1.4 Modélisation épidémiologique et génétique des maladies infectieuses
1.4.2 Analyse des performances du modèle et calibration pour coller à la réalité
1.4.2.3 Estimation des paramètres
Para assumir, então, que há de forma explícita toda uma estrutura de dominação de classe na sociedade do capital, pressupomos ser necessário defender abertamente nossas opções políticas. Foi, contudo, a partir da realização do estágio de Pós-Doutorado, sob a orientação do professor Ricardo Antunes, junto ao IFCH/UNICAMP, no período de agosto de 1999 a setembro de 2000, que pudemos lapidar a ideia original e fundamentá-la como Projeto de Pesquisa.
56 Desse percurso, já abordado no Memorial, com o propósito de elucidar nossa trajetória profissional, ressaltamos aqui apenas os vieses da caminhada de pesquisa e o conjunto dos projetos, no âmbito do conjunto da obra. Refletir sobre nossa própria produção requer que orientemos o leitor sobre a sequência das preocupações contidas nos principais projetos, pois os resultados dos mesmos é que explicitarão os avanços e os limites que tanto nos põem atentos à necessária atenção ao exercício da autocrítica teórica.
De um texto escrito para apresentação na atividade “Iberoamerica, territórios em
trânsito”56, promovida pelo Instituto Universitário de Estudos e Desenvolvimento da Galícia (IDEGA)”,
em Santiago de Compostela (Espanha), no dia 21 de abril de 1999, é que obtivemos a inspiração inicial para a formulação do projeto de pesquisa “Território em Transe”. Sob influência das nossas vinculações aos estudos e aos respectivos pesquisadores, no campo da Geografia e das ciências humanas e sociais, particularmente na seara rural/agrária e dos movimentos sociais, intensificamos nossas atenções para a formulação do até então apontamento teórico em torno da ideia do “Território em Transe”.
A formulação de “Território em transe” (Texto 2) e as revisões que ganhou nos forneceram referenciais novos para os outros textos que foram sendo elaborados. Sua divulgação
ficou restrita aos Anais do referido evento. Nós o inserimos no Volume 2 deste texto sistematizador,
por entendermos que é a marca da continuidade de um processo intelectual que reforça nossa inserção na temática do trabalho, já no interior do CEGeT. Esse projeto possibilitou o avanço na compreensão das escalas geográficas da dominação de classe e da regulação social do capital sobre o trabalho, expressas no movimento constante de territorialização, desterritorialização e reterritorialização, visto que não basta a relação metabólica, mas é preciso que ela seja vista como configuração espacial, materializada territorialmente.
Em “Território minado...”, novas clivagens se fazem presentes no mundo do trabalho,
e os desenhos territoriais resultantes revelam novos arranjos sociais e novas formas organizativas,
que, por sua vez, iluminaram nosso entendimento sobre as dificuldades de o trabalho transpor as fragmentações recorrentes da sua divisão técnica e territorial e as fronteiras entre o viver e o trabalhar, enquanto práticas de luta e de vida separadas.
A execução de “Território mutante e fragmentação da práxis social do trabalho”57,
projeto de tempo integral e em nível de PQ/CNPq; “Agronegócio e conflito pela posse da terra em São
Paulo: a dinâmica territorial da luta de classes no campo e os desafios para os trabalhadores”58, além
dos indicados no Quadro 1, está nos possibilitando compartilhar as preocupações teóricas, metodológicas, com outros pesquisadores, de sorte que não é algo que nos faça sentir no anonimato.
Nessas oportunidades e na sequência com que estamos realizando os projetos, sobretudo nos últimos dois anos, logo após a experiência do Pós-Doutorado, com o trabalho “Reestruturação produtiva do capital no campo e os desafios para o trabalho”, estamos tentando delimitar com mais profundidade os movimentos de (des)realização do trabalho, ou os movimentos
56 Em oportunidade anterior, quando participamos do Encontro Nacional de Geografia de 2001, promovido pelo Programa de
Pós-Graduação em Geografia da UFS, realizado no período de 10 a 12 de novembro de 1998, pudemos alinhavar as ideias principais do que depois nos permitiu fundar o conceito que ganhou a metáfora “Território em Transe”.
