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Appendix D. Exits to User-Prepared Routines

Eis aqui um grupo que definitivamente influenciou a literatura joanina, e que teve força na comunidade e possivelmente liderança em alguns locais. No quarto evangelho algu- mas mulheres não são apenas coadjuvantes, mas elas têm voz. Começaremos então analisando as personagens mais importantes, onde o redator reforçou algum protagonismo teológico.

A abertura dos sinais, no evangelho apresenta a mãe de Jesus intercedendo por uma festa de noivado antecipando assim o ministério de Jesus. Entre tantas possibilidades para esse diálogo a palavra de Jesus “a sua hora” pode representar seu martírio, mas em nosso estudo esse tema terá outros caminhos como veremos mais adiante. Mas também se tornará “o início dos sinais” (KONINGS, 2005. p.103). Aqui simbolicamente a mãe de Jesus representa

Israel que precisa do socorro de Deus por meio de seu filho. Outro aspecto é a autoridade da mãe, que diz aos empregados: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (Jo 2,5). Parece ser uma voz com respeito na comunidade.

No contexto posterior da narrativa Joanina, temos também as irmãs Marta e Maria. A expressão que é usada para falar do personagem que aparentemente parece ser o mais impor- tante no cenário “Lázaro é apresentado pela frase Hn de, tij (En dé tis) em uma tradução literal ficaria “Estava alguém”, o pronome indefinido enclítico tij (tis) talvez pudesse ser traduzido “alguém, qualquer um[...]” (Cf. BRITO, 2011, p. 96). Assim Lázaro não precisa ser necessariamente o personagem mais importante dessa família.

No verso 5 a forma de amor de Jesus direcionada a Marta é Hga,pa “Agápa” é a forma de amor incondicional dirigida a ela seguindo sua irmã e Lázaro respectivamente. Esses pon- tos já nos ajudariam a entender o valor de Marta, mas a frase que é colocada em sua boca (Jo 11,27) “eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo”, enfatiza

essa particularidade. “Marta desempenha na comunidade joanina papel semelhante ao de Pe- dro, na comunidade de Mateus (Mt 16,15-19)”, (LOPES, 1996, p. 89). Da mesma forma outro fator importante é apresentado no final do capítulo (20,31) onde sua confissão de fé é repetida.

Quando falamos de Maria a irmã de Marta, percebemos o prestígo de seu ministério dentro da comunidade. No início do texto ela é apresentada como a irmã que ungiu os pés de Jesus, fato que marcou a comunidade e que devia ser conhecido de muitos. A frase de Maria é idêntica à de Marta, e nos faz lembrar a fé paulina (1Co 11,1) “Sede meus imitadores”, onde Maria reproduz a ação de Marta.

No capítulo 12 temos uma cena tão importante que relembra a atitude do mestre na ceia. Maria é responsável pela adoração que é atestada por João com seu típico relato exage- rado e que nessa perspectiva Maria agrada a Jesus, como também enfurece os falsos crentes. Confirma-se aqui (Jo 15,18) “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.” O repúdio que nos sinóticos foi sinalizado pelos fariseus e judeus, aqui é associado a Judas chamado nessa perícope de ladrão.

Na cruz temos diversas mulheres, ainda que algumas não possam ser identificadas plenamente, sabemos que lá estavam Maria Madalena, as Marias e a mãe de Jesus diante dos momentos finais do seu martírio, aquelas que foram fiéis até o fim juntamente com o discípulo amado. Acreditamos que o ministério dessas mulheres era inconfundível na comunidade, pois estar aos pés da cruz onde os apóstolos não estiveram proporciona a essas personagens um prestígio inestimável.

Portanto, temos Maria Madalena a primeira pessoa a ver a ressurreição, não se pode negligenciar o fato de que essa personagem é importantíssima para a história da igreja. Alguns fatores nos fazem perceber quão importante é essa personagem na tradição.

Primeiro ela está na crucificação, depois ela é a primeira a encontrar o sepulcro vazio e avisa os discípulos. Em seguida ela vê anjos, algo que nem os discípulos teriam visto mesmo entrando no sepulcro como o caso de Pedro e o discípulo amado. Seguindo o relato Jesus fala com ela usando a mesma frase dos anjos e após esse breve diálogo Jesus a chama pelo nome e assim ela o reconhece como o pastor que chama suas ovelhas (Jo 10,10).

Mesmo com tudo isso, não podemos dizer que ela é a líder da comunidade, ou um símbolo da comunidade, como apresentaremos mais adiante. Mas ela pode representar grupos cristãos, que não entendem a revelação, ou são os dissidentes.

E por fim, em 2 João o autor diz “A eleita e seus filhos”, Anderson nos mostra que parece que esta pequena carta foi redigida para uma liderança feminina. E como ele mesmo apresenta é impossível saber quem essa pessoa poderia ter sido, ele até supõe que nos anos 80 e 90 d.C, seria improvável que Maria, a mãe de Jesus, fosse viva. (2016, p. 2).

Pode ser que essa carta como ele menciona e que vem escrito "filhos da sua irmã escolhida" (2Jo 1, 13), esteja se referindo exclusivamente a comunidade. Claro, se isso é uma referência à comunidade da igreja do Ancião, então "a eleita senhora" no v. 1 poderia repre- sentar uma referência feminina, mas diretamente ligada à comunidade da igreja e não a uma pessoa. Guiado por essa possibilidade, Gass afirma que “parece ser uma das igrejas sobre as quais o Presbítero é responsável (GASS, 2005, p. 35). Segundo Anderson, como o cristia- nismo se reunía nas casas, os homens exerciam liderança pública e as mulheres casadas eram líderes em seus lares. Portanto, é plausível que o destinatário desta carta tenha sido uma líder feminina (2016, p.2). A partir disso entendemos, que o evangelho de João apresenta uma visão elevada das mulheres o que não seria supreendente. Lembrando que, nesse contexto, as referências à "eleita senhora" e à "sua irmã eleita" 2João 1 e 2João 1,13 apoiam essa proba- bilidade. (ANDERSON, 2016, p. 2).

Em todo caso mesmo nada podendo ser provado, existe alguma possibilidade desse tipo de pequena liderança, evidentemente devemos guardar as devidas proporções diante do que sabemos sobre a leitura histórica do ser humano, e que as sociedades são reflexões de seu próprio período, portanto a comunidade de João também é filha de seu próprio tempo. Por isso, não devemos esperar que o que chamamos de autoridade, esteja na mesma proporção que entedemos hoje. E, nesse caso, não seriam autoras, e nem líderes principais, mas poderiam evidentemente cuidar de comunidades que se uniam no culto em seus lares.