Esta unidade é formada por diferentes litotipos, sendo eles biotita micaxistos, mármores, anfibolitos, e as rochas calciossilicáticas, que afloram de forma mais restrita e descontínua, principalmente na linha axial da anticlinal de direção NE-SW, mas também bordejando os plútons intrusivos. As calciossilicáticas são provenientes de alteração hidrotermal tardia, mas como estão associadas diretamente com os outros litotipos desta unidade, foi nela também posicionado.
Os micaxistos tem cor cinza e textura fina a média, apresentando bandamento composicional contínuo (Figura 4.12.a). Os micaxistos desta unidade também são muito semelhantes aos da unidade superior (Formação Seridó), com xistosidade bem desenvolvida, sendo formado por biotita, quartzo, plagioclásio e por vezes granada, o que dificulta traçar o contato entre ambos. A semelhança litológica indica um contato interdigitado entre as unidades,
onde os metassedimentos indicam uma mudança gradativa do ambiente deposicional dos seus protólitos.
O biotita micaxisto apresenta composição mineralógica constituída de quartzo (35- 45%), plagioclásio (25-30%), biotita (30-35%), muscovita (1-5%), opacos (Tr), apatita (Tr) e zircão (Tr). A foliação de aspecto xistoso, observada nos afloramentos, fica evidenciada pelo alinhamento das micas, principalmente biotita, que formam níveis ricos em máficos, segregados de níveis félsicos (quartzo-feldspáticos), definindo textura granolepidoblástica (Figura 19.a e b).
O quartzo e plagioclásio encontram-se estirados na foliação, com cristais xenomórficos de tamanhos variados (0,1 mm – 0,5 mm) exibindo textura granoblástica poligonal. As lamelas de biotita, variando entre 0,1 mm até 2,5 mm, xenomórficas a hipidiomórficas, ocorrem orientadas segundo duas direções, indicando duas gerações distintas deste mineral (Figura 19.c). A muscovita, incolor, com valores altos de cor de interferência, ocorre como placas hipidiomórficas de até 2mm, substituindo as lamelas de biotita (Figura 19.c), podendo ser encontradas nas clivagens da mesma, na forma de finas lamelas (Figura 19.b). Os minerais opacos, assim como a apatita e o zircão, estão sob a forma de pequenas inclusões submilimétricas. Este último é responsável por gerar halos pleocróicos quando inclusos nos cristais de biotita (Figura 19.d).
Figura 19: Aspectos dos biotita micaxistos da Formação Jucurutu. (a) Afloramento do biotita micaxisto exibindo foliação destacada pelo bandamento composicional (máfico/félsico); (b) fotomicrografia exibindo segregação de bandas ricas em biotita (Bt), apresentando textura esquelética, e bandas ricas em quartzo (Qtz) e plagioclásio (Pl), ambas estiradas segundo foliação; (c) duas orientações preferenciais de biotita, registrando diferentes gerações deste mineral (Bt1 e Bt2), e formação de muscovita (Mu) a partir da biotita; (d) halo pleocróico em biotita, devido a zircão incluso. N// = nicóis paralelos; NX = nicóis cruzados.
Os mármores, associados aos biotita micaxistos, registram a mudança para um ambiente de sedimentação carbonática na qual foram depositados os protólitos (Figura 20.a). Este litotipo tem sua maior exposição próximo a serra Branca, dando forma a pequenas serras alongadas, com tonalidade escura, onde se encontram minas de mármore. Esta lente de mármore apresenta um trend NE-SW até encontrar o granitoide que dá forma a serra das Flechas, que rotaciona as camadas de mármore no momento de sua colocação. Mais ao sul, esta mesma lente é deslocada por uma falha transcorrente sinistral, marcada no rio Seridó. Pequenos afloramentos também foram observados ao redor do Serrote Redondo e ao norte da serra das Flechas.
A maioria destes mármores são provenientes de calcários impuros, visto o bandamento composicional com níveis brancos e cinzas (Figura 20.b). São compostos predominantemente por uma matriz de calcita-dolomita (55-85%), de textura inequigranular, onde estão dispostos agregados radiais de tremolita (5-25%), além de flogopita (2-12%), serpentina (0-3%), talco (0- 2%) e opacos (Tr).
Figura 20: Aspectos dos flogopita-tremolita mármore da Formação Jucurutu. (a) Contato direto do mármore com o biotita micaxisto em afloramento próximo a serra das Flechas; (b) bandamento composicional dos calcários impuros da Formação Jucurutu.
A matriz ocorre na forma de grãos xenomórficas recristalizados de calcita (dolomita), com tamanho variando desde 0,1 mm até 3 mm, podendo estar estirados segundo a foliação, por vezes exibindo clivagem romboédrica e maclas características. A tremolita apresenta hábito prismático alongado, na direção da foliação, com cristais chegando até 6 mm de comprimento. Exibem seções basais losangulares e podem ocorrer como agregados radiais (Figura 21.a). As lamelas de flogopitas, de cor amarelo-dourado, também estão orientadas sob forma de agregados hipidiomórficos de até 2,5 mm (Figura 21.b). Exibem clivagem única, na direção do comprimento, além de birrefringência alta. O talco está na forma de pequenas lamelas incolores, medindo em média 0,3 mm, associadas aos minerais dolomita e tremolita (Figura 21.d). A serpentina ocorre como agregados irregulares de cristais fibrolamelares (de até 2 mm), incolores, que exibem típicas cores de interferência de primeira ordem, estando associados aos cristais de dolomita e tremolita (Figura 21.c).
