Bibliographie du chapitre 2
3.2 Assemblage des puces silicium de puissance sur substrat
3.2.7 Etude par simulations électromagnétique et thermique de l’association des puces aiguilleurs sur substrat DBC/ SMI
3.2.7.1 Etude électromagnétique par simulation 3D a) Description de la structure du modèle de simulation
O ponto de partida para uma análise do processo de restauração do nosso objeto de estudo está na forma como ele se apresenta hoje: restaurado, com suas estruturas refeitas, encadernado e acondicionado em uma caixa. Além desses aspectos, outras características atuais são relevantes.
Por exemplo, sabemos que em 1703 as encadernações não apresentavam o aspecto das atuais, principalmente pela presença de materiais, tais como, o tecido. A partir dessas premissas, perguntas foram feitas para nortear a análise da sua restauração e verificar até que ponto houve uma alteração estrutural e estética desse bem cultural raro.
Em que momento de sua trajetória o manuscrito foi restaurado? Por que e por quem? Como era o livro originalmente? Onde estão os seus registros?
A transformação pela qual o Formulário Médico passou, objeto este carregado de marcas do tempo, de marcas de uso e de informações reveladoras, resultou em um documento restaurado, com uma nova encadernação, bastante distanciado das suas características originais.
Do ponto de vista da sua restauração, as características atuais do Formulário Médico trouxeram à tona uma questão: até que ponto a restauração como uma renovação pode ser priorizada em detrimento das formas de registro de informação e de memória?
Pela análise das alterações realizadas no objeto, pensamos ter sido a restauração a maior transformação pela qual o manuscrito passou em toda a sua história.
Para levantar dados a partir destas questões, procuramos conversar com Jeorgina Gentil30, ex-chefe da Biblioteca, que trabalhou diretamente com o manuscrito na década de 1980. Nessa conversa realizada na Biblioteca de Ciências Biomédicas – ICICT da Fiocruz, em 10 de Novembro de 2015, foram levantadas informações sobre o estado de conservação do manuscrito antes da restauração, o qual, em suas palavras, estaria “completamente solto e com muitas perdas de suporte”.
Para encontrar o registro da data de restauração do manuscrito, que era desconhecida, foram confrontadas informações dos atuais servidores, com as já levantadas e de conhecimento da equipe técnica. Assim, determinamos o período provável da restauração: entre o final da década de 1980 e o início do ano 2000. Essa definição foi necessária para que pudéssemos pesquisar nos arquivos permanentes, já que todos os processos da Fiocruz estão arquivados em ordem cronológica.
Nesse processo, levantamos uma informação mais precisa de que o manuscrito fora restaurado por volta de 2000, para que pudesse vir a fazer parte da exposição “A Ciência e a Saúde Pública”, em comemoração aos cem anos da Fundação Oswaldo Cruz, da qual fizeram parte apenas os materiais considerados raros e especiais.
Localizamos o processo que deu início à restauração do Formulário Médico, datado de 27 de janeiro de 2000, com o memorando de número 019/BM, no qual consta uma solicitação para a diretoria do Instituto, de contratação de uma empresa para a execução de restauração do acervo de Obras Raras, no qual o Formulário estava incluído. Junto ao memorando, segue uma série de documentos que compõem o processo de número 25380.00602/200-79. Anexados ao processo, foram localizados vários documentos de interesse para este estudo
30 Graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (1982), especialista em Indexação da Informação pela Universidade Santa Úrsula (1990), mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, convênio IBICT (1996) e doutora em Informação, Comunicação em Saúde pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), da Fundação Oswaldo Cruz (2014). Atualmente é servidora da Fiocruz, onde atua como bibliotecária e pesquisadora da Biblioteca de Manguinhos (Ciências Biomédicas) do Icict/Fiocruz.
como, por exemplo, a solicitação para a restauração de algumas obras do acervo; sua justificativa e o projeto básico.
