IV. 2.3 3-D orthogonal convergence
VII.2 Seismicity and state of stress within the overriding plate of the Tonga-Kermadec subduc-
VIII.1.2 Etude de la sismicité en coupe
Agir num contexto de in-quietude traz então associado a si a centralidade de novos desafios aos actores que desta forma são obrigados a investir-se na acção. Ganha relevo a produção de sentido, uma vez que é necessário conferir significado e credibilidade às significações construídas na interacção com os outros significativos, a reflexividade é parte intrínseca da constituição do agir social, o enfrentamento das situações de incerteza resultante dos quadros contextuais pouco estruturados normativamente e a consequente construção social da confiança, a mobilização dos recursos pertinentes a descobrir no decorrer da acção e a necessidade de se ser reconhecido como actor de corpo inteiro na constituição da tecedura dos laços sociais. Estas particularidades levam-
52 nos para um registo de acção orientado, como salienta Marc-Henry Soulet, já não pelo mero interesse, nem pelas normas, mas pela acção:
“Falar de uma acção orientada pela acção significa mobilizar uma leitura da acção entendida como poeisis e realçar a designação do fazer como produção da acção. Por outras palavras, a acção, num contexto que torna difícil um agir finalizado (com vista a um fim), e problemático um agir conforme, tem como principal característica a de ser criadora das possibilidades da própria acção, isto é, criadora da sua finalização e da sua legitimação” (Soulet, 2006a:32).
O “agir poiético” caracteriza assim uma forma da acção, um esboço de acção e um momento de recomposição da acção. Agir implica construir o fazer da acção. Soulet (2006a:32) caracteriza o agir poiético a partir das seguintes propriedades formais: - O agir poiético implica a construção simultânea dos objectivos e dos recursos no decorrer da acção, o que quer dizer que nesta modalidade de acção, o fim da acção já não pode ser conceptualizado como precedendo a acção. O agir caracteriza-se por ser simultaneamente um meio para atingir um fim e um meio de construção desse fim, o que o faz diferir do cálculo do actor racional típico das teorias da escolha racional, em que o actor seria dotado de um conjunto coerente de preferências e de uma racionalidade sinóptica que lhe permitiria optar por uma solução ideal. O agir poiético aproxima-se aqui da concepção de um agir criativo tal como o concebe Hans Joas (1999).
- As formas e os princípios de legitimidade da acção são também elaborados no decorrer da própria acção. Como refere Soulet (idem:33) num quadro de acção marcado pela instabilidade estrutural a conformidade e a legitimidade da acção já não remetem para as regras impostas a partir de cima numa lógica de verticalidade institucional. São os acordos localizados que resultam da interacção dos actores que produzem a legitimidade do agir social. A legitimação dos laços sociais estabelece-se a partir do reconhecimento da complexidade e da pluralidade das lógicas de acção e na adaptação às contingências do decorrer da acção.
- Uma das consequências principais do agir em contextos normativos pouco estruturados, imbuídos de uma enorme imprevisibilidade sobre os modos possíveis do decorrer da acção é a desmultiplicação por parte do actor. Num contexto deste tipo os indivíduos são constrangidos a investir-se na acção, a exacerbar a sua capacidade de agir, o mesmo é dizer, a reforçar a dimensão accionalista do agir poiético.
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“Não se trata aqui de avaliar as reservas de resistência que os indivíduos podem mobilizar em
contextos problemáticos, mas antes de sublinhar a obrigação de reforço accionalista do agir poiético. A parte do actor desmultiplica-se, de certa forma, no indivíduo, não apenas porque, quando o actor é colocado num contexto de in-quietude, tem de investir mais energia para manter a continuidade dessa situação e para a tornar aceitável aos seus olhos como aos dos outros, mas, sobretudo, porque os constrangimentos são tais, que ele se vê enredado na acção enquanto pessoa e já não apenas como actor” (idem:33-34).
Esta exacerbação accionalista do agir põe em evidência a omnipresença da reflexividade na acção, pois para se poder agir face aos outros significativos presentes no decorrer das interacções, é necessário activar uma reflexividade constante, de forma a fazer acontecer a acção que se orienta pela acção.
- Por último, last but not least, num contexto de instabilidade estrutural marcado pela incerteza ganham uma enorme relevância os procedimentos de validação mútua das acções empreendidas.
Diz-nos Soulet:
“A confirmação social da receptibilidade da acção não é já tanto a emanação de uma instância superior, na figura da tradição ou da lei, mas o resultado de um processo horizontal de validação mútua e de aprovação recíproca dos comportamentos como referências mobilizadas”
(idem:34).
Os aparelhos de conversação tornam-se centrais, pela troca discursiva, na construção do significado social da acção, na confirmação da sua receptibilidade, na sua validação social e no reconhecimento social do seu autor. Os interlocutores da acção tornam-se então um dos recursos fundamentais para a construção de sentido e para a legitimação social decorrentes do agir poiético. Mobilizando ainda as palavras de Soulet (2006a:44- 45) é importante que não se veja nos contextos de in-quietude, uma modalidade atípica dos quadros de acção. Segundo este autor podemos levantar a hipótese forte de estarmos perante uma modificação estrutural da vida em comum e da emergência de um novo modelo sociocultural marcado por um individualismo normativo e por uma concepção de sociedade que exacerba o agir dos indivíduos o que faz com que os contextos de acção que fazem apelo ao agir poiético se tornem cada vez mais banais. Esta é uma tese que vai claramente de encontro à proposta teórica de De Munk e Verhoeven (1997) centrada na ideia de mutação estrutural da relação à norma e ao emergir crescente de uma nova forma de racionalidade que o autor designa de procedimentalização.
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1.7. As mutações em relação à norma na modernidade: Desformalização, des-