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L ES ESPACES DIFFERENTIES OU SE DEPLOIE LA COMMUNICATION CONTRE DJIHADISTE NECESSITENT DES DISCOURS ADAPTES

1 Christian Gravel Op cit.

2. L ES ESPACES DIFFERENTIES OU SE DEPLOIE LA COMMUNICATION CONTRE DJIHADISTE NECESSITENT DES DISCOURS ADAPTES

Ao mesmo tempo em que pressupõe uma certa opressão e alienação, a

exposição imagética incontrolável a que se está entregue na contemporaneidade pode também interferir na aquisição de identificações dos sujeitos em geral, e especialmente, pelos adolescentes, sendo que essa interferência nem sempre é percebida conscientemente. Por essa razão, o trabalho de leitura e análise dessas imagens como processo escolar pode ser um instrumento para o desvelamento de seus significados e evidenciar esse possível processo de interferência, possibilitando

aos adolescentes o entendimento crítico das imagens às quais são expostos:

Fazer os alunos refletirem sobre as imagens que lhe são postas diante dos olhos é uma das tarefas urgentes da escola e cabe ao professor criar as oportunidades, em todas as circunstâncias, sem esperar a socialização de suportes tecnológicos mais sofisticados para as diferentes escolas e

condições de trabalho, considerando a manutenção das enormes diferenças sociais, culturais e econômicas pela política vigente. (BITTENCOURT, 2004b, p.89).

Ao se estudar as imagens produzidas ao longo da história humana pode-se delinear um panorama de como o ser humano foi visto e julgado pelos seus semelhantes, como a violência e a injustiça foram retratadas, como o amor e a paixão foram entendidos e interpretados, como as pessoas se reconheceram nas imagens, não só nas obras de arte pré-históricas ou contemporâneas, mas também nas imagens dos meios de comunicação em massa.

Piaget (1996) através de suas pesquisas, concluiu que o adolescente se encontra na fase de desenvolvimento denominada por ele “lógica operatória formal” e é capaz de responder a problemas considerando um grande número de possibilidades e não apenas as que estão à sua frente, como acontece com as crianças que estão em fase pré-operatória. Essa capacidade permite levantar hipóteses e verificá-las, considerando tanto as possibilidades de sucesso como as de fracasso. Isto significa

que as mesmas não são apenas uma extensão da realidade, mas “a realidade é que

se situa agora num plano secundário em relação à possibilidade” (MCKINNEY, 1986, p. 146).

A capacidade de alterar sua previsão diante de novos fatos e de imaginar o que poderia ser idealmente em contraste com o que é realmente, poderia levar ao envolvimento de adolescentes em movimentos revolucionários, seu interesse por estilos de vida alternativos e suas conversões religiosas. Pode-se associar esta visão à de Ana Mae Barbosa (1991) sobre o processo de ensino-aprendizagem da arte, quando afirma que o importante não é ensinar estética, história e crítica da arte, mas, desenvolver a capacidade de formular hipóteses, julgar, justificar e contextualizar julgamentos acerca de imagens e de arte.

Assim, no ambiente escolar, ao se possibilitar o diálogo sobre as sensações provocadas pela leitura das imagens, desenvolve-se a articulação de pensamentos e a possibilidade de levantamento de hipóteses sobre situações provocadas por elas. Essas possibilidades podem se materializar num autoconhecimento, já que através das imagens é possível vivenciar múltiplas experiências e delas se tirar conclusões sem se correr o mesmo risco, físico ou emocional, da experiência vivida de fato. Através delas pode-se transportar no tempo e no espaço, sentir como seria pertencer

ao gênero oposto ao seu, experimentar situações em épocas remotas ou num futuro ficcional distante e compará-las com o que se vive contemporaneamente.

