• Aucun résultat trouvé

Equivalences de r´ eciprocit´ e

No que concerne às propostas de gestão da atividade, listamos ser necessário: - Estimular a comunicação entre os jangadeiros, para que, caso alguma jangada precise de socorro por estar naufragada, haja tempo suficiente para os demais cooperarem nas buscas. O uso de aparelhos celulares, prática já desenvolvida por alguns jangadeiros, também deveria ser difundido entre os demais, aumentando o poder de comunicação e consequentemente, a segurança dos pescadores.

- Conscientizar os jangadeiros sobre a importância de não enfrentarem o mar em caso de condições climáticas desfavoráveis à pescaria, sem que tenham sido feitas vistorias adequadas na embarcação e caso a jangada não esteja em condições propícias para a navegação.

- Incentivar os jangadeiros sobre a importante de aumentar a segurança do mar através de ações como: realização de vistorias adequadas na embarcação antes de saírem para a expedição de captura; sempre dispor de motor e vela em boas condições de uso para o caso de pane em um dos meios de propulsão, permitindo a navegação; abrir o pano da vela após a expedição de captura, visando diminuir sua deterioração quando armazenado ainda molhado; caso o pescador tenha condições financeiras, transportar uma quantidade maior de combustível para garantir o retorno da pescaria; transportar na jangada um kit de manutenção para fazer reparos na vela.

No tocante aos aspectos de manutenção, que envolvem as propostas de projeto, identificamos ser necessário:

- Inserir grade de segurança na hélice do motor para evitar que este deixe de funcionar ao entrar em contato com entulhos no mar (lixo).

5.1.9 9ª Oficina

A 9ª oficina foi realizada no dia 06 de novembro de 2010, tendo como ponto de partida as discussões sobre manipulação do pesquisa, desenvolvida pela menstranda do Projeto jangadeiros com formação em Aquicultura. Buscou-se investigar aspectos relacionados aos peixes capturados, procedimentos adotados pelos pescadores para puxar as redes, buscando verificar as condições de manipulação do pescado, o tempo de deterioração o qual ficam expostos, como são armazenados e como são conservados,

175

como é feito o processo de higienização do pescado e da embarcação. Os resultados dessas análises encontram-se no trabalho desenvolvido por Rosso (2010).

5.1.9.1 Discussões sobre o projeto do carrinho

O segundo momento da oficina teve como objeto retomar as questões relacionadas ao projeto do carrinho. No entanto, antes de adentrar nos detalhes discutidos, é importante ressaltar que no intervalo entre a 8ª e a 9ª oficina, o grupo técnico responsável pelo projeto do carrinho buscou levantar os custos e a viabilidade de produção do conceito até então escolhido. Viu-se que seria preciso repensar algumas questões de forma a tornar o projeto ainda mais acessível, com base no baixo poder aquisitivo destes trabalhadores. Entretanto, além do critério custo, nos deparamos com a dificuldade para fabricação, pois conforme foi desenvolvido, o carrinho só poderia ser produzido por um profissional capacitado, sendo 100% concebido fora da comunidade, o que também tornaria o produto mais oneroso. Embora durante esta oficina já tivéssemos em mãos uma nova proposta, considerando as aspectos supracitados, apresentamos a figura 73 para discutir essas questões com os jangadeiros e mostrar a evolução do projeto.

Este conceito corresponde a um carrinho feito de ferro, com barras laterais ajustáveis (em vermelho), possibilitando que este seja empurrado, ajustando-se às medidas antropométricas dos jangadeiros. A parte da frente consiste em um puxador passível de rotação no sentido lateral e superior/inferior (em amarelo). Há, ainda, barras ajustáveis para prender a jangada pelas forras (em verde), permitindo que o carrinho

176

seja utilizado por jangadas de diferentes dimensões, conforme foi verificado em campo, a grande variação de medidas existentes entre as jangadas. O projeto é feito em 3 pneus, sendo dois traseiros de Buggy e um dianteiro de mini-baja (veículo off-road), justificando-se pela possibilidade de menor gasto de energia devido à menor abrasão/atrito com o solo, diminuindo também o peso do carrinho.

Conforme já explanado, repensamos o conceito de modo a permitir que os jangadeiros pudessem estar envolvidos nas etapas de construção e o apresentamos aos jangadeiros. Este também foi desenvolvido em 3D e projetado através de slides com auxílio de data show (figura 74), porém, como foi identificado em oficina anterior que alguns tinham dificuldade de compreender o desenho em 3D, elaboramos e apresentamos um modelo volumétrico correspondente à estrutura do carrinho, facilitando a compreensão dos jangadeiros (figura 75).

Figura 74: 9ª oficina de projeto. Fonte: Acervo do Projeto Jangadeiros (GREPE/UFRN)

177

A figura 76 representa o novo conceito apresentado:

Com as modificações, a estrutura do carrinho permaneceu a mesma, alterando apenas quanto ao uso da madeira em grande parte da estrutura (partes em verde). Mantivemos as barras laterais reguláveis, o sistema dianteiro e as barras ajustáveis para as forras. Estas estruturas continuaram sendo de ferro, porém, neste modelo, há

Figura 76: Conceito reformulado. Imagem: Prof. Lúcio Fontes Figura 75: Utilização de modelo volumétrico durante oficina. Fonte: Acervo do

178

possibilidade de confecção por parte da comunidade, visto que a estrutura em madeira pode ser feita pelo carpinteiro e as peças em metal, cortadas e dobradas conforme os perfis especificados, uma vez tendo sido confeccionadas, necessitam apenas de montagem. Para tanto, torna-se necessário que os envolvidos na montagem sejam treinados. As soldas serão feitas pela própria pessoa que confeccionará as peças. Outra facilidade no projeto corresponde ao material proveniente de sucata que pode ser adquirido, visto que para fins de utilização na praia, o carrinho não necessita de peças novas, apenas em bom estado de conservação. Deste modo, torna-se possível baratear o projeto com a aquisição de pneus de Buggy em borracharias que comercializam pneus usados, cubos da roda traseira e pontas de eixo de carros das marcas Gol ou Uno em sucatas.

Para colocar e retirar a jangada do carrinho, o procedimento será feito à beira- mar, pois a água mantém a flutuabilidade da mesma, permitindo que esta seja movida do carrinho. Assim, minimiza-se o esforço físico dos jangadeiros. Todas essas informações foram discutidas durante a oficina e validadas progressivamente pelos jangadeiros. Com relação a empurrar o carrinho utilizando as barras laterais, discutimos com os jangadeiros sobre a melhor postura para terem maior desempenho de força, se empurrando na altura dos ombros ou dos cotovelos. Eles apontaram que o ideal seria empurrar na altura dos ombros. Desta forma, dois jangadeiros foram convidados a simular esta operação de empurrar o carrinho para serem fotografados, permitindo a montagem no computador que representasse a simulação de uso do produto.

5.1.10 10ª Oficina

A 10ª oficina foi realizada no dia 20 de novembro de 2010, tendo início com a projeção da imagem referente à simulação do uso do carrinho (figura 77). Através desta, os jangadeiros puderam compreender melhor a utilização das barras laterais do carrinho.

179

Apresentamos aos jangadeiros algumas imagens de carrinhos feitos em madeira utilizados em outras praias, já que a estrutura passou a ser de madeira ao invés de ferro. O carpinteiro da comunidade se dispôs a confeccionar esta estrutura. Quanto à montagem das peças em metal, o professor de engenharia mecânica que acompanhou o projeto se dispôs a capacitar alguns jangadeiros. Desta forma, apenas a fabricação das peças em metal ficaria a cargo de um profissional especializado. Entre o intervalo das oficinas, fomos em busca de pessoas dentro da comunidade que pudessem confeccionar estas peças para que o carrinho fosse 100% produzido dentro da comunidade. Durante a realização deste trabalho, não havia nenhum profissional capacitado na comunidade, tornando necessário buscar orçamentos em outros bairros. Por este motivo, embora tivéssemos uma previsão do custo do carrinho, o orçamento não foi finalizado devido à falta do valor da mão de obra para confecção das peças.

5.2 Discussões sobre o conceito final do carrinho: sugestões para trabalhos futuros