1.3 La légitimité philosophique de la DVP
1.3.3 En quoi les DVP ont une orientation philosophique ?
Como explanado anteriormente, a presença do aluno surdo no ensino regular seria interessante para que houvesse einclusão com o meio social em que estes estão inseridos,todavia, é singular ressaltar que o principal modelo de educação de surdos é a escola bilíngue.Assim, vale mencionar que a presença deste aluno em uma sala de ensino regular requer um intérprete em sala de aula. Contudo, nas escolas do município analisadas, não há esse profissional, o apoio máximo é o AEE que deve ser formado por profissionais especializados, que algumas vezes na semana durante algumas horas tem o acompanhamento entre esse profissional e o aluno surdo, em que aprofunda o ensino da LIBRAS. Seria importante que esses
momentos fossem diários e na sala de aula para que haja uma melhor adequação dos alunos surdos, já que no atendimento especializado há contato com a língua de sinais e na sala de aula esta não se faz presente.
Diante do que foi exposto, analisaremos as entrevistas das professoras da sala de aula regular, apresentando os anseios e expectativas existentes em receber os estudantes surdos, além de salientar a metodologia frente aos planejamentos executados em sala. Para melhor esclarecimento desse trabalho, foi realizada uma entrevista com 3 professoras, dos 4 que fizeram o questionário, da educação fundamental I, nos exemplos a seguir a fala do professor estará nomeada por P1, P2, P3.
Como já foi descrito mais acima no questionário preliminar que foi investigado acerca dos educadores da educação infantil e fundamental, as professoras do ensino regular não são fluentes em Língua Brasileira de Sinais, das professoras entrevistados apenas uma está fazendo o curso de LIBRAS.Quando questionados se eram fluentes em LIBRAS, responderam:
P1: Não sou, tenho uma aluna, é surdez parcial, ela usa aparelho, quando a mãe lembra de colocar, mas não é surdez total. Nada, o município nunca ofereceu pra gente fiquei sabendo que existe um curso, mas eu tô fora, a aluna também não sabe de nada, de libras não, como eu falei é uma surdez parcial, ela fala com dificuldade, para que ela escute tem que falar próximo e alto.
P2: Tenho um aluno surdo, estou participado de um curso, mas não sou fluente. O conhecimento que o aluno tem é só de casa mesmo e agora a mãe estava tendo acompanhamento, não sei se ainda permanece.
P3: Tenho um aluno surdo, não sou fluente e nem tenho conhecimento sobre LIBRAS, o aluno surdo tem conhecimento de LIBRAS, agora pra gente que não teve formação nessa área é difícil. Ele aprendeu na família e na sala do AEE.
Compartilhando o que fala no decreto Decreto nº 5.626/2005.
Art. 9°A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que oferecem cursos de formação para o magistério na modalidade normal e as instituições de educação superior que oferecem cursos de Fonoaudiologia ou de formação de professores devem incluir Libras como disciplina curricular(BRASIL,2005, p.2)
O que se destaca na fala das professoras, é que ainda não conhecem a LIBRAS e nem o sistema de ensino oferece formação nessa área. Como relatado anteriormente, apenas uma das professoras dos três entrevistados, faz curso da LIBRAS. Por mais que o professor tenha formação em LIBRAS, não há como oralisar e sinalizar ao mesmo tempo, por isso, a necessidade de um interprete para auxiliar ao educador em sala de aula.
Contudo, se a única alternativa oferecida ao aluno é a sala de aula regular, sem professor que saiba Libras e sem o profissional intérprete de Libras, como ocorre o ensino? Foi perguntado as professoras, como acontece o ensino do aluno surdo.
P1: Então, é isso que eu falei, tem que falar próximo e alto para que ela possa ver, mais ai tem a questão do aparelho que a mãe não tem acompanhamento, nem em casa e nem na sala de aula não tem acompanhante, não sei se foi levado o laudo para a secretária, embora os acompanhes que são enviados são babas, é um cuidador, não faz parte do processo de educação não.
P2: Jogo de cintura, por que a gente tá tendo o curso agora, a gente vai aprendendo e vai tentando passar, uma criança de três anos ainda não entende nada de LIBRAS. Algumas coisas eu e ela consegue se comunicar. O método que eu utilizo é igual com os outros, só que com uma diferença, por que ela sabe pintar muito bem e é muito inteligente, eu fico muito próxima a ela, não tem acompanhamento da família (só em ir levar e pegar a criança). Utilizo vídeos, algumas coisas que aprendo na aula de LIBRAS, como bater palmas, para elogiar ela. Todo dia é uma coisinha diferente, chama mais atenção dela agora ela está muito dependente de mim, ela não fica auxiliar, ela gosta quando TV, dos desenhos, adora colagem. Ela precisaria uma auxiliar para ela, por que a aula é diferenciada, eu estou aprendendo, as outras crianças também já estão aprendendo a se comunicar com ela do jeitinho deles.
P3: Eu tenho a cuidadora que sabe LIBRAS e ajuda ele, eu tento através dos sinais passar para ele a aula. A família não é participativa, como ele é bem agressivo, quando ele faz alguma coisa com algum colega o pai nem aparece.
Sobre as reflexões trazidas pelas professoras e os termos abordados como ter cuidador, tratar de metodologias pedagógicas com “jogo cintura”, o Decreto nº 5.626/2005, propõe que os estudantes surdos tenham intérprete de Libras, cap.5, artigo 21 e inciso § 1º e 2°
Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais de ensino da educação básica e da educação superior devem incluir, em seus quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação, à informação e à educação de alunos surdos.
§ 1o O profissional a que se refere o caput atuará:
I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;
II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e
III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de ensino. § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação (BRASIL, 2005, p.6).
Os intérpretes de Libras têm a função diferente do professor, já que ficamresponsáveis pelas interpretações das aulas das professoras em sala, para a língua de sinais. Assim, garantindo ao educando comunicação e acesso a informações.
Dessa forma, foi questionado aos educadoresqual apercepção da educação escolar regular para a pessoa surda e como está a aprendizagem dos alunos, já que trabalham e lidam com essa situação diariamente:
P1:Eu sei lhe dizer que o sistema de implantação de inclusão, não é feito como deveria e acaba sendo excluído. Existe a lei e ao mesmo tempo não tem a condição
acolhimento e atendimento para esses alunos por que como eu falei não tenho nenhuma capacitação, eu sei que a pessoa com dificuldade de audição tem que gesticular bem, falar mais próximo, eu tenho que falar alto, com 34 alunos e bem agitados. Tem dificuldade, a educação hoje já é bem difícil, eu não sei dizer qual foi a causa, se foi a não reprovação, ela tem um pouquinho de preguiça.
P2: Eu não fui avisada que a aluna era deficiente auditiva vinha para minha sala, nem a mãe falou nada, só soube no outro dia quando perguntei a mãe. Eles colocaram um método de inclusão, mas pegou a gente de surpresa e a gente tem que fazer esse curso, a gente não tem como praticar, é um curso que a gente vai a cada 15 dias e dura 6 meses. Material didático bastante e que a gente tá preparada pra isso e também curso né, se não tiver curso, se não tiver material fica difícil. A gente nem tem apoio pedagógico nem recurso. Algumas coisas sim ela aprende, outras não, no caso, por exemplo: se eu mostro quantidade, eu gosto muito de trabalhar com material concreto. Já outras coisas não, por exemplo numa aula de ciência ela não vai saber.
P3: Ele é muito agressivo, se ele fosse mais participativo, quer viver fora da sala, o maior problema dele não é a surdez, mas o comportamento, toma medicamento, eu não sei pra quê, mas ele tem outra coisa. Se tivesse tido essa preparação, esses cursos, eu não tive essa preparação, as vezes eu fico angustiada. O ensino e aprendizagem é bem defasado.A lei que diz tem que inserir, infelizmente o professor que pega, ou seja, ele ou outro com deficiência tem dificuldade.
A reflexão que é apresentada com a fala das professoras, pode ser questionado se já é de conhecimento do professor, o conceito de surdez, como acontece o processo de ensino e aprendizagem de uma criança surda e como de fato é a ação pedagógica frente a institucionalização e cumprimento da lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 que afirma o direito do surdo a educação de qualidade em ambientes regulares.
Quando as professoras foram indagadas como acontece a socialização entre os surdos e os ouvintes, afirmaram que
P1: Para mim, um aluno surdo é um aluno normal, assim tem as suas peculiaridades, tem as dificuldades dele, trado do mesmo jeito, porém não sei como lidar com esse processo de alfabetização, existe a socialização com as colegas, conversa até de mais, não tem esse problema de bullying.
P2: A interação é boa, eles se dão muito bem só não gosta que pegue nada dela, eles brincam, tem cuidado quando ela vai em algum brinquedo, compartilham o lanche, a socialização deles é boa e ela não é frequente na escola, faz duas semanas que ela não vai à escola.
P3: A socialização é como eu falei, ele é agressivo. As crianças que se comunicam com ele, por que já conhece da rua, para os colegas ele é do mesmo jeito dos outros. O aluno está interagindo, não é só por que é uma criança com deficiência auditiva que ele deva ficar insolado.
A socialização é boa, como diz os educadores, pois as crianças encontram formas para essa comunicação e interação entre elas, mas isso não significa que essa criança surda esteja aprendendo, pois, a falta do domínio da LIBRAS dificulta bastante a comunicação entre as
partes. A presença de um intérprete contribuiria grandemente com essa comunicação entre os indivíduos e traria muito mais conhecimentos para ambos.
Cabe a escola e ao educador presente na sala de aula, fazer essa mediação entre os estudantes surdos e ouvintes, a apresentar a língua de sinais e proporcionar essa melhor interação, já que a língua é de suma importância para a formulação e desenvolvimento do pensamento. Agora isso só acontecer se os profissionais tiverem a formação de língua de sinais e seja qualificado para atender estes estudantes de forma inclusiva na escola regular.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesse trabalho de conclusão de curso, pode-seaprofundar reflexões acerca de inclusão educacional, de educação de surdos e formação de professores, com base na legislação brasileira e na lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 e do decreto 5.626 de 2005, que proporcionou mais conhecimento acerca do assunto, juntamente com a pesquisa realizada.
Aos longos dos anos a luta pela educação de surdos vem ganhado impulso, sabe-se que as conquistas são grandes e os avanços vêm ocorrendo, claro que isso não significa que a batalha acabou, pelo contrário, ainda existe muita luta, mas isso quer dizer que as ações anteriores valeram a pena, dando mais força para as lutas que virão.
A pessoa surda é um sujeito atuante e cidadão de direitos que devem ser respeitados integralmente, visto que, segundo a legislação citada fica evidente que pela lei a sociedade deveria ser esclarecida e fluente na LIBRAS, contando com profissionais capacitados para desempenhar as funções de interprete.
Como percebe-se nas falas das educadoras da educação infantil e do fundamental I que foram entrevistadas, estas se empenham no que podem, tentam ao máximo oferecer a educação aos alunos surdos e procuram meios, recursos e até apoio, mas sozinhos e sem formação não conseguem. Não basta somente o querer e a força de vontade, não possuem formação, não tem o auxílio de intérprete em sala de aula e isso dificulta ainda mais o dia a dia em sala de aula e principalmente no desenvolvimento do aluno surdo.
A pesquisa proporcionou um aprofundamento no mundo dos surdos, permitindo uma compreensão maior da cultura que do povo surdo, fazendo entender as diferenças existentes e principalmente permitindo ter acesso, contato e pequena participação no cotidiano tanto do aluno surdo quanto do professor de ensino regular e profissionais que atuam na área, o que fez ver com outros olhos essa realidade. Uma realidade que não é bem se espera, que não garante o acesso a educação como a lei prevê. Também revelou o quanto está despreparada a educação regular do município de Delmiro Gouveia para receber esses alunos surdos, sendo que o aluno está na sala de aula, mas infelizmente não tem não tem a mesma educação institucional de os demais, já que por vez não recebe todo apoio que pé necessário para o seu desenvolvimento e aprendizagem. Que a família não é instruída e nem preparada para lidar com a criança surda.
O que leva a refletir sobre o que está acontecendo e de que forma essa criança está vivendo, já que o mundo em que vive não a compreende e nem ela ao meio ao seu redor. Claro que se encontra formas e meios de comunicação, mas não é apresentada ao indivíduo sua
cultura, história, identidade e educação, tentando assim introduzir o surdo ao mundo ouvinte, sem consideração a sua língua e cultura distinta.
A formação do professor não contribui para essa inclusão, recebendo o aluno com surdez em sala de aula sem preparação, não é oferecida a colaboração de intérprete e o auxiliar que é disponibilizado também não tem formação na área, ocasionando ainda mais esse atraso na comunicação e interação do surdo. Deveras, alguns professores demonstram interesse em desenvolver a aprendizagem desses alunos, mas esbarram na falta de conhecimento sobre como fazê-lo.
É através da língua que a interação acontece. Se a língua de sinais não é apresentada ao surdo desde muito pequeno, como essa comunicação vai acontecer, como o surdo vai aprender a se comunicar e interagir com o mundo a sua volta? As reflexões, os questionamentos os anseios e as compreensões acerca da surdez, da formação de professores, da educação inclusiva, não se finda por aqui. Foi um trabalho que mencionou algumas formas de entender como a educação de surdos é compreendida pela sociedade e nesse caso, ainda não há a compreensão necessária. Acredito que ainda há muito o que ser estudado sobre a educação de surdos e quem sabe assim, com estudos e práticas, um dia consigamos evoluir e conquistar o reconhecimento e efetivação real da Língua de Sinais como toda, com sua estrutura e complexidade. Assim levando o sujeito surdo ser parte integrante da sociedade.
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ANEXOS
Questionário para as professoras do ensino regular que tem aluno surdo em sala de aula
Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Idade: _______
Qual a sua formação e há quanto tempo a exerce?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Você possui formação profissional em educação especial ou inclusiva? Se sim, qual?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Descreva sobre o que é educação inclusiva.
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Como você enxerga a inclusão do surdo no ensino regular?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Quantas crianças surdas têm na sua classe? Indique as conquistas alcançadas e as dificuldades enfrentadas.
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Como você compreende a surdez?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________
Para você, qual seria a melhor forma de educação institucional para o surdo?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Qual a metodologia que você utiliza para que haja aprendizado com a criança surda?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Você acha que a criança realmente aprende com sua metodologia? Por quê?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Na sua concepção o que poderia melhorar o ensino e aprendizagem da criança surda?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Você tem algum apoio (material, curso, formação, recursos, entre outros) da escola e do município para trabalhar com criança surda? Se sim, qual o apoio?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ É oferecido algum apoio ou suporte do município ao aluno com surdez?
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________
Entrevista realizada com a coordenadora do município do AEE
1º- Em cada escola do município existe uma sala de Atendimento Educacional Especializado? Quantas são?
2º- Quantos são os professores do AEE? E em cada escola tem um professor? 3º- Os professores possuem formação na área?
4º- Como acontece essa formação? 5º- Quantas escolas têm alunos surdos?
6º- Os professores de AEE que trabalham com esses alunos com surdez possuem formação em Língua Brasileira de Sinais?
7º- Esses profissionais são fluentes em LIBRAS?
8º- Existe algum projeto que envolva a comunidade surda com a sociedade? Se sim, qual é o projeto e ele já foi colocado em prática?
Entrevista realizada com algumas professoras do AEE das escolas
1º- Quanto tempo você trabalha com AEE? 2º- Você trabalha com quantos alunos surdos? 3º- Você tem formação em LIBRAS?
4º- Você é fluente em LIBRAS?