O primeiro documento analisado foi o memorando com a solicitação da restauração de livros raros, fundamentando a justificativa do pedido no valor histórico e informacional dos livros. Nesse documento, consta uma observação definindo que os livros deveriam ser restaurados por uma empresa de “alto nível de qualidade técnica” e, em seguida, aparece o nome de uma empresa que, segundo o documento, foi a única a apresentar qualidade técnica compatível.31
Temos aqui duas questões apresentadas. A primeira seria em relação aos critérios usados para selecionar as obras a serem restauradas. Não foram localizados estudos preliminares para avaliar a necessidade da restauração dos livros, de acordo com os níveis de degradação das estruturas físicas. Após a avaliação de todas as obras descritas no projeto básico e mais tarde restauradas, percebemos que elas não receberam o mesmo tipo de tratamento. Algumas receberam apenas tratamento de conservação e não de restauração32, demonstrando, de certa forma, a motivação estética do pedido de restauração, visando a sua aparência física para a exposição das obras33.
A segunda questão estaria ligada à classificação da empresa enquanto a única a apresentar capacidade técnica necessária, uma vez que não foi localizado nenhum documento que atestasse a sua comprovação técnica.
Afinal, não consta do processo uma proposta de tratamento das obras. A proposta deveria conter informações de caráter administrativo e técnico, necessárias para o julgamento de sua qualificação, além de informar detalhadamente a forma como os tratamentos seriam aplicados, quais os tipos de materiais seriam utilizados, assim como listar os equipamentos necessários para a realização dos serviços.
31 De acordo com as regras de compras ou prestação de serviços para instituições públicas as contratações até 8 mil reais não precisam passar por processo licitatório.
32 Conservação: é um conjunto de ações estabilizadoras que visam desacelerar o processo de degradação de documentos ou objetos, por meio de controle ambiental e de tratamentos específicos (higienização, reparos e acondicionamento). Restauração: é um conjunto de medidas que objetivam a estabilização ou a reversão de danos físicos ou químicos adquiridos pelo documento ao longo do tempo e de seu uso, intervindo de modo a não comprometer sua integridade e seu caráter histórico. (CASSARES, 2000, p.12).
33 Não estamos afirmando que as motivações estéticas foram as únicas consideradas no processo de restauração do Formulário Médico. Pensamos, sim, que o manuscrito, pelas informações obtidas, necessitava realmente desta atividade. Contudo, fomos levados a acreditar nessa hipótese através do estudo dos documentos presentes no processo, ao comparar o tratamento recebido pelo manuscrito com o de outros livros que receberam tratamento de conservação e não de restauração.
A solicitação dos serviços, no projeto básico, não apresenta a forma como as atividades seriam executadas e orienta apenas a realização de limpeza, banho de desacidificação e reintegração mecânica com reforço, dando a entender que, provavelmente, não houve a contribuição de um conservador-restaurador na sua realização. Afinal, nele não vem especificado o tipo de limpeza, como ela deveria ocorrer e quais os materiais que seriam aplicados na atividade. Por exemplo, a limpeza pode ser realizada com ou sem a aplicação do pó de borracha e, se utilizada, deveria constar a forma como deveria ser aplicada, qual o tipo de pressão a ser empregada, uma vez que o pó de borracha pode apagar eventuais marcas ou anotações no suporte. Além disso, deveria indicar o tipo de trincha a ser utilizada, assim como o tipo de pelo dos pinceis, elemento que se escolhido incorretamente poderia vir a danificar o suporte papel.
Quanto aos banhos de desacidificação34, normalmente são aplicados após os banhos de limpeza e não aparecem especificados. Não existe, também, especificação com relação ao PH para o banho de desacidificação, muito menos a temperatura da água ou o número de banhos. Alguns componentes das tintas podem, por meio da água, sofrer ligações químicas que, mesmo não provocando perda, causam o esmaecimento das cores, deixando-as mais fracas, principalmente se aquela temperatura não for controlada.
Não está especificada, também, a obrigatoriedade dos testes de solubilidade, que são de extrema importância para a certificação de que nenhuma tinta de escrita venha a reagir nos banhos, uma vez que uma centena de pigmentos e tintas de escritas são solúveis em água.
