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Espace logarithmique

Dans le document COMPLEXITÉ ALGORITHMIQUE (Page 119-123)

Considérations de base sur l’espace

4.1 Espace déterministe

4.1.2 Espace logarithmique

A música e o cinema são as artes mais destacadas no suplemento cultural do Público. Aliás, fazendo um contraponto com a aproximação do Ípsilon às camadas mais jovens, já abordada, relembro que o cinema e a música são mesmo as artes mais consumidas por esta faixa etária. Basta recordar o caso do jovem Rodolfo que só ia ao teatro com a namorada e com a irmã e, a museus, só com os pais.

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(...) só vou a exposições e museus com os meus pais (…) com os meus amigos vou ao cinema e aos concertos, (…), ao teatro só vou com a minha namorada e com a minha irmã. Está tudo dividido porque a maioria dos meus amigos nunca entraria numa galeria e ir com os meus pais a um concerto dos meus é coisa que não me passa pela cabeça. (2011: 11)

O suplemento em análise tem, de facto, um papel importante, mesmo para a descentralização da cultura do país. Lembremos o artigo sobre as novas editoras e coletivos nacionais, ou os artigos sobre os novos artistas de música como Éme ou Homem em Catarse. Há, no entanto, uma questão que tem de ser levada em conta. A razão principal pela qual um

press release nunca deve ser publicado, integralmente, por um jornal, sem passar pela

atenção e transformação por parte de um jornalista, é, em primeiro lugar, para se extrair a notícia principal sem resquícios de autopromoção por parte da empresa que o enviou. O que acontece, é que as empresas sabem que os press releases nem sempre são vistos com a devida atenção. Colocam, por isso mesmo, frases de auto-promoção no início, para haver mais possibilidades de a notícia preparada pelo jornalista fazer publicidade ao nome da própria empresa, mesmo que indiretamente. É este o problema principal da informação replicada com base nos Press Releases, em notícias pequenas : levam a favorecimentos que devem ser evitados. Mas, então, de que forma os artigos longos, preparados pelo Ípsilon, podem incorrer no mesmo erro? Uma via para os jornais fazerem face ao advento das novas tecnologias seriam, de facto, os artigos longos ou de fundo, como frisou José Manuel Fernandes. Outra via para se marcar a diferença seria o desvínculo da estrutura notícia, que muito pouco ou nada acrescenta e torna-se, pela sua concisão, mais fácil de replicar. Essa desvinculação seria percetível pela flexibilização da linguagem, mais autoral e com uma maior incidência na adjetivação. Seria bom fazer-se uso destes artigos, até para acabar com o sedentarismo nas redações. E, como vimos, o jornalismo imersivo seria excelente para ir à descoberta de algo novo que valha a pena reportar. A questão é que se está a subverter, por completo, esse objetivo, em prol de artigos que mais parecem publireportagens indiretas.

Tomemos em análise alguns exemplos do próprio Ípsilon. O artigo O futuro da música portuguesa está a passar por aqui, como já se contextualizou, é sobre as novas editoras e

coletivos nacionais de norte a sul do país. Há uma questão, no entanto, que este artigo me faz levantar. Porquê a escolha de evidenciar as editoras e coletivos, diretamente, e não apostar mais na divulgação assídua do trabalho dos seus artistas? Não se estará a fazer uma aproximação jornalística a entidades empresariais? Essa aproximação não se traduzir-se-á em publicidade, mesmo que de forma subtil? O título diz, claramente, O futuro da música

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portuguesa está a passar por aqui, como já se percebeu. Mas, mesmo que o artigo tenha

feito um pequeno levantamento de novas editoras, há muitas mais independentes pelo país. E, portanto, ao efetuar-se um artigo desta natureza, mesmo que a intenção tenha sido louvável, é natural que o jornalista tenda a dar expressão àquilo que o seu próprio universo individual reflete. O título não soará, portanto, um pouco pretensioso? Esta questão levanta- se porque, no primeiro estágio que realizei numa secção de um jornal de tiragem nacional, esse foi o primeiro ponto para o qual fui alertada. Não se faz publicidade deliberada a uma editora, promotora ou coletivo. Focam-se os artista e o seu trabalho e, dessa forma, faz-se jornalismo cultural, que é algo diferente de promoção.

O mesmo se aplica ao artigo É uma festa, é a Cafetra a gostar de todos nós, referente

à editora Cafetra. Este tipo de promoção, embora encapotada, faz-nos crer que determinadas editoras têm uma maior facilidade em aceder aos órgãos de comunicação social, o que não ajuda quando se quer combater o centralismo. É ótimo que trabalhos de artistas mais independentes tenham destaque e, mais uma vez, o Ípsilon é das publicações culturais de maior relevo a nível nacional que mais se presta à descoberta de novos autores, mas convém relembrar, jornalismo cultural e jornalismo imersivo não é o mesmo que fazer promoção às editoras. Quando Pedro Tadeu referiu, em relação ao Q, que se queria afastar do culto do amiguismo, era a isto mesmo que se referia. Podemos entender, agora, o contexto das suas declarações e o porquê do Q se ter afastado tanto do que de novo se estava a fazer na cultura nacional. Esse afastamento pecou, no entanto, por ser excessivo e elitizou de mais o suplemento do DN : esse foi o seu principal problema. Ficamos já, no entanto, com a visão de como estas duas publicações fizeram uso dos artigos longos. O Q de uma forma mais seleta e não tão próxima às entidades visadas, o Ípsilon, por outro lado, mais informal e mais próximo às entidades visadas. O jornalismo imersivo pressupõe alguma subjectividade e comprometimento por parte do jornalista, mas é apenas para ir ao encontro das histórias e das realidades que, muitas vezes, as estatísticas e a mera factualidade célere das notícias escondem — funciona como um complemento necessário que exige que o jornalista esteja no terreno e veja por si. Não é, portanto, para cimentar favoritismos e ser sectário. Pelo contrário, tenta combater isso. O Ípsilon, por vezes, incorre nesse erro de cair na promoção, ao invés da divulgação.

De facto, o cinema e a música são as artes que têm um maior destaque e, atendendo a isso mesmo, é compreensível que o Ípsilon tenha disponibilizado recursos para fazer uma grande reportagem como a de Paulo Faria, um tradutor, acerca de Comarc McCarthy. Foi um escritor que se tornou mais popularizado entre os jovens, muito por causa do sucesso

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oscarizado do filme Este país não é para velhos. Claro que essa visão jornalística acaba por ser míope, porque a jovialidade, em excesso, dos conteúdos dos média acaba por gerar uma normatividade daquilo que é divulgado e não. Por isso, não vemos as outras formas de arte tão amplamente divulgadas. Mas a questão é que acaba por ocorrer um sistema de causa e efeito curioso porque, se os jovens respondem de forma mais positiva ao cinema e à música, é porque estas são, justamente, as formas de arte mais massificadas pelos órgãos de comunicação social.

Vejamos outros exemplos como, por exemplo, a cobertura dos festivais de música de verão. Não há ano em que o Ípsilon falhe a sua cobertura, o que é absolutamente aceitável porque são acontecimentos do âmbito musical que também trazem bons artista ao nosso país.Muitos, no entanto, estão associados a marcas. É o caso do Super Bock Super Rock, do

NOS Alive [antigo Óptimus Alive] e o NOS Primavera Sound [antigo Óptimus Primavera Sound]. Quem mais acede a este tipo de festivais são os jovens, aqueles mais suscetíveis de

gastar e por mais tempo. Independentemente de se gostar, há que se fazer estas perguntas de forma independente. Como se pode fazer a cobertura jornalística a estes festivais sem se cair na artimanha da publicidade gratuita? Esta ampla divulgação facilita ou não o acesso direto destas marcas aos órgãos de comunicação social? Mas há, também, outro problema que se levanta. A quase obrigatoriedade em destacar estes eventos, porque os outros órgãos de comunicação social também o fazem e não se pode ficar para trás, leva a que, muitas vezes, não haja tempo, recursos humanos ou espaço editorial para se divulgar algo diferente. Há, portanto, muitos artigos de fundo que, pelo seu lado mais atemporal, acabam por ficar para trás infinitamente. Isso também interfere, e muito, naquilo que é mais susceptível de divulgação ou não.

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4.3- O caso do Observador: tripartição entre literatura, cinema e música e

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