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Equations de conservation et nombres sans dimension

4.2 Convection, temp´erature et viscosit´e

4.2.1 Equations de conservation et nombres sans dimension

“Onde existem regras, existem pessoas que as infringem” (Cohen, 1966)

Um evento político nasce dentro de um contexto sócio-histórico e, por isso, está atrelado a um sistema de crenças e à cultura de uma sociedade, expressando ideologias e norteando o comportamento dos indivíduos. Ele deve, portanto, ser analisado por diferentes ângulos, pois é preciso entender quais são as reações dos indivíduos perante o evento, isto é, como eles se comportam e se posicionam em relação ao fenômeno, o que pensam, como o percebem e de que maneira tal evento é disseminado na sociedade.

No caso do objeto de estudo deste trabalho, toma-se como evento político a implantação da lei que proíbe dirigir após a ingestão de bebidas alcóolicas. Considera-se que tanto aspectos políticos quanto sociais podem estar presentes na percepção dos condutores, influenciando sua atitude sobre a questão. Entende-se isso como um comportamento político, que depende de como esses condutores se sentem em relação ao fenômeno.

Para esta análise, optamos por utilizar a Teoria de Dissonância Cognitiva de Leon Festinger e algumas considerações da teoria da atribuição social, a fim de identificar não apenas fatores sociais mas também os fatores políticos constantes nas atitudes dos condutores.

A teoria da Dissonância Cognitiva, dentro do campo da Psicologia Social, é abordada no grupo de Percepção Social e Cognição. Para ilustrar, apresentamos um trecho da fábula de Fedro descrita abaixo:

Coagida pela fome, deparou certa raposa com alta videira onde brilhavam belos e maduros cachos. Por mais que se esforçasse, não lhe foi possível atingi-los; afastando-se, resmungou: estão verdes... 5

Aproveitando o trecho de Fedro e a ideia de Aroldo Rodrigues de antropomorfizar essa passagem da fábula, seria possível interpretar a atitude da raposa como uma tentativa de eliminar a inconsistência entre o seu conhecimento (cognição) de que as uvas estavam

5Trecho da fábula de Fedro transcrita do livro de Aroldo Rodrigues “Estudos em Psicologia Social”(1979, p. 231).

maduras e sua incapacidade para alcançá-las. Ou a raposa desistia de saboreá-las ou modificava sua cognição a respeito delas. Optando pela segunda alternativa, a raposa atingiu um estado de harmonia entre suas cognições, ou seja, entre a constatação da impossibilidade de alcançar as uvas e o seu desejo de saboreá-las.

A teoria da Dissonância Cognitiva de Leon Festinger se baseia na alegação de que o ser humano se esforça por manter um estado de Coerência consigo mesmo (coerência ou consistência, congruência, equilíbrio, consonância). Mais especificamente falando, é o esforço, tentativa ou busca de consonância entre as próprias cognições. O postulado básico da teoria é que a situação de dissonância tem um efeito psicológico negativo e, portanto, a pessoa tenderá a eliminá-la para restabelecer a congruência (FESTINGER, 1975, p.15). Embora aparentemente simples, a teoria apresenta consequências e aplicações para uma extensa variedade de situações. No caso deste trabalho, utilizaremos essa teoria para analisar a atitude dos condutores diante da restrição do uso de bebidas alcoólicas antes de dirigir (Lei Seca).

Festinger (1975) entende o termo cognição como “qualquer conhecimento, opinião ou convicção sobre o meio ambiente, sobre nós próprios ou no nosso comportamento” (p.18).

É certo que o ser humano se defronta, em sua vida diária, com um conjunto complexo de situações que o levam, por vezes, quase obrigatoriamente, a tomar decisões. Festinger ateve-se, em suas pesquisas, a sujeitos em período pós-decisórios. Para ele, quase sempre, todas as tomadas de decisões provocam dissonâncias cognitivas que obrigam os sujeitos a reiteradas tentativas de eliminá-las ou reduzir-lhes a magnitude de todas as formas possíveis que estiverem ao seu alcance.

A existência de cognições (conhecimentos) que, por alguma razão, não se compatibilizam entre si (dissonância) leva a pessoa a esforçar-se para harmonizá-las de algum modo, eliminando ou reduzindo as dissonâncias.

