Ao final da aplicação tivemos 107 respondentes, na faixa etária de 19 a 33 anos, com 62% do sexo feminino 38% masculino. Com renda salarial de 6 a 9 salários mínimos obtivemos 40%, enquanto que 35% auferem mais de 10 salários mínimos. Na aplicação e obtenção dos dados da pesquisa não foram identificados técnicas estatísticas para o compilamento de respostas femininas e respostas masculinas separadamente. Desta forma, a sondagem não reflete o comportamento de uma grande porção de indivíduos, mas somente de indivíduos com perfis nas mídias sociais que interagem comigo.
O objetivo deste trabalho foi buscar informações e analisar a forma como o indivíduo contemporâneo consume e quais os meios que ele utiliza para tal. E também em identificar o poder das marcas e a influência nos hábitos consumistas. A análise investigativa foi totalmente executada pela internet.
Do total de respondentes, 97% disseram buscar informações sobre produtos antes de comprá-lo e apenas 3% compram sem se informar com antecedência.
Entre as formas de conseguir informação sobre produtos, a internet foi o meio utilizado por 95% dos respondentes, seguido pela opinião dos amigos com 73%. Curiosamente ao mesmo tempo que os indivíduos buscam informações nas mídias sociais também se relacionam com pessoas mais próximas como referência para pedir informações. Os jornais impressos e revistas são utilizados somente por 21% dos entrevistados.
A decisão de compra também foi analisada na pesquisa, e entre as alternativas que mais se destacaram entre os respondentes estão: qualidade com 78% e preço com 70%, o que pode levar a concluir que o consumidor de hoje busca incessantemente a qualidade; o preço é um fator de alta relevância, mas a qualidade e a durabilidade são o que predominam na hora da compra. Vontade, custo beneficio e impulso também foram analisados, mas ficaram com menores percentagens. Um aspecto inegável para as empresas é estarem sempre atentas e à disposição de seus atuais e futuros clientes.
Em relação a fidelização da marca, 73% dos entrevistados disseram que são fiéis a uma marca de um determinado produto ou serviço, contra os 27% que afirmam não ter fidelidade a nenhuma marca. Isso mostra a força e a difusão rápida do princípio de marca nas sociedades contemporâneas que para SEMPRINI (2010, p. 288) “a chave desse sucesso reside, essencialmente, na capacidade das marcas para cirar mundos possíveis que têm um sentido para os indivíduos. Isso feito [...] elas contribuem para levar uma resposta à incessante busca de sentido que caracteriza o indivíduo moderno”. O consumidor, está em busca de algo satisfatório, como forma de recompensa, ao se afinizar com uma marca e esta proporciona prazer e significados à ele, só resta gerenciar o processo de fidelização. Mais uma função exercida pelos profissionais de Relações Públicas que trabalham em prol de uma determinada marca.
A segunda parte da pesquisa buscou identificar e analisar a frequência que os respondentes consumem algo, quais são os produtos mais buscados na hora da compra e o meio que eles utilizam efetuar suas aquisições. 87% afirmaram fazer compras pela internet, enquanto 13% disseram não comprar produtos virtualmente. Entre a preferência dos respondentes, os objetos mais desejados e adquiridos pela
internet são: livros, CD´s e DVD´s com 62%. Os sites que oferecem compras coletivas ficaram em segundo lugar na preferência com 49%.
Num percentual de 48% estão os aparelhos eletroeletrônicos, em seguida os serviços, viagens, eletrodomésticos, celulares e tablets, móveis e decoração, beleza e saúde e por último alimentação e bebidas. Tal resultado nos leva a seguinte reflexão: consumidores internautas utilizam o meio mais prático para fazer suas compras, mas os produtos mais consumidos são aqueles de grande durabilidade, não perecível e que, provavelmente os consumidores já identificaram e com uma grande probabilidade de também terem buscado informações sobre o produto desejado.
Um estudo sobre Confiança em Publicidade realizado pela empresa Nielsen em 2012, apurou que 92% da população global prefere acreditar nas recomendações dos amigos. O famoso boca a boca ainda é considerado um meio confiável de indicação sobre produtos e serviços. As mídias sociais também tem sua parcela de responsabilidade, pois facilita a divulgação da experiência do consumidor. TERRA, explica esse fenômeno:
A mídia produzida pelo consumidor/usuário é uma manifestação criada e compartilhada por e entre os consumidores/internautas. Acaba por gerar credibilidade, uma vez que foge à voz oficial das comunicações institucionais e influencia grandes grupos ligados pelas redes sociais.(TERRA, 2012, p. 37).
Por isso os profissionais de comunicação atuantes nesta área devem sempre estar à frente dos acontecimentos monitorando e gerenciando a marca ou serviço para qual trabalham. Responder às reclamações com clareza, objetividade, rapidez e propondo sempre que possível uma solução para o problema ou reclamação recebida.
90% dos respondentes afirmaram que a marca influencia na hora de comprar. É por isso que as marcas estão cada vez mais preocupadas e atuantes sobre o que é dito sobre elas na internet, com o buzz das mídias sociais as marcas estão numa exposição muito maior e quem controla como e para onde vai essa reputação são os consumidores, principalmente, os consumidores internautas.
