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Effet de la modification de la force ionique par ajout de sel

3.3 Rappels théoriques sur les solutions de polyélectrolytes

3.3.7 Effet de la modification de la force ionique par ajout de sel

Ariel Elias do NASCIMENTO17

RESUMO

O século XXI vem promovendo novas configurações identitárias, as quais estão diretamente associadas à produção e ocupação do espaço. Estes novos padrões de identidade forjam possibilidades distintas de experienciar o espaço, o que acaba consolidando um repensar sobre as memórias e tradições que justificam as permanências das identidades. Assim, este trabalho abordará a produção das identidades, das culturas, como fruto das dinâmicas de ocupação do espaço, explorando em que medida as identidades forjadas ao longo do século XXI, tornam-se atos de libertação, rompendo com vínculos históricos enraizados na base da cultura e da identidade social

Palavras-chave: Modernidade, Identidade, Memória, Espaço, Tradição.

Pretende-se, com esta apresentação, pensar a produção das identidades, das culturas, como fruto das dinâmicas de ocupação do espaço. Pensar, enfim, como estas identidades que são forjadas ao longo do século XXI, tornam-se atos de libertação, rompendo vínculos históricos enraizados na base da cultura e da identidade social.

A importância deste tema está exatamente no momento em que se pensa nas fragmentações da sociedade pós-moderna, onde as fronteiras tornam-se fluidas, as certezas não fazem mais parte dos vocabulários, as culturas, bem como as identidades, perdem suas estruturas basilares que asseguram à comunidade seu lugar de pertencimento.

Num primeiro momento temos que apresentar os problemas que se colocam sobre os espaços, no intuito de compreender como a modernidade vem promovendo novas interpretações espaciais. Num segundo momento, analisar como estas mudanças espaciais interferem nas dinâmicas culturais e nas identidades.

Não nos cabe aqui fazer uma digressão sobre o início da globalização, bem como não faz parte destas análises pensar o uso dos espaços pelo capitalismo global. Outrossim, não perderemos de vista as implicações perversas deste capitalismo global, tal como esclareceu Milton Santos (2001).

Colocados os argumentos iniciais, onde a premissa está na transformação do espaço por conta da globalização, vamos entender como se processa cotidianamente estas questões. A base da sociedade capitalista está na relação do contrato entre as partes; há contratos de trabalho assim como há contratos civis. Historicamente, estes contratos tornam-se basilares na relação da percepção do espaço, uma vez que criam, legitimam, determinam como a sociedade deve se comportar segundo os padrões aceitos. Assim, os contratos civis criaram normas de convivência para a sociedade burguesa, no sentido de se diferenciarem de uma sociedade camponesa. Por outro lado,

17 Professor do Curso de História da Universidade Federal do Tocantins, campus de Porto Nacional.

Membro do Núcleo de Estudos Urbanos e das Cidades (NEUCIDADES), desenvolve pesquisas com temas que versam sobre Identidades, Culturalismo, Globalismo. Correio eletrônico: [email protected].

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os contratos de trabalho estabelecem as identidades dentro dos muros dos centros produtores de bens de consumo, sejam fábricas, lojas, mercados.

Toda esta relação contratual, seja civil, seja trabalhista, está alicerçada no modo de produção capitalista, o qual tem por base a dinâmica da circulação do capital para gerenciar ou mesmo organizar esta lógica. Não quero entrar na discussão da exploração da mão-de-obra assalariada, pois este não é o tema do texto. Contudo, não me eximo de debater esta tese. O que é importante aqui é apresentar a base do pensamento do texto.

Ao longo do século XX, esta lógica se expande para todos os países capitalistas do globo, construindo mercados produtores e mercados consumidores. No Brasil não foi diferente, uma vez que a política externa norte americana assegurou, através de acordos econômicos, a manutenção do capitalismo financiando o golpe militar.

No que diz respeito ao norte do Estado de Goiás, hoje Tocantins, região periférica do centro hegemônico de poder no Brasil, esta relação capitalista se reflete de forma avassaladora para as culturas locais, uma vez que amplia os mercados produtores, amplia os mercados consumidores e não assegura a manutenção das culturas locais, que tinham por base uma economia de subsistência.

Ampliando o problema, na medida em que a revolução tecnológica avança no domínio da miniaturização, no domínio do plástico e do uso dos metais, há uma produção massificada de bens de consumo que irão afetar substancialmente na dinâmica destas sociedades periféricas.

As comunicações servem como exemplo do que queremos abordar. Enquanto a sociedade, letrada ou não, se utilizava das cartas, dos jornais, ou mesmo do rádio, havia um tempo entre o acontecimento e a recepção deste à sociedade. Este tempo variava em torno de horas, dias, semanas, dependendo do local e das condições de transmitir as notícias. Na medida em que ocorre o avanço tecnológico, o tempo torna-se efêmero, em fração de segundos, as notícias chegam ao seu destino. Ganha-se tempo, perde-se a reflexão, pois, na medida em que as dinâmicas da comunicação avançam, de forma rápida, onde as notícias são pequenos flashes, a sociedade perde a capacidade de produzir argumentos relacionados aos acontecimentos, ficando atônita, ou bestializada, massificada pela mídia, que forja novas formas de ver o mundo.

Contudo, este consumismo não afeta somente a temporalidade. Afeta, e de forma ainda mais contundente, as dinâmicas locais de produção da cultura e da identidade. Assim, ao se problematizar o lado perverso da globalização, não estou trabalhando com a premissa de uma sociedade exploradora que se expande na medida em que há uma sociedade explorada, que se retrái. Não é esta lógica aborda. Problematizo a globalização no intuito de pensar como o consumismo promoveu mudanças comportamentais, principalmente em sociedades periféricas como o antigo norte goiano, ou Tocantins, ou mesmo Porto Nacional.

