1.3 Classifications des types éoliennes
1.3.2 Eoliennes à axe horizontal
O presente estudo avaliou a resposta da pressão arterial em indivíduos com diferentes níveis de ansiedade diante de um protocolo de exercício físico isométrico de preensão manual.
O principal achado é que pessoas com sintomas de ansiedade maior que a mínima apresentam, além de maiores níveis de pressão arterial basal, respostas pressóricas exageradas durante o exercício físico quando comparados as pessoas com sintomas de ansiedade mínima, confirmando a hipótese do presente estudo. Essa maior resposta pressórica pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial, como apresentado por Jonas et al (1997), que após um acompanhamento de 7 a 16 anos com indivíduos normotensos, concluíram que a ansiedade é preditiva de incidência tardia de hipertensão arterial.
O desenvolvimento de uma provável hipertensão arterial pode ser explicado, em parte, pela maior resistência vascular periférica durante o exercício física, possivelmente mediada por uma maior reatividade metaborreflexa muscular encontrada no grupo com maior ansiedade.
Os maiores níveis de pressão arterial basal encontrados no grupo com ansiedade maior que a mínima podem ser explicados por possível redução da sensibilidade barorreflexa, aumento de atividade nervosa simpática (TOSCHI-DIAS, 2013) e diminuição da função endotelial (NARITA,2006; NARITA,2008; SELDENRIJK, 2011; SUN,2015). Como já observado, mesmo em situações de repouso, a ansiedade induz hiperativação do sistema nervoso simpático e do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, resultando no aumento da frequência cardíaca e redução da variabilidade da frequência cardíaca. Ainda, a ansiedade, assim como o estresse crônico, contribui para a ocorrência de prejuízo endotelial vascular (KINLEY, 2015).
Em um estudo na população brasileira, Kemp, et al (2014), observaram que desordens de ansiedade generalizada, cuja característica principal é a preocupação e o estado de hipervigilância constantes, está associada a redução da atividade vagal cardíaca.
Adicionalmente, Delaney et al (2010) observaram uma resposta pressórica exagerada em uma população hipertensa durante o exercício físico de preensão manual e após manobra de isquemia pós-exercício, indicando que essa população apresentava uma exacerbada ativação do componente metabólico do reflexo pressor ao exercício. Do mesmo modo, Choi et al (2012) investigaram os mecanismos hemodinâmicos por trás da resposta pressórica exagerada durante o mesmo exercício em indivíduos pré-hipertensos e observaram
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que os aumentos em relação à condição de repouso da pressão arterial média e da resistência periférica total estavam mais acentuados comparados a população normotensa, sugerindo que o aumento na sensibilidade dos metaborreceptores contribuiu primariamente para a elevação dessas variáveis nesse grupo.
O aumento exacerbado da pressão arterial e da resistência vascular periférica também foi observado no presente estudo em indivíduos que apresentavam pressão arterial considerada normal e/ou limítrofe (DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO, 2010). Dessa forma, observamos que, maiores sintomas de ansiedade interferem na resposta pressórica durante o exercício físico mesmo naqueles que não apresentam pressão arterial elevada no repouso. No presente estudo, o grupo ansiedade maior que a mínima apresentou maior variação (Δ) da pressão arterial média durante o exercício físico quando comparado ao grupo ansiedade mínima, mantendo esse padrão de elevação no período de isquemia pós- exercício, dando suporte a conclusão de que a resposta pressórica ao exercício de preensão manual é maior nos indivíduos com maiores escores de ansiedade.
Alguns fatores podem ter influenciado na ocorrência da resposta mais acentuada da pressão arterial durante o protocolo de exercício físico nos indivíduos com maior escore de ansiedade. Como já documentado, indivíduos que apresentam desordens de ansiedade podem apresentar hiperatividade simpática em repouso (PAINE, 2015; PICCIRILLO, 1997; WATKINS,1998; TOSCHI-DIAS, 2013) e diminuição do tônus vagal cardíaco (WATKINS,1998; TOSCHI-DIAS, 2013). Nesse sentido, estudo realizado em pacientes com síndrome metabólica demonstrou claramente a influência dos sintomas de ansiedade e distúrbio de humor no aumento da atividade nervosa simpática muscular, cardíaca e vascular, além de diminuição da atividade parassimpática cardíaca e da sensibilidade barorreflexa em comparação ao grupo controle saudável e aos pacientes com síndrome metabólica, mas sem sintomas da ansiedade e distúrbio de humor (TOSCHI-DIAS, 2013).
