• Aucun résultat trouvé

3.4 La constitution de la base de données

4.1.4 Estimation du rapport signal à bruit

ao Utilizador, isto é: minimização da importância da participação local no desenvolvimento favorecendo a comunicação de massas:

“In development literature, mass communication media have been considered the prime movers in social development. This view was much stronger in the 1950s and 1960s when the central focus was on the big mass media to the neglect of interpersonal/organizational networks and indigenous channels of communication (Tehranian, 1994). Mass media such as newspapers and the radio were saddled with the important task of spreading information as widely as possible. Government authorities, subject experts, and extension agents would go on the radio or visit villages lecturing on how to have smaller families, increase agricultural yields or how to live healthier lives. Communication flows were hierarchical, one-way, and top-dow. People were regarded as passive receivers of development information” (Melkote & Steeves, 2001: 248-249).

A obra de Daniel Lerner O Fim da Sociedade Tradicional, publicada em 1958 e considerada um grande passo para a superação dos constrangimentos supracitados, analisou as correlações entre «Crescimento Económico, Desenvolvimento e Modernização», destacando-se a importância da urbanização, da alfabetização, da exposição aos media e da participação democrática: “Implicit in his formulations was the belief that the interaction of literacy and mass media was the means by which the masses would eventually break free of their stupefying bonds of traditionalism, heralding, as it were, the passing of traditional society” (Melkote & Steeves, 2001: 58). Segundo Lerner, “People in the Third World could expand their empathy by exposure to mass media, which showed them new places, behavior, and cultures. In short, mass media had the potential of blowing the winds of modernization into isolated traditional communities and replacing the structure of life, values, and behavior

82

there with ones seen in the modern Western society” (Melkote & Steeves, 2001: 116). Consequentemente – e no âmbito do optimismo inerente aos anos 60 -, nasceram as Tendências Pró-Mass Media e Pró-Alfabetização e/ou Literacia: através de conteúdos indutivos, os mass-media seriam responsáveis por criar um conhecimento, um interesse e uma aceitação generalizados pelas inovações introduzidas pelas agências das NU. Schramm (1964: 27) explica a importância conjunta dos media e da educação na mobilização das populações locais: “The task of the mass media of information and the “new media” of education is to speed and ease the long, slow social transformation required for economic development, and, in particular, to speed and smooth the task of mobilizing human resources behind the national effort”. Segundo alguns peritos, o objectivo era transpôr o “subdesenvolvimento dos recursos humanos” construindo “capital humano”. No seu livro “Mass Media e Desenvolvimento Nacional”, Schramm (1964: 41-42) vai mais longe: “in the Third World, villages are drowsing in their traditional patterns of life… the urge to develop economically and socially usually comes from seeing how the well-developed countries or the more fortunate people live”. Os mass-media funcionavam, assim, como uma escada de acesso a um mundo melhor e estavam incumbidos de preparar as populações dos PVD para uma rápida mudança social em prol da modernização. Acreditava-se que a informação e/ou literacia constituía, assim, o elo em falta na cadeia de desenvolvimento implementada:

“Les moyens d’information contribuent au développement national en aidant à provoquer des transformations sociales, plus precisement à favoriser l’adoption de nouvelles coutumes et pratiques et, dans certains cas, l’introduction de nouvelles relations sociales. Ces modifications du comportement reposent nécessairement sur des transformations profondes des attitudes, des convictions, des techniques et des norms sociales” (Schramm, 1966: 140- 41).

Nesta altura, predominava no Terceiro Mundo a crença na Teoria Hipodérmica e/ou Teoria da Bala Mágica (conceitos elaborados pela Escola Norte-Americana nos anos 30 mas posteriormente descartados): cada indivíduo é uma ilha que reage isoladamente aos efeitos poderosos, directos, abrangentes, simultâneos, rápidos, naturais e uniformes dos media. Acreditava-se que estes eram “multiplicadores mágicos dos benefícios do desenvolvimento” e, consequentemente, “agentes e índices de modernização”, capazes de revolucionar e ampliar as expectativas das populações através dos líderes de opinião e/ou líderes comunitários, cuja influência sobre a restante comunidade era inequívoca:

83

of the bullet theory of communication, would produce a climate of acceptance. Change agents would then furnish targeted segments of adopters with the details of information and the skills necessary to make adoption of the innovations feasible. Early adopters would then presumably constitute role models for others in their social system to emulate. By these demonstration effects, the innovations would trickle down to the rest of the community. Over time, therefore, the innovations would diffuse across whole social systems” (Melkote & Steeves, 2001: 58).