Já a reintegração mecânica com reforço35 não apresenta nenhuma orientação quanto à sua forma de aplicação. Deveriam estar descritos os tipos de polpas de celulose, a gramatura do papel, assim como a cor. Também não existem informações a respeito dos tipos de colas para a reencolagem do papel após a lavagem e reintegração.
Por fim, não consta nenhuma informação quanto ao tipo de linha e a sua forma de costura, a aplicação do cabeceado, nem em relação à encadernação.
34 O papel é um material constituído em maior parte por celulose. Um processo de deterioração desse material consiste na despolimerização da celulose devido às reações de hidrólise ácida, tornando o papel quebradiço. Um dos meios de controlar ou evitar esta deterioração na restauração de bens culturais é através de banhos aquosos com Ca(OH)2. (SILVA; FIGUEIREDO JUNIOR, 2012. p.1)
35 Consiste em um procedimento mecânico para preencher as áreas com perdas do papel, deve-se calcular a gramatura das folhas do livro e calcular a quantidade de fibra a ser utilizada para preencher a área da máquina que será utilizada. (GIORDANO, 2008. p. 17)
Estes são alguns exemplos de informações técnicas que deveriam constar do projeto básico para este tipo de serviço. A importância de um projeto básico bem executado está na garantia de que a empresa contratada realizará as atividades conforme as especificações técnicas. Esta é a melhor ferramenta para que a empresa contratada possa executar seus serviços com segurança e, também, o melhor instrumento de gestão do processo pela instituição.
Parece-nos, assim, que todas as decisões a respeito da restauração ficaram a cargo da empresa contratada, já que não foram especificadas, detalhadamente, as formas como os serviços deveriam ser aplicados, nem os materiais empregados.
Pelo cronograma de trabalho notamos que o prazo para a execução dos serviços foi de sete meses, considerando a restauração de treze obras raras, sendo quatro delas compostas por dois volumes. O Formulário Médico foi restaurado na primeira etapa, juntamente com outros quatro livros, no período de dois meses, o que nos parece insuficiente para a execução das atividades de forma eficiente36.
Por conta do processo de análise, tivemos acesso aos restauradores responsáveis pelo tratamento e fomos informados que a empresa que executou a restauração não existe mais. Solicitamos a busca por informações remanescentes e fomos orientados a procurar por eventuais documentos ou registros fotográficos. Um dos restauradores informou ter sido responsável pela encadernação, mas, infelizmente, não se lembrava do aspecto do manuscrito para nos relatar. Pediu então que entrássemos em contato com um segundo técnico, que talvez pudesse apresentar algum documento referente às atividades aplicadas no processo. Entramos em contato com a restauradora em questão por e-mail e, após algum tempo, recebemos a resposta de que não havia nenhum documento ou registro fotográfico do livro, anterior ao processo de restauro. Assim como o primeiro restaurador, informou não se lembrar dos aspectos estéticos do manuscrito.
Apesar de solicitado, nenhum deles fez nenhuma consideração a respeito da forma como os tratamentos foram realizados, nem apresentaram qualquer justificativa para os procedimentos aplicados.
36 Os processos de restauração são demorados, requerendo bastante atenção na aplicação de cada atividade e, de acordo com nossa experiência, consideramos os prazos fixados para a restauração do Formulário Médico, curtos.
Além da análise das questões técnicas, existem uma série de facetas com relação à representatividade do manuscrito enquanto repositório informacional, que também não foram especificadas.
Antes do processo de efetivação de uma restauração, deve haver um diagnóstico, no qual cada item deve ser minuciosamente analisado: as marcas de uso, as marcas da passagem do tempo e, consequentemente, a degradação dos materiais orgânicos.
O diagnóstico deveria começar com a inspeção detalhada da obra. Todas as páginas deveriam ser cuidadosamente analisadas para a elaboração desse diagnóstico, que é composto pela inscrição de várias fichas, que passam a fazer parte da história do objeto, como testemunho das intervenções aplicadas, conforme afirma Giordano:
Os modelos das fichas podem variar de acordo com as características mais comuns das obras tratadas em uma instituição ou ateliê, ou do estilo profissional. O importante é que as informações sejam registradas. Durante todo o processo, esta documentação acompanhará a obra e suas informações serão constantemente complementadas.