57 Projeto aprovado pelo CNPq, na modalidade PQ, para o período de março de 2006 a fevereiro de 2009. 58 Esse projeto estava inscrito na alínea Auxílio à Pesquisa, da FAPESP, e teve vigência até julho de 2008.
57 que expressam suas diferentes formas de ser. Mais que isso, pretendemos participar dessa discussão e oferecer os resultados das nossas pesquisas como base de apoio para um repensar autocrítico sobre o conceito de trabalho, capaz de conter o que, no nosso entendimento, expressa um contingente cada vez mais expressivo de homens e de mulheres trabalhadores que não compõem as definições de trabalho e de classe trabalhadora conhecidas da abordagem marxista, à qual nos filiamos. Não obstante, não nos propomos, tampouco reivindicamos resolver esse gargalo, mas sim explicitá-lo e nos colocarmos presentes no debate. (Esse assunto será retomado nos itens seguintes).
É desse processo que estamos mapeando as dificuldades de compreensão das
diferentes formas (estranhadas) de realização do trabalho, quando consideramos o constante fluxo de relações que redefine sua materialidade e as formas de explicitação das subjetividades. É isso, pois, que nos desafia à compreensão dos sujeitos com possibilidades históricas e, portanto, na própria constituição/composição da classe trabalhadora.
Em consequência, mais do que justificativa, essa argumentação é a própria sustentação da proposta de constituição deste texto sistematizador. Não é tampouco uma sequência aleatória de projetos, orientações e produção de textos. É, em essência, um conjunto de aprendizados complexos e de muita densidade, que está nos requerendo um tempo demasiado para que o debate se ponha nos termos que assumimos.
Em síntese, propusemo-nos focar o que se passa com o trabalho e, ao longo da
trajetória de pesquisa, percorremos os momentos de Território em transe, Território minado e
Território mutante. Muito mais do que expressões de efeito, marcas registradas, os seus significados metafóricos ajudaram-nos a avançar nos propósitos estabelecidos, bem como ampliar os horizontes do projeto em si, trazendo para o seu interior os projetos e os planos de atividades dos orientandos, e estabelecendo a aproximação com outros pesquisadores. De fato, essa é a trajetória do nosso esforço de autocrítica teórica e a tentativa de reflexão do conceito de trabalho e de classe trabalhadora. A continuidade desse processo estará amparada no projeto referencial que estaremos desenvolvendo, nos próximos três anos, em nível de Regime de Tempo Integral, como também, com
os devidos ajustes, com certa probabilidade, em nível de Produtividade em Pesquisa (PQ)59.
Reconhecemos tratar-se, pois, de uma lavra ampla, todavia não concluída, pela qual fazemos valer a tentativa de sistematizar o aprendizado e o conhecimento formalmente consubstanciados em relatórios de pesquisa, artigos, livros, resumos, capítulos de livros,
documentários, clips60 etc., disponibilizados/publicados em meio impresso, digital/eletrônico, além dos
ainda inéditos.
Nesse sentido, a opção pelo texto sistematizador da produção acadêmica, centrado no trabalho realizado após o Doutorado, tem a ver com essa trajetória percorrida e as ações que
59 Trata-se do projeto “Territórios em disputa e a dinâmica geográfica do trabalho e da luta de classes no Brasil no limiar do
século XXI”, cuja solicitação de financiamento encaminhamos ao CNPq e estamos no aguardo de julgamento. Esse projeto será a referência que teremos para as pesquisas no âmbito do CEGeT, particularmente para guiar os trabalhos de investigação sob nossa responsabilidade e dos orientandos. Isso não quer dizer que outros projetos serão secundarizados, mas, apesar das proximidades, deverão manter independência, tais como os convênios que temos juto às Universidades espanholas, para os quais contamos com o apoio da CAPES, da mesma forma que o projeto que estamos desenvolvendo junto à CLACSO e também ao FEHIDRO, como indicados no Quadro 1.
60 Com a aprovação de recursos solicitados junto ao CNPq, FAPESP e FUNDUNESP, adquirimos equipamentos para a
realização de filmagens e produção de clips e pequenos vídeodocumentários sobre os resultados parciais e finais das
58 realizamos, especialmente por meio da criação do Grupo de Pesquisa (CEGeT) e do CEMOSi, ambos a partir de 1996/97. Isso nos tem possibilitado executar de forma combinada e, às vezes, simultânea, inúmeras atividades no âmbito do ensino, da pesquisa científica, da extensão universitária e da militância política, como pudemos detalhar no Memorial.