Considerando-se a inervação simpática vascular, podemos especular que a resposta exagerada da atividade simpática durante o exercício físico, possivelmente decorrente de uma hiperatividade metaborreflexa, poderia ter aumentado a resistência vascular periférica e por consequência explicar o aumento exacerbado da pressão arterial. É importante ressaltar que no presente estudo nenhum voluntário apresentava transtorno de ansiedade diagnosticada e que os voluntários que usavam medicamentos psiquiátricos foram excluídos do estudo, ainda assim, esses indivíduos apresentaram resposta pressórica exacerbada durante exercício físico, o que poderia sugerir uma hiperativação simpática precoce nessa população.
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O momento da avaliação da ansiedade é muito importante (EDMONSON, 2012), visto que os efeitos da hiperatividade do sistema nervoso simpático e do eixo hipotalâmico- pituitário-adrenal somado a um alterado controle simpato-vagal promovem respostas agudas no organismo (COHEN,2015). Portanto, sintomas de ansiedade crônicos podem contribuir para a ocorrência de eventos cardíacos agudos e outras doenças cardiovasculares através da diminuição do limiar de arritmia cardíaca ou pela redução da variabilidade da frequência cardíaca (LAMBIASE, 2014).
A escala de Beck (1998) refere-se aos sintomas de ansiedade, portanto não sendo uma escala de âmbito diagnóstico para os transtornos de ansiedade. Portanto, o presente estudo refere-se às alterações de indivíduos que não apresentam diagnóstico de transtorno de ansiedade, apenas apresentam sintomas da ansiedade, porém já demonstram sinais exacerbados de repostas cardiovasculares, o que pode ser considerado um fator de risco para um provável desenvolvimento de alterações cardiovasculares tardias.
Embora a escala de Beck (1988) esteja correlacionada aos sintomas de ansiedade e seja muito utilizada no âmbito clínico e de pesquisa, essa escala não é validada para diagnóstico clínico. Porém, dada a variedade de transtornos de ansiedade e a frequência em que os sintomas ocorrem na população geral, os sintomas de ansiedade são mais comumente relevantes quando consideramos o risco cardiovascular (LAMBIASE,2014).
Outro mecanismo que estaria relacionado ao exacerbado aumento pressórico na população com maiores sintomas de ansiedade, seria uma possível disfunção endotelial presente nesses indivíduos. Em um estudo observacional Seldenrijk et al (2011) analisaram uma população entre 20 e 66 anos com diagnóstico de transtorno de ansiedade e depressão e concluíram que indivíduos que apresentavam maior severidade e duração dos sintomas apresentaram maior rigidez arterial, corroborando com outros estudos (NARITA,2006; NARITA,2008; SUN,2015). Apesar de não termos avaliado a função endotelial especificamente, a resposta de resistência vascular periférica também está associada a interação de fatores vasodilatadores endoteliais. Por conseguinte, os voluntários do presente estudo com maior escore de ansiedade apresentaram um aumento da resistência vascular periférica durante o exercício físico, o que poderia ser explicado em parte pelo comprometimento endotelial dessa população e dessa forma contribuir para a maior resposta de pressão arterial durante o exercício físico.
Geralmente, a contração isométrica e a isquemia pós-exercício não geram mudanças na resistência periférica total, ou quando geram, refere-se a uma pequena mudança em relação ao basal (CRISAFULLI, 2011). Fato consistente com os dados achados no
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presente estudo no grupo ansiedade mínima. Porém, no grupo com ansiedade maior que a mínima, a resistência vascular periférica apresentou-se elevada comparada ao basal, persistindo durante a isquemia pós-exercício. Portanto, indivíduos com sintomas elevados de ansiedade podem apresentar um prejuízo da função endotelial o que levaria essa população a uma maior propensão e risco a desenvolver processos ateroscleróticos e outras condições cardiovasculares.
Além disso, o presente estudo sugere que durante uma manobra simpato- excitatória em indivíduos ansiosos, que já apresentam hiperativação autonômica simpática inerente a ansiedade, ocorre uma exacerbada resposta metaborreflexa. Essa maior ativação do componente metabólico do reflexo pressor do exercício levaria a uma resposta vasoconstritora periférica, resultando em aumento na resistência vascular periférica, sobrepondo-se a uma vasodilatação vascular ineficaz.
O exercício físico isométrico seguido de isquemia pós-exercício é o modelo mais utilizado para investigar o papel do metaborreflexo muscular (IELLAMO, 2001). Tal manobra causa aprisionamento dos metabólitos produzidos durante o exercício, ativando as vias metabólicas aferentes do reflexo pressor do exercício na ausência dos estímulos das aferências mecânicas e do comando central (DELANEY, 2010).
A magnitude do aumento da pressão arterial, frequência cardíaca e atividade nervosa simpática muscular durante o exercício isométrico é proporcional à intensidade da contração, sendo que tanto a influência cortical central e a estimulação das aferências quimiossensitivas musculares são consideradas responsáveis pelo aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca por vias diferentes, através do metaborreflexo muscular via vasoconstrição e do comando central via inibição vagal, respectivamente (IELLAMO, 2001).
