4.2 Normal approximation
4.2.3 Estimation of the approximation error
O Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola se constitui no ponto de referência da prática educacional escolar, orientando a operacionalização do currículo e de inindo os procedimentos que irão ser oferecidos aos alunos com altas habilidades/superdotação no que se refere ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). Nesta perspectiva, ele vai muito além do agrupamento dos planos de ensino e das atividades diversas e, tampouco, deve ser elaborado pela equipe diretiva da escola e depois arquivado ou engavetado. Veiga (1998, p.13) enfatiza que o PPP é “[...] construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo da escola”. Quando se pensa no atendimento educacional especializado, seis pontos são decisivos para o processo de inclusão dos alunos com de iciências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e, em especial, dos alunos com altas habilidades/superdotação e que devem ser amplamente discutidos e de inidos no PPP, por todos os envolvidos na ação pedagógica (Brasil,1999).
O primeiro ponto é a necessidade de que o corpo docente da escola esteja receptivo para a diversi icação e a lexibilização do processo de ensino e aprendizagem, incluindo neste processo a organização e o funcionamento da escola como um todo; a oferta de currículos abertos e propostas curriculares diferenciadas, ao invés de uma concepção uniforme e homogeneizada de currículo e, por último, a formação continuada de professores especializados e de serviços de apoio, para o favorecimento do processo educacional.
O segundo ponto é a identificação das necessidades educacionais do aluno. Nicoloso e Freitas (2002, p. 19) denominam esse processo como “estado inicial” do aluno, e o define como o reconhecimento dos conhecimentos prévios que os alunos possuem em relação aos “[...] conteúdos desenvolvidos em cada proposta de ensino-aprendizagem”. São esses conhecimentos que servirão de base para que os alunos façam relações e construam significados para aquilo que estão aprendendo. Nesta perspectiva, os professores reconhecem os conhecimentos anteriores dos alunos, assim como percebem que esses saberes são diferentes em graus e níveis de abstração. Com base no conhecimento deste “estado inicial” do
aluno, os professores devem planejar suas atividades, considerando a diversidade dos conhecimentos desses alunos, destacando o trabalho simultâneo, participativo e cooperativo de todos.
Um terceiro ponto é a lexibilização dos critérios e dos procedimentos pedagógicos, favorecendo a diferenciação na metodologia, nos procedimentos didáticos, na temporalidade para a obtenção de determinados objetivos e na avaliação dos alunos. As estratégias metodológicas devem estar coerentes com os objetivos e com os conteúdos apresentados no currículo. No entanto, quando se fala em inclusão do aluno com altas habilidades/superdotação, é imprescindível oferecer propostas metodológicas que favoreçam e estimulem mais o pensar do que o reproduzir conceitos; estimulem a autonomia na aquisição do conhecimento, desenvolvida através de projetos ou de estudos individuais; promovam a busca/aceitação para a resolução inovadora de problemas.
O quarto ponto a ser discutido e de inido no PPP é a concepção e a prática de avaliação do conhecimento do aluno. Se tivermos uma visão mais tradicional dessa prática, nosso olhar recairá sobre o produto inal. Na decorrer da escolarização, o aluno aprende com o objetivo de ser aprovado e não para saber. Esse modelo tende a uniformizar e a homogeneizar a aprendizagem do aluno, não respeitando seus níveis de conhecimento. Porém, se tivermos uma visão mais progressista dessa prática, um modelo de avaliação continuada e formativa nos oferecerá elementos importantes para avaliar o processo, pois, segundo Méndez (2002, p.15),
a avaliação é uma excelente oportunidade para que quem aprende ponha em prática seus conhecimentos e sinta a necessidades de defender suas idéias, suas razões seus saberes. Também deve ser o momento no qual, além das aquisições, aflorem as dúvidas, as inseguranças, o desconhecimento, se realmente a intenção é superá-los. Ocultá-los é uma artimanha pela qual se paga um preço muito alto em etapas posteriores ou no futuro. Expressá-los, com suas imprecisões, erros, confusões, acertos, certezas, sem o temor de subir ou baixar pontos em escalas tão confusas como os da qualificação, abrirá caminho para avançar junto no conhecimento, na apropriação, na formação do próprio pensamento que se está formando.
O quinto ponto diz respeito à quantidade de alunos em cada sala de aula. Nos subsídios do Programa Educação Inclusiva, (Brasil, 2005, p. 90), encontramos que “[...] os superdotados/talentosos deverão ser atendidos como todo aluno, na escola comum, nos diversos níveis de escolaridade, em turmas não muito numerosas [...]” (Grifos nossos).