Essa tomada de posição está fundamentada na ideia de que a formulação e a execução de teses inéditas, baseadas em pesquisas originais, sempre farão parte do nosso trabalho, na Universidade, de sorte que a condição que vivemos no momento de estarmos à frente, tanto individualmente, mas em especial atuando como coordenador e orientador de vários projetos, tendo na retaguarda nossos orientandos, nos privilegia com a possibilidade de reunir o conjunto da obra após o Doutorado.
Desse modo, ao apresentarmos um texto híbrido, que contém reflexões e sistematização da produção acadêmico-científica, dos resultados obtidos dos projetos anteriores, formulações originais oriundas das elaborações já consumadas e as que estão por vir, tanto individual
quanto com os orientandos, estamos querendo dizer que estamos vivos no debate.
Isso amplia nossas responsabilidades, ao apresentarmos um texto que, ao mesmo tempo em que está referenciado na produção acadêmica, contém reflexões, por certo provocativas e importantes, sobre os assuntos em apreço e temas de ligação. Em relação à fundamentação teórico- metodológica, deveremos continuar a nos motivar para somar forças na perspectiva da crítica radical à sociedade do capital, amparados, contudo, num esforço particular de autocrítica. Mais ainda, que sejamos capazes de reconhecer o alcance e os limites de um conjunto de assuntos, os quais nos propusemos investigar e pensar.
Estamos certos de que será por essa via, pela vontade do aprendizado coletivo e do esforço cotidiano da interlocução com os orientandos, com os outros pesquisadores, com os atores sociais que compõem nosso universo de pesquisa (dirigentes, militantes), que poderemos efetivamente compreender a dinâmica geográfica do trabalho e os liames entre a materialidade e a subjetividade do trabalho, no século XXI, diante dos rearranjos constantes do capital e do seu metabolismo destrutivo.
É por isso que desejamos ser avaliados pelo material que estamos oferecendo, especialmente motivados pela iniciativa de nos posicionarmos em respeito aos desafios que assumimos publicamente. Mais ainda, por participarmos de um debate, no qual estamos apresentando nossas avaliações, a partir dos resultados das pesquisas realizadas e em execução, as conclusões oferecidas por outros pesquisadores, acerca das oportunidades que as mesmas e a dedicação ao trabalho pretensa e potencialmente coletivo nos tem possibilitado oferecer, para o exercício autocrítico.
Em consonância com a proposta norteadora dos eixos de pesquisa deste texto sistematizador, indicamos a seguir os principais aspectos que compõem cada propositura, produto, pois, das nossas pesquisas: a) os desdobramentos das ações do capital, no campo, intensificam o
59
trabalho regressivas61 (pagamento por produção e padronização de patamar de produtividade por
trabalhador, no corte da cana-de-açúcar, arregimentação terceirizada da força de trabalho, adoção de práticas degradantes e formas assemelhadas de superexploração do trabalho e trabalho escravo, descumprimento da legislação trabalhista etc.), que também identifica a realidade do trabalho e das relações de trabalho; b) ações dos trabalhadores, no interior dos sindicatos, por melhores condições de trabalho, de emprego e em prol das bandeiras de luta emancipatórias; c) mobilizações no âmbito dos movimentos sociais por terra de trabalho, envolvidos na luta pela terra, e que assumiram a reforma agrária, a soberania alimentar e a política agrária/agrícola como horizonte da construção política, com potencial para ajudar na confrontação com os setores hegemônicos e com o Estado, com as atenções voltadas para a resistência e formas alternativas de organização da sociedade; d) o desenho societal da (des)realização do trabalho e a retomada dos movimentos sociais, no âmbito da questão cidade-campo, a partir da estreita vinculação entre a intensificação da precarização das
relações de trabalho, despossessão, informalidade, e as expressões do trabalho na camelotagem62,
