As línguas estão sempre mudando, tanto de forma diacrônica como sincrônica. Só que essa mudança não se dá de forma abrupta nem rápida. São três etapas destacadas por Labov (apud CALVET, 2002, p. 87): na origem, a mudança se reduz a variação no discurso de algumas pessoas, depois se propaga e passa a ser adotada por tantos falantes que doravante se opõe à forma mais antiga. Finalmente, a variante inovadora se realiza e alcança a regularidade, eliminando a variação com a forma mais antiga.
Existem várias formas de se perceber a mudança linguística. Uma delas é o contato entre jovens e idosos, no qual se podem verificar diferenças no vocabulário, nas construções de frases (fraseológicas), na pronúncia de algumas palavras, dentre outros. O contato com textos escritos de outros séculos, distantes do atual, também pode indicar o quanto houve mudanças linguísticas no tempo. Veja o que diz Chagas (2002 p. 142) sobre isso:
[...] um texto do século XIII, época dos primeiros registros escritos em português, não era igual à de um texto do século XVII, e que nenhum dos dois é igual à forma como escrevemos hoje em dia. [...] a distância de alguns séculos entre os textos facilitaria a localização de elementos que mudaram.
Mudança ortográfica não significa mudança linguística, por isso ao ler um texto de outros séculos/épocas, o indivíduo deve ter em mente que a língua escrita não tem como objetivo representar a língua falada e, muitas vezes, só há mudança ortográfica.
As mudanças podem ocorrer em vários níveis gramaticais, como sintático, morfológico, fonológico, semântico, lexical, etc. Uma mudança em um componente gramatical pode levar a alterações em outros níveis linguísticos. Há que se considerar que:
[...] a língua escrita não reflete todas as mudanças que ocorrem na língua falada. A língua escrita vem normalmente a reboque das mudanças ocorridas na língua falada, havendo freqüentemente uma defasagem entre o aparecimento de mudanças na língua falada e o momento em que elas passam a ser aceitas ou pelo menos toleradas na língua escrita (CHAGAS, 2002 p. 147).
A visão de Saussure em relação à mudança linguística é de que a linguística interna é essencial aos estudos dos elementos da língua e o relacionamento entre si, excluindo a linguística externa dos estudos. A diacronia era vista por Saussure como dinâmica, com duração no tempo, e a sincronia, momentânea e estática, não podendo ser combinadas.
No entanto, Jakobson estabelece comparações entre as dicotomias saussureanas, correlacionando-as entre si, como fatos sincrônicos e estáticos, fatos sincrônicos e dinâmicos, fatos diacrônicos e estáticos e fatos diacrônicos e dinâmicos.
Para Saussure, a língua em um dado momento é “um conjunto fechado e homogêneo de regularidades, de fatos estáticos [...]”. Saussure considera a língua autônoma, com a sincronia vista em primeiro plano, sem a interferência da estrutura social sobre a língua.
Chomsky, com os estudos linguísticos gerativistas, considera que os falantes são criativos no uso linguístico, não se restringindo a repetições. O conhecimento linguístico está no falante, ou seja, passa da manifestação externa para a internalização da forma linguística pelo falante.
A abordagem variacionista de Labov busca relacionar a língua, suas variações e mudanças com a heterogeneidade social. Mantém na análise da língua a estrutura social e sua história. Frisando o assunto, Chagas (ibidem, p. 149) destaca que:
Para Labov, toda língua apresenta variação, que é sempre potencialmente um desencadeador de mudança. Como a mudança é gradual, é necessário passar primeiro por um período de transição em que há variação, para em seguida ocorrer a mudança. Como a mudança e a variação estão estreitamente relacionadas, é muito difícil estudar uma sem estudar a outra.
Coseriu (1979 apud CHAGAS, 2002) defende a tese de que a língua está sempre sendo recriada, nunca pronta e acabada por que novas gerações surgem e recriam sua língua, estando sujeita a novas alterações/mudanças.
A recriação pode gerar inovações, mas nem toda inovação permanece na comunidade linguística. A língua está sujeita a sofrer mudanças, devido a um desequilíbrio entre variantes e esse desequilíbrio pode ser alterado devido a fatores internos ou externos à língua. Partindo da relação entre língua/sociedade, tanto a língua quanto a sociedade podem apresentar uma grande heterogeneidade que é a raiz de toda mudança. A heterogeneidade na sociedade pode gerar heterogeneidade na língua, assim como a língua pode gerar heterogeneidade.
Há um consenso entre os linguistas em afirmar que toda mudança pressupõe variação, mas nem toda variação gera mudança. Para haver mudança é preciso que haja em um período a coexistência entre duas ou mais variantes e o domínio de uma das variantes em conflito.
Há dois fatores que dificultam a mudança linguística, são eles linguísticos ou
extralinguísticos. Os linguísticos estão relacionados à própria organização da língua, seus
elementos internos, suas regras de funcionamento. Já os extralinguísticos relacionam-se à inserção da língua na sociedade.
A mudança linguística pode também ocorrer a partir do contato com outras línguas e pode também ocorrer devido a fatores internos ou externos, como a comunidade em que está inserida.
Fatores que se relacionam à mudança podem ser a idade, o sexo, a classe social, o
prestígio social dado às variantes, etc. O sociolinguista observa a existência de mudança
linguística por duas formas: através da observação de falantes de faixas etárias distintas, para observar as variáveis, mudança em tempo aparente; e acompanhando a mudança em tempo
real, por meio dos falantes, ou por meio de duas amostras diferentes da mesma comunidade
em tempos diferentes.
empíricos para a teoria da mudança linguística. São eles:
1) O problema dos fatores condicionantes, cujo objetivo é determinar o conjunto de