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De « ceux qui se r´eunissent dans la Biblioth`eque royale » `a l’Aca-

A obesidade infantil está se tornando um problema crescente de saúde pública, tendo em vista que é imune ao tratamento quando estabelecida.Desta maneira, a prevenção da obesidade durante a infância é um componente essencial dos esforços para combater esta epidemia global (STETTLER; SIGNER; SUTER, 2004).Por ser um grave problema de saúde pública, a obesidade infantil requer urgência e abordagem de prevenção de base populacional, de modo que todas as crianças possam crescer saudáveis em aspecto físico e emocional (KOPLAN; LIVERMAN; KRAAK, 2005).

A abordagem para tratar a obesidade destina-se a controlar o problema ao invés de efetivar sua cura. Entretanto para que este objetivo seja alcançado se faz necessário um sistema multidisciplinar e intensivo bem estruturado. Apesar de a prevenção ser a única opção viável e essencial para todos os países afetados pelo crescimento da doença, o regime necessário para a gestão da epidemia da obesidade é bastante caro, e eventualmente, inviável para alguns países (LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).

Koplan, Liverman e Kraak (2005) postulam que para a questão da obesidade infantil é importante saber que a prevenção da obesidade abrange comportamentos alimentares saudáveis e atividade física regular, com o intuito de atingir e manter o equilíbrio de energia em um peso saudável, além de enfatizarem que são necessários esforços individuais e mudanças sociais, onde diversos setores e partes interessadas devem estar envolvidos.

Pesquisas de cunho genético apontam que a maioria das crianças encontra-se em risco de ganho de peso e que as estratégias de prevenção da obesidade em uma população infantil, como incentivo à alimentação saudável e à prática de atividade física abundante, podem beneficiar a saúde de todas as crianças, seja em risco de obesidade ou não (LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).

As configurações de efeito para intervenções preventivas são ambientes escolares e casa de familiares. Segundo Lobstein, Baur e Uauy (2004) os resultados favoráveis tangem mudanças de comportamento das crianças em assistir televisão, à promoção de consumo de alimentos saudáveis e diferencial em preço desses alimentos. Ainda assim, as intervenções e seus efeitos positivos são reduzidos em relação à dimensão do problema, principalmente porque as melhoras tendem a diminuir ao término das intervenções (LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).

contexto social e cultural para um resultado efetivo, requerendo desta forma uma mobilização verdadeiramente social com um esforço coordenado entre a comunidade médica, os administradores de saúde, professores, pais, produtores e processadores de alimentos, varejistas e fornecedores, anunciantes e meios de comunicação, planejadores urbanos de recreação e esporte, arquitetos, urbanistas, políticos e legisladores, fazendo-os compreender que a saúde pública demanda ações multisetoriais(LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).

As iniciativas para prevenção abarcam um espectro expressivo de atividades desenvolvidas por grupos através de políticas organizacionais, nacionais e internacionais, onde cada nível essencial na intervenção da obesidade infantil está contido em um contexto mais amplo(LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004), como observado na Figura 2.4.

Figura 2.4 - As oportunidades de influência no ambiente da criança.

Fonte:adaptado de Lobstein, Baur e Uauy (2004, p.8).

O aumento da prevalência de obesidade tem sido atribuído a forças sociais e ambientais que fogem ao controle do indivíduo, influenciando comportamentos adversos a prevenção da doença. Nesse contexto, embora as ações de modificações no estilo de vida das pessoas sejam necessárias, em um longo prazo, o recurso recomendado para controlar o aumento da patologia é tratá-la em perspectiva ampliada de saúde pública com políticas de impacto social necessárias sobre a problemática (LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).

Assim, de acordo com Gortmakeret al. (2011), o governo, as entidades, setor privado, sociedade civil e profissionais da saúde são atores importantes no processo de controle da obesidade infantil. Na visão dos autores, os governos possuem destaque na

importância na reversão da epidemia devido a proteção e promoção do bem comum como responsabilidade prioritária que contempla a saúde pública, além de operarem em níveis necessários.As consequências da obesidade sobrecarregam setores governamentais além dos referentes à saúde, como financeiro, educacional, agrícola, transporte e planejamento urbano. Apesar de governos desenvolverem estratégias com o propósito de melhores dieta e atividade física, como rotulagem de alimentos e disponibilidade de espaços físicos, estas têm sido fortemente contestadas pela indústria de alimentos, dificultando a implementação de políticas públicas. Por outro lado, menos áreas vêm sendo contestadas como ações escolares e comunitárias, marketing social e promoção da atividade física, encontrando apoio político, mesmo com custossubstanciais e os benefícios incertos (GORTMAKER et al, 2011).O Quadro indica ações cabíveis aos atores apontados por Ebbeling, Pawlak e Ludwig (2002).

Quadro 2.3 - Prevenção e tratamento da obesidade infantil

Uma abordagem de bom senso para a prevenção e tratamento da obesidade infantil Casa Reservar um tempo para:

Refeições saudáveis Atividade física

Limitar o tempo de uso da televisão Escola Financiar a educação física obrigatória

Estabelecer normas mais rigorosas para os programas de merenda escolar

Eliminar alimentos pouco saudáveis - por exemplo, refrigerantes e doces vendidos em máquinas automáticas.

Fornecer lanches saudáveis por meio de estandes de concessão e máquinas de venda automática.

Design urbano Proteger áreas abertas

Construir pavimentos (calçadas), ciclovias, estacionamentos, parques infantis e zonas de pedestres.

Assistência médica

Melhorar a segurança da cobertura no tratamento eficaz da obesidade.

Marketing e mídia

Considerar um imposto sobrefastfood e refrigerantes.

Subsidiar alimentos nutritivos – por exemplo, frutas e legumes. Exigir rótulos nutricionais relativos à embalagens de fastfood. Proibir propaganda e marketing de alimentos direcionados às crianças.

Aumentar o financiamento para campanhas de saúde pública para a prevenção da obesidade.

Política Regular as contribuições de políticas da indústria alimentar. Fonte: Ebbelin, Pawlak e Ludwig (2002, p. 479)

Por fim, é importante ressaltar que as variáveis culturais podem ter influenciado nas mudanças no estilo de vida como redução do tempo na preparação de alimentos em casa, o aumento do consumo de alimentos processados, mecanização do trabalho e atividades

domésticas, o aumento da dependência de veículos motorizados e maior acesso e uso de televisores e computadores, esses fatores antecedentes, inevitavelmente implicam mudanças nos valores sociais e normas culturais de ingestão de alimentos e atividade física nos núcleos familiares, em escolas, locais de trabalho e cenário social em geral (LOBSTEIN; BAUR; UAUY, 2004).