• Aucun résultat trouvé

Dispositif expérimental pour l’acquisition de profils de vitesse par

3.4 Caractérisation de la rhéologie volumique des solutions de polymères

4.1.1 Dispositif expérimental pour l’acquisition de profils de vitesse par

Inicialmente, faz-se necessário trazer ao estudo a diferenciação entre cultura e identidade cultural a partir das concepções do Antropólogo Denys Cuchê (2002, p. 176), que revela que a noção de cultura é diferente da noção de identidade cultural em que, segundo ele, a cultura pode existir sem uma estrutura de identidade. Ou seja, ela depende, em maior parte, de um processo inconsciente. Já nascemos em determinada cultura. Ela nos é imposta por via natural. Já a identidade cultural nos vincula aos nossos anseios existenciais, em que a prática do conhecimento e da vida determina nossa estrutura identitária.

Diante de tal afirmativa, verifica-se que a sociedade influencia na formação da identidade cultural que se articula com a classe social, com grupos de idades, com suas comunidades, enfim com o seu sistema social. Já a cultura depende de um processo que determina o modo de viver, de agir, de fazer as coisas. Laraia (1986) argumenta que a cultura é um processo de construção que denomina de “endoculturação”. Nesta perspectiva o comportamento do indivíduo para se adequar culturalmente necessita antes de tudo de um aprendizado, de um processo.

22Sincretismo Cultural: É a fusão de diferentes doutrinas para a formação de uma nova, seja de caráter filosófico,

cultural ou religioso. Miscigenação biológica. O território de um grupo social determinado, incluindo as condutas territoriais que o sustentam, pode mudar ao longo do tempo dependendo das forças históricas que exercem pressão sobre ele (LITTLE, 2002, p. 05).

108

A cultura é um processo natural do homem e a identidade cultural é um processo dado, em decorrência das transformações sociais. Hall (1992), referindo-se Ernest Lacrau (1990) relata que a globalização e a modernização, ainda que tardia, está relacionada ao processo de mudança e/ou articulação das identidades.

Contudo, em relação à cultura e à identidade cultural dos ex-ribeirinhos da Ilha de São José e hoje dos assentados no Reassentamento Coletivo Baixão, no município de Babaçulândia, percebe-se que não é exatamente o espaço que vai constituir a identidade de um determinado grupo, mas sua força política e cultural, além de sua capacidade de produzir uma determinada escala de identidade, mediada pelo território. Embora a mudança territorial tenha trazido grandes transformações em sua vida, não se pode afirmar que tenha ocorrido determinada mudança no que se referem a sua identidade cultural, deixando-os com um vazio no que se restringe aos seus símbolos, significados e tradições.

Porém, teoricamente, está visível que as identidades sofrem mutações com as transformações sociais. A identidade, conforme Hall (1992, p. 11), é formada na “interação entre o eu e a sociedade”, ainda que o indivíduo possua sua essência interior, ainda pode ser modificada com os diálogos externos e com as transformações sociais e identidades que o mundo oferece. Em relação ao caso da população atingida e da des- re-territorializacão, percebe-se que Hall (1992) enfatiza que, apesar das influências do mundo moderno, o indivíduo não é capaz de perder a identidade do eu vivido, porém existe um fragmento que o torna capaz de abstrair inúmeras identidades.

É, portanto, o que se pretende mostrar neste trabalho, que a identidade territorial da população atingida da Ilha de São José não está apenas na sua relação, embora forte, com a natureza. Está também na relação com os modos de vida, com seus ritmos de trabalho, de sustento, de estudo, de crença. Para a sociedade em geral é visto apenas como uma comunidade normal, no entanto, para eles este modo de viver possui um significado maior, que abarca toda a representação cosmológica e sociológica do grupo.

Não basta apenas dar conta dos critérios objetivos ou que são facilmente observáveis, como, por exemplo, a língua ou o dialeto de um grupo. É necessário também identificar aqueles que são invisíveis aos nossos olhos, como o significado simbólico das coisas, à relação com o rio, o apego às plantações, aos vizinhos, etc. São nessas representações simbólicas que está, na maioria das vezes, toda a riqueza cultural

109

do grupo. Não obstante existam mudanças com a globalização, porém, o vivido jamais se perderá.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das discussões realizadas na produção deste estudo, foi possível perceber o território como apoio cultural para ribeirinhos e hoje reassentados do Reassentamento Baixão, a partir de uma reflexão sobre território, identidade e cultura. Desta forma, conclui-se que o território é o principal símbolo para a manutenção da cultura dos reassentados e a reafirmação de sua identidade. É perceptível que através do vínculo que o grupo possui com o território anterior que se dão as manifestações que representam a cultura e os seus modos de vida.

A importância do território para o grupo em estudo mostra-se bastante evidente quando na realização de pesquisas de campo preliminares, a partir de conversas e entrevistas iniciais com integrantes do grupo. Percebemos que, ao falarem de seu antigo território, seus sentimentos são tomados por lembranças consideráveis que para eles não se podem medir nem reparar com nenhuma forma de indenização, pois características relevantes de sua vida ficaram submersas com as águas do Rio Tocantins após a formação do lago da Hidrelétrica.

A importância do território para a manutenção da cultura e à afirmação da identidade ficou claramente evidenciada na fala dos entrevistados, porém é perceptível que eles estão engajados em sua adaptação e na acumulação de novas culturas. Para eles o modo de vida anterior, devido à falta do território, não retornará e, portanto, o território significa um suporte cultural vivo na memória coletiva consolidada e evidenciada nas atitudes atuais dos reassentados. Hoje, o modo de vida é completamente diferente, desde as casas, que são construídas de tijolos, pisos e telhas, até a forma de trabalho que mudou e foi-se adaptando à nova realidade. O reassentamento não possui rio, e a água é servida por carros-pipa que abastecem o reservatório das casas diariamente, daí as pequenas plantações e as criações são escassas devido as fortes temperaturas e a falta de água para irrigá-las, porém os moradores ainda resistem nesta prática que faz parte da vida deles.

Estes e outros elementos culturais sempre estiveram presentes em suas vidas. Hoje muitos costumes e parte do território estão guardados apenas na memória, na

110

tradição do grupo, e não serão esquecidos. Eles tentam, mesmo com as dificuldades, relembrar momentos históricos para reafirmar sua identidade e, principalmente, realçá- la em meio às diferenças. Dessa forma, através deste estudo, entende-se que elementos da natureza são cruciais para a sobrevivência do grupo e que eles tentam mesmo com as dificuldades trazer seus costumes à nova realidade.

Conclui-se aqui concordando com Berger (2010, p. 169), para quem “todo indivíduo nasceu em uma estrutura social objetiva, dentro da qual encontra os outros significativos que se encarregam de sua socialização. Estes significativos são lhe impostos.” Diante disso, é importante salientar que cada sujeito possui sua socialização primária, que traz consigo com o convívio familiar e através da convivência com um grupo social objetivo. Apesar das idiossincrasias individuais, o território, a cultura e a identidade se integram, ocorrendo às transformações sociais.

REFERÊNCIAS

BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. 32º Ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2010, pp 167-233.

CUCHÊ, Denys. A noção de cultura nas Ciências Sociais. 2ª Ed. Org. Viviane Ribeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 2002.

HAESBAERT, Rogério. Dos múltiplos territórios a multiterritorialidade. Porto Alegre, 2004 Disponível em: < http://www.ufrgs.br/petgea/Artigo/rh.pdf> acesso em 6 dez. 2016.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução: Tomaz T. da Silva e Guacira L. Machado. 4 ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2014.

LARAIA, Roque de B. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.

LITTLE, Paul E. Territórios Sociais e Povos Tradicionais no Brasil: por uma antropologia da territorialidade. Brasília: UNB, 2002. Disponível em: < http://www.direito.mppr.mp.br/arquivos/File/PaulLittle__1.pdf> Acesso em: 10 dez. 2016.

RAFFESTIN, Claude. Por uma Geografia do poder. Tradução: Marília Cecília França. São Paulo: Editora Ática, 1993.

SAQUET, Marcos A. Abordagens e concepções sobre território. São Paulo: Expressão Popular, 2007.

SILVA, Queila Pereira Da. SILVA, Marivaldo Cavalcante. SIEBEN, Airton. Efeitos da usina hidrelétrica estreito na cultura de vazante da ilha São José e na feira livre em Babaçulândia-to. Revista Sapiência: sociedade, saberes e práticas educacionais – UEG/UnU Iporá, v.3, n. 1, p. 85- 103 – jan/jun 2014 – ISSN 2238-3565.

TUAN, Yu-Fu. Espaço e lugar: A perspectiva da experiência. Tradução de Lívia de Oliveira. Londrina: Eduel , 2013.

111

A6 GT1 - DESIGUALDADES REGIONAIS E POLÍTICAS TERRITORIAIS: