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Para Maxler e Misheler (1978) citado por Gimeno (2001), a família define-se como um grupo primário, um grupo de convivência intergeracional com relações de parentesco e com uma experiência de intimidade que se prolonga no tempo.

O tempo constitui assim uma importante dimensão para compreender a realidade familiar: as expectativas de futuro, e a história de um passado comum configuram o grupo familiar, diferenciando-o de outros grupos primários, dando-lhe identidade e constituindo-o como o ponto-chave da análise da família no presente (Gottman, 1982, citado por Gimeno, 2001).

Vários autores e as suas correntes convergem no sentido de considerar a família como um “ser, uno e particular” (Relvas, 1996 p.10). A família é deste modo entendida como um sistema, um todo, uma globalidade e só nessa perspectiva deve ser entendida e é nesta concepção que nenhuma família pode ser igual e todas são complexas (Relvas, 1996).

Segundo Mendes (2005), uma família é uma sociedade sem fins lucrativos, onde deve prevalecer no relacionamento familiar a atitude de doação, ao invés de cobranças e das críticas, devendo haver um constante esforço em ajudar o outro a crescer. Assim, Família é um centro de formação para a vida (Costa & Souza, 1998). No ambiente familiar são formados os caracteres, definidos os valores que nortearão a conduta das pessoas, daí a importância de um clima saudável, equilibrado e construtivo no lar (Mendes, 2005). A família, precisa ser um refúgio, um posto para recuperação das energias, da motivação e da alegria (Costa & Souza, 1998).

Burgess (1979), citado por Gimeno (2001), define, por sua vez, a família como uma “Unidade de pessoas em interacção". O termo “Unidade” reporta-se a uma realidade que vai para além das individualidades e dos laços biológicos ou legais, pois constitui uma suprapersonalidade crescendo e evoluindo através do tempo, constituindo o contexto

primário, nem físico nem sociológico, mas interactivo; onde o individuo se desenvolve (Relvas, 1996).

Segundo Papalia e colaboradores (2001) existe dois tipos de família: a família nuclear (unidade bi-geracional económica, de parentesco e de vida composta pelos pais e seus filhos biológicos e/ou adoptivos) e a família alargada (rede familiar multi-geracional de pais, crianças e familiares mais distantes, por vezes vivendo na mesma habitação).

As famílias que perdem um filho, ou as famílias que os ganham, incorporam uma mudança que exerce os seus efeitos sobre o sistema na sua totalidade, mas deixa logo a partir desse momento de ser a mesma família: as suas crenças, ritos e costumes mudam substancialmente e todos os membros de uma família costumam ser afectados internamente pelo desgosto, a alegria ou a surpresa (Gimeno, 2001).

Deste modo, a família é um conjunto de relações entre pessoas quanto à vida em si mesma e aos seus âmbitos temporal e espacial. Em psicologia avalia-se a família como uma instituição social que permite um desenvolvimento pessoal correcto. Em biologia denomina- se família à vida comum de dois indivíduos de sexo oposto para a reprodução e conservação da espécie (Gispert, 1999).

A teoria sistémica, que constitui o modelo predominante dos estudos da família, define-a como um sistema aberto, com uma finalidade e auto-regulado (Relvas, 1996). “Sistema”, quer dizer uma unidade formada por membros que interagem entre si, havendo entre eles determinados vínculos e mantendo-se certas transacções (Gimeno, 2001; Relvas, 1996).

Este sistema apoia uma estrutura, uma hierarquização dos seus membros, regras que regulam o relacionamento entre os membros da família com o exterior (Bertanffy, 1979; Parsons e Bales, 1955, citado por Gimeno, 2001).

Conhecer as regras pelas quais se rege o sistema familiar consiste, sobretudo, em conhecer o sistema (Costa & Souza, 1998). O conhecimento das referidas regras de relações

familiares é, por isso, a base para se compreender a família e para assumir qualquer tipo de intervenção sobre ela, por outro lado, trata-se de um sistema aberto, o que quer dizer que a estrutura é permeável à influência de outros sistemas tais como a escola, o bairro, os meios de comunicação, a cultura, assim como de todos os outros sistemas com que a família interage e que irão favorecer ou entravar qualquer tipo de mudança que se possa dar dentro da mesma (Gimeno, 2001).

“Concebida a família como um sistema, uma entidade à semelhança de um organismo vivo, é de supor que também ela sofra um processo de desenvolvimento no sentido da sua evolução, complexificação. Tal processo diz respeito à diferenciação estrutural progressiva, à transformação sofrida pelo grupo ao longo da história familiar; refere-se à aquisição activa e à rejeição de papeis pelos seus elementos, enquanto se adaptam a pressões recorrentes da vida, perseguindo a mudança de requisitos funcionais com vista à sobrevivência como sistema familiar” (Relvas, 1996 p.15).

A O.M.S. (1994) define que uma família é um grupo, cujas as relações, sejam baseadas na confiança, suporte mútuo e num destino comum (Delgado, 2004).

O sistema familiar como realidade distinta das pessoas individuais que a configuram permite que o estudo da família se possa centrar em si mesmo, diferenciando-se nela características como a coesão, satisfação, adaptabilidade, comunicação, normas, rituais, as quais constituem no seu todo, dimensões significativas da análise familiar (Gimeno, 2001).

Assim, o termo “família” é assim um termo com limites pouco precisos, no qual o critério de parentesco atinge diversos graus, e em cada cultura, estabelece-se um ponto de clivagem entre os que pertencem à família e os que não pertencem (Gimeno, 2001). Mas, mesmo dentro da nossa cultura, o seu raio de expansão pode ser mais ou menos amplo, e frequentemente devemos clarificar quem são os que consideramos estar debaixo do mesmo manto, quando falamos de família próxima e quando falamos em família em sentido lato (Gimeno, 2001).

Falar de família, pode acarretar em si uma multiplicidade de definições e de conceitos, uma vez que a Família tradicionalmente conhecida como uma tríade de Pai, Mãe e Filho há muito que deixou de ser o tipo de família dominante nos nossos dias. A percentagem de crianças que vive só com um dos pais tem aumentado desde a década de 60 (Weinraub & Gringlas, 1995).

Se for família com laços biológicos, os termos de utilização frequentes são, família nuclear, família alargada, família de origem, família de procriação. Se falarmos de vínculos afectivos, diferenciamos entre família adoptiva e família educadora, e atendendo à sua estrutura poderemos falar de estrutura nuclear inata, monoparental ou reconstruída (Gimeno, 2001).

O espaço físico contribui em grande medida para configurar a unidade familiar. No nosso contexto cultural, a norma é que a família, nuclear e apenas a família nuclear, conviva numa mesma habitação (Relvas, 1996). Assim, viver num mesmo lar facilita a coesão familiar, já que permite interacções mais frequentes e estreitas (Gimeno, 2001).

Também é possível, que na mesma casa, convivam outros familiares, tais como o avô, ou a avó, por motivos de saúde, ou outra pessoa que tenha algum relacionamento familiar ou afectivo com os habitantes da casa (Gimeno, 2001).

Assim, a família é um meio próximo onde ocorre o desenvolvimento da personalidade individual, portanto, deve exercer necessariamente uma função facilitadora desse mesmo desenvolvimento (Gimeno, 2001).

Deste modo, para trabalhar com famílias é necessário perceber o que esta representa na sua essência para as pessoas que nela pertencem, para que se possa traçar um plano especializado e individual, com objectivos que corresponda à satisfação das necessidades que esta apresente (Costa & Souza, 1998).