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Segundo a Companhia de Águas e Esgoto do Ceará (CAGECE), o sistema de esgotamento sanitário de Fortaleza é composto por:

a) Sistema de disposição oceânica vertente marítima, a Estação de Pré- Condicionamento de Esgoto (EPC) e Estação de Tratamento de Odores (ETO).

b) Sistema Integrado do Distrito Industrial de Maracanaú – SIDI. c) Sistemas isolados.

De maneira a se obter dados sobre a concentração de micropoluentes emergentes em esgotos brutos, sanitário, sanitário/industrial e hospitalar, assim como a remoção desses compostos em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) de baixo custo, foram selecionadas diferentes tecnologias de tratamento de esgotos.

A Tabela 11 traz informações sobre as ETEs investigadas quanto ao tipo de esgoto e tipo de tratamento empregado e a Figura 19 mostra a distribuição espacial das ETEs.

Tabela 11 - Informações sobre as ETEs investigadas quanto ao tipo de esgoto e tipo de tratamento empregado.

Nome da ETE Tipo de Esgoto Tipo de Tratamento Responsável pela Operação

Nova Metrópole Sanitário Lagoas de Estabilização CAGECE

Tabapuá Sanitário Lagoas de Estabilização CAGECE

Itaperussu Sanitário Lodos Ativados CAGECE

José Walter Sanitário Lagoas de Estabilização CAGECE

EPC Sanitário Preliminar CAGECE

HGWA Hospitalar Anaeróbio/aeróbio/cloração Hospital

SIDI Sanitário/Industrial Lagoas de Estabilização CAGECE

EPC: Estação de Pré-Condicionamento de Esgoto; SIDI: Sistema Integrado do Distrito Industrial de Maracanaú; CAGECE: Companhia de Águas e Esgoto do Ceará.

Fonte: AUTOR.

Deu-se uma especial atenção à tecnologia do tipo lagoa de estabilização, por ser a principal tecnologia de tratamento de esgotos sanitários no Ceará e pela existência de poucos estudos sobre a remoção de micropoluentes nesses sistemas. A estação de pré-condicionamento (EPC) foi selecionada, principalmente por receber uma grande parte dos esgotos de Fortaleza, importante, portanto, para a avaliação quantitativa e qualitativa de micropoluentes no esgoto bruto.

Como controle, a ETE Itaperussu foi selecionada por operar na modalidade de lodos ativados com aeração prolongada, sendo tal tecnologia considerada a mais eficiente na remoção de micropoluentes, além de ser bastante investigada em estudos conduzidos fora do Brasil (CARBALLAet al., 2004; GHISELLI, 2006; STASINAKISet al., 2010; VEGA-MORALESet al., 2010; JELICet al., 2011). Adicionalmente, avaliou a concentração e remoção de micropoluentes em esgotos hospitalares por meio de reatores anaeróbio/aeróbios seguidos de cloração. A distribuição espacial das ETEs avaliadas é mostrada na Figura 19.

Figura 19 – Distribuição espacial das ETEs estudadas na RMF.

Fonte: adaptado do GOOGLE EARTH (2011).

A seguir, serão descritas as ETEs em termos de localização, operação e tipo de tratamento:

1. Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Lagoas de Estabilização tratando esgoto sanitário;

2. Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Lodos Ativados tratando esgoto sanitário;

3. Estações de Pré-condicionamento de Esgotos sanitários tratando esgoto sanitário;

4. Estação de Tratamento de Esgotos do tipo Lagoas de Estabilização tratando esgoto sanitário/industrial;

5. Estação de Tratamento de Esgotos do tipo sistema compacto anaeróbio/aeróbio tratando esgoto hospitalar.

 Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Lagoas de Estabilização tratando esgoto sanitário

A Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do Tabapuá (Figura 20a) é composta por uma lagoa facultativa primária e duas lagoas de maturação em série. Já a ETE do Conjunto Nova Metrópole (Figura 20b) é composta somente por uma lagoa facultativa primária. Ambas as estações estão localizadas em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza e tratam esgotos sanitários de conjuntos habitacionais e residências do entorno.

