A CEI Flora foi fundada em 1992, com subsídios de uma ONG italiana. Com as doações recebidas a Paróquia do Bairro conseguiu comprar os principais materiais para a obra e a mão de obra ficou a cargo dos moradores do bairro que organizaram um mutirão para sua construção.
Por falta de administração a CEI foi fechada um ano depois de sua inauguração. Em 1994 foi reaberta pelos esforços do, então, líder comunitário e das mulheres que haviam trabalhado anteriormente neste espaço. Desde então, nunca mais foi fechada. Atualmente a CEI é conveniada à Prefeitura de São Paulo e administrada pela Associação de Moradores do Bairro (CALIL, 2009).
Por meio da parceria com a ONG italiana e esse convênio com a prefeitura, consegue atender 113 crianças de 9 meses a 3 anos de idade com sua equipe de educadoras e funcionárias.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (2012) os convênios firmados entre a Prefeitura e as associações (entidades ou organizações) que mantêm Centros de Educação Infantil/Creches são destinadas ao atendimento preferencialmente de crianças de zero a três anos. E...
Essas unidades educacionais, entendidas como espaços coletivos privilegiados de vivência da infância (0 a 5 anos), devem contribuir para a construção da identidade social e cultural das crianças, fortalecendo o trabalho integrado do cuidar e do educar, numa ação complementar à da família e da comunidade, objetivando proporcionar condições adequadas para promover educação, proteção, segurança, alimentação, cultura, saúde e lazer, com vistas à inserção, prevenção, promoção e proteção à infância (PORTAL
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, 2012).
Tais entidades são responsáveis por desenvolver atividades correspondentes ao plano de trabalho específico da própria instituição segundo os critérios da Secretaria de Educação. Devem exercer suas atividades em um imóvel da própria entidade, ou a ela cedido, ou até mesmo por ela locado com recurso financeiro próprio ou com verba repassada pela Secretaria de Educação para o custeio das despesas (PORTAL SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, 2012).
A equipe do CEI Flora, seguindo os critérios da Secretaria, é formada por: uma diretora, uma coordenadora pedagógica, nove educadoras, duas auxiliares de limpeza, uma cozinheira e duas auxiliares de cozinha. A contratação destas pessoas fica a cargo da Associação de Moradores que responde pela CEI.
Essa equipe é composta por mulheres entre 20 e 40 anos, o nível de instrução varia entre graduação e ensino médio. Diretora, coordenadora e algumas educadoras tem o ensino superior completo em Pedagogia, algumas educadoras e auxiliares de limpeza e cozinha estão cursando a graduação em Pedagogia e, algumas possuem o ensino médio completo – Magistério.
Todas as funcionárias são chamadas de educadoras no ambiente do CEI, pois a compreensão de educador compartilhada pela equipe é a de que
educador é a pessoa responsável pela socialização de crianças e jovens, responsabilidade esta dividida entre todas as funcionárias.
Uma informação interessante sobre esse CEI e que nos ajudará a compreender o sentido do Plantão psicoeducativo é que a maior parte da equipe é composta por moradoras do bairro que conhecem a história do CEI e participaram ativamente de sua construção e início. Outro aspecto que chama a atenção é o tempo de serviço, as educadoras têm pelo menos cinco anos nesta instituição, sendo que para algumas este foi o primeiro emprego e, para todas, esse se constitui como único trabalho, única fonte de renda.
A Associação de Moradores também conseguiu, com auxílio dessa parceria, criar o CCA Cravo para atender crianças e jovens entre 6 e 14 anos no contra turno escolar. O CCA foi fundado em 2008, mas a Associação já tinha experiência em trabalhos com jovens desde 2003, com os projetos “Agente Jovem” e “Jovens Urbanos” (TERAHATA, 2008).
A Secretaria de Assistência Social (2012) define que os objetivos dos centros chamados CCAs são: “Oferecer proteção social à criança e adolescente, em situação de vulnerabilidade e risco, por meio do desenvolvimento de suas potencialidades, bem como favorecer aquisições para a conquista da autonomia, protagonismo e cidadania, mediante o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários”.
Também cabe aos educadores do CCAS o desenvolvimento de atividades com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos e onze meses, tendo por foco a constituição de espaço de convivência a partir dos interesses, demandas e potencialidades dessa faixa etária. Além disso,
... intervenções devem ser pautadas em experiências lúdicas, culturais e esportivas como formas de expressão, interação, aprendizagem, sociabilidade e proteção social. Deve atender crianças e adolescentes com deficiência, retiradas do trabalho infantil e/ou submetidas a outras violações de direitos, com atividades que contribuam para ressignificar vivências de isolamento, bem como propiciar experiências favorecedoras do desenvolvimento de
sociabilidades e prevenção de situações de risco social. (Portal
Secretaria de Assistência Social, 2012).
A equipe do CCA Cravo conta com um coordenador, duas educadoras, um educador para atividades físicas e capoeira e um educador musical, que atende diariamente 100 participantes. Os 100 participantes de dividem em quatro turmas, duas no período da manhã e duas à tarde. Uma turma da manhã e uma turma da tarde são compostas por crianças entre 6 e 11 anos e, as outras duas turmas são compostas por jovens entre 12 e 14 anos.
Os profissionais são moradores do bairro40 e, assim como a equipe do CEI, tem uma relação muito próxima com a constituição da comunidade. Vivem no bairro há muitos anos e seus filhos e parentes estão matriculados no CEI e na EMEF. A formação dos educadores varia entre o Ensino Médio completo e a graduação em Pedagogia (uma educadora) e Educação Física (um educador). Apenas duas pessoas da equipe possuem uma segunda fonte de renda.
Tanto o CEI quanto o CCA nasceram da luta dos moradores por uma educação de qualidade para os filhos e uma preocupação com a vida das crianças e adolescentes ficavam sozinhos enquanto os pais trabalhavam.