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6.3 Piégeage par des défauts d'anisotropie

6.3.4 Dynamique : évolution de la fréquence de résonance

A proposta de organização curricular da EI por linguagens geradoras nos é trazida por Junqueira Filho (2005) no livro intitulado “Linguagens geradoras: seleção e articulação de conteúdos em Educação Infantil”. A obra resulta do empenho do autor em investigar os processos de seleção de conteúdos produzidos e veiculados em EI a partir da década 70, na intenção de responder a pergunta: Como descobrir os conteúdos programáticos mais significativos às crianças na EI? O autor considera sua proposta como uma concepção, por meio da qual ele produz um novo olhar sobre a seleção de conteúdos em EI, baseado na releitura do conceito de linguagem, de conteúdo programático, do papel do professor e da concepção da criança de 0 a 6 anos.

para se tornar efetivo no atendimento aos interesses e necessidades das crianças, deve ser realizado a partir do conhecimento pessoal dos alunos pela professora e vice versa. Essa troca baseada no diálogo, observação e interação irá fornecer subsídios para que a professora, identifique os conteúdos mais significados para aquelas crianças e problematize com elas. Segundo ele esse processo de seleção de conteúdos deve acontecer a partir de dois momentos e de dois sujeitos diferentes, que irá corresponder a dois tipos distintos de conteúdos de forma complementar e articulada.

O primeiro sujeito e protagonista do primeiro momento da seleção de conteúdos é a professora, que no início do ano planeja seu trabalho baseado nos conhecimentos adquiridos durante sua formação e levando em consideração os procedimentos adotados pela escola em que trabalha. Essa parte ele nomeia de “parte cheia” do planejamento, sua justificativa se baseia na premissa de que essa parte da seleção é “cheia de professora”, ali estão sua visão sobre sí, sobre seu trabalho, sobre infância, sobre crianças. O segundo sujeito são as crianças que ao chegarem na escola, passam a conhecer umas às outras, à sua professora e as escolhas que ela fez para recebê-los. Esse momento é denominado de parte vazia, pois é uma lacuna a ser preenchida com a chegada das crianças, tanto no início do ano quanto no segundo semestre. Pela observação dos indícios e sinais das possíveis combinações de interação entre professor-criança-linguagem/conteúdo, é possível ao professor compor os projetos de trabalho que irão preencher a parte vazia do seu planejamento (JUNQUEIRA FILHO, 2005).

Quanto aos conteúdos, o primeiro diz respeito às características das linguagens selecionadas pela professora para compor o planejamento com o qual irá receber seus alunos. O segundo, são os conteúdos, que correspondem aos temas-assuntos-linguagens, detectados como importantes pelas crianças ao interagirem com as linguagens apresentadas pela professora. É valido ressaltar que os conteúdos identificados no processo de produção da parte vazia, dizem respeito ao processo de produção daquele grupo de crianças e sua professora, e embora não seja exclusivo deles são singulares e intransferíveis. Logo o fato de ter dado certo com um grupo, não significa que deva ser copiado e replicado, pois o diferencial da proposta reside na descoberta ao se preencher a parte vazia do que é genuíno, revelador e singular em cada grupo. (JUNQUEIRA FILHO, 2005)

A proposta de seleção de conteúdos construída por Junqueira Filho (2005), se encontra fundamentada no processo de investigação das temáticas significativas de Paulo Freire e na Semiótica de Charles Sanders Peirce e sua teoria sígnica do conhecimento. Baseado na premissa de que cada uma das linguagens verbais e não verbais, tem seu conjunto de regras e princípios de funcionamento próprios e que para se ter revelada uma linguagem, será preciso acessar o sistema de funcionamento que lhe é próprio e que produz, veicula e armazena conhecimento sobre a própria linguagem, sobre o sujeito que a investiga e sobre o mundo, todo e qualquer objeto de conhecimento da proposta é reconhecido como linguagem, portanto como conteúdo programático. Nas palavras do autor:

Guarde, portanto, que, do ponto de vista da semiótica peirceana, cada linguagem – desenho, escrita, modelagem; classificações, seriações, quantificações; música, movimento, jogo simbólico, culinária; os fenômenos da natureza; as histórias infantis; os jogos de mesa e de pátio, individuais e de grupo, etc. – tem seu conjunto de regras e princípios de funcionamento próprios. [...] Esta característica – e suas conseqüências – conceituam as diferentes linguagens como objetos de conhecimento e me permitem significá-las – em minha proposta – como conteúdos programáticos na educação infantil. (JUNQUEIRA FILHO, 2005, p. 33)

No decorrer do livro é comum identificar o uso da expressão “situações de aprendizagem” ao se referir a ação interação das crianças junto a um objeto de conhecimento- linguagem, em substituição a expressão “atividades”, A justificativa para tal cuidado, se dá pelo fato de que a utilização desse termo “atividades” remete “currículo por atividades”, e consequentemente a prática de lista de atividades e a abordagem quase que obrigatória das datas comemorativas ao longo do ano, que segundo ele ainda acontece em muitos estabelecimentos, mantendo os alunos ocupados e tornando o professor um mero distribuídos de atividades ao longo do ano. Logo a sua intenção ao apresentar sua proposta é justamente fomentar que na EI as crianças muito mais do que realizarem atividades, aprendam sobre objeto de conhecimento/linguagem com o qual está interagindo, com e sobre colegas que participam com ela dessa experiência, mediados pela professora que também pode aprender e ser aprendida por eles. (JUNQUEIRA FILHO, 2005).