Uma escolha gerará conflito psicológico se estabelecer, por exemplo, duas alternativas desejáveis. Para os motoristas que entrevistamos, o ato de beber é algo prazeroso, inerente à sociedade em que vivemos. Todos concordaram com essa posição, a de que beber faz parte da cultura da cidade e o fato de sair aos fins de semana para jantar ou ficar em um barzinho com os amigos os induzem a ingerir bebidas alcoólicas, em maior ou em menor quantidade. Dentro dessa perspectiva, beber é uma alternativa desejável. Por outro lado, existe o ato de dirigir. O carro representa para o motorista, poder e liberdade, conforme se observou nas entrevistas. Existe nos dias atuais uma facilidade de financiamento dos veículos; assim sendo, adquirir um carro tornou-se mais acessível. Os entrevistados também concordaram em

que, atualmente, a maioria das pessoas tem seu próprio carro. Nesse sentido, há dois elementos que são incongruentes: beber e dirigir. Segundo Festinger, duas alternativas desejáveis.

Quando temos de escolher uma dentre duas alternativas desejáveis, o processo de decisão é conflituoso, porque a cognição de rejeitar uma delas é incongruente com o fato de que ela seja desejável (“... parece que ninguém consegue sair e não beber (...) todo mundo

bebe hoje em dia, ninguém sai à noite para um barzinho, um restaurante ou uma festa e não toma nada de álcool (...) todo mundo gosta de beber e ninguém sai a pé (...)normal para mim beber e dirigir...”)6. Assim, após a escolha de uma dentre duas alternativas atraentes, surgiria um estado de tensão (dissonância), o qual se tentaria reduzir automaticamente, por meio de várias estratégias, uma delas, o que significa valorizar a alternativa escolhida e desvalorizar a rejeitada. De acordo com as ideias de Festinger (1975), escolher entre duas alternativas altamente desejáveis e mutualmente exclusivas, implica em considerar os atrativos de cada alternativa per se. Na cognição da pessoa existirão, portanto, os elementos que correspondem à atratividade de ambas as alternativas. Ao decidir-se por uma delas, o comportamento da ação empreendida estará em dissonância com o conhecimento dos aspectos positivos da alternativa rejeitada. Uma vez que exista a dissonância, as pressões para reduzi-la ou eliminá- la se manifestarão por meio da mudança da cognição sobre as alternativas, pelo estabelecimento de sobreposição cognitiva (reconhecer elementos comuns às alternativas) e revogação psicológica da decisão (não se responsabilizar pela decisão, admitir que fez uma escolha errada).

Outra estratégia para reduzir a tensão psíquica gerada pela dissonância seria a busca do apoio social, ou seja, nos associarmos àqueles que fizeram a mesma escolha que nós (FESTINGER, 1975).

Festinger sugeriu três possíveis maneiras de redução ou eliminação da dissonância, quais sejam, mudança de um elemento cognitivo comportamental, mudança de um elemento cognitivo ambiental e adição de novos elementos cognitivos. Para situar melhor essa posição, cumpre lembrar que os entrevistados nos disseram que evitam as fiscalizações e que, geralmente, são avisados sobre a existência delas por outros motoristas. Podemos inferir aqui o que Festinger (1975) chama de apoio Social da cognição, o qual, segundo o autor, é uma fonte de concordância por parte de outras pessoas em relação às cognições que o indivíduo deseja manter.

Convém destacar que a busca de apoio social é relevante para entendermos as atitudes dos condutores. Com efeito, a teoria da dissonância cognitiva também permite explicar uma das razões por que a relação com outras pessoas é tão importante na hora de tomar decisões. Na verdade, do apoio social depende, em grande parte, o equilibrio psíquico. Como afirmou Pereira (1995):

Estas respostas de tendência à agregração aos outros, importantes para a ocorrência de um bem-estar de felicidade, se justificariam frente à necessidade que as pessoas têm de ‘buscar um realismo mundano’, o que para Festinger, eminente psicólogo social americano, levaria as pessoas a se comunicarem umas com as outras e a estabelecerem comparações entre si. (p.3).

A busca de “realismo mundano” é própria ao domínio dos julgamentos de valor, em oposição àquele referente às descrições objetivas. Este domínio, talvez o mais significativo para a ação humana, é particularmente propício ao surgimento de dissonâncias psicólogicas, na medida em que nos defrontamos com várias opiniões e valores opostos e não dispomos de critérios objetivos de decisão. De fato, decidir, por exemplo, se um comportamento é melhor ou pior, certo ou errado, não é a mesma coisa que decidir se um corpo é mais pesado do que outro, tendo em vista que, neste último caso, dispomos de instrumentos objetivos para resolver a questão. Assim, só nos restaria procurar confirmar nossos valores e opiniões associando-nos àqueles que concordam conosco e desvalorizando aqueles que não concordam: como nossos valores não podem ter realidade objetiva, nós procuramos dar a eles realidade social (FESTINGER, 1975).

Assim, as pessoas podem utilizar diversos mecanismos psicológicos que contribuam para a redução desse desconforto. No contexto do trânsito, esse mecanismo é utilizado com frequência, visto que envolve a tomada de decisões que podem representar mudanças reais no sistema de valores das pessoas. No caso de nossa pesquisa, para reduzir o desconforto (beber e dirigir), os motoristas utilizam estratégias de como evitar as blitz ou se recusar a assoprar o bafômetro. Festinger (1975) nomeia esse tipo de comportamento de evitação da Dissonância. O autor explica que “são as tendências que levam o indivíduo a comportamentos

autoprotetores contra o surgimento da dissonância ou o aumento da já existente” (pag. 47). Ou seja, os motoristas podem estar em situações em que precisem mudar o seu percurso para se livrar do desconforto psicológico e da possibilidade de receber uma punição.

O aparecimento da dissonância pode ser proveniente também de desacordo entre atitude pública (no caso deste trabalho, a lei seca) e privada (o comportamento do motorista), em virtude de recompensas ou ameaça de punição (multas), e assim por diante, abrangendo uma expressiva variedade de situações individuais ou sociais geradoras do incômodo psicológico assinalado por Festinger.

Sob essa ótica, assinalamos que para os motoristas não é difícil perceber a incoerência do governo em suas ações. Por um lado, elaboram-se as leis de trânsito, especificamente no caso deste trabalho, a lei seca, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas antes de dirigir com o objetivo de proteger a população e reduzir os acidentes de trânsito. Porém, ao mesmo tempo investe na produção de carros cada vez mais populares, incentivam o financiamento, não investem de forma adequada nos transportes públicos, na melhoria das estradas e na educação do condutor. Também o sistema para se tirar carteira de habilitação é percebido pelos motoristas como injusto e corrupto (“... é a sensação de que todo mundo que está ali,

médicos/psicólogos/donos de autoescola, só para ganhar dinheiro (...) é um absurdo esse esquema de tirar carteira no Brasil, médico e psicotécnico para quê?...”), o sistema de transporte público considerado precário (“...péssimo sistema de transporte coletivo de nossas

cidades...”), as condições da infraestrutura reputadas ruins (“...as ruas mal sinalizadas,

esburacadas e para concertá-las é corrupção de novo (...) se o governo estivesse preocupado com a segurança dos motoristas, investiria mais nas estradas...”). Além disso, há descrédito nas ações do governo (“...eu acho que a polícia sabe dos problemas, mas não faz nada (...) eu

acho que o governo só quer ganhar dinheiro, é uma indústria de multas (...) eu não acho que a intenção do governo seja nos proteger (...) em cidades pequenas não existe política do trânsito porque não rende votos para a próxima eleição (...) o governo só quer ganhar dinheiro, faz tudo isso para ganhar dinheiro...”) 7. Essas percepções a respeito do governo são incongruentes ao motorista. A dissonância das atitudes do governo pode, pois, refletir-se em estados psicólogicos caracterizados como frustração. Interessante lembrar que, dependendo das peculiaridades de cada motorista e, consequentemente, da importância atribuída à situação, a intensidade ou a magnitude da dissonância experimentada serão diferentes.