Após a documentação, faz-se a análise dos procedimentos mais adequados para o tratamento. No caso de livros, as situações podem variar de acordo com o estado de conservação em que a obra se encontra e as intervenções podem ser mais ou menos invasivas. Por isso, os próximos procedimentos que serão descritos nem sempre são comuns a todas obras. (GIORDANO, 2008. p. 12)
Portanto, todas as características que possam atuar como fontes de informações históricas devem ser preservadas, já que não temos como prever as demandas de pesquisas futuras. Alguém, por exemplo, que venha a estudar as encadernações dos livros produzidos pelos jesuítas, não encontrará nenhuma informação no Formulário Médico, pois, a partir da sua restauração, nada se sabe quanto à encadernação original.
Ainda tratando da encadernação, surgem as seguintes questões: como era a encadernação original do manuscrito? Havia uma encadernação? De que material era feita? Com a perda da encadernação perderam-se estas possibilidades de pesquisa. Essas informações sobre o suporte original deveriam constar de algum relatório e, caso fossem substituídas, a original deveria estar guardada e disponível para consulta, por fazer parte da história de um documento raro. Se o material tivesse sido preservado, poderíamos, por exemplo, identificar o trabalho artístico do encadernador, os materiais utilizados e até mesmo a sua origem.
Certamente, tratava-se de uma encadernação em couro. Mas que tipo de couro? Pergaminho? Através de uma amostra microscópica poderíamos descobrir o tipo de animal cuja pele foi utilizada e, assim, sua provável origem. Ou então, relacionar essa informação
com as peles de outros animais, de outras encadernações de manuscritos jesuíticos e identificarmos, por exemplo, os fornecedores e suas formas de aquisição.
As manchas também apresentam aspectos reveladores sobre os documentos. Como foram tratadas as manchas que identificamos hoje no manuscrito? Existem algumas páginas do Formulário Médico que apresentam manchas suaves que, evidentemente, foram manchas pesadas para que suas marcas tivessem permanecido mesmo após os banhos. Que tipo de manchas eram essas? O que poderiam revelar? Análises microscópicas poderiam revelar o tipo de produto presente no manuscrito.
Suas páginas estão esmaecidas. Em algumas, a leitura do conteúdo está comprometida. O esmaecimento das tintas de escrita pode ocorrer a partir do tratamento de banhos e clareamento. As manchas que o manuscrito apresentava poderiam ser marcas de uso, e poderiam, também, revelar algo sobre a história do manuscrito, mas nenhuma amostra foi preservada. Para Brooks uma mancha pode ser importante porque:
Posso tirar uma amostra microscópica dessas fibras, e nós podemos analisá-las e, talvez, aprender o que causou essa mancha; minha primeira hipótese seria vinho. Mas uma análise completa poderia fornecer pistas de onde o livro estava quando aconteceu isso. E, se não formos capazes de desvendar isso agora, talvez daqui a cinquenta ou quinhentos anos, quando as técnicas de laboratório estiverem mais avançadas, meu colega no futuro o fará. Mas se eu apagar quimicamente essa mancha – o tal “dano” -, perderíamos a chance de conhecer o fato para sempre. (BROOKS, 2008. p.26)
Avaliando o código de ética37 do conservador-restaurador em seu item 9, essas questões vêm apontadas, principalmente, quanto à importância das amostras para futuras pesquisas:
O conservador-restaurador nunca deve remover materiais originais ou acrescidos dos bens culturais, a não ser que seja estritamente indispensável para a sua preservação, ou que eles interfiram em seu valor histórico ou estético. Neste caso será retirada uma amostra, que embora mínima, possibilite a identificação do problema. Para tal, será solicitado o consentimento do proprietário ou responsável legal. O material removido deve ser, se possível, conservado, como parte da documentação do bem cultural. (CÓDIGO DE ÉTICA. p.3)
Dando continuidade à análise, passamos a nos perguntar sobre os materiais agregados. Existia algo dentro do manuscrito como, por exemplo, um pedaço de papel com alguma anotação? Uma folha seca? Um marcador de página que pudesse dar pistas de sua utilização
37 Elaborado a partir dos Códigos do International Council of Museums - ICOM, do American Institute of
Conservation - AIC, do European Federation of Conservator-Restorers' Organizations - ECCO e de DUVIVIER, Edna May de A. Código de Ética: um enfoque preliminar, in: Boletim da Associação Brasileira de Conservadores-Restauradores de Bens Culturais - ABRACOR, Ano VIII, N. 1 - Julho/1988, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
através dos anos? Não sabemos, pois nenhum tipo de marca, com exceção do carimbo, foi preservada.
Não identificamos no processo qualquer relatório. Procurávamos por dois, especificamente: o primeiro deveria ter sido feito antes do restauro, no qual deveriam constar as condições do manuscrito antes de qualquer tratamento. Deveriam estar descritos os tipos de danos apresentados, os agentes, a forma e o tipo de encadernação, além de conter fotografias de todas as páginas, frente e verso, e da encadernação.
O primeiro procedimento que se deve realizar antes de qualquer interferência é uma documentação detalhada da obra, que consiste no registro fotográfico e no fichamento - buscando descrever minuciosamente o estado de conservação em que a obra se encontra. A documentação fotográfica abrange três etapas: o estado de conservação da obra antes da interferência, registro do processo de restauro e a obra após o tratamento. Este procedimento tem como finalidade auxiliar o restaurador durante o trabalho e servir de material para posterior estudo sobre os procedimentos realizados, pois constará do relatório final que será entregue juntamente com a obra. (GIORDANO, 2008, p.10)
O registro fotográfico é imprescindível em um processo de restauração, pois por meio das fotos, seria possível elaborar um diagnóstico detalhado das condições do manuscrito antes da sua restauração. Esse procedimento é importante também para a contratante que, com ele, pode verificar se as etapas do projeto foram executadas e aplicadas como desejado, além de servir como fonte de informação no futuro.
O segundo relatório seria o de execução. Nele deveriam estar presentes informações a respeito da aplicação das atividades, dos materiais e dos equipamentos utilizados, os tipos de cola, de papel, além de outras informações de caráter técnico, que serviriam como orientação para futuras intervenções, estudos ou pesquisa histórica. De acordo com Morelato et al (2007):
Antes de iniciar qualquer ação ou intervenção em uma obra, o conservador- restaurador deve colher todas as informações capazes de gerar e salvaguardar o conhecimento a seu respeito, além de levar a cabo um acurado exame de sua composição e estado de conservação, recorrendo para isso, se necessário, a instituições e técnicos de outras áreas, nacionais ou internacionais. Os resultados desse exame devem ser extensamente anotados e documentados, fotograficamente, por meio de gráficos, mapas, tabelas e análises estatísticas. Baseado nesses dados, o restaurador elaborará umrelatório sobre a peça e estabelecerá o procedimento a ser seguido, o qual deverá ser apresentado ao proprietário ou guardião legal do bem. Toda essa documentação comporá um dossiê, propriedade intelectual do conservador, que passará a ser parte integrante do bem cultural em questão. (MORELATTO et al, 2007. p.62)
Com relação à encadernação, não pudemos realizar um diagnóstico, já que a encadernação atual e moderna serve apenas como forma de proteção e, portanto, não se configura como parte integrante do que podemos chamar de registro de informação acerca do passado e da história do objeto enquanto conjunto original.
Com relação ao miolo ou corpo do livro, através de análises detalhadas, chegamos a um diagnóstico, elaborado através dos tratamentos aplicados e baseado nas informações e nas marcas presentes no manuscrito. Vale ressaltar que esse diagnóstico é diferente daquele que deve ser realizado diretamente no objeto, antes de qualquer tipo de intervenção.
O manuscrito deveria estar com elevado nível de sujidade, motivo pelo qual no projeto básico foi solicitada a higienização. A costura, provavelmente, estava solta, conforme consultas feitas a servidores da biblioteca, fato reafirmado pela costura atual, que é totalmente nova. As folhas apresentavam perda de suporte, registro e ataque biológico. Devido às