A relação directa entre «disponibilidade de meios de comunicação» e «desenvolvimento nacional» era, assim, indiscutível… razão que motivou a UNESCO a fixar, inclusive, critérios mínimos de «media para o desenvolvimento»: 10 jornais, 5 rádios, 2 televisões e 2 lugares de cinema por cada 100 pessoas (Melkote & Steeves, 2001: 375). Contudo, alguns peritos vaticinavam já o carácter insuficiente destas medidas em prol do desenvolvimento, alertando para a necessidade de incluir as populações nos debates radiofónicos:

“La multiplication des postes de radio, des journaux et des salles de cinéma ne s'accompagnera pas nécessairement d'une acceleration correspondente du progrès social. Il ne suffit pas de multiplier les messages et les moyens d'information. Plusiers pays ont constaté par exemple qu'il ne suffisait pas de créer une tribune radiophonique rurale pour faire adopter des pratiques nouvelles. Cependant, un programme de questions et de réponses sur les méthodes agricoles s'est révélé très utile en Jordanie, et des débats organisés autour d'émissions radiophoniques pour des groupes d'auditeurs ruraux ont largement contribué à susciter des transformations. En general, la radio ne présente pas d'utilité dans l'alphabétisation, mais elle rend de grands services dans les écoles” (Schramm, 1966: 140). Apesar da integração dos media e da literacia no processo de desenvolvimento dos PVD, a difusão de inovações no Sul ficou muito àquem do êxito esperado. Porquê? Devido a um fluxo comunicacional individualista, hierarquizado e unidireccional que se revelou demasiado simplista e ingénuo, pois ignorava completamente os efeitos das desigualdades sociais, as diferenças/percepções individuais, as categorias sociais (ex: nível de escolaridade), o poder da opinião pública, o contexto comunicacional e as variáveis intervenientes no processo comunicativo. Pior, os não adoptantes (vasta maioria) foram rotulados de preguiçosos, atrasados, obscurantistas, e culpabilizados pela não adopção. Porquê? Rogers, em 1969, responde com a designação “Subcultura de Camponeses” que remetia para a «Tendência dos 10 Constrangimentos Sócio-Psicológicos» “não manipuláveis” (exs: ambiente familiar, fatalismo, baixa empatia, desconfiança mútua, expectativa de recompensas adiada) que implicava uma “mudança radical da estrutura de

84

pensamento destas populações como pré-condição para a reconversão” (Melkote & Steeves, 2001: 60). Já não se tratava apenas de convencer os destinatários da superioridade das inovações ocidentais em relação às suas práticas e ideias tradicionais, era imprescindível alterar a sua forma de ser, estar e pensar. Consequência: a pressão sobre os agentes de mudança das NU era, agora, incalculável já que, a existir uma sub-cultura de camponeses, havia ínfimas possibilidades de produzir mudanças concretas a curto prazo, realidade que inibiu a pesquisa sobre C4D, situação que, como veremos, a década de 1970 veio alterar… Em suma: este Paradigma dominante de Desenvolvimento «Modernização» remetia para um planeamento económico centralizado (assumia-se que o desempenho do desenvolvimento podia ser medido quantitativamente através de instrumentos económicos)

“Certainly economic growth and scientific values constitute key themes in “development” as the solution to “underdevelopment”. Most problems plaguing Third World nations were diagnosed as economic in nature. As Rogers noted (1976c), economists were ultimately in charge of development plans. Five-year plans were launched in several countries to dovetail development activities and help bring about orderly economic progress. Bilateral and multilateral aid organizations were involved in these plans. This approach was at the macro level. Problems were identified and solutions offered at the higher levels of government” (Melkote & Steeves, 2001: 72)

e para uma impiedosa depredação dos recuros naturais em prol desse progresso económico: “the value of nature was its singular capacity to feed the voracious appetite of the development machine. Devoid of logic or intelligence of its own, it was the “knowing” scientist who possessed the rationality, competence, and power to understand the opaque structure of nature and exploit it for instrumental ends. In this way, the scientific method in the development discourse revealed its colonizing mentality over nature” (Braidotti et al., 1994; Fox-Keller, 1985, cited in Melkote & Steeves, 2001: 98).

Nesta década, atribuia-se o subdesenvolvimento do Terceiro Mundo a problemas internos dos países, percepcionados como um entrave ao desenvolvimento (exs: perspectivas tradicionais - leia-se limitadas - sobre gestão do meio ambiente, pouca diferenciação entre papéis de género e entre instituições autóctones, dimensões religiosa e espiritual bastante arreigadas, valores culturais e estruturas sociais tendenciosas e exponencial crescimento populacional, realidade que motivou, inclusive, o Ocidente a elaborar projectos de controlo das taxas de fertilidade) e não a factores externos (relacionamento com outras nações). Mais: até 1970, os constrangimentos político-económicos ao desenvolvimento foram ignorados.

85

Consequência: estes países foram obrigados a seguir o trilho desenvolvimentista imposto pelas nações industrializadas, isto é: a realidade das pessoas foi reduzida a objecto de pesquisa científica e as narrativas locais foram marginalizadas e ridicularizadas:

“In the dominant paradigm, industrialization was considered the main route to successful economic growth. At least, that was the means by which North America and West Europe had developed in the late 19th century. So, Third World countries were encouraged to invest in a program of industrialization such as hydroelectric projects, steel industries and a diversity of manufacturing units. Development performance was measured by quantitative indicators such as: gross national product (GNP) and per capita income” (Melkote & Steeves, 2001: 72-73).

Crítérios considerados objectivos em oposição à subjectividade inerente a conceitos como justiça social, direitos humanos, diversidade cultural, equidade de género, liberdade de expressão e de informação, preservação ambiental, participação e poder locais, capacitação colectiva, saberes tradicionais, etc.: mais difíceis de quantificar.