT ) dentro do NHS (National Health Service). Este modelo apresenta um repo-
sit´orio ´unico de informa¸c˜ao dos pacientes (para, por exemplo, dados demogr´aficos, condi¸c˜oes de sa´ude, alergias, entre outros aspetos), sendo os dados enviados para este reposit´orio nacional de registos (Care Record Service) utilizando mensagens HL7. Todos os locais de atendimento (incluindo os servi¸cos comunit´arios, unidades de sa´ude mental e hospitais) tˆem aplica¸c˜oes EHR e Sistemas de Informa¸c˜ao pa- dronizados e certificados que comunicam com o reposit´orio central para efetuar a persistˆencia e o acesso aos dados.
O segundo modelo est´a a ser considerado como uma solu¸c˜ao em locais onde a possi- bilidade de definir normas est´a limitada pela estrutura do setor de sa´ude local (por exemplo, em regi˜oes onde os hospitais privados tˆem um impacto significativo). Esta solu¸c˜ao ´e baseada num ou mais reposit´orios centrais, sendo a troca de mensagens entre as novas aplica¸c˜oes (ou aplica¸c˜oes j´a existentes) feita atrav´es de mensagens pa- dronizadas. V´arios pa´ıses est˜ao a planear a utiliza¸c˜ao de cart˜oes de sa´ude eletr´onicos como uma primeira abordagem a este tipo de implementa¸c˜ao, como ´e o caso da Fran¸ca, Su´ecia e Alemanha.
Finalmente, o terceiro modelo ´e uma perspetiva diferente, uma rede peer-to-peer, em que um sistema EHR comunica diretamente com outro sistema (peer ) ou disponibi- liza dados cl´ınicos dos seus pacientes diretamente atrav´es de um web browser. Neste caso, os sistemas s˜ao capazes de localizar outros sistemas que possuam informa¸c˜ao cl´ınica pertinente e aceder-lhes atrav´es de um ´ındice central. Esta filosofia est´a a ser considerada e/ou desenvolvida em pa´ıses como a Irlanda, Holanda, Dinamarca e ´Austria [90].
Conv´em contudo salientar que um sistema de registo eletr´onico n˜ao ´e apenas uma simples substitui¸c˜ao dos registos em papel, devendo, antes de se fazer a transi¸c˜ao, detetar e resolver os problemas que possam existir em termos de organiza¸c˜ao dos dados e processos envolvidos. Os problemas identificados na documenta¸c˜ao e os aspetos de privacidade e confidencialidade, bem como a introdu¸c˜ao de medidas de controlo de qualidade, devem ser tratados antes de se poder efetuar eficazmente a mudan¸ca. Desta forma, e n˜ao havendo d´uvida que este conceito veio para ficar, h´a que ter a no¸c˜ao de que os diferentes tipos de extens˜ao e de automa¸c˜ao fazem com que haja diferen¸cas consider´aveis n˜ao s´o entre os v´arios pa´ıses mas tamb´em entre as pr´oprias institui¸c˜oes de um mesmo pa´ıs [87], algo que pode criar, se n˜ao for controlado, problemas acrescidos de interoperabilidade.