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6. IMPLICAÇÃO CLÍNICA
Essas informações apresentam relevância clínica. Dada a característica acumulativa das alterações autonômicas (MCEWEN, 2015) e hemodinâmicas (JONAS, 1997) causadas pelo processo de ansiedade, essas alterações de pressão arterial podem levar esses indivíduos a maior propensão a desenvolver aumentos pressóricos cada vez mais significativos, podendo isso se refletir em um risco elevado de desenvolvimento de hipertensão arterial.
Além disso, durante a prática de exercício físico, dado o decorrente aumento pressórico fisiológico, os indivíduos que apresentam maiores sintomas de ansiedade poderão experimentar aumentos de pressão arterial mais exacerbado, aumentando o risco de eventos cardiovasculares agudos. Dessa forma, durante a execução de exercício físico, indivíduos com maiores sintomas de ansiedade requerem maior cuidado diante da prescrição do tipo e intensidade do exercício físico a praticar.
Comportamentos não saudáveis podem correlacionar a ansiedade a eventos cardíacos agudos. No presente estudo, não controlamos todos os fatores de risco cardiovasculares, embora todos os voluntários apresentassem valores de exames laboratoriais dentro da normalidade e não fossem tabagistas, porém todos os voluntários apresentaram o sedentarismo como um fator de risco presente para doença cardiovascular. Entretanto, somente o grupo com maiores escores de ansiedade apresentou maior resposta pressórica basal e durante exercício físico, corroborando com o estudo de Lambiase et al (2014), que não correlacionaram o comportamento não saudável a associação de ansiedade e evento cardiovascular agudo, concluindo que a ansiedade tem associação com eventos cardíacos agudos independentemente de outros fatores de risco associados.
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7. LIMITAÇÕES DO ESTUDO
No presente estudo não foi medido o nível sérico de cortisol, também conhecido como “hormônio do estresse”, uma vez que as respostas ao estresse estimulam o eixo hipotalâmico- pituitário-adrenal. Em resposta ao estímulo estressor, o hipotálamo secreta o hormônio liberador de corticotropina, que, por conseguinte, estimula as glândulas pituitárias a liberar o hormônio adrenocorticotrófico, induzindo a liberação de cortisol sanguíneo (KATURI et al., 2016). Entretanto, o questionário de Beck utilizado no presente estudo foi eficaz em dividir a amostra em ansiedade mínima e maior que a mínima, o que proporcionou a identificação de maiores níveis pressóricos no repouso e maior resposta de aumento de pressão arterial nos indivíduos com maiores sintomas de ansiedade.
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8. CONCLUSÕES
Pessoas com maiores sintomas de ansiedade em comparação às pessoas com sintomas mínimos de ansiedade apresentam:
1. Maiores níveis de pressão arterial em repouso.
2. Maiores respostas de aumento de pressão arterial durante o exercício físico. 3. Aumento da resistência vascular periférica, enquanto o grupo com menor ansiedade apresenta diminuição da resistência vascular periférica durante o exercício físico.
4.Semelhança na reposta de fluxo sanguíneo muscular e frequência cardíaca entre os grupos durante o exercício físico.
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ANEXOS
ANEXO 1
INVENTÁRIO DE ANSIEDADE DE BECK
Abaixo está uma lista de sintomas de ansiedade. Por favor, leia cuidadosamente cada item da lista. Identifique o quanto voce tem sido incomodada por cada sintoma durante a
última semana, incluindo hoje, colocando um “x” no espaço correspondente, na mesma
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ANEXO 2
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA – CEP HU/UFJF
JUIZ DE FORA – MG – BRASIL
PESQUISADORES RESPONSÁVEIS Mateus Camaroti Laterza (coordenador) Endereço: Faculdade de Educação Física e
Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora
Bairro Martelos, Campus Universitário CEP: 36030 - 900 – Juiz de Fora – MG Fone: (32) 8887-7252 / (32) 2102-3287 E-mail: [email protected]
Josária Ferraz Amaral
Endereço: Rua Orestes Pereira, 50/102 São Pedro CEP: 36037-300 - Juiz de Fora (MG)
Fone: (32) 8825-9323
E-mail: [email protected]
Daniel Godoy Martinez
Endereço: Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora
Bairro Martelos, Campus Universitário CEP: 36030 - 900 – Juiz de Fora – MG Fone: (32) 9934-9333 / (32) 2102-3287 E-mail: [email protected]
Clara Alice Gentil Daher
Endereço: Rua Halfeld, 1420/403 Centro. CEP: 36016-015 - Juiz de Fora (MG) Fone:(32)88340115
E-mail: [email protected]
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO