L’hypertextualisation par la structure des documents
3.5 Documents structurés
Considerando a Matriz 9, no Anexo 6, podemos concluir que os países do alargamento apresentam essencialmente duas grandes vantagens relativamente a Portugal: estão mais perto dos grandes mercados europeus (em termos de consumo e de Investimento Directo Estrangeiro); e, à primeira vista, têm uma relação qualidade/preço do factor trabalho mais favorável, uma vez que apresentam melhores níveis de escolarização, têm custos de mão-de-obra mais baixos e têm um menor custo unitário do trabalho por quantidade produzida. Dizemos “à primeira vista”, uma vez que as qualificações e as competências destes países estão tendencialmente obsoletas, sobretudo em resultado da estruturação económica que as suas economias, na sua maioria saídas do bloco soviético, vêm verificando. Portugal apresenta ainda como vantagens o facto de viver há mais anos numa economia de mercado e de estar há mais tempo na União Europeia, conhecendo melhor os seus problemas e regras, de estar mais avançado em termos de infra-estruturas - como estradas, telecomunicações, sistema financeiro, entre outras -, relativamente a alguns dos países do alargamento, de
46 Do inglês Straights, Weaknesses, Opportunities and Threats (em português, Pontos Fortes, Pontos
apresentar, em média, uma qualidade superior das instituições e organismos de apoio à organização social e económica e ainda pelo facto de as suas empresas e organização produtiva serem, tendencialmente, mais eficientes do que em alguns daqueles países. Além do mais, Portugal tem maior significado em termos de comércio mundial do que alguns países do alargamento, como as ilhas mediterrânicas ou os países bálticos.
Segundo os Peritos consultados e, em parte, devido ao saldo resultante do confronto entre os pontos fracos e fortes acima apresentados, o alargamento apresenta-se-nos como uma ameaça em determinados aspectos, mas também como uma oportunidade, noutros. Do lado das ameaças, podemos referir que a integração dos países do alargamento na União Europeia lhes confere uma vantagem significativa e acrescida em termos de concorrência comercial e de capacidade de atracção de Investimento Directo Estrangeiro47. Estes dois aspectos aliam-se aos factos de as suas estruturas produtivas serem muito idênticas à de Portugal, de estes países estarem mais perto do centro europeu e de Portugal se tornar num país ainda mais periférico, mas também de aqueles irem receber mais fundos estruturais, o que terá como consequência o aumento do poder de compra e da procura por parte daqueles mercados. Desta forma, Portugal perde capacidade concorrencial nos sectores cujos factores competitivos se baseiam ainda nos custos e onde a produtividade está a crescer mais lentamente do que os salários. A grande ameaça vem sobretudo dos países da Europa Central - a Polónia, a Hungria, a República Checa, a Eslováquia e a Eslovénia -, alguns dos quais apostam já em factores competitivos de novo tipo, como a diferenciação do produto, alguma investigação ou economias de escala. Desta feita, os sectores mais afectados pelo alargamento serão os da Fileira Florestal, da Fileira Têxtil, Vestuário e Calçado, dos Materiais de Construção, da Fileira Metálica e da Fileira Electrónica. Consequentemente, e porque estes sectores
47 Como já referimos, a própria União Europeia vê o alargamento como uma forma de evitar que os
projectos de Investimento Directo Estrangeiro saiam do seu espaço económico para outros países com mão-de-obra barata.
se encontram maioritariamente aí localizados, o Norte do País será a zona mais afectada, seguida da região Centro.
Mas o alargamento pode igualmente ser fonte de algumas oportunidades para a economia portuguesa. Primeiro, porque Portugal pode vir a beneficiar da forte dinâmica de crescimento que se espera da economia destes países, através de um aumento da procura dirigida aos produtos portugueses; por outro lado, e de forma indirecta, pelo aumento da procura com origem nos países que já faziam parte da União Europeia, decorrente de um clima de optimismo provocado pelo alargamento que induza o crescimento das suas economias, com efeitos positivos em Portugal uma vez que os mercados daqueles países são o principal destino das nossas exportações. Também as empresas portuguesas, nomeadamente as do sector da Construção Civil, podem vir a apostar na sua internacionalização para os territórios dos países do alargamento, aproveitando os maiores fluxos de investimento que poderão ocorrer naqueles países, na sequência da atribuição de fundos estruturais. As empresas portuguesas poderão ainda beneficiar do alargamento se conseguirem estabelecer relações de parceria e de cooperação com as empresas daqueles países na procura de mercados externos mais amplos. A todos estes aspectos, acresce o facto de os países do alargamento serem ainda sociedades e economias instáveis, por se encontrarem a construir, em simultâneo, um Estado moderno, uma democracia, uma economia de mercado, podendo este período transitório funcionar como uma janela de oportunidade para realizar as mudanças necessárias na economia portuguesa48.
Antes de prosseguirmos a nossa análise é importante referir ainda dois aspectos fundamentais. Primeiro, é preciso não esquecer que o alargamento não é um acontecimento pontual, ocorrido no dia 1 de Maio de 2004, mas sim um processo, que começou no início dos anos noventa e se arrastará no tempo, pelo que os seus impactos se estenderão pelos próximos anos. Segundo, mesmo que não houvesse um alargamento
da União Europeia com as características acima referidas, Portugal teria que desencadear muitas e significativas mudanças uma vez que ocorre, paralelamente, um outro processo, o da Globalização, com fortes impactos sobre a economia portuguesa e que ultrapassam claramente os daquele alargamento. De qualquer forma, como a análise SWOT acima descrita deixa antever, o alargamento funciona como um impacto adicional, negativo ou positivo, sobre a economia portuguesa.