2.4 Algorithmes g´ en´ etiques multi-objectif
2.4.6 Etude de l’algorithme NSGA-II
Procurámos registar durante um ano, o mais objectivamente possível, os sentimentos vividos pelas crianças, servindo-nos de instrumentos umas vezes mais estruturados (questionários) e outras mais livres (desenhos, textos), susceptíveis de captar as mensagens genuínas dos participantes neste estudo. Para tal, construímos questionários nos quais pedíamos aos respondentes que registassem os seus estados emocionais nas diversas rotinas diárias.
Da parte dos adultos, recolhemos ainda os testemunhos sobre as actividades desenvolvidas e sobre a sua experiência hospitalar, tomada no seu conjunto.
As crianças, além da abordagem por questionário, especialmente para as mais velhas e capacitadas para o fornecimento de respostas de autoria genuína, foram abordadas com metodologias mais abertas e susceptíveis à criatividade, à projecção de estados emocionais internos e à comunicação desinibida durante os jogos e outras actividades adaptadas às respectivas idades, tais como pinturas, dramatizações, conto ou reconto de histórias genuínas ou aprendidas, etc. Estes momentos, tornaram-se naturalmente facilitadores das respostas aos questionários sobre como se sentem, durante as suas rotinas diárias.
A investigação efectuada no Serviço de Pediatria trata-se de um estudo de caso onde foram realizados dois questionários.
No questionário relativo às actividades pedagógicas, as perguntas foram seleccionadas de acordo com a prática de algumas sessões já realizadas anteriormente, de modo a reajustar o questionário à compreensão de todos.
Este questionário teve como objectivo verificar se as actividades, tais como: relaxamento através da visualização interior de imagens, sessões de riso, e a música contribuíram para o bem-estar emocional das crianças hospitalizadas e acompanhantes.
Inicialmente este questionário foi entregue aos acompanhantes para que pudessem ajudar as crianças a responder. Verificámos, após algum tempo, que as respostas eram dadas em função daquilo que os acompanhantes pensavam e sentiam, o que nos levou a criar dois questionários. Um para os adultos e outro para as crianças. Deste modo, pudemos constatar qual o sentimento e opinião das crianças face às actividades medindo o nível de satisfação das mesmas e dos acompanhantes que participaram. As respostas dos adultos e crianças permitiram obter resultados sobre o grau de empatia e sintonia entre ambos que não fazem parte deste estudo.
O questionário relativo às emoções sentidas pelas crianças durante o internamento e o impacto que as actividades pedagógicas criaram quer nas crianças, quer nos acompanhantes foi alvo de estudo.
Foram ainda deixadas mensagens ou depoimentos pelas crianças e acompanhantes.
As perguntas sobre as emoções sentidas, nas diferentes rotinas diárias, foram seleccionadas em função das nossas preocupações e após o
desenvolvimento teórico da dissertação, para que pudéssemos adquirir maior informação e conhecimento relativo ao significado das diferentes emoções.
No momento da alta as crianças preencheram os questionários. Inicialmente foram somente entregues questionários de emoções positivas, a alegria e carinho. Por verificarmos que os primeiros cinquenta respondentes não obtiveram qualquer dificuldade, optamos por entregar os restantes questionários, referentes às emoções vergonha, tristeza, ansiedade e medo, de uma só vez. No entanto, relativamente a estas emoções apenas obtivemos quarenta respondentes disponíveis. Para além disso, nos questionários de emoções negativas alteramos o tipo de avaliação, ajustando-a à melhor compreensão das crianças, como se pode verificar pelos gráficos apresentados posteriormente.
Os questionários foram entregues às crianças que já frequentavam o primeiro ciclo ou outros ciclos de ensino para que os pudessem ler e interpretar autonomamente. Não foram contempladas as faixas etárias anteriores porque verificámos que as crianças não compreenderam o seu conteúdo.
O preenchimento dos questionários foi feito na nossa presença. Sempre que surgiram dúvidas, explicamos a questão por outras palavras. No entanto é de salientar que praticamente não emergiram incertezas, hesitações ou dúvidas nas respostas.
Em simultâneo, durante o processo de internamento pedimos a cada criança que registasse de manhã, numa tabela de dupla entrada, todas as emoções sentidas no dia anterior, nas principais rotinas diárias. Maior parte das crianças iam registando durante o dia aquilo que sentiam e só no dia seguinte é que registavam como decorreu a noite, sendo por isso mais credíveis e fiáveis as respostas dadas.
As rotinas diárias: acordar, higiene, medicação /tratamento, visita médica, alimentação, ocupação dos tempos livres, visitas do exterior e o deitar foram seleccionadas porque julgamos serem os momentos mais importantes de cada dia.
Os questionários foram validados antes de serem aplicados para podermos verificar se eram de fácil compreensão para as crianças e acompanhantes.
Segundo Gauthier (1987, cit por L. Michelle, G. Hérbert, B. Gérald, 1990, p. 68), «a preocupação com a validade é, antes mais, aquela exigência por parte do investigador que procura que os seus dados correspondam estritamente
àquilo que pretendem representar, de modo verdadeiro e autêntico». Acrescenta ainda que existe precisão de «acrescentar a noção de utilização dado que, como afirma Stuffebeam (1985, p.207 cit por L. Michelle, G. Hérbert, B. Gérald, 1990, p. 69), a preocupação com a validade aplica-se menos aos próprios dados do que àquilo que se lhes faz e àquilo que lhes fazem dizer».
De Ketele (1988, p.101 cit por L. Michelle, G. Hérbert, B. Gérald, 1990, p. 69), descreve a validação como «o processo por meio do qual o investigador se certifica de que aquilo que ele deseja observar, aquilo que ele realmente observa e o modo como a observação é levada a cabo se adequam ao objectivo da investigação».
Concordando com a opinião dos autores, os dados foram experimentados antes de serem aplicados, verificando a coerência dos mesmos, a intenção e os procedimentos utilizados para poder obter resultados fiáveis.