A ETE do Conjunto José Walter localiza-se em Fortaleza, tratando esgotos sanitários deste conjunto habitacional. O tratamento da ETE é realizado por uma lagoa facultativa primária e duas de maturação em série (Figura 20c).

Figura 20 - Vista Aérea da ETE do Conjunto Nova Metrópole (A), ETE do Conjunto Tabapuá (B) e a ETE do Conjunto José Walter (C).

Fonte: Google Earth, 2011.

(b)

(c) (a)

Estações de Tratamento de Esgotos do tipo Lodos Ativados tratando esgoto sanitário

A ETE Itaperussu (Figura 21) localiza-se em Fortaleza, tratando esgotos sanitários de conjuntos habitacionais e residências do entorno. A tecnologia de tratamento de esgotos utilizada consiste de um sistema de lodos ativados projetado na modalidade de aeração prolongada.

Figura 21- Vista aérea da ETE Itaperussu do tipo lodos ativados projetada na modalidade de aeração prolongada.

Fonte: Google Earth, 2011.

Estação de Pré-condicionamento (EPC) recebendo esgoto sanitário

A estação de pré-condicionamento (EPC) (Figura 22) está localizada na costa oeste de Fortaleza, e recebe efluentes sanitários, coletados nas grandes bacias de esgotamento de Fortaleza. A estação possui capacidade de tratamento de 4,8 m3/s, tratando atualmente 2,2 m3/s. Após remoção de sólidos grosseiros e areia

o esgoto é lançado ao mar a uma profundidade de 16 m, por meio de um emissário submarino com comprimento total de 3.330 m.

Figura 22- Estação de Pré-Condicionamento de Fortaleza-CE.

Fonte: Autor.

 Estação de Tratamento de Esgotos do tipo Lagoas de Estabilização tratando esgoto sanitário/industrial

O sistema integrado do distrito industrial (SIDI) está localizado em Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza – RMF (Figura 23). O SIDI atende a sete conjuntos habitacionais (Timbó, Jereissati I, Jereissati II, Novo Maracanaú, Acaracuzinho, Novo Oriente e Industrial), totalizando mais de 100.000 residentes, além de receber efluentes de oitenta empresas implantadas no Distrito Industrial. Portanto, o sistema se caracteriza pelo recebimento de esgotos sanitários e industriais.

O sistema de tratamento de efluentes SIDI é formado por cinco lagoas de estabilização, em série, sendo uma anaeróbia, uma facultativa e três de maturação, cobrindo uma área de 82 hectares. A capacidade de tratamento do SIDI é de 523 L/s, estando processando atualmente cerca de 400 L/s. A Figura 23 mostra uma vista aérea da ETE SIDI e da última lagoa de maturação.

Figura 23 - Vista aérea da ETE SIDI, Maracanaú-CE.

LA: lagoa anaeróbia; LF: lagoa facultativa; LM: lagoa de maturação. Fonte: autor e adaptação do GOOGLE EARTH, 2011.

Observa-se na Figura 23 a localização dos pontos de coleta afluente e efluente, além do corpo receptor o rio Maranguapinho.

 Estação de Tratamento de Esgotos do tipo sistema compacto anaeróbio/aeróbio tratando esgoto hospitalar

A ETE do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara – HGWA (Figura 24) localiza-se no bairro de Messejana, em Fortaleza. Atualmente, o hospital conta com 253 leitos em funcionamento. É composto de tratamento preliminar, reator anaeróbio de manto de lodo e fluxo ascendente (UASB) e um reator aeróbio do tipo lodos ativados, ambos em fibra de vidro. Ao final, é realizada a desinfecção do efluente pela utilização de hipoclorito de cálcio (Hipocal), por meio de uma bomba dosadora. O volume do reator UASB é de 35 m3 e o Tempo de Detenção Hidráulica (TDH) é de 5 horas. O reator aeróbio possui volume útil de 24 m3 e TDH de 4,5 horas. O efluente tratado é lançado no Riacho Paupina, que fica próximo à ETE.

Figura 24 - ETE do Hospital Geral Waldemar de Alcântara, Messejana - CE.

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Fonte: AUTOR.