Existe ainda a dissonância do papel atribuído ao policial militar ou rodoviário (em Minas Gerais, onde se fez a pesquisa, são estes os responsáveis pelas fiscalizações), que a princípio, num sistema democrático, deveria exercer sua função de maneira honesta e

imparcial. No entanto, transformam sua posição social em um instrumento de poder para coagir o motorista (“...existe também a maneira como a polícia se posiciona: corrupção e

suborno e a possibilidade da própria polícia colocar alguma coisa no carro para incriminar e assim conseguir dinheiro (...) eu acho que os policiais são corruptos e só querem dinheiro da gente (...) o policial disse que eu estava com sintomas de embriaguês, um absurdo! Acho que ele queria arrancar dinheiro da gente...”). Pelo exposto, os dois conjuntos de cognições geram dissonâncias na cabeça dos motoristas.

Outra fonte de dissonância observada pelos motoristas é o bafomêtro, o qual, até o momento, é uma das únicas formas de provar que o motorista ingeriu bebidas alcóolicas8, porém o motorista, se pego em flagrante, não é obrigatório assoprá-lo, uma vez que para a legislação brasileira, o cidadão não é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Ao ser

flagrado, o condutor teria à frente, então, os seguintes caminhos: ou se submeter aos testes e não exercer o direito de não produzir provas contra si mesmo; ou exercer o direito, e não se submeter aos testes. Para compreender melhor essa questão, recorremos a Jésus (2004) que nos informa a respeito da questão do bafômetro:

...se o direito à não-auto-incriminação adquiriu um status constitucional, é evidente que nenhuma outra regra, muito menos de cunho administrativo, pode servir de instrumento de persuasão para que o indivíduo viole as suas próprias convicções e, especialmente, os seus direitos fundamentais (p. 17).

Grinover e colaboradores (2004) acrescentam que:

...a tutela constitucional da intimidade, da honra e da imagem parece justificar, mais do que nunca, a recusa do suspeito ou acusado em submeter- se a exames de partes íntimas, bem como a provas degradantes, como o ‘bafômetro’, até porque ninguém pode ser obrigado a fazer prova contra si mesmo (pag. 158).

Em obra sobre a culpa e sua prova nos delitos de trânsito, Greco Filho (1993) sustenta que, desde a Constituição de 1988, em que se acham previstas as garantias de não produção de provas contra si mesmo e de presunção de não culpabilidade, não se podem colher consequências danosas àqueles que se recusam a se submeter aos testes de alcoolemia. Sabendo dessas questões, o motorista que ingeriu álcool e é abordado pelos policiais, se recusa a fazer o teste e reduz a dissonância, segundo Festinger (1975), pela mudança de

elemento comportamental. (“... eu tinha bebido vodka, eu não quis fazer o bafômetro (...) a

gente pode se recusar a fazer esse teste, eu sei disso (...) aí o policial queria que eu fizesse o teste, eu disse que não ia fazer (...) minha mulher, que é advogada, me disse para não fazer o teste do bafômetro...”) 9. Em relação ao bafômetro, convém acrescentar que condutores não infratores, embora nos revelassem saber disso, nos disseram que fariam o teste, caso fossem demandados. Tal postura esclarece de que modo essa atitude em relação a fazer ou não o teste pode ser associada à questão da dissonância cognitiva. Não fazer revela-se dentro desse contexto uma alternativa para aliviar a dissonância de ter ingerido bebida alcoólica. Quanto aos não infratores, não teriam problema, pois não estavam em situação de dissonância, mas sim, de consonância. De acordo com Festinger (1975), relações Relevantes Consonantes são:

Dois elementos cognitivos estão em relação consonante se, considerando somente esses dois, um elemento decorrer do outro, ou seja, dois elementos estão em consonância se, por uma razão ou por outra, são compatíveis entre si (pg. 229).

Ou seja, se o motorista não ingeriu bebidas alcoólicas ele está consoante com o ato de dirigir e, consequentemente, poderá fazer o teste do bafômetro sem ter prejuízos ou algo que possa lhe trazer desconforto psicológico.

