Configuration d’intergiciel asynchrone `a grande ´echelle
4.3 Environnement `a grande ´echelle : les cartes `a puce
Conforme indicam Gatti e Barreto (2009, p. 15): “O ensino escolar há mais de dois séculos constitui a forma dominante de socialização e de formação nas sociedades modernas e continua se expandindo.” A formação de professores é, portanto, pensada desde que se institucionalizou o ensino escolar. Para Tardif e Lessard (2005), os professores constituem, em razão do seu número e da função que desempenham, um dos mais importantes grupos ocupacionais e uma das principais peças da economia das sociedades modernas.
Refletir sobre as condições e os discursos que organizaram a formação de professores permitiu-nos evidenciar o seu formador como agente chave na mediação entre aspectos teóricos e práticos da profissão, momento em que compreendemos ser a práxis o fundamento dessa formação inicial.
Essa compreensão parte do entendimento de que a educação escolar como prática social busca oferecer condições de reflexão sobre a condição humana e tem os professores como articuladores dos processos de formação. Ainda que fortemente determinados pelos contextos institucionais, são os profissionais do ensino que efetivam as práticas reveladas no “chão” da escola.
Quando compreendemos que a educação, como uma forma de pensar o real, pode ser convertida em mediação, tornando-se um valioso instrumento de transformação social, podemos dizer que, nos processos formativos, o conhecimento historicamente acumulado pela humanidade é fundamental para humanizar as pessoas, mas que a compreensão da realidade social para sua transformação é um movimento ainda mais importante e que precisa ser considerado.
A partir de todas as questões levantadas nesse capítulo, pudemos compreender em Nóvoa (2009) e Contreras (2002) que os professores, assim como seus formadores, estão ligados às instituições, as quais determinam, em parte, o seu trabalho. Inscritos em uma totalidade com determinantes históricos, políticos, sociais e econômicos, suas práticas estão delimitadas pela política educacional, que reflete todas essas questões e que são viabilizadas pelos projetos pedagógicos e pela estrutura de funcionamento de cada um dos cursos de Pedagogia. Essas questões configuram as condições institucionais de trabalho dos formadores, categoria central de análise no presente estudo.
Para a constituição da profissionalidade dos pedagogos em sua formação inicial, compreendemos que ele deve se constituir como
intelectual crítico e, portanto, o docente formador deve mediar a práxis nesse formação. Como elementos fundamentais para essa mediação, consideramos que a formação e os formadores precisam estar articulados com a educação básica. Assim, consideramos fundamental o que dizem Schön e Nóvoa (2009) a respeito da necessidade de se formar os profissionais na prática, ou seja, na escola, onde pode e deve haver trocas entre os formadores e a comunidade de professores que nela trabalham.
Para que isso seja possível, consideramos necessário que os formadores tenham constituído em sua trajetória de formação acadêmica e atuação profissional relacionada à educação básica efetiva vinculação com a área das Ciências Humanas, em especial com os debates da educação, relacionando-os à educação básica. Essa categoria de análise, portanto, constitui-se como fundamental para o nosso estudo.
Para além de uma formação voltada para a prática, pudemos perceber em Contreras (2002), Nóvoa (2009) e Vaillant (2003) não ser suficiente que o professor se ocupe apenas da prática da sua profissão. É preciso que ele considere e compreenda a realidade histórica, social, política e econômica na qual se situa e que perceba sua condição de profissional, na busca de promover a transformação da realidade, com compromisso social emancipador. Esses autores indicam também que o trabalho coletivo e colaborativo, especialmente entre os docentes formadores, é essencial para a constituição dos futuros profissionais. É preciso que a comunidade formadora esteja articulada e conhecendo o trabalho desenvolvido para que se possa oferecer uma formação de melhor qualidade aos futuros pedagogos. Este também é um dos fundamentos da práxis, que deve ser mediada pelo formador e que contribui para formar pedagogos como intelectuais críticos. Compreender para agir e transformar é a grande meta do processo educativo que tem por fundamento a práxis.
A opinião dos docentes formadores sobre a relação teoria e prática no Curso de Pedagogia e as atividades formativas propostas para conseguir tal relação constituem, também, categorias de análise importantes quando consideramos a atuação dos formadores no interior dos cursos e a viabilização de suas propostas de articular a formação de professores com a educação básica.
Consideramos, portanto, que a autonomia dos professores desenvolve-se no contexto da prática do ensino e, conforme Contreras (2002), deve ser compreendida como um processo de articulação permanente entre vários elementos, estando colocada diante dos contextos da profissão e também do ensino.
Novamente, em face da formação de professores, entendemos que sua formação inicial é uma etapa fundamental na consolidação do entendimento sobre essa postura reflexiva e crítica na docência. A
práxis, como prática teoricamente informada e orientada por
determinados fins, é, consequentemente, fundamento dessa formação, tendo como mediador principal o professor formador.
Estamos de acordo com Alarcão (1996, p. 13), que salienta a necessidade de busca de um “[...] paradigma eficaz que interligue teoria e prática na formação de professores [...]”. Articular questões teóricas e práticas é parte do trabalho do formador enquanto mediador.
A práxis é, nesse contexto, elemento chave na formação dos professores, pois permite articular dialeticamente o conhecimento escolar que precisa ser trabalhado pelo professor ao conhecimento das condições políticas, sociais e econômicas do contexto no qual o trabalho se realiza.
A partir das discussões históricas e teóricas efetivadas nessa parte do nosso trabalho, analisaremos, na sequência, os dados dos cursos de Pedagogia no Brasil para, em seguida, situar a amostra do estudo empírico realizado junto aos cursos de Pedagogia da UFSC, UDESC, USJ e FMP e seus docentes formadores. A partir dessa análise, situaremos cada um dos cursos em relação às quatro categorias de análise consideradas nesse estudo, a saber: i) as condições institucionais de trabalho; ii) as condições de trajetória individual de formação e atuação profissional dos formadores relacionada à educação básica; iii) a opinião dos formadores no que diz respeito à relação teoria e prática; e iv) as atividades formativas propostas que favorecem ou não aos formadores e professores em formação estabelecer relações com a educação básica.
4 UM ESTUDO EMPÍRICO EM 4 INSTITUIÇÕES NA GRANDE