O Ministério do Turismo apresentou em uma publicação recente, concluída em 2012 - “Roteiros do Brasil, Programa de regionalização do turismo” - a tríade “sensibilização,
mobilização e promoção”. O programa explica que “a atividade de sensibilização requer o
uso de estratégias e recursos de comunicação, com vistas a articular, envolver e aumentar a participação dos atores envolvidos com a atividade de uma região turística. A comunicação eficiente faz com que os objetivos sejam atingidos”.
Esta publicação, Roteiros do Brasil, sugere algumas ações que são tanto realizáveis por um turismólogo como, pela comunicação, através das Relações Públicas de uma instituição. A pesquisa para identificar características das comunidades a serem sensibilizadas e contato com as lideranças locais requer:
• levantamento e análise dos meios de comunicação disponíveis • definição dos meios de comunicação que serão utilizados
• modelo de comunicação que apoiará o processo de sensibilização
• convite aos diferentes grupos da comunidade para apresentação e discussão inicial sobre o projeto a ser realizado.
Estas ações objetivam sintonizar a comunidade local com o projeto turístico através das diversas mídias disponíveis, apresentando a melhor forma para que compreendam, aprendam e se adaptem a receptividade turística, mantendo sua identidade, princípios e costumes. Desta forma o benefício será de ambos: anfitriões e turistas. O público alvo.
O Prof. Rudimar Baldissera, como apresentado na introdução desta Monografia, realizou um trabalho de pesquisa na Rota Romântica28, Vale dos Sinos29 e Vale do Paranhana30 (29 municípios do Rio Grande do Sul), apresentando exatamente a análise dos processos de Comunicação Turística das Secretarias de Turismo e as ações comunicacionais desenvolvidas para a construção da cultura do turismo responsável/sustentável. Baldissera, em suas considerações finais, diz
Essa falta de informações técnicas, fundamentadas em estudos sérios, aliada a fracos investimentos, ao pouco profissionalismo nas ações de comunicação, e à compreensão míope do que seja comunicação turística, leva ao implemento de ações suportadas pela técnica da tentativa e erro o que, provavelmente, exigirá mais investimentos para retornos pouco significativos.(2010)
O que se verifica na Cidade de Louveira está apresentado nos resultados desse material, pois mais adiante nas considerações Baldissera também pôde identificar que o próprio turismo, no âmbito da Comunicação Pública, tende a ocupar lugares periféricos, com função de divulgação meramente publicitária e sem planejamento.
No estudo de caso realizado na Cidade de Itacaré, na Bahia, Melo31 fala da importância da comunicação na sustentabilidade turística. “A comunicação é canal de venda, de divulgação, modela-se como camaleão para atingir toda a tipologia de turistas.”
O elemento de análise nesse estudo foi o material publicitário impresso como folders e cartazes, sendo estudadas suas cores, imagens, texto, slogan da cidade. Um material que
28 A Rota Romântica é composta por São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Presidente Lucena, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Picada Café, Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São Francisco de Paula.
29 O Vale dos Sinos compreende os Municípios de Araricá, Campo Bom, Canoas, Dois Irmãos, Estância Velha, Esteio, Ivoti, Lindolfo Color, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Portão, São Leoporldo, Sapiranga e Sapucaia do Sul.
30 O Vale do Paranhana compreende os Municípios de Igrejinha, Parobé, Rioznho, Rolante, Taquara e Três Coroas
31 Priscila Dayane Pitanga de Melo é bacharel em Turismo pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC, em Itabuna - BA.
exercita o imaginário do turista que busca, no caso, lazer no ecoturismo da cidade. Em seu estudo considera:
É necessário também que a comunicação exerça o papel de regulador da atividade turística, levando ao conhecimento dos consumidores as fragilidades dos sistemas culturais e naturais envolvidos na atividade turística. Assim sendo, a comunicação torna-se não só um veículo de promoção, mas também um agente potencializador da sustentabilidade turística. (MELO, 2006)
Cisne32 e Gastal33, discutem o imaginário e a comunicação turística em roteiros turísticos tematizados através de trabalho apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro da Comunicação, em 2011.
Citando Debord e Maffesoli, as autoras discutem sobre a Sociedade do Espetáculo, concluindo que a comunicação do século XXI, com toda sua modernidade, dificilmente confundem um público que tem informação real e gratuita (internet) para o que lhe interessar. Contudo “estão abertos à sedução, querem ser convencidos e, aderindo e consistindo à dominação, não mais como sujeitos manipulados, mas como sujeitos conscientes da adesão, podendo revogar o contrato quando lhes aprouver, quando não mais fornecerem o prazer ao qual estão buscando.” (CISNE e GASTAL, 2011, p. 10)
A comunicação turística deve ser sedutora, mas verdadeira. O cuidado com Roteiros turísticos, como no caso do Circuito das Frutas, deve levar em conta o imaginário de seu público e fazer-se o mais original (de acordo com o imaginário) possível. A visão do rural tida por um turista urbano é a do café no bule, galo cantando na madrugada, o caipira roçando, fumando seu cigarro de palha, uma viola no meio da tarde tocando uma triste moda sertaneja, o espreguiçar em uma cadeira de balanço na varanda da casa. É isto, ou a partir disto que deve-se trabalhar a comunicação, tanto com o turista como com o empreendedor rural. É o preservar da cultura que encanta os espíritos de quem está habituado com o meio urbano.
O profissional de comunicação deverá valorizar estas imagens e costumes tão procurados pelos turistas e também coordenar estas imagens na realidade do empreendedor rural, que atualmente vive de forma bem mais posmoderna, para que haja desfrute e não frustração de
32 Rebecca Cisne - Mestre em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) Bacharel em Turismo- Ecoturismo pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (IESAM)
33 Susana Gastal - Pesquisadora, orientadora e professora do Mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS)
ambos, com o cuidado de não nos tornarmos “simples consumidores de modelos culturais elaborados pelos mercados” (TOURAINE, 1997, apud BORBA, GOMES e TURJILLO)