Figura 21: Fotomicrografias dos flogopita-tremolita mármores da Formação Jucurutu. (a) Prismas alongados de tremolita (Tr), orientados segundo foliação; (b) agregados orientados de flogopita (Flg) entre grãos de calcita-dolomita (Cc) e tremolita; (c) agregados fibrolamelares de serpentina (Sp) associados a calcita-dolomita; (d) pequenas lamelas de talco (Tal) como alteração da calcita-dolomita e tremolita.
A oeste da lente de mármore, há uma lente de tremolitito que também tem sua direção rotacionada assim como o litotipo anterior. Quase não há afloramentos desta rocha, já que sua composição mineralógica, formada basicamente por tremolita, é mais susceptível ao intemperismo e erosão (Figura 22.a). Durante estes processos, há oxidação dos minerais ferro- magnesianos, gerando como produto de alteração um solo avermelhado (Figura 22.b). A partir dele, foi possível estimar as dimensões e o contato desta lente com o bitotita micaxisto.
Este litotipo é essencialmente composto por tremolita (90%) e serpentina (10%), onde o anfibólio pode ocorrer como agregados de feixes fibroradiais, ou como cristais tabulares prismáticos (de 0,3 mm até 3,5 mm), xenomórficos a hipidiomórficos, alongados segundo diferentes direções, registrando mais de uma geração desta fase mineral (Figura 22.c). Podem exibir seções basais romboédricas típicas, marcando as duas direções de clivagem (Figura 22.d). A serpentina, produto de alteração da tremolita, ocorre como agregados fibrolamelares de até 2,0mm, orientadas assim como os anfibólios.
Figura 22: Aspectos do tremolitito da Formação Jucurutu. (a) Um dos raros afloramentos, mostrando a cor cinza esverdeada e foliação presente neste litotipo; (b) típico solo escuro avermelhado, oriundo da alteração dos minerais ferro-magnesianos do anfibolito; (c) fotomicrografia onde se destaca a grande quantidade de tremolita (Tr), com cristais orientados em duas diferentes direções principais; (d) cristais maiores de tremolita, com clivagem romboédrica típica, estirados segundo foliação principal, assim como as serpentinas (Sp). Nota-se uma foliação anterior, que tende a orientação da foliação principal, marcada por tremolitas alongadas e fibrosas, na parte inferior da fotomicrografia. NX = nicóis cruzados.
Nesta unidade foram registradas rochas calciosilicáticas, sempre associadas aos micaxistos e lentes de mármore. Este litotipo não conta com muitos afloramentos, marcando presença principalmente na forma de blocos rolados. O único afloramento observado, de difícil acesso, foram as cavas abandonadas, próximas do contato com o granitóide de Serra das Flechas, onde possivelmente era extraído scheelita (Figura 23.a). As outras ocorrências foram observadas pela presença de blocos rolados próximos as pequenas lentes de mármore ao redor do Serrote Redondo, não sendo passíveis de ser cartografadas na escala do mapeamento.
Estas rochas tem coloração esverdeada típica devido a presença de actinolita (35-60%), com cristais hipidiomórficos centimétricos, e diopsídio (2-10%), de cor verde claro a incolor, com cristais de até 5mm, principalmente na forma de agregados hipidiomórficos a xenomórficos. Os anfibólios aparecem associados ao piroxênio, por vezes na forma de agregados de actinolita bordejando cristais de diopsídio, indicando a desestabilização deste último na formação do primeiro (Figura 23.b). Estes minerais formam bandas intercaladas com
bandas ricas em quartzo (20-30%) e plagioclásio (17–25%), orientadas segundo foliação, o que denota uma textura granonematoblástica (Figura 23.c), apresentando ainda microdobras nas seções delgadas analisadas. O quartzo em sua maioria é microgranular, mas ocorre também na forma de exudados. Já os cristais de plagioclásio encontram-se saussuritizados, ou seja, alterados para uma massa fina de cristais de mica branca, epidoto e calcita.
Como minerais acessórios estão presentes minerais opacos (Tr-1%) e titanita (Tr-2%), essa última conta com cristais subédricos de 2,5mm (Figura 24), mas ocorrem principalmente de forma granular, formando trilhas segundo a foliação.
Figura 23: Aspectos das rochas calciossilicáticas da Formação Jucurutu. (a) Único afloramento observado deste litotipo, localizado próximo ao contato do granitoide de serra das Flechas, evidenciando foliação de mergulho alto, além da cor esverdeada e veios de composição quartzo-feldspática; (b) fotomicrografia evidenciando processo de uralitização, na qual diopsídio (Di) desestabiliza para actinolita (Act); (c) bandas quartzo-feldspáticas e de actinolita poiquilobástica conferindo textura granonematoblástica a rocha.
Figura 24: Fotomicrografia destacando relação de contato entre actinolita (Act) e plano basal de titanita (Ti) hipidiomórfica, indicando a formação posterior do anfibólio.