Le projet COM M UTER Contexte objectif
8.9 Evaluation du nouveau modele du Bernese Software Serge Botton
Os indicadores quantitativos de Ciência e Tecnologia (C&T) do estado de Minas Gerais foram analisados em trabalho realizado por Martins, Avellar e De Castro (2008). Neste estudo, foram utilizadas bases de dados oficiais sobre patentes, produção científica e recursos humanos dedicados às atividades de C,T&I, buscando-se efetuar a comparação da posição de Minas Gerais em relação ao panorama nacional. Os indicadores utilizados para análise foram: a) produção científica; b) educação e recursos humanos alocados em C&T; c) inovação tecnológica na indústria; e d) patentes. De forma geral, Minas Gerais situa-se em uma posição intermediária, variando entre a segunda e a quarta posição entre os estados brasileiros, dependendo de quais dos indicadores acima se analisa. Segundo os autores, no conjunto dos indicadores identifica-se um destaque do estado, revelando um nível significativo de atividades ligadas ao processo de inovação. De forma análoga ao identificado por outros trabalhos, o estudo também conclui que em Minas Gerais (assim como ocorre em todo o País) as atividades científicas são fortemente concentradas no setor público, por meio das Universidades Federais e dos Institutos de Pesquisa, além de se verificar a preponderância de atividades científicas sobre as de cunho tecnológico (MARTINS et al., 2008).
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Com relação à produção científica, à estrutura de ensino e à formação profissional, Minas Gerais se destaca por ser o estado com o maior número de Universidades Federais do Brasil, totalizando 11, o que representa 18% das universidades federais brasileiras. O estado também conta com mais 5 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e 1 Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET/MG).
De acordo com Chiarini e Rapini (2012), Minas Gerais foi responsável por 11,42% da produção de artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais em 2010, sendo que as universidades federais mineiras foram responsáveis por 97,97% destas publicações, conforme observado na coluna D da Tabela 2. Para Rapini e Campos (2004), o grande desafio para o estado consiste em ampliar a inserção do segmento empresarial nas atividades inovativas, tirando melhor proveito da relativa solidez institucional das universidades e institutos de pesquisa que exercem papel de destaque no desenvolvimento do estado de Minas Gerais.
TABELA 2 - Pesquisadores, pesquisadores doutores, publicações, produção técnica, por universidade federal de Minas Gerais, total de Minas e total brasileiro, 2010.
FONTE: CHIARINI e RAPINI (20012).
Em termos de produção tecnológica e de acordo com dados do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), disponibilizados pelo MCTI, Minas Gerais ocupa a segunda posição entre os estados que mais solicitaram pedidos de patentes e/ou modelos de utilidade junto ao INPI no período 1999-2011 (Tabela 3).
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TABELA 3 - Minas Gerais e Brasil: Total de pedidos de patentes depositados no INPI, por residentes, 1999-2011.
Ano PATENTES MG – N° Crescimento MG - Tx PATENTES BR – N° Crescimento BR - Tx % MG / BR
1999 519 - 6.157 - 8,4 2000 510 -2% 6.515 6% 7,8 2001 589 15% 7.061 8% 8,3 2002 553 -6% 6.955 -2% 8,0 2003 639 16% 7.478 8% 8,5 2004 626 -2% 7.690 3% 8,1 2005 604 -4% 7.339 -5% 8,2 2006 632 5% 7.214 -2% 8,8 2007 737 17% 7.373 2% 10,0 2008 677 -8% 7.873 7% 8,6 2009 665 -2% 7.766 -1% 8,6 2010 708 6% 7.286 -6% 9,7 2011 684 -3% 7.764 7% 8,8 1999 - 2011 8.143 32% 94.471 25% 8,6
FONTE: Elaboração própria, a partir de BRASIL – MCTI. Indicadores Estaduais de Ciência e Tecnologia.
Neste período, o total nacional de pedidos de patente feitos por residentes, pessoas que moram no Brasil, foi de 94.471, sendo que 44,6% deles foram realizados por residentes no estado de São Paulo, 8,6% no estado de Minas Gerais e 8% no Rio de Janeiro. Apesar do aumento de 32% no número de patentes depositadas por residentes em Minas Gerais no INPI entre os anos de 1999 e 2011, passando de 519 para 684, observa-se neste período certa instabilidade no crescimento dos dados, havendo três grandes picos nos anos de 2001 (15%), 2003 (16%), e 2007 (17%), seguidos por períodos de declínio no número de patentes depositadas. Em 2007, foram 737 pedidos de patentes realizados por residentes em Minas Gerais, caindo para 677 em 2008, 665 em 2009, 708 em 2010 e 684 em 2011.
