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Dans le document Information UNIVAC (Page 83-87)

Esta litologia recobre a maior parte da área mapeada, estando em contato anômalo com o embasamento, sem a presença da Formação Jucurutu basal, servindo de encaixante para os corpos intrusivos, a oeste da ZCPJC. A unidade é constituída essencialmente por micaxistos que exibem finas bandas composicionais, alternadas em níveis mais félsicos, onde predomina composição quartzo-feldspática, e mais máficos, onde se concentram as biotitas. Esta alternância confere alta xistosidade, característica marcante desta unidade. Outra feição típica são os frequentes exudados de quartzo dobrados e boudinados (Figura 25.a).

Dois litotipos foram individualizados, levando em conta a presença de minerais aluminosos, sendo diferenciados os biotita-xistos com ou sem granada, dos granada-cordierita- xistos ± sillimanita ± andaluzita (Figura 25.b e c). Destacam-se grandes porfiroblastos de cordierita, presentes tanto em zonas de maior strain, próximos a ZCPJC, quanto em zonas sem essa associação, chegando a formar cristas ressaltadas no relevo, devido a maior resistência a erosão deste mineral (Figura 25.b). Observa-se a alternância de faixas ricas em cordierita e faixas xistosas puras, num mesmo afloramento, sugerindo a alternância de fácies pelíticas mais ou menos magnesianas no sedimento original. Deste modo, este litotipo é individualizado no mapa apenas onde há densidade considerável de pontos e notório contraste de relevo, relacionado a erosão diferencial.

Estas rochas apresentam uma foliação com direção preferencial NE-SW, a não ser entre a Serra das Flechas e o granito pegmatítico ao norte (fora da área), onde é condicionada a direções mais próximas de E-W, como ocorre com a unidade anterior. Apresenta mergulhos de

valores médios, mas nas áreas próximas a ZCPJC e aos corpos graníticos, a foliação tende a verticalizar. Os xistos, por serem uma rocha muito plástica, registram intensa deformação, apresentando dobras apertadas, isoclinais e intrafoliais (Figura 25.a). Uma sequência de antiformes e sinformes invertidos, com planos axiais de direção NE-SW, mergulhando para SE, modela as rochas desta unidade, conferindo uma vergência para NW.

Figura 25: Aspectos dos afloramentos dos micaxistos da Formação Seridó. (a) Biotita-xisto com granada apresentando xistosidade característica desta unidade, além de dobras intrafoliais e relíquias de charneiras transpostas; (b) nódulos destacados de granada- cordierita-biotita xistos criando relevo ressaltado, com porções sem a presença dos mesmos (parte inferior da imagem); (c) porfiroblasto centimétrico de silimanita.

A luz do microscópio, constatou-se que a composição mineralógica desta unidade é constituída por quartzo (30-50%), biotita (20-30%), plagioclásio (2-19%), cordierita (0-50%), granada (0-4%), muscovita (Tr- 5%), silimanita (0-4%), andaluzita (0-2%), clorita (0-2%), opacos (Tr-2%), turmalina (0-Tr), apatita (Tr) e zircão (Tr). Os porfiroblastos de cordierita e granada, por vezes de silimanita e andaluzita, estão dispostos sob uma matriz fina a média, composta predominantemente por quartzo, biotita e plagioclásio. Esses minerais encontram-se

orientados segundo uma foliação penetrativa, conferindo uma textura inequigranular porfirolepidogranoblástica.

O quartzo ocorre na forma de grãos recristalizados xenomórficos, de tamanho submilimétricos, muitas vezes inclusos nas cordieritas, até grãos maiores do que 5mm, na forma de exudados. Apresentam extinção ondulante e textura poligonal, podendo estar estirados segundo a xistosidade ou na forma de exudados dobrados, sugerindo ao menos duas remobilizações desse mineral. Formando o bandamento félsico, junto ao quartzo, tem-se os grãos submilimétricos recristalizados de plagioclásio, com geminação polissintética típica.

Os cristais de biotita são lamelares, xenomórficos a hipidiomórficos, de tamanho submilimétrico até 5mm, se apresentando alongados na xistosidade e inclusos nas cordieritas. Também são encontradas segundo orientação diferente da foliação principal, marcando outra fase deste mineral. São frequentes as inclusões de opaco e zircão, além do processo de muscovitização e cloritização. Finas ripas de muscovita são encontradas nas clivagens dos cristais de biotita e, assim como as últimas, apresentam cristais com diferentes orientações. Os cristais de clorita, produtos de alteração, apresentam textura mimética, mantendo o hábito ao substituir as lamelas de biotita, já os cristais primários de clorita são desestabilizados para formação de biotita durante metamorfismo progressivo (Figura 26.a). Os minerais opacos, no geral, estão na forma de inclusões submilimétricas mas também aparecem substituindo grande cristais de biotita, formados na sombra de pressão de porfiroblastos de cordierita. Apatita e zircão aparecem como pequenas inclusões hipidiomórficas, e os cristais de turmalina ocorrem em meio ao quartzo e plagioclásio, com seções basais triangulares arredondadas, de até 0,5 mm (Figura 26.b).

Os porfiroblastos de granada (almandina) são hipidiomórficos a xenomórficos e podem chegar até 6mm, podendo apresentar textura em atol. Observando a orientação das inclusões de opacos nas granadas (Si), que denotam forma sigmoidal, pode-se afirmar que a mesma é sin- tectônica ao evento que gerou a foliação externa (S3, como será visto próximo capítulo), vista pelo alinhamento dos filossilicatos, indicando que os porfiroblastos cresceram à medida que foram rotacionados, numa cinemática destral (textura bola de neve) (Figura 26.c).

Os porfiroblastos de cordierita são centimétricos, podendo ser vistos na escala de afloramento. São estirados segundo a foliação principal, assim como as inclusões, de praticamente todos outros minerais, inclusive granadas, caracterizando textura poiquiloblástica e crescimento sin-cinemático. Pode-se observar intenso processo de pinitização nas bordas dos cristais de cordierita.

A sillimanita pode ocorrer de maneira prismática, com fenoblastos centimétricos, longos e tabulares (Figura 26.d), ou na forma de fibrolita (Figura 26.e), sua variedade fibrosa, intercrescida com biotita, formando agregados de hábito acicular fino. O seu polimorfo andaluzita, com pleocroísmo róseo típico, é menos comum, formando porfiroblastos estirados de até 5 mm, com textura poiquiloblástica, associados a cordierita (Figura 26.f).

Figura 26: Fotomicrografias dos micaxistos da Formação Seridó. (a) Duas gerações de biotita (Bt1 e Bt2), segundo orientações diferentes, geradas a partir de clorita (Cl); (b) seções basais de turmalina (Tur); (c) granada com textura helicítica marcada pela foliação interna das inclusões de quartzo; (d) cristais prismáticos de silimanita (Sil), associados a quartzo e cordierita (Cord); (e) silimanita na sua forma de fibrolita (Fib) associada a cordierita poiquiloblástica; (f) grande porfiroblasto de andaluzita (And) poiquiloblástica associada a cordierita. N// = nicóis paralelos; NX = nicóis cruzados.

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