L’hypertextualisation par la structure des documents
3.2 Déterminer les nœuds
Para aprofundarmos o impacto do alargamento da UE sobre o emprego em Portugal decidimos analisar a economia portuguesa ao nível sectorial. Esta escolha prendeu-se com o facto de considerarmos prioritário dar atenção às especificidades de cada sector, dado não ser previsível que o impacto do alargamento da União Europeia seja igual em todos eles. Com esse objectivo concebemos uma metodologia própria de modo a: 1) seleccionar uma dada decomposição sectorial da estrutura produtiva portuguesa; 2)
aferir o comportamento de cada um daqueles sectores à luz de determinados parâmetros-chave, como a competitividade e a procura, mas sobretudo a concorrência com os países do alargamento; 3) reagrupar os sectores com base nas variáveis anteriores; 4) proceder a uma análise mais fina da concorrência com os países do alargamento para detectar a existência eventual de um grupo mais crítico; e 5) reagrupar de novo os países do alargamento, agora de acordo com o critério anterior. Consideramos que a metodologia por nós desenhada nos ajudou grandemente a conhecer melhor o nosso objecto de estudo e a analisar as informações que foram recolhidas.
Assim, começámos por considerar as informações contidas em referências bibliográficas de diversos autores, relativas quer a Portugal, quer aos países do alargamento33. Depois, tomámos como referência um diagrama elaborado pelo PROINOV (2002) e que adaptámos ao nosso objectivo34, construindo a Matriz 1, que apresentamos na página seguinte. Nesta matriz assinalámos os sectores tradicionais – a ponteado forte - e os sectores emergentes – a ponteado suave; representámos, em seguida, em traços diagonais, os sectores de especialização portuguesa e, a quadriculado, os sectores de especialização dos países do alargamento, tomados em conjunto. Indicámos ainda com traços horizontais os megaclusters e os sectores de procura mundial saturada e com traços verticais os que podem contar com uma procura mundial em evolução. Por último, assinalámos com um padrão em xadrez os sectores de alta/média tecnologia, ou seja, aqueles que assentam a sua competitividade em factores como a escala, a diferenciação e o conhecimento.
A análise conjunta dos diversos constrangimentos e oportunidades permitiu-nos identificar três grupos de sectores com características bem distintas entre si.
33 Ver bibliografia referida na Matriz 1, na página seguinte.
34 No esquema original está bem presente a intenção de representar a clusterização da estrutura produtiva
portuguesa, através da ligação e cooperação entre clusters que se interligam por sectores comuns. No entanto, para o transformarmos num quadro de entradas múltiplas que contivesse a informação necessária à concretização metodológica do nosso trabalho, tivemos de lhe retirar o efeito de interligação.
Um primeiro grupo, que designámos por grupo do modelo de crescimento económico
em reconversão, corresponde à maioria dos megaclusters e sectores tradicionais em
Portugal e apresenta, à luz da nossa metodologia, três grandes constrangimentos: a forte concorrência dos países do alargamento; uma procura mundial saturada e uma competitividade assente em processos intensivos em trabalho e recursos naturais (sectores de baixa tecnologia). Incluímos neste grupo os diversos sectores dos
megaclusters da Alimentação, do Habitat, da Moda e o Electromecânico35.
Um segundo grupo – grupo do novo modelo de crescimento económico – correspondeaos sectores que constituem os megaclusters da Mobilidade Rodoviária, da Mobilidade Aeronáutica e da Mobilidade Naval, da Informação/Comunicação, do Lazer e da Saúde/Serviços Pessoais. Na sua maioria, trata-se de sectores emergentes em Portugal, com uma concorrência dos países do alargamento quase pontual, que contam com uma procura em crescimento e assentam a sua competitividade na escala, na diferenciação e no conhecimento (sectores de alta/média tecnologia).
Por fim, identificámos um último grupo, que designámos por grupo crítico, formado pelos sectores Automóvel e Turismo e pelo megacluster da Informação/Comunicação. Trata-se, no fundo, de um sub-grupo do grupo anterior, mas que apresenta determinadas particularidades que o distingue dos restantes sectores: sofre alguma concorrência dos países do alargamento, sobretudo o Automóvel, tem já alguma tradição em Portugal, principalmente o Turismo, e caracteriza-se pelos efeitos de externalidade e de alavanca na sua relação com os demais sectores produtivos, especialmente a Informação/Comunicação.
Mas uma análise mais cuidada da estrutura produtiva e das exportações dos países do alargamento levou-nos a concluir que estes não devem ser tratados em bloco, como um grupo homogéneo, sendo fundamental desagregá-los primeiro, e reagrupá-los
35 Embora, como mais à frente será analisado, o comportamento dos sectores não se reporte
posteriormente, de acordo com as semelhanças que apresentem face a indicadores mais finos.
Considerando a Matriz 8, no Anexo 4, adaptado da informação estatística disponível
on line no endereço electrónico do International Trade Center da World Trade
International (www.itc.org), ordenámos os países segundo o critério das melhores posições ocupadas no comércio internacional em cada sector, detendo-nos apenas nos sectores melhor classificados em cada país. Assim, pudemos agrupar os países do alargamento e próximos candidatos em cinco grupos diferentes: 1) um grupo formado pela Bulgária, pela Roménia e pela Turquia, que regista as melhores posições em sectores que baseiam a sua competitividade no factor trabalho, como os Têxteis, o Vestuário e os Artigos de Couro; 2) um grupo formado pela Estónia, pela Letónia e pela Lituânia, com uma forte especialização no sector da Madeira, suas Obras e Derivados, e que assenta a sua competitividade nos recursos naturais (fileira florestal); 3) outro grupo, formado pela Hungria, pela Polónia, pela Eslovénia, pela República Checa e pela Eslováquia, com boas posições em sectores de maior intensidade tecnológica, como o Equipamento de Transporte, a Maquinaria, os Produtos Eléctricos e Electrónicos, mas que registam, igualmente, elevadas vantagens comparativas reveladas e quotas de mercado nos sectores do Vestuário, do Têxtil, dos Artigos de Couro, da Madeira e Suas Obras e das Indústrias de Base (vd. Anexo 5); 4) Chipre, com especialização nas Indústrias Alimentares (Alimentos Frescos e Produtos Alimentares) e nas Químicas; e 5) Malta, que ocupa a primeira posição do ranking em termos de Componentes Electrónicos.
No entanto, dada a reduzida importância que as exportações de Chipre e de Malta apresentam em termos de quotas de mercado no comércio internacional e pelo facto de serem os dois países que se caracterizam por uma especialização produtiva menos próxima da portuguesa, muito embora a sua elevada especialização nos sectores acima referidos, optámos por agregá-los num mesmo grupo.
Deste modo, considerámos que a melhor forma de agrupar estes países, de acordo com a concorrência que movem à estrutura produtiva portuguesa, é a seguinte: 1) o
grupo dos países do Mar Negro, formado pela Bulgária, pela Roménia e pela Turquia;
2) o grupo dos países do Mar Báltico, constituído pela Estónia, pela Letónia e pela Lituânia; 3) o grupo dos países do Mar Mediterrâneo, onde se incluem Chipre e Malta; 4) o grupo dos países da Europa Central, com a Hungria, a Polónia, a Eslovénia, a República Checa e a Eslováquia36.
III. 2.3. Indicadores de concorrência e factores de competitividade em Portugal