As maiores responsáveis pelos pedidos de patentes do estado ao INPI são as universidades federais mineiras. Segundo Chiarini e Rapini (2012), em 2010 as universidades federais foram responsáveis por 97,62% de toda a produção tecnológica do estado, com destaque para a UFMG, que em 2010 respondeu por 38% da produção técnica (vide coluna E da Tabela 2). As interações entre as universidades mineiras com a indústria foram analisadas de forma mais aprofundada por Rapini e Campos (2004), a partir de dados do diretório dos grupos de pesquisa do CNPq. De forma similar ao observado por Santos e Diniz (1999), Rapini e Campos (2004) também identificam grande concentração das atividades científicas em instituições públicas, seja nas universidades federais ou institutos de pesquisa, assim como a
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predominância destas atividades sobre as de cunho tecnológico. Em relação aos relacionamentos dos grupos de pesquisa com empresas, o estudo identificou que estes ocorrem em um número restrito destes grupos e em áreas específicas do conhecimento, sobretudo naqueles ligados às ciências agrárias, com destaque para a UFV e UFLA, e naqueles ligados à engenharia e às ciências da computação, em que se destaca a UFMG. Rapini e Campos (2004) também destacam que mais de um terço dos relacionamentos identificados estão associados à transferência direta de conhecimento da academia para as empresas, através de pesquisa científica e transferência tecnológica.
Conforme apresentado, o Sistema Regional de Inovação do estado de Minas Gerais tem sua estrutura de geração do conhecimento fortemente ancorada em suas organizações federais de ensino superior. No entanto, cabe ressaltar que o estado também conta com algumas organizações de pesquisa e desenvolvimento que são muito importantes na análise do seu Sistema Regional de Inovação.
A Tabela 4 apresenta a listagem dos principais Centros Tecnológicos e Institutos de P&D presentes em Minas Gerais, cabendo a ressalva de que não se trata de uma listagem definitiva, podendo haver outras organizações com perfil semelhante no estado.
TABELA 4 – Minas Gerais – Centros Tecnológicos e Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento
Sigla Centros Tecnológicos e Institutos de P&D Município
CPqRR/FIOCRUZ Centro de Pesquisa René Rachou Belo Horizonte
EPAMIG Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais Belo Horizonte
SENAI CETEC Centro de Tecnologia SENAI CETEC Belo Horizonte
CSEM Brasil Centro Brasileiro de Inovação Belo Horizonte
FUNED Fundação Ezequiel Dias Belo Horizonte
FITec Fundação para Inovações Tecnológicas Belo Horizonte
CDTN Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear Belo Horizonte
EMBRAPA –
Gado de leite Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Gado de leite Juiz de Fora
EMBRAPA –
Milho e sorgo Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Milho e sorgo Sete Lagoas
INATEL Instituto Nacional de Telecomunicações Santa Rita do Sapucaí
FONTE: Elaboração própria
As instituições acima listadas procuram atuar de forma mais próxima do mercado e em parceria com empresas, realizando pesquisas aplicadas com potencial inovador. Segundo Lemos e Diniz (1999), alguma destas organizações, como a EPAMIG e o atual Centro
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Tecnológico SENAI-CETEC, antiga Fundação CETEC, tiveram participação fundamental no processo de desenvolvimento industrial do estado, sobretudo na década de 1970, quando chegaram a ter 600 e 300 pesquisadores respectivamente. No entanto, desde os anos de 1980 estas organizações estaduais vêm sendo fortemente atingidas por cortes de verbas do governo estadual, tendendo ao esvaziamento de suas funções (LEMOS e DINIZ, 1999). Recentemente, foi firmada parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Minas Gerais (SENAI/MG) e o Governo de Minas para reestruturação do CETEC, transformando-o no Centro Tecnológico SENAI-CETEC, com investimentos da ordem de R$ 260 milhões. Com estes recursos, estão sendo implantados no SENAI-CETEC oito institutos de tecnologia e inovação nas áreas de alimentos e bebidas, metalmecânica, engenharia de superfícies, mineração, metalurgia e ligas especiais, química, tecnologia automotiva e meio ambiente. Ainda em relação ao arcabouço institucional recente da inovação no estado, cabe destacar as iniciativas de estruturação de incubadoras e parques tecnológicos. Minas gerais possui atualmente 24 incubadoras de empresas associadas à Rede Mineira de Inovação e iniciativas avançadas de parques tecnológicos em estágio de consolidação, como: o Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), que possui forte relação com a UFMG, o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), ligado à UFV, e o Parque Científico e Tecnológico de Itajubá (Pcti), ligado à UNIFEI. Estas iniciativas buscam criar ambientes favoráveis à inovação e à interação entre empresas e as universidades.
Pela proximidade que possui com a UFMG, principal agente científico e tecnológico do estado, assim como pela integração com a estrutura industrial da RMBH, o BH-TEC apresenta-se como promissor agente para acelerar as atividades inovativas do estado. Inaugurado em maio de 2012, o Parque conta atualmente com 18 empresas de tecnologia em operação, tendo como missão “contribuir para o desenvolvimento tecnológico da cidade de Belo Horizonte e seu entorno, de tal forma a consolidar sua posição em termos econômicos, tecnológicos e de centro de serviços do país”.6