na luta pela moradia, na catação de lixo, nas ocupações de terra e na luta pela terra e pela reforma agrária, porém já organicamente ligado ao movimento social; e) o papel da imprensa na (re)formulação do imaginário, do universo simbólico, e os desdobramentos para a edificação dos pilares da sociedade de consumo e para a dinâmica dos conflitos sociais em torno da posse da terra, do projeto de desenvolvimento do capital em torno do agronegócio canavieiro no Oeste de São Paulo; f) legitimação das terras devolutas e improdutivas do Pontal do Paranapanema, por meio da expansão da agroindústria canavieira, via contratos de arrendamento junto aos latifundiários/grileiros, operações de compra e venda, marcadamente em menor intensidade e, contratos de fornecimento,
amparados na linha de financiamento do Banco do Brasil BB-Convir, ação essa que fragiliza os
camponeses, os movimentos sociais que reivindicam e lutam pela reforma agrária e política de assentamentos, pois passam a ser controlados pelo capital e a gravitarem na sua órbita de controle e determinação. (Eixo 1.4). Em alguns casos, também como assalariados, já que, em grande parte, vivenciam uma dupla sociabilidade com o capital: arrendatário e assalariado na cana-de-açúcar; g) a questão de gênero, abordada no contexto da luta pela terra e da reforma agrária, bem como na dimensão da organização sindical e atuação política da mulher, nos sindicatos; h) o significado de natureza diante de circunstâncias diferenciadas da reprodução do capital, que subordina e exerce o controle social sobre o trabalho, como os casos do corte mecanizado da cana-de-açúcar e da certificação ambiental, ou a queima dos pastos no Pontal do Paranapanema, de sorte a redefinir o uso do território para o plantio de cana-de-açúcar, ou, ainda, as práticas “modernas” de uso e exploração da terra no Cerrado, para viabilizar a produção da soja em larga escala.
A demarcação dessas preocupações e os referenciais de pesquisa encimados nos eixos de investigação e nos assuntos que os compõem – que contêm as reflexões sobre o conjunto das pesquisas que vimos desenvolvendo – dão sustentação e identidade ao texto sistematizador da
61 As relações sociais não têm formas rígidas e imutáveis, de sorte que tanto podem acompanhar o desenvolvimento das forças
produtivas, quanto podem regredir, quando se comparam as opções utilizadas pelo capital, para atender a suas exigências. (LUXEMBURGO, s/d).
62 Essa expressão nos permite expor o sentido conceitual de ser camelô, não restrito apenas ao ato final de vender produtos no
camelódromo. Se assim fosse, não entenderíamos a efetiva composição das diferentes ações laborativas que fazem parte da
maioria dos camelôs, ou seja, não se resumem apenas à venda final, mas à compra/aquisição e a todo (ou parte) o esquema de logística para burlar a fiscalização da alfândega etc. e praticar o contrabando de produtos pirateados em sua maioria.
60 nossa produção acadêmica. Nosso objetivo é que essas experiências sistematizadas das pesquisas nos permitam situar as rupturas e as disjunções no âmbito das diferentes formas de trabalho, em consonância às limitações explicativas que nos motivaram a assumir o compromisso de formular a autocrítica teórica que se faz presente na Parte I, do Volume 1.
Há, assim, uma íntima relação entre os eixos de pesquisa e os assuntos ou desdobramentos que os compõem, podendo, por serem mais perceptíveis na razão direta do maior aprofundamento e realização de estudos, e do nível de entendimento que apresentamos. Por sua vez, os eixos de investigação não se limitam aos assuntos que comportam, em si, tampouco aos pesquisadores e seus trabalhos. Portanto, a opção em refletir nossa produção por meio dos eixos se deve à preocupação de fundamentar a discussão da Parte I, relativa ao nosso texto, pretextando o exercício constante da superação das fragmentações e do estranhamento, de sorte que as mediações teóricas e o trânsito internamente aos diferentes assuntos abordados deverão ser uma constante.
Os eixos são os seguintes:
Eixo 1) Formas de Controle do Trabalho pelo Capital e pelo Estado. As Estratégias do Agronegócio Canavieiro e os Impactos na Luta de Classes.
1.1) As Artimanhas do Capital e os Pressupostos da Pesquisa
1.2) Trabalho e Cultura Destrutiva do Capital
1.3) Prática Concentracionista do Capital no Campo: (Agro)negócio Garantido 1.3.1) Espacialização do Capital Agroindustrial Canavieiro
1.3.1.1) Das disputas à dinâmica expansionista
1.4) O Agronegócio no Centro do Conflito de Classes no Brasil
1.4.1) Institucionalização do projeto do capital e a eliminação das resistências
Eixo 2. Sentidos e Significados da Luta pela Terra, Reforma Agrária e Soberania Alimentar para o Trabalho. Intervenção/Regulação Estatal, Políticas Públicas e Ação dos Movimentos Sociais.
2.1) E o lugar para o projeto popular na Política Agrária! 2.1.1) Os desafios da organização coletiva no campo
2.1.1.1) As conquistas por um fio...
2.2) As redefinições do capital no século XXI e a ações de resistência
2.3) Os caminhos trilhados pela Política Agrícola Comum (PAC) e os malefícios de modelo condenado
2.3.1) Os desdobramentos da PAC e das imposições da OMC para o campo e a extinção planejada
de camponeses e assalariados
2.3.2) A PAC e as distorções no campo Europeu 2.3.2.1) Escala e contradições do modelo
2.3.4) Reordenamento territorial no campo e a Questão da Terra Eixo 3. Fragmentação da Práxis Social do Trabalho pelo Capital 3.1) Gênero, classe e relações de poder no campo e na cidade
61 3.2) (Des)qualificação/(re)qualificação do trabalho e os papéis sociais recriados.
Para os assuntos contidos em cada eixo, revela-se o nosso empenho em focar a temática do trabalho ou suas expressões geográficas. É claro que não estamos preocupados em privilegiar/adotar os recortes que, normalmente, impossibilitam sua compreensão, na perspectiva da totalidade social do fenômeno, e o movimento constante de realizações que ultrapassa essas pré- definições. Quer dizer, se na cidade, se no campo; se material, se imaterial; se na produção, se na reprodução; se dentro, se fora do trabalho etc., enquanto a unidade metodológica dos nossos estudos tem, na totalidade social, a referência teórica central para compreendermos a categoria trabalho,
considerando as formas (expressões) geográficas, enquanto totalidade viva do trabalho63
(MÉSZÁROS, 2002).
De mais a mais, a opção de evidenciarmos as reflexões, identificadas nos eixos, na sua dinâmica histórica, não neutraliza ou diminui a importância de transitarmos pelas formas geográficas de expressão do trabalho presentes em todos eles, nem que os aprofundamentos teóricos sejam desprivilegiados enquanto retornos preferenciais, tampouco, e sobretudo, que dificulte a necessária interlocução com a Parte I do texto sistematizador.
Sem contar que alguns assuntos nos estimulam a realizar estudos específicos, necessários para o exercício das mediações teóricas que compõem o rico, contraditório e complexo universo do trabalho e suas múltiplas dimensões, tais como: gênero, ideologia, cultura, etnia, consumo, lazer, saúde, moradia, representação, dominação, migração, controle social, precarização, discurso, formação, linguagem, imagens, entre outras.
Queremos, na verdade, focar os aspectos que estão nos possibilitando participar desse debate e que fazem parte do nosso universo de investigação. No momento em que nossas reflexões invocarem tais questões, nós nos posicionaremos, de tal maneira que a inesgotabilidade da pesquisa científica e a infinitude do conhecimento não limitem nossa capacidade criativa, inclusive para direcionarmos nossas atenções para novos assuntos.
Assim, não entendemos que esteja em primeiro plano erguermos ou antepormos as limitações que previamente poderiam nos impedir ou dificultar construir os caminhos que podem nos ajudar a participar, no âmbito da pesquisa científica, das reflexões a respeito do universo do trabalho, da classe trabalhadora. Sobretudo porque nos ocupamos em entender o que se passa nos mundos do trabalho, aparentemente distintos e desconectados, como o(s) do(s) assalariados, proletários, informais, desempregados, assentados, camponeses etc.
Para alguns, esse procedimento pode significar o trânsito por diversas áreas da especialização científica, sindical, por certo, incomunicáveis enquanto realização do trabalho – com amparo na boa tradição positivista que regula a divisão científica do trabalho – o que também se faz presente na própria constituição e identidade dos Grupos de Pesquisa, ou seja, camponês, proletário, urbano, rural, dinâmica ambiental etc., cada qual em seu mundo, à semelhança do que vale para a