Volto a este ponto mais tarde. Agora é importante apresentar outros argumentos. Há uma mudança teórica em curso, a qual vem trabalhando com as mudanças. Esta mudança paradigmática afeta sobremaneira as interpretações que tinham por base as certezas. Marx (2014) já havia antecipado, ainda no século XIX, que não há certezas, posto que tudo está em permanente revolução, tudo o que é sólido, é efêmero. Contudo, é a partir da segunda metade do século XX que esta mudança paradigmática afeta as Ciências Sociais como um todo. No que diz respeito à História, esta mudança promoveu novas interpretações relacionadas ao tempo, à narrativa, às mentalidades, trabalhando com as mesmas fontes, mas chegando em outras conclusões.

Nicolau Sevcenko (1992; 2002), ao abordar as temporalidades, não isenta as tecnologias de promoverem rupturas, sejam elas temporais, comportamentais, ou

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mesmo culturais. É justamente sobre estas mudanças que quero abordar neste momento, uma vez que o avanço tecnológico acelerou um processo de ruptura das tradições, promovendo, enfim, que a sociedade atual, periférica, dependente, reconstruísse fragmentos identitários para compor um mosaico cultural que em nada representa sua origem.

Marx (2008) havia antecipado o consumismo desenfreado. No clássico estudo sobre a mercadoria, onde seu fetichismo é revelado; e, depois, numa análise mais contundente, Max Horkheimer e Theodor Adorno (1985), discutem o papel da indústria cultural na sociedade, ambos estudos norteiam o caráter de padronização da sociedade que se orienta pelo consumo dos bens, padronizando enfim não apenas os gostos, mas o pensamento. Esta sociedade é a nossa sociedade. Porto Nacional insere-se nesta lógica do fetiche da mercadoria. O problema não está em consumir, mas sim no fato de, ao consumir, reinventar sua cultura. Um exemplo muito simples: os aparelhos celulares, com conexão sem fio e acesso à rede; estes aparelhos mudaram substancialmente a forma de se comunicar, não em relação aos textos curtos, mas sim em como é possível conversar olhando o outro. De modo geral, é mais fácil conversar pelo texto do que pelas palavras. Esta é uma mudança cultural. O consumo destes aparelhos está produzindo uma sociedade muda. Nos dias atuais, é mais fácil falar “bom dia” para seu grupo existente nos aplicativos de comunicação, do que sentar na mesa e tomar um café da manhã com a família ou amigos.

A proliferação de uma cultura visual introduz novas perspectivas sobre uma cultura tida de elite ou popular. Resignificações das obras clássicas banalizam a aura discutida por Walter Benjamin (2004); outrossim, as artes visuais do século XXI promovem não apenas resignificações de obras clássicas, mas também reinventam novas formas de arte, indo muito além de Marcel Duchamp ou Hélio Oiticica.

Forjam-se novos olhares sobre o tempo e sobre o espaço. Consolidam-se novas facetas culturais até então sem base histórica, de modo a romper com padrões culturais e identitários estabelecidos ao longo dos séculos. Novas culturas urbanas, pós-modernas, começam a surgir.

Benedict Anderson (2008) avança nos estudos sobre as identidades imaginadas, bem como Eric Hobsbawm e Terence Ranger (1997) esclarecem os conceitos de tradições inventadas. Contudo, será Stuart Hall (2003; 2005), Stephen Bann (1994) e Zigmunt Bauman (2001) que efetivamente se debruçam sobre o tema das identidades e das tradições, dialogando com a pós-modernidade. Corroborando, assim, para que novas identidades, tradições, culturas, pudessem ser criadas, pensadas, reinventadas, neste avançar do século XXI.

Esta é uma importante mudança de paradigmas, pensar as identidades não como algo rígido dentro de um arcabouço cultural, mas saber que podem ser dinâmicas, fluidas, que ocupam lugares e repensam suas raízes. Preserva-se a essência, mas alteram-se os hábitos, a fala, os costumes.

Temos de estar atentos para esta nova configuração cultural e identitária, temos de pensar como uma forma de libertação dentro dos padrões cerceadores das tradições conservadoras.

Estamos vivendo numa época de descobertas, e tal como ocorreu com o avanço técnico-científico, estas mudanças vieram para ficar.

Concluo assim este resumo expandido, provocando uma reflexão pautada nesta dinâmica do espaço: a globalização promoveu a expansão do território; já não há apenas o local, mas sim o global; local-global é, como avança nas teses Octavio Ianni (2001), a raiz produtora das novas identidades. Saber nosso lugar não representa mais saber de

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nossa cultura; fazemos parte da cultura mundo, onde as identidades se misturam e se libertam, reconstruindo novas formas de ver e ocupar o espaço.

REFERÊNCIAS

ADORNO, Max; HORKHEIMER, Theodor. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.

ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

BANN, Stephen. As invenções da história. São Paulo: UNESP, 1994. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BENJAMIN, Walter. Rua de mão única: obras escolhidas II. São Paulo: Brasiliense, 2004.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2005.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2003.

HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence. A invenção das tradições. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

IANNI, Octavio. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. MARX, Karl. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret, 2014.

MARX, Karl. O capital, volume I, livro 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2001.

SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

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A5 GT1 - O TERRITÓRIO COMO APOIO CULTURAL NA VIDA DOS