2.4 Les supraconducteurs `a haute temp´erature critique
2.4.3 Diff´erentes th´eories propos´ees pour la supraconductivit´e des cuprates
No campo das qualidades técnicas do evento estudo de caso foram considerados os serviços – acções paralelas de que o evento dispôs, os aspectos estruturais, bem como, o desempenho do staff.
Referente aos serviços do evento, o mesmo conta não só com a presença permanente de 13 restaurantes, com as apresentações e acções paralelas de cozinheiros portugueses e estrangeiros (50% cozinheiros da região de Lisboa, 25% do resto do país e 25% do estrangeiro, no total de 23 chefes), que tem sido claramente o êxito e grande factor de diferenciação do evento, mas também com a presença de vários expositores de produtores nacionais no mercado gourmet.20
É importante referir outros serviços do evento nomeadamente, as parcerias estabelecidas entre chefes e produtores na divulgação dos seus produtos, assim como, as acções paralelas sobre outros produtos relacionados com o principal, designadamente o vinho, com vista ao esclarecimento e clarificação referente a pormenores, dúvidas e harmonizações que possam ser feitas. Todos os serviços mencionados foram utilizados pelos participantes entrevistados, tendo no geral todos utilizado o serviço de restauração, alguns assistido às apresentações e provas de vinhos, sendo que nenhum participou nos cursos culinários ou nas harmonizações.
Segundo Neto (1998: 122), um evento de sucesso ocorre sempre num local agradável, de beleza natural, de fácil acesso e de grande comodidade para o público. Portanto, a escolha adequada do
local do evento é factor indispensável para o seu sucesso. Foram considerados como factores determinantes do processo de escolha do local do evento, a sua acessibilidade, comodidade, infra- estrutura de serviços e o seu ambiente natural como elemento estético predominante, no entanto, alguns dos factores mencionados devem ser revistos em edições futuras, nomeadamente, a acessibilidade e estacionamento.
Referente aos aspectos estruturais do espaço, a produtora do evento menciona que a realização do mesmo contribuíu para que o Turismo de Lisboa e a própria Câmara Municipal conseguissem a partir deste iniciar a recuperação de um espaço que actualmente se encontra recuperado, apresentando-se de forma completamente diferente e que no fundo concede à cidade de Lisboa uma nova sala de visitas para a realização de eventos – o Pátio da Galé.21 O maior desafio do espaço foi sobretudo a questão de segmentação de espaços, uma vez que, a produtora do evento procura no evento que organiza que os visitantes sejam logo que quase automaticamente conduzidos através dum percurso, dum trajecto dentro do próprio evento, que seja o mais facilmente perceptível, o mais práctico e o mais acessível em termos logísticos para o visitante. Por este motivo, o espaço obedece sempre a um grande planeamento, nomeadamente logístico.22 Exemplo disso, devido à realização de fiscalizações, toda a parte desde esgotos, recolha de lixos, eletricidade e iluminação, tudo é montado e depois retirado.
A organização defende que os restaurantes dispõem de cozinhas de boa qualidade, para além de que para a criação do espaço de restauração, há todo um lado de decoração, de colocação de mesas, cadeiras, sofás, de um auditório com capacidade para 160 a 180 pessoas, salas de provas, mercado e biblioteca gourmet e restantes estruturas de apoio ao evento.23
Das características estruturais do espaço igualmente fazem parte as questões de segurança, nomeadamente saídas de emergência, mobilidade condicionada, entre outras, tudo é previsto para o maior conforto do participante. Nesta edição e no Pátio da Galé, em termos de aspectos estruturais e físicos a organização admite que tiveram a tarefa facilitada, porque após a remodelação do Pátio da Galé este já foi infra-estruturado, nomeadamente em termos de electricidade, de esgotos e de cobertura.24
Um dos parceiros, contrariamente à organização não têm a mesma opinião relativamente às cozinhas, sobretudo a nível de bastidores, dado que considera que as mesmas não são fáceis de gerir, sobretudo porque o espaço de armazenamento que existe na área comum, segundo o mesmo, não é suficiente. O mesmo afirma que o horário de fornecimento de mercadoria também
21 Informação extraída de entrevista realizada a José João Santos (ver Anexo 7, pág.7-8, linhas 198-202) 22 Informação extraída de entrevista realizada a José João Santos (ver Anexo 7, pág.8, linhas 205-209) 23 Informação extraída de entrevista realizada a Duarte Calvão (ver Anexo 7, pág.19, linhas 591, 597-602) 24 Informação extraída de entrevista realizada a Duarte Calvão (ver Anexo 7, pág.20, linhas 208-613)
limita o trabalho dos chefes, no entanto afirma que este facto não depende da organização, mas sim dos fornecedores. 25
Alguns dos parceiros consideram que as salas onde decorreram as provas ficam áquem do pretendido, devido a serem escuras, com condições insuficientes e mal sinalizadas, no entanto mencionam que o Pátio fala por si só, por se localizar numa das praças mais bonitas da Europa.26 Um outro parceiro afirma que o evento encontra-se neste momento a limar uma série de arestas, destacando que um dos problemas anteriores a esta edição era a informação sobre como se processava a compra das refeições e dos vinhos, sendo que nesta edição o evento decorreu de forma mais fluída, tendo o espaço demonstrado ser melhor gerido. No que concerne aos detalhes, o parceiro mencionou que o sistema de talheres, o sistema de limpeza, a recolha de material pareceu segundo sua opinião estar melhor afinado, para as quais contribuíu a produção e organização terem ouvido o feedback das pessoas. 27
Para que a oferta funcione como um todo, a interacção deve ser incentivada pela produtora do evento perante os seus participantes, mas também perante os seus funcionários, para que estes possam proporcionar uma experiência agradável (Andrés et al., 2005: 31).
No que concerne ao papel dos funcionários, a simpatia é factor de relevante importância, bem como, estes terem a percepção de quais são as suas competências e qual o objectivo da oferta criada pela organização do evento.28 Os visitantes na sua totalidade devem ser recebidos da mesma forma independentemente da sua origem e é necessário que o funcionário demonstre essa preocupação. Assim, como não deve haver distinção entre visitantes, a mesma não deve existir entre funcionários, sendo de igual importânica o funcionário da limpeza, o funcionário que se encontra na recepção, o que se encontra na assistência do auditório, ou seja, toda a equipa é absolutamente fundamental e se algum dos elementos falhar é a imagem do próprio evento que é colocada em causa, a qual se pode reflectir negativamente na experiência do evento mediante alguma falha.29
Na óptica dos participantes, a equipa operacional do evento demonstrou bom desempenho, ainda que alguns dos elementos fossem considerados amadores neste género de eventos, no entanto, segundo opinião dos participantes, o amadorismo foi compensado pela simpatia, que é porventura o magnífico cartão-de-visita do evento.30 A equipa funcionou bem, devido à sua
25 Informação extraída de entrevista realizada a Luís Baena (ver Anexo 7, pág.32, linhas 1044-1049) 26 Informação extraída de entrevista realizada a Luís Baena (ver Anexo 7, pág.32, linhas 1010-1013) 27 Informação extraída de entrevista realizada a Manuel Moreira (ver Anexo 7, pág.39, linhas 1242-1251) 28 Informação extraída de entrevista realizada a José João Santos (ver Anexo 7, pág.10, linhas 290, 295-296) 29 Informação extraída de entrevista realizada a Duarte Calvão (ver Anexo 7, pág.22, linhas 700-714)
constante presença e tentativa de solucionar todas as situações emergentes, estando os mesmos segundo os participantes à altura da qualidade do evento.
3. Qualidades funcionais
Não importa se a natureza da oferta é real ou simulada, o que é importante é que a mesma seja extraordinária. Cada vez mais os participantes procuram e essencialmente precisam de locais espectaculares para mantê-los interessados, no entanto, não é a extravagância do local que é importante, mas sim o interesse de onde o evento tem lugar para os participantes/ consumidores. Para além do número de estímulos incorporados numa única experiência, um outro aspecto a considerar é a incorporação dos diferentes tipos de experiências num ambiente experiencial. Relativamente à criação de um ambiente distinto, a organização afirma que não há muitos eventos temáticos gastronómicos em Portugal que tenham o ambiente que o «Peixe em Lisboa» apresenta. Houve uma grande aposta desde a 1ª edição, a organização pretendeu fazer algo com qualidade diferente em termos de ambiente de outros eventos do género que se realizam em Portugal.31 Os parceiros igualmente consideram que o espaço estava fantástico, procurando a produtora segundo os mesmos criar um ambiente gastronómico com alguma sofisticação, caracterizado por um ambiente de luz, cor, que o torna bastante agradável.32 O evento caracterizou-se segundo os participantes por um ambiente singular e diferente através de todos os pequenos detalhes que o mesmo apresentava.33
Os participantes consideram que o espaço permite a proximidade com os chefes. Devido à pequena dimensão do mesmo, esta característica tornou-o mais intimista e envolvente. A dimensão apenas pode segundo os participantes ter um lado negativo devido à excessiva afluência, dado que houve dias em que se verificou ser complicado ter acesso a mesas livres. No entanto, os mesmos consideraram o ambiente esteticamente bonito e que a escolha do edifício foi primordial, a qual se apresentou como representativa de grande parte do sucesso do aspecto visual, da imagem acolhedora e de qualidade distinta que o evento tem.34
O exposto no início deste ponto conduz-nos ao impacto que possa ser gerado pelo evento através das suas qualidades, não apenas pelo ambiente criado e vivenciado, mas por toda a interligação existente entre as qualidades quer funcionais, quer técnicas do evento com os elementos tangíveis e pessoais do mesmo e dos seus intervenientes.
31 Informação extraída de entrevistas realizadas a José João Santos e Duarte Calvão (ver Anexo 7, pág.7, linhas 185- 188/ pág. 19, linhas 585-587)
32 Informação extraída de entrevista realizada a Rui Costa (ver Anexo 7, pág.56, linhas 1798-1802)
33 Informação extraída de entrevista realizada a Manuel Magalhães e Silva (ver Anexo 7, pág.50, linhas 1623-1625) 34 Informação extraída de entrevista realizada a Rui Costa (ver Anexo 7, pág.56, linhas 1804-1811)
No que concerne ao impacto gerado pela experiência proporcionada pelo evento, a produtora defende que o primeiro impacto que o visitante sente quando entra no evento é que não entrou propriamente num evento de gastronomia, sendo que os participantes quando entram num evento como o “Peixe em Lisboa” observam logo à partida alguns aspectos diferenciadores, seja o design, a imagem, o próprio ambiente que acaba por ser criado, o tipo de música, a disposição, os restaurantes e expositores do mercado gourmet que se encontram no respectivo espaço do evento. Tudo isto contribui para que a primeira impressão dum visitante seja a de que entrou em algo diferente do que aquilo a que está habituado a assistir e a participar em Portugal. A produtora defende ainda que o maior impacto é efectivamente criado pelos restaurantes representados e pelo contacto com os chefes e que o menor impacto se reflecte pelos pequenos pormenores que o evento tem, que não fazem com que as pessoas se deslocam propositadamente ao evento por eles, nomeadamente, alguns expositores do mercado gourmet, que promovem os seus produtos, mas que para o visitante podem passar despercebidos.35
Na óptica dos parceiros, o maior impacto da experiência revela-se através das apresentações e contacto directo com os chefes e o facto de eventualmente os restaurantes terem outros chefes mediáticos convidados neles presentes, bem como, o facto de os participantes poderem experimentar alguns pratos que por serem inacessíveis à maior parte das pessoas, se encontram no evento a preços acessíveis.36 A nível de impacto são igualmente mencionados pelos parceiros o acesso aos cursos culinários e às provas de vinhos, bem como o ambiente, uma vez que a qualidade que é criada, a decoração, os lugares, a iluminação, a música, em torno do evento tem sido segundo opinião dos mesmos, a experiência a que o público dá mais valor.37 Na questão de menor valor são assinaladas as apresentações de alguns cozinheiros que são menos conhecidos e que por esse motivo podem ter menor adesão.38
O principal impacto gerado é de opinião unânime entre os entrevistados, dado que os participantes afirmam que o maior impacto que tiveram no viver da sua experiência foi o contacto com as novidades em termos gastronómicos quer de confecção, quer de produto, bem como o contacto com os chefes, sendo que este contacto é bastante positivo e muito importante, porque o participante observa quem confecciona, quem dá nome e quem dá a cara pelas iguarias apresentadas, sendo esta uma mais-valia da experiência.39
35 Informação extraída de entrevista realizada a José João Santos (ver Anexo 7, pág.3,5; linhas 43-48, linhas 104-109) 36 Informação extraída de entrevistas realizadas a Luís Baena e Manuel Moreira (ver Anexo 7, pág.29, linhas 922- 923/pág. 36, 1147-1149)
37 Informação extraída de entrevista realizada a Paulo Morais e Duarte Calvão (ver Anexo 7, pág.43, linhas 1343- 1344/ pág. 16, linhas 482)
Das percepções para além dos elementos e qualidades mencionados, incorporam as mesmas factores pessoais e externos. No caso dos factores pessoais, será importante considerar qual o envolvimento que foi estabelecido pelos intervenientes com o evento em si, bem como, qual o benefício que é gerado pela experiência, procurando-se averiguar as opiniões dos mesmos referente a estes. No que concerne aos factores externos, o objectivo será perceber até que ponto o quotidiano dos intervenientes é alterado face à realização do evento.