Isso também pode se estender a outras situações mais universais: o posicionamento frente aos grandes conflitos humanos que também são dos adolescentes; as atemporais perguntas filosóficas “de onde venho, para onde vou, quem sou, quem poderia vir a ser”; as indagações a respeito do amor, da vida e da morte; a possibilidade de entender melhor e de maneiras divergentes o corpo físico e os sonhos, as paixões, as violências, as desigualdades sociais, as injustiças que se repetem através dos séculos e dos países, a política, o trabalho. Assuntos de adultos num mundo onde os adolescentes estão incluídos e excluídos ao mesmo tempo.

A constatação de que outras pessoas já viveram e passaram pelas mesmas emoções e situações que afligem ou embalam os jovens pode auxiliar na melhor compreensão ou aceitação desses eventos. Bem como a identificação na representação da realidade de outra pessoa que viveu há séculos e que, surpreendentemente, traduziu sua visão de mundo, ainda que até esse momento o espectador não soubesse disso.

O desafio, a originalidade e as provocações de algumas imagens, aspectos associados ao estereótipo da rebeldia juvenil, adquirem significados de identificação não apenas no conteúdo anedótico das obras, mas nas formas como foram realizadas. A procura do equilíbrio formal perseguido por alguns artistas também pode ser entendida como a busca de um equilíbrio pessoal.

A leitura de imagens relacionando-as ao cotidiano também favorece um encontro com os ideais juvenis de transformação e superação de uma realidade considerada insatisfatória e pode promover valores humanos tão caros aos jovens, como a justiça, a liberdade, a solidariedade, a igualdade, a preservação do meio ambiente e a superação de preconceitos através de uma linguagem sutil que ultrapassa os limites da informação. Pode oferecer um instrumento a mais na construção de uma identidade não tão dependente de regras ditadas pela sociedade. Articulando a cultura tecnológica contemporânea a ideais de transformação da sociedade, Lipovetsky afirmou que:

Não é verdade que a sociedade de fruição conseguiu exterminar a sede de entender, de aprender e de refletir. Temos motivos para pensar que no futuro essa força propulsora possa se ampliar. [...] Em primeiro lugar o poder da internet. Sem dúvida é algo que estimula a curiosidade, que incentiva os

indivíduos a propor novos temas e soluções, a alargar seus horizontes de conhecimento. Apesar disso, não sejamos ingênuos a ponto de supor que apenas a democratização dos meios de informação e a difusão dos programas televisivos com alguma qualidade possa competir com a natureza dos problemas suscitados pelo futuro da cultura e do pensamento contemporâneo. A escola continuará a desempenhar um papel primordial no sentido de prover pontos de referência em meio a hipertrofia da informação. Um dos maiores desafios com que se defronta o século XXI é a criação de novos sistemas de formação intelectual, qual seja, uma escola adaptada tanto à época pós-disciplinar quanto à época pós-hedonista (LIPOVETSKY, 2007, p.59).

Uma determinada imagem oferece diversas interpretações, às vezes até contraditórias. A reflexão e a verbalização a respeito dessa imagem possibilitam aos jovens que ouçam e julguem opiniões divergentes das suas, expressem suas opiniões articuladamente, esclareçam - inclusive para si mesmos - seus posicionamentos, discordem de pontos de vista até então aceitos como verdadeiros com argumentos retirados da imagem ou da sua própria experiência de vida.

Num texto escrito, o conteúdo pode ser deduzido através de elementos como o título, por exemplo, ou se ter uma ideia do mesmo conhecendo seu autor, mas o leitor precisa completar a leitura para uma compreensão total. Isso não acontece com a imagem por que

[...] ela se apresenta inteira ao primeiro olhar, tem caráter presentacional: o observador a apreende globalmente e ela, de pronto, mobiliza seus esquemas perceptivos. A percepção da imagem não segue uma linha de orientação obrigatória, porém envolve uma multiplicidade de pontos de vista, de acordo comas opções que o observador faz. (SME – DOT, 2006, p.28).