Sabemos que existem recomendações estaduais e municipais em relação ao número de alunos em cada sala, e reconhecemos a importância de turmas pequenas, quando se quer fazer um trabalho que considere a singularidade da aprendizagem de cada aluno. Neste sentido, nada mais justificado do que, por um lado, buscar as resoluções e pareceres que regulamentam a oferta de Educação Especial em seus estados e, por outro lado, fazer uma reflexão em suas escolas incluindo/determinando no PPP o número de alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação em cada sala de aula. Tal reflexão não será feita como forma de facilitar e/ou reduzir o trabalho do professor, mas com a perspectiva de garantir a qualidade do ensino e da aprendizagem para estes alunos.
O sexto ponto importante, considerando a organização dos serviços educacionais, são as estratégias e procedimentos de ensino. Neste sentido, as adaptações curriculares e a lexibilização das metodologias de ensino são os procedimentos dos quais os professores podem lançar mão, como forma de contribuir para que as relações criativas com o conhecimento sejam estimuladas, reconhecidas e valorizadas. Rodriguez e Sentís (2002, p. 89) de inem adaptação do currículo como o “[...] conjunto de decisões tomadas pela escola com o objetivo de adaptar a resposta educacional às diferentes características e necessidades dos alunos, para garantir-lhes o acesso ao ensino e à cultura”. Portanto, as adaptações curriculares são estratégias educacionais utilizadas para solucionar as di iculdades oriundas do trabalho com a diversidade dos alunos e se fundamentam em critérios que de inem o que, como e quando o aluno deve aprender; como e quando o aluno deve ser avaliado; e quais as formas mais e icientes de organização do currículo para sua aprendizagem.
Para Rodriguez e Sentis (2002), no mínimo, três elementos devem ser modificados, quando falamos em adaptações do currículo: a organização da sala de aula, as atividades planejadas e a metodologia de ensino.
Carbonell (2001, p.88) de ine assim a organização da sala de aula, na atualidade:
Uma rigidez dos espaços e tempos e escolares é uma conseqüência da estrutura burocrática e a expressão das idéias educativas predominantes; e guarda relação também com a fragmentação disciplinar [...]. O espaço no modelo pedagógico tradicional é pensado unicamente para a aula magistral, na qual o professor explica e o aluno escuta e estuda com a ajuda do livro-texto, com carteiras alinhadas e inclusive irremovíveis para que o aluno permaneça sentado o tempo todo. É como se não fosse possível outra lógica organizativa que não o quadrilátero inalterável formado por um professor, uma disciplina, uma classe e uma aula de uma hora de duração.
Quando se pensa numa pedagogia inovadora, portanto, é necessário “[...] construir e adaptar o espaço (da sala de aula) – tarefa na qual se busca a participação dos alunos – com critérios lexíveis que facilitem a comunicação, o trabalho cooperativo e a investigação” (Carbonell, 2001, p.88). Tais inovações na organização da sala de aula contribuem signi icativamente para que o professor possa dispor da ajuda pedagógica necessária aos alunos com altas habilidades/ superdotação. Para tal a Teoria das Inteligências Múltiplas oferece subsídios importantes para essa organização.
As atividades planejadas e diversificadas, de acordo com o nível de conhecimento dos alunos, partindo de conceitos mais simples aos mais complexos e do concreto para o abstrato, são importantes quando falamos em adaptações curriculares. Tais modificações da prática pedagógica favorecem as adaptações curriculares e contribuem de forma significativa para a inclusão dos alunos com altas habilidades/superdotação.
As metodologias de ensino devem enfatizar os aspectos formadores, experimentadores e criadores dos saberes, negligenciando a memorização e aquisição dos conhecimentos de forma automática e descontextualizada. Como refere Nicoloso e Freitas (2002, p.19), cabe ao professor “[...] planejar, fazer escolhas, preparar propostas de ação [...]”, com o objetivo de oportunizar para aquele que aprende o estabelecimento de “[...] relações criativas com os conteúdos tratados, envolvendo-se com o trabalho, questionando-se, constituindo novos signi icados e representações” (Nicoloso e Freitas, 2002, p. 20).
Esses são alguns pontos importantes a serem discutidos e de inidos no PPP, quando pensamos na organização de escolas inclusivas. É evidente que alguns outros aspectos poderão surgir, considerando a realidade e experiência no cotidiano pedagógico nas escolas. Tais aspectos merecem tanta atenção quanto os que aqui foram apontados.