Festinger (1975) indica que existe um postulado que ele chama de “Exposição voluntária e involuntária à informação”. A exposição voluntária à informação é caracterizada pela busca ativa de novas cognições por parte do indivíduo, ao passo que a exposição involuntária implica no contato acidental ou forçado com as cognições provenientes do meio. Observamos em nossa pesquisa que os motoristas, ao justificarem suas infrações, nos revelam informações que foram adquiridas através dos meios de comunicação em massa, sobretudo por meio da televisão. Eles nos dão exemplos de pessoas famosas como o jogador Edmundo10 ou o deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho11 que causaram acidentes após

9 Trecho das entrevistas com os infratores.

10Edmundo é um jogador de futebol conhecido no Brasil. Em 1999, ele foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão por homicídio culposo, após se envolver em um acidente por dirigir alcoolizado. Edmundo não cumpriu a pena, passou os doze anos seguintes livre, atuando profissionalmente no país e no exterior, beneficiado pela morosidade da tramitação dos recursos de seu processo. Em 2005, envolveu-se novamente em outro acidente pelo mesmo motivo, pagou uma multa de três mil reais e foi liberado. (http://veja.abril.com.br/blog/acervo-digital/brasil/em-dia-o-caso-edmundo-e-a-violencia-no-transito-brasileiro, acessado dia 15/1/2012).

11 O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho foi acusado de dirigir bêbado, em alta velocidade e causar acidente com a morte de dois jovens em Curitiba; renunciou ao mandato para escapar de umpossível processo

ingerirem bebidas alcoólicas em grande quantidade e que não foram condenados (“...é muita

impunidade para os que têm dinheiro, o deputado matou o cara e nada aconteceu com ele, o Edmundo foi a mesma coisa (...) aquele deputado lá do Paraná dirigiu bebaço, matou dois caras e nada aconteceu com ele...”). Festinger (1975) frisou que, independentemente da existência da dissonância, existem muitos outros fatores pelos quais as pessoas, voluntariamente, buscam novas informações, inclusive por curiosidade ou prazer, entretanto preferiu restringir-se apenas à presença ou ausência de dissonância em uma área qualquer de informação.

A impunidade atribuída aos casos dos exemplos, ao jogador de futebol e ao deputado, reforça a ideia de que se pode continuar dirigindo alcoolizado e constituem informações utilizadas pelo condutor para reduzir a dissonância.

No caso de inexistência da dissonância, espera-se que o indivíduo busque de forma não seletiva informações relevantes ( em nossa pesquisa, podemos dizer que é caso dos não infratores). Existindo a dissonância, uma das pressões para reduzi-la é a adição de novas cognições, razão pela qual é lícito esperar por parte da pessoa a busca seletiva de novas informações suscetíveis de reduzir a dissonância existente. Tal comportamento de procura de informações (seja no caso de Joaquim, que após ser flagrado pelos policiais tratou de obter informações a respeito da lei seca) está diretamente relacionado com a magnitude da dissonância. Por conseguinte, existindo pouca dissonância haverá pouca motivação para buscar informações. No caso de existir quantidade moderada de dissonância, o indivíduo tanto vai recorrer às informações introdutoras de consonância quanto vai tentar evitar as dissonantes. Quantidades extremas de dissonância levarão à busca intensa de informações para produzir consonâncias e evitar dissonâncias. Todavia, Festinger observa que ao limite da máxima dissonância possível, poderá haver um decréscimo da seletividade à exposição, levando o indivíduo a expor-se à informação suscetível de aumentar a dissonância de modo a reduzi-la ou eliminá-la completamente pela mudança do elemento menos resistente da relação dissonante.

Festinger sugeriu também que as dissonâncias podem advir da mera interação com as outras pessoas ou originar-se do que ele chamou de exposição numa base irrelevante, isto é, a pessoa é motivada para uma determinada fonte de cognição e, paralelamente a isto, é exposta

a conhecimentos irrelevantes à sua motivação inicial, mas que podem gerar ou aumentar dissonâncias existentes.

O grupo social pode ser ao mesmo tempo uma fonte de dissonâncias ou um recurso para sua redução ou eliminação. Neste âmbito de aplicação da teoria, Festinger considera, num primeiro momento, as circunstâncias em que a dissonância surge no seio do próprio grupo, por causa da existência de discordâncias entre seus membros, assim como a dissonância suscistada fora do grupo social, mas submetida a um processo de influência dentro do grupo. No caso de nossa pesquisa, o grupo social pode ser um excelente recurso para redução da dissonância. A obtenção do apoio social introduz elementos consonantes com a opinião sustentada, reduzindo a magnitude total da dissância. Além disso, a existência da