A pesquisa obteve resultados que deixam claro e evidenciam que conforme dito no capitulo I sobre a Sociedade do Consumo, marcas e produtos precisam seguir a velocidade do tempo, ou caso contrário perderão espaço até mesmo antes de conquistá-lo. O indivíduo é consumista, conforme mostrou a pesquisa exploratória e todo o referencial teórico, é inerente do ser humano ser hedonista, buscar prazer e satisfação em algo concreto que lhe traga segurança e emoções positivas. Por outro lado, tem a questão ambiental, social que também foi avaliada na última questão fechada da pesquisa, pois essa era a intenção, de clareza e sinceridade, e 71% dos respondentes disseram ser consumidores conscientes, contra 29% que optaram pelo não como resposta.
Em relação a essa última questão sobre o consumo consciente, após a análise do resultado poderia ter sido feito uma questão aberta, para que cada respondente deixasse claro o que significa consumo consciente nos dias de hoje sob a sua própria visão, sua própria vivência. Assim sendo, a pesquisa não reflete o comportamento da amostra.
Considerações Finais
A sociedade de consumo é atual sociedade que vivemos, uma sociedade de massa que produz para as massas e tem em si um consumo massificado. Mas o que significa consumo dentro da sociedade de consumo? O indivíduo foi criado e doutrinado a consumir para suas necessidades e sobrevivência. Entretanto, com a globalização da economia esse consumo se tornou conspícuo e vem atraindo olhares de grandes potências detentoras de poder e alta tecnologia.
Essa nova forma de consumo é tema de estudos sociológicos e antropológicos, que nunca terão fim e nenhuma conclusão exata. Diversas são as definições e as características que cada pesquisador pode tentar delimitar para o tema, mas o fato é que o consumo está para a necessidade assim como o consumismo está para os nossos desejos.
Para muitos consumir diminui a longa distância entre insatisfação e a satisfação. O preenchimento de algo que faltava. Mas há sempre algo que irá faltar. O ser humano é incompleto e busca plenitude nos bens materiais e nas sensações que eles provocam em sua consciência.
A questão do consumismo é discutida há muito tempo por diversas áreas de estudo, e não parece ter um fim próximo. O meio ambiente precisa ser preservado e tornou- se questão fundamental entre reuniões e discussões nos quatro cantos do mundo.
Os impactos do consumismo afetam o meio ambiente, mas todos os dias somos bombardeados por propagandas de milhares de produtos. Consumir o necessário para a sobrevivência do ser humano não é o objetivo de nenhuma marca ou empresa. A concorrência é acirrada e quem oferece produtos mais diversificados, atraentes, promove status e consegue fidelizar uma massa maior de consumidores fieis, isto é um fator que também foi identificado na pesquisa aplicada.
Reutilizar produtos e embalagens, separar o lixo descartado que pode ser reciclável, não comprar produtos pirateados, conhecer as práticas de responsabilidade social
que as empresas apresentam são pequenos gestos que podem levar a um consumo consciente e ao mundo melhor. Entre essas mudanças também está a conversão da postura concorrencial para uma postura de parceria entre as empresas.
No decorrer do trabalho, identifiquei que não só as necessidades fisiológicas levam o ser humano a consumir, mas também reações psíquicas que afetam o cérebro levando o indivíduo ao consumismo. Ainda que tudo possa parecer simples, várias são as fontes dos motivos infindáveis e as combinações dos impulsos que nos leva a ter e consumir.
Também ficou claro que a comunicação é uma forte aliada das marcas e produtos. A forma como as empresas se comunicam e conseguem atrair seus públicos é outra característica do indivíduo consumista. As relações públicas abrem canais de comunicação entre a organização e seus públicos, buscando a confiança, construindo credibilidade e dando valor a dimensão social da organização.
A propaganda comercial tem poder decisivo nesse contexto, mas não é a principal responsável pelo consumismo. Para as empresas o consumismo é interessante mas a curto e médio prazo, uma vez que compras recorrentes aumentam receitas e ganhos, proporcionando mais recursos para uma competitividade ainda maior na sociedade de consumo. Sob o olhar do indivíduo consumista esse é um dos seus maiores desejos, poder ter mais opções de escolhas e preencher com algo material uma insatisfação existente.
O contexto real do consumismo além das marcas e produtos são as próprias pessoas, famílias e o Estado que possui interesses na perpetuação do consumo para gerar taxas, impostos, exportações e lucros. São poucos os que estão dispostos a consumirem somente o necessário, se readaptarem a uma nova vida (talvez) privada de mordomia e conforto para serem consumidores responsáveis, preocupados com o meio ambiente e o futuro próximo de escassez privações.
A sociedade de consumo precisa se reorganizar para ser uma sociedade de consumo consciente. Indivíduos mais equacionados, equilibrados, e menos impulsivos, competitivos e gananciosos podem contribuir para essa nova sociedade.
Mas não é possível mudar o mundo e as sociedades em segundos, a sociedade de consumo demorou para ser construída e foi lapidada para ser como é durante muito tempo. Para uma nova sociedade, mais justa, menos consumista também levará tempo, boa vontade de governantes e empresários, educação e informação nas escolas, em casa e nas comunicações das propagandas. Só resta saber se há tempo suficiente